{"id":621,"date":"2023-06-20T23:28:37","date_gmt":"2023-06-20T23:28:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/?post_type=portfolio&#038;p=621"},"modified":"2023-06-20T23:35:03","modified_gmt":"2023-06-20T23:35:03","slug":"eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose\/","title":{"rendered":"EIXO 1: O Mundo Rumo \u00e0 Psicose"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;984329&#8243;][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; equal_height=&#8221;yes&#8221; gutter_size=&#8221;0&#8243; 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Tomando como suporte o seu esquema \u00f3tico, aquele da reflex\u00e3o invertida do vaso de flores, Lacan far\u00e1 a equival\u00eancia entre a figura do vaso que se forma como imagem no espelho e o que ele chama de \u201ccena do mundo\u201d. \u00a0Para Lacan, o mundo \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, delimitada por um enquadre simb\u00f3lico. Seguindo a l\u00f3gica do est\u00e1dio do espelho, a imagem que fazemos do mundo se forma a partir dos mesmos elementos que constituem a imagem de nosso pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia \u00e0 \u201ccena do mundo\u201d indica, por sua vez, o seu car\u00e1ter fantasm\u00e1tico. O mundo se constr\u00f3i do mesmo modo como as fantasias s\u00e3o constitu\u00eddas. \u00c9 o que ir\u00e1 fundamentar a equival\u00eancia que Lacan estabelece entre a realidade e a fantasia. Por outro lado, ele ir\u00e1 chamar a aten\u00e7\u00e3o para o que, da experi\u00eancia humana, n\u00e3o se inscreve na cena do mundo, por n\u00e3o ser pass\u00edvel de representa\u00e7\u00e3o ou de inscri\u00e7\u00e3o como imagem no espelho.\u00a0 Melhor dizendo, para que a cena do mundo se constitua como tal, esse elemento irrepresent\u00e1vel, esse excedente que perturba a harmonia do palco, precisa ser dele extra\u00eddo ou ent\u00e3o recoberto pela dimens\u00e3o de tela da fantasia. Esse elemento &#8211; o real, sob a forma do objeto (a) &#8211; distingue-se, portanto, da realidade do mundo, ao mesmo tempo que, por sua extra\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que permite que isso que chamamos de realidade se organize.<\/p>\n<p>Outros aspectos da interpreta\u00e7\u00e3o lacaniana da no\u00e7\u00e3o de mundo est\u00e3o presentes no <em>Semin\u00e1rio 20: mais, ainda<\/em>. Encontramos ali uma cr\u00edtica \u00e0 cosmologia como concep\u00e7\u00e3o esf\u00e9rica do mundo dotada de um centro, ao mesmo tempo em que ele demonstra a vincula\u00e7\u00e3o da ideia de mundo ao discurso filos\u00f3fico \u2013 do mundo como produto de uma representa\u00e7\u00e3o do sujeito e para o sujeito \u2013 confluindo com uma ontologia que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se assegura no princ\u00edpio ordenador do Nome do Pai situado em alguma parte dentro e\/ou fora do cosmo.\u00a0 Mas ser\u00e1 tamb\u00e9m nesse <em>Semin\u00e1rio<\/em> que Lacan far\u00e1 uma refer\u00eancia ao mundo como um campo de \u201csentidos compartilhados\u201d, como \u201cessa boa rotina que faz com que o significado guarde, no fim das contas, sempre o mesmo sentido\u201d. E complementa: \u201cEste sentido \u00e9 dado pelo sentimento que cada um tem de fazer parte de seu mundo, quer dizer, de sua familiazinha e de tudo que gira ao redor\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p><u>A rela\u00e7\u00e3o mundo e psicoses (Freud, Lacan) \u00a0<\/u><\/p>\n<p>No entanto, ainda que de modos distintos, tanto Freud quanto Lacan ir\u00e3o fazer men\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que uma \u201cvis\u00e3o de mundo\u201d pode tocar a psicose. Na mesma confer\u00eancia sobre uma <em>Weltanschauung<\/em>, Freud ir\u00e1 alertar para o que, a seu ver, s\u00e3o os riscos de conceber o mundo a partir de ilus\u00f5es guiadas pela satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos.\u00a0 Freud n\u00e3o ignora que a satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos tenha lugar e valor na experi\u00eancia humana, como o que se expressa nas artes, nos sistemas religiosos e nos discursos filos\u00f3ficos. Mas, para ele \u201cseria il\u00edcito e muito impr\u00f3prio permitir fossem essas reivindica\u00e7\u00f5es transferidas para a esfera do conhecimento\u201d. Orientar a busca pelo conhecimento a partir da satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos \u00e9, para Freud, adentrar por caminhos \u201cque levam \u00e0 psicose, seja psicose individual, seja grupal.\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Lacan ir\u00e1 fazer refer\u00eancia a uma dimens\u00e3o coletiva das psicoses em seu texto <em>Quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel das psicoses<\/em>, ao situar, \u201cno mesmo mirante\u201d da subjetividade delirante, tanto a subjetividade cient\u00edfica quanto o discurso filos\u00f3fico sobre a liberdade, bem como a vis\u00e3o determinista do real que exclui o acaso, todos esses discursos apoiados, segundo ele , na \u201ccren\u00e7a no Papai Noel\u201d, o que permitiria situ\u00e1-los \u201cpor uma analogia leg\u00edtima, na categoria da psicose social.\u201d <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Podemos enxergar aqui uma refer\u00eancia precursora ao \u201ctodo mundo \u00e9 louco, isto \u00e9, delirante\u201d que estamos discutindo para o Congresso da AMP, o que se refor\u00e7a pelo coment\u00e1rio subsequente:\u00a0 o fato dessa \u201cpsicose social\u201d ser compat\u00edvel com \u201ca chamada boa ordem\u201d,\u00a0 isso n\u00e3o autoriza o psicanalista \u201ca se fiar em sua pr\u00f3pria compatibilidade com essa ordem para se acreditar de posse de uma ideia adequada da realidade, da qual seu paciente se mostraria discrepante\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.\u00a0 Em outras palavras, conv\u00e9m ao psicanalista (e ao psiquiatra, porque Lacan ainda mantinha a esperan\u00e7a numa psiquiatria cl\u00ednica), n\u00e3o fazer do del\u00edrio o fundamento do que est\u00e1 em jogo na psicose, porque delirar n\u00e3o \u00e9 exclusivo a ela.\u00a0 Em outra passagem, agora no <em>Semin\u00e1rio 3: as psicoses<\/em>, ele ir\u00e1 fazer nova men\u00e7\u00e3o ao mundo regrado \u201cpelo significante maior do Papai Noel\u201d, capaz de absorver, inclusive, os efeitos do progresso da ci\u00eancia: \u201ccom o Papai Noel, isso se arranja sempre, n\u00e3o somente se arranja sempre, mas se arranja bem.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>\u201d\u00a0 No entanto, prossegue, \u201ctrata-se de que, no psic\u00f3tico?\u201d.\u00a0 Trata-se de algu\u00e9m, dir\u00e1, capaz de n\u00e3o crer em Papai Noel. E, com essa descren\u00e7a, com esse modo de se colocar um pouco de banda, um pouco de trav\u00e9s em rela\u00e7\u00e3o a esse \u201csignificante maior\u201d que seria o Nome do Pai, ele nos revela o seu estatuto de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><u>A decomposi\u00e7\u00e3o do mundo <\/u><\/p>\n<p>No entanto, e tomando a psicose como refer\u00eancia, podemos dizer que, com o decl\u00ednio do Nome do Pai, com a queda de seu valor referencial como \u201csignificante maior\u201d, o que se manifesta na civiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se arranja sempre ou j\u00e1 n\u00e3o mais se arranja t\u00e3o bem. Assistimos por todos os lados os efeitos desse decl\u00ednio do Nome do Pai como princ\u00edpio ordenador do mundo. Deixamos de supor qualquer harmonia e, enquanto \u201ccena\u201d, o mundo fragmenta-se em m\u00faltiplos palcos. At\u00e9 mesmo o discurso cient\u00edfico \u2013 como Lacan previra no <em>Semin\u00e1rio 20<\/em> \u2013 j\u00e1 n\u00e3o seria suficiente para sustentar uma vis\u00e3o de mundo. Experimentamos esse abalo, por exemplo, durante o manejo da pandemia.\u00a0 O discurso cient\u00edfico que sup\u00fanhamos suficientemente estabelecido teve que novamente lutar para recuperar a sua hegemonia na condu\u00e7\u00e3o das medidas; os comit\u00eas sanit\u00e1rios em escala global revelaram seu descompasso burocr\u00e1tico diante do estado de urg\u00eancia que a\u00ed se apresentava e at\u00e9 mesmo uma categoria social que sup\u00fanhamos estar mais firmemente instalada no discurso cient\u00edfico, como a dos m\u00e9dicos, se mostrou vacilante, impregnada por discursos religiosos e ideol\u00f3gicos que, como sabemos no nosso caso, tiveram consequ\u00eancias desastrosas.<\/p>\n<p>Com o decl\u00ednio do Nome do Pai, com a revela\u00e7\u00e3o cada vez mais pronunciada de seu estatuto de fic\u00e7\u00e3o, a inconsist\u00eancia do grande Outro aparece de forma mais pronunciada, consist\u00eancia essa antes sustentada pelas \u201cgrandes narrativas\u201d que serviam de refer\u00eancia \u00e0s leituras do mundo. A partir dessa inconsist\u00eancia manifesta, tudo se relativiza, tudo passa a ser interpretado como conflito de narrativas, como guerra de \u201cstorytellings\u201d, criando-se assim \u201cuma atmosfera de um mundo sem real\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Nesse contexto, emergem as teorias conspirat\u00f3rias de recomposi\u00e7\u00e3o delirante do Outro, que, como sabemos, encontraram nas redes sociais seu meio ideal de propaga\u00e7\u00e3o. Vale a pena nos referirmos ao modo como Miller, em \u201cD\u00e8s qu\u00b4on parle, on complote\u201d (Por falar, conspiramos)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, se refere \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do mundo a partir das teorias conspirat\u00f3rias:<\/p>\n<p><em>A narrativa pura e simples dos fatos, quaisquer que sejam (&#8230;) sempre carrega consigo falhas, incoer\u00eancias, falta de sentido. Resumindo, traz uma \u00ab\u00a0zona de sombra\u00a0\u00bb. \u00c9 a\u00ed que os conspiracionistas introduzem um elemento que muda tudo: uma inten\u00e7\u00e3o, um desejo, uma vontade ativa atribu\u00edda a um Grande Outro que \u00e9, ao mesmo tempo, multiforme, tentacular e dissimulado. Fazer deslizar esse elemento numa narrativa \u00e9 suficiente para que tudo se esclare\u00e7a. O acaso \u00e9 abolido, substitu\u00eddo por uma necessidade. A partir de ent\u00e3o, tudo passa a ter uma causa. Tudo faz sentido. Os ditos se tornam irrefut\u00e1veis. Eles se auto validam. A trama da narrativa fecha-se sobre si mesma. Ela \u00e9 fechada sobre si mesma, como um poema.\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas discuss\u00f5es em nosso Cartel consideramos importante destacar os efeitos dessa desestrutura\u00e7\u00e3o do mundo &#8211; uma vez abaladas as bases por onde ele se sustentava \u2013 sobre a rela\u00e7\u00e3o do falasser com a l\u00edngua, com o corpo e tamb\u00e9m sobre o modo como faz a experi\u00eancia do sexual. Nossa expectativa \u00e9 que possamos discutir em nossa Jornada Cl\u00ednica n\u00e3o apenas esses efeitos, mas tamb\u00e9m os modos singulares de acesso ao real atrav\u00e9s da experi\u00eancia anal\u00edtica, sem que esse acesso se veja guiado por uma concep\u00e7\u00e3o de mundo. Mesmo porque, como vimos com Lacan, toda \u201cvis\u00e3o de mundo\u201d guarda em seu cerne um modo de velamento do real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>A rela\u00e7\u00e3o corpo-mundo<\/u><\/p>\n<p><u>\u00a0<\/u><\/p>\n<p>Um aspecto presente ao longo das nossas discuss\u00f5es foi a rela\u00e7\u00e3o corpo-mundo acentuada por Lacan desde seu Est\u00e1dio do Espelho. Sabemos do percurso por ele proposto que vai da experi\u00eancia de um corpo fragmentado, desenla\u00e7ado, an\u00e1rquico \u2013 s\u00e3o seus termos &#8211; para o encontro com uma ideia de unidade por meio do suporte de sua imagem j\u00e1 antecipada no espelho.\u00a0 \u00c9 esse o ponto de partida atrav\u00e9s da qual Lacan far\u00e1 da imagem do corpo o princ\u00edpio de toda unidade que o ser humano percebe nos objetos. Cito: \u201c\u00e9 sempre ao redor da sombra errante de seu pr\u00f3prio eu que v\u00e3o se estruturando todos os objetos do seu mundo.\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Em outras palavras, tudo que \u00e9 percebido pelo sujeito, tudo que para ele adquire uma qualidade especial \u00e9, em certa medida, decorrente da rela\u00e7\u00e3o que estabelece com sua pr\u00f3pria imagem especular.\u00a0 Para Lacan, esse ponto de partida confere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o humana com o mundo a sensa\u00e7\u00e3o de ser algo de \u201cprofundamente, inicialmente, inauguralmente lesado.\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0 Em seu curso \u201cO lugar e o la\u00e7o\u201d, Miller ir\u00e1 condensar essa correla\u00e7\u00e3o estabelecida por Lacan entre corpo e mundo nos seguintes termos: \u201c(&#8230;) basta ter um corpo e por ter um corpo, temos um mundo.\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> E ser\u00e1 justamente desse la\u00e7o entre corpo e mundo que o Imagin\u00e1rio ir\u00e1 se constituir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa correla\u00e7\u00e3o corpo-mundo se evidencia de modo mais manifesto nas psicoses. No cap\u00edtulo XI de suas <em>Mem\u00f3rias<\/em> (\u201cDanos \u00e0 integridade f\u00edsica atrav\u00e9s dos milagres\u201d), Schreber descreve as modifica\u00e7\u00f5es experimentadas em seu corpo como vinculadas \u00e0 \u201cOrdem do Mundo\u201d e afirma a \u00a0sua absoluta convic\u00e7\u00e3o \u201cde que a Ordem do Mundo exigia imperiosamente de mim a emascula\u00e7\u00e3o, quer isto me agradasse pessoalmente ou n\u00e3o e, portanto, por motivos racionais, nada mais me restava sen\u00e3o reconciliar-me com a ideia de ser transformado em mulher.\u201c<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo, Schreber vai descrevendo detalhadamente as altera\u00e7\u00f5es de cada parte do seu corpo \u2013 de suas \u201cpartes sexuais\u201d, dos pelos da barba, da sua estatura, est\u00f4mago, costelas, cora\u00e7\u00e3o e da\u00ed por diante &#8211;\u00a0 de modo\u00a0 que seu corpo pudesse adequar-se a esses\u00a0 des\u00edgnios\u00a0 da Ordem do Mundo.\u00a0 Sabemos o quanto essa rela\u00e7\u00e3o com o corpo se regulava por seu temor em ser \u201cdeixado largado\u201d pelos raios divinos e como a constru\u00e7\u00e3o de um corpo feminino ser\u00e1 a\u00ed a solu\u00e7\u00e3o encontrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De modo distinto, temos tamb\u00e9m a correla\u00e7\u00e3o que Antonin Artaud estabelece entre seu corpo e o sonho com um mundo liberado do Ju\u00edzo de Deus.\u00a0 Ser\u00e1 atrav\u00e9s da ideia de um \u201ccorpo sem \u00f3rg\u00e3os\u201d \u2013 matriz para as elucubra\u00e7\u00f5es de Deleuze e Guattari a partir do seu <em>Anti-\u00c9dipo<\/em> &#8211;\u00a0 que Artaud vislumbra a possibilidade de desconex\u00e3o do seu corpo com uma ordem do mundo guiada pelos julgamentos divinos.\u00a0 Cito:\u00a0 \u201cO homem \u00e9 enfermo porque \u00e9 mal constru\u00eddo. \u00c9 preciso desnud\u00e1-lo para raspar esse animal\u00fanculo que o corr\u00f3i mortalmente, \/ deus\/ e juntamente com deus, os seus \u00f3rg\u00e3os\/ Pois, amarrem-me se quiserem, \/ mas n\u00e3o existe coisa mais in\u00fatil que um \u00f3rg\u00e3o.\/\u00a0 Quando tiverem \/ Conseguido fazer um corpo sem \u00f3rg\u00e3os,\/\u00a0 ent\u00e3o o ter\u00e3o libertado dos seus automatismos\/\u00a0 e devolvido sua verdadeira liberdade\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa dire\u00e7\u00e3o distinta, mas tamb\u00e9m evocativa dessa rela\u00e7\u00e3o entre corpo-mundo, podemos nos referir \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do livro <em>Ulisses<\/em>, de James Joyce. Desde que o personagem Leopold Bloom entra em cena, Joyce passa a associar cada cap\u00edtulo do livro a um \u00f3rg\u00e3o do corpo humano. Ele n\u00e3o o faz como mera evoca\u00e7\u00e3o ou met\u00e1fora, mas como matriz mesma da escrita do texto, guiado pela correspond\u00eancia de cada cap\u00edtulo com as fun\u00e7\u00f5es de cada um desses \u00f3rg\u00e3os. Em conversa com seu amigo Frank Budgen, Joyce chega a se referir a <em>Ulisses<\/em> como uma \u201c\u00e9pica do corpo\u201d.\u00a0 Isso vai na dire\u00e7\u00e3o do que Lacan assinala como sendo o \u201cego de Joyce\u201d, ou seja, de que a ideia que o escritor faz de si como corpo n\u00e3o se apoia sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com a sua imagem corporal, mas sobre a sua escrita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Consist\u00eancia do corpo, consist\u00eancia do mundo <\/u><\/p>\n<p><u>\u00a0<\/u><\/p>\n<p>Uma discuss\u00e3o a ser feita em nossa Jornada diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que o falasser estabelece com seu corpo. Podemos destacar tr\u00eas aspectos que merecem ser considerados em nossas discuss\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um primeiro, o fato de se \u201cter um corpo\u201d e n\u00e3o de \u201cser um corpo\u201d. Ou seja, de que a rela\u00e7\u00e3o do falasser com o corpo n\u00e3o \u00e9 da ordem de uma adequa\u00e7\u00e3o entre o que ele pensa ser \u00a0(ou gostaria de ser) e o corpo que ele tem, mas \u00e9 da ordem de uma aquisi\u00e7\u00e3o, de uma constru\u00e7\u00e3o da qual o sujeito toma posse, mantendo com esse corpo uma rela\u00e7\u00e3o inelimin\u00e1vel de estranheza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um segundo aspecto \u00e9 o fato dessa apropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o se realizar de maneira definitiva. O falasser constantemente se depara com um corpo que tende a sair fora, seja atrav\u00e9s da experi\u00eancia de perda de sua consist\u00eancia \u2013 sob as mais variadas formas &#8211; seja confrontado com o que para ele se manifesta como o que, do corpo, se manifesta como se fosse algo \u201cfora\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, terceiro, por decorr\u00eancia desse segundo aspecto, nos deparamos em nossa cl\u00ednica com os diferentes modos atrav\u00e9s dos quais o falasser procura conferir, assegurar a sua consist\u00eancia corporal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lacan chama a aten\u00e7\u00e3o para o modo privilegiado \u2013 mas n\u00e3o \u00fanico \u2013 que a imagem do pr\u00f3prio corpo tem como suporte para essa consist\u00eancia, algo fundamental para que o falasser possa construir uma ideia de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Disso decorrem algumas teses que teremos a oportunidade de examinar no curso da Jornada, a saber:<\/p>\n<p>&#8211; De que \u00e9 justamente do fato de ter um corpo (e n\u00e3o de ser um corpo) por onde se enra\u00edza a rela\u00e7\u00e3o do falasser com as manifesta\u00e7\u00f5es do seu Imagin\u00e1rio;<\/p>\n<p>&#8211; De que rela\u00e7\u00e3o primordial do falasser com seu corpo \u00e9 da ordem de uma \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d, cabendo examinar os v\u00e1rios sentidos e as diversas pr\u00e1ticas dessa adora\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; E que \u00e9 justamente a partir dessa rela\u00e7\u00e3o com seu corpo que o falasser constr\u00f3i para si uma ideia de mundo.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir desse ponto, podemos nos interrogar se n\u00e3o haveria uma correspond\u00eancia entre os efeitos de desestrutura\u00e7\u00e3o do mundo e os encontros com a perda de consist\u00eancia corporal que verificamos na cl\u00ednica contempor\u00e2nea. Os chamados sintomas contempor\u00e2neos n\u00e3o poderiam tamb\u00e9m ser interpretados como modos de recompor uma consist\u00eancia \u2013 mental, dir\u00e1 Lacan &#8211; do corpo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa leitura retrospectiva, podemos considerar que a pr\u00f3pria psican\u00e1lise se originou desse encontro com as manifesta\u00e7\u00f5es corporais, no caso, a dos sintomas hist\u00e9ricos \u2013 por exemplo, com as convers\u00f5es \u2013 que seriam ind\u00edcios de uma experi\u00eancia em que o corpo se apresenta de modo disfuncional ( paralisias, tosses, afasias, cegueiras, disfun\u00e7\u00f5es er\u00e9teis&#8230;), com uma l\u00f3gica pr\u00f3pria que n\u00e3o corresponde \u00e0 anatomia ou \u00e0 fisiologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, a cl\u00ednica das psicoses nos instrui sobre esses momentos, por vezes dram\u00e1ticos, por vezes sutis, em que o sujeito se depara com seu corpo como \u201cdeixado largado\u201d, exclu\u00eddo da cena do mundo, inclusive atrav\u00e9s de uma identifica\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica com o objeto-dejeto, com aquilo que se exclui da montagem do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que os recursos para conferir consist\u00eancia ao corpo atrav\u00e9s dos discursos estabelecidos encontram seu ponto de apoio primordial na rela\u00e7\u00e3o com a imagem corporal. Mas tamb\u00e9m pela cl\u00ednica das psicoses, sabemos que as maneiras de conferir consist\u00eancia ao pr\u00f3prio corpo se d\u00e3o por meio de inven\u00e7\u00f5es singulares, imprevistas, muitas vezes se valendo do que se oferece a partir da ci\u00eancia, da medicina e de toda uma ind\u00fastria de servi\u00e7os corporais \u2013 que v\u00e3o dos cosm\u00e9ticos a medicamentos e horm\u00f4nios, das pr\u00f3teses \u00e0s cirurgias \u2013 que d\u00e3o acesso a uma sonhada adequa\u00e7\u00e3o do corpo \u00e0 uma forma idealizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, nossa Jornada dever\u00e1 considerar os modos como um falasser procura fazer o seu corpo consistir por meio das inven\u00e7\u00f5es sinthom\u00e1ticas que uma an\u00e1lise possa favorecer.\u00a0 Isso certamente ir\u00e1 passar por uma nova interpreta\u00e7\u00e3o que o analisante poder\u00e1 produzir diante da constata\u00e7\u00e3o de que a opacidade que se manifesta entre o real do seu\u00a0 corpo e aquilo que lhe chega atrav\u00e9s da sua imagem n\u00e3o devem ser interpretadas como sendo da ordem de uma patologia, nem mesmo de uma disforia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, o ego \u2013 reinterpretado pela leitura de Lacan no <em>Semin\u00e1rio 23<\/em> como a ideia que algu\u00e9m faz de si como corpo \u2013 ser\u00e1 um \u00edndice cl\u00ednico fundamental, ao n\u00edvel do qual podemos ampliar nosso entendimento da foraclus\u00e3o \u2013 tal como Miller nos prop\u00f5e em \u201cO Parlamento de Montpellier\u201d \u2013 ou seja, de uma foraclus\u00e3o\u00a0 considerada, n\u00e3o a partir do registro do Nome do Pai, mas a partir do Imagin\u00e1rio, por exemplo, quando um falasser d\u00e1 sinais de que n\u00e3o faz a menor ideia de si\u00a0 pr\u00f3prio como corpo.\u00a0 Na pista de Joyce, nosso interesse ir\u00e1 recair sobre os modos como um falasser vai constituir para si um corpo e os meios que encontra para favorecer essa constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Analisar no mundo rumo \u00e0 psicose<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Novos desafios se apresentam hoje para o discurso anal\u00edtico e somos respons\u00e1veis por faz\u00ea-lo existir como modo de tratamento para o mal estar na civiliza\u00e7\u00e3o, sem ceder \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es das terap\u00eauticas adaptativas ou ao sonho de um mundo encantado atrav\u00e9s da erradica\u00e7\u00e3o das fontes do mal. Mas tamb\u00e9m sem ceder aos discursos diluidores que, ainda que se apresentem como \u201ccompanheiros de estrada\u201d da psican\u00e1lise, no fundo reivindicam que ela abra m\u00e3o de sua \u201cl\u00e2mina cortante\u201d para juntar-se ao \u201cdespertar\u201d de um novo tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que em nossa \u00e9poca um dos modos de responder ao abalo das refer\u00eancias criadas a partir do Nome do Pai se d\u00e1 pela oferta de novas identidades, por onde um sujeito sup\u00f5e encontrar respostas ao seu mal-estar.\u00a0 Nesse terreno das identifica\u00e7\u00f5es, nos deparamos hoje em nossa cl\u00ednica com modos de apresenta\u00e7\u00e3o de um sujeito a partir dos novos significantes carregados de poder de representa\u00e7\u00e3o: \u201cEu tenho TDAH\u201d pode ser um cart\u00e3o de visita, mais do que um diagn\u00f3stico. O que nos leva a considerar se o que faz com que um sujeito procure uma an\u00e1lise possa estar associada a uma vacila\u00e7\u00e3o nessa identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a esse ponto, acolher a solu\u00e7\u00e3o encontrada pelo sujeito n\u00e3o autoriza nossa cl\u00ednica a reduzir-se \u00e0 uma escuta sem interpreta\u00e7\u00e3o, nem chancelar justificativas que se apoiam no pressuposto de que um sujeito sempre sabe aquilo que est\u00e1 dizendo. Perspectiva essa que apaga a dimens\u00e3o fundante do inconsciente que se baseia justamente no encontro com o equ\u00edvoco, com o mal entendido, com a constata\u00e7\u00e3o, pelo ser falante, de que ele n\u00e3o sabe exatamente aquilo que nele se diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>A transfer\u00eancia, hoje<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para finalizar, deixamos aqui uma quest\u00e3o: na era do decl\u00ednio do Nome do Pai e dos encontros com a inexist\u00eancia do Outro, como situar a transfer\u00eancia? Alguns pontos merecem ser considerados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro, diz respeito a uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o com o saber. Constatamos que o saber, hoje, est\u00e1 literalmente no bolso, que ele se revela mais explicitamente do lado do analisando e que a suposi\u00e7\u00e3o de saber no campo do Outro n\u00e3o parece justificar o motivo de endere\u00e7amento a um analista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eric Laurent , ao examinar as \u201c loucuras sob transfer\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>, destaca que o endere\u00e7amento ao Outro tem em si uma import\u00e2ncia fundamental, bem como os efeitos de retorno desse endere\u00e7amento. Entre eles, a possibilidade de seguir o analisante pelos caminhos que v\u00e3o sendo tra\u00e7ados a partir desse endere\u00e7amento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro aspecto da transfer\u00eancia que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o se d\u00e1 a partir da indica\u00e7\u00e3o de Lacan de que uma an\u00e1lise permite um \u201cfazer verdadeiro\u201d (<em>faire vrai<\/em>).\u00a0 Jacques-Alain Miller v\u00ea a\u00ed uma orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia no \u00faltimo ensino de Lacan, a qual\u00a0 Eric Laurent d\u00e1 curso em suas considera\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma psican\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia que n\u00e3o visa \u201cfazer ser\u201d a partir do que o sujeito experimenta como falta a ser, mas visa dar forma ao que o falasser experimenta como vazio, como \u00edndice da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o.\u00a0 Trata-se de dar a esse vazio um valor de significa\u00e7\u00e3o,\u00a0 de tra\u00e7ar o seu lugar de \u201cmais ningu\u00e9m\u201d (<em>personne<\/em>) e n\u00e3o\u00a0 preencher de sentido esse lugar demarcado do real. \u201cFazer verdadeiro\u201d pode ser entendido como um modo de conferir um novo valor de verdade \u00e0 palavra a partir do encontro com um analista. N\u00e3o da verdade como estrutura de fic\u00e7\u00e3o, mas da verdade em sua dimens\u00e3o referencial, naquilo que ela aponta o gozo. Ou seja, dar \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o do Um, \u201cum acr\u00e9scimo de significa\u00e7\u00e3o\u201d, dar ao gozo um valor de verdade referencial, restituindo a possibilidade de nome\u00e1-lo por meio de um significante novo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para concluir: sabemos que Schreber procurou arranjar para si um mundo onde seria poss\u00edvel viver ao pre\u00e7o de tornar-se mulher de deus e com ele fecundar uma nova ra\u00e7a. Vivemos num mundo onde o sonho de arranjar para si um mundo onde se julgue poss\u00edvel viver ganhou uma nova dimens\u00e3o. Trata-se agora de mundos produzidos a partir dos algoritmos, fruto de pura opera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, mas que tomam a forma de seres imagin\u00e1rios que seguem nossos passos, nos acompanham, registram nossos tra\u00e7os e nossas pegadas pela realidade virtual.\u00a0 Por um lado, parecem reconstituir o grande Outro, com todos os requintes da paranoia. Por outro, carregam consigo uma outra particularidade. Os algoritmos n\u00e3o apenas nos acompanham, mas supostamente sabem o que desejamos, d\u00e3o a impress\u00e3o de se orientar visando a satisfa\u00e7\u00e3o de cada um. Nesse sentido, podemos dizer que os algoritmos trabalham para a cria\u00e7\u00e3o de um mundo sob medida, tomando como refer\u00eancia nossas intera\u00e7\u00f5es com o que se apresenta nas telas, com o que conversamos ao telefone e, por vezes, para nosso espanto, com o que ainda imaginamos estar apenas no registro do pensamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um texto de t\u00edtulo quase prof\u00e9tico, redigido em 1978, Miller procurou estabelecer o que seriam \u201cOs algoritmos da psican\u00e1lise\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.\u00a0 Chama de algoritmo, por exemplo, o matema do significante sobre o significado, um algoritmo que s\u00f3 oferece perguntas, porque converte todos os signos em signos problem\u00e1ticos. Por outro lado, nos informa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um algoritmo do inconsciente, porque n\u00e3o h\u00e1 um procedimento de decifra\u00e7\u00e3o que fosse capaz de oferecer a boa solu\u00e7\u00e3o. E, ainda que Lacan tenha formulado um algoritmo da transfer\u00eancia, constata-se que o que se transmite da experi\u00eancia e o que faz com que algu\u00e9m se dirija a um analista vai al\u00e9m do que possa se expressar em termos de efeito de sentido.<\/p>\n<p>Por outro lado, e de forma surpreendente, Miller sugere considerar um algoritmo do seu final, algo que interessaria ao passe. Um algoritmo que desse elementos para se avaliar a transforma\u00e7\u00e3o de um analisante em analista.\u00a0 Tema esse que certamente tamb\u00e9m teremos a oportunidade de examinar em nossa pr\u00f3xima Jornada.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>[\/vc_column_text][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_column_text text_lead=&#8221;small&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;124812&#8243;]<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Esse texto foi produzido a partir das discuss\u00f5es ocorridas em Cartel, composto por Ana Lydia Santiago, Bernardo Micherif, Fernanda Costa, Paula Pimenta, Ram Mandil (mais-um) e Renata Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Freud, S. \u201cA quest\u00e3o de uma <em>Weltanschauung<\/em>\u201d, Confer\u00eancia XXXV das Novas Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre Psican\u00e1lise 1933[1932]. <em>Edi\u00e7\u00e3o standard das obras completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, vol. XXII, 1976, p.194.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio livro 20: mais, ainda<\/em>. (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. p.58<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Freud, idem, p.195.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. \u00a0\u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d. In: \u00a0<em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 576.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lacan, idem, p.582-583.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Lacan,J.\u00a0 <em>O Semin\u00e1rio livro 3: as psicoses<\/em> (1955-1956). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. p.361<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Miller, J-A. <em>L\u00b4Un tout seul<\/em>. Cours n\u00b0 6 &#8211; 09\/03\/2011 ( in\u00e9dito).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Miller, J-A. \u00ab\u00a0D\u00e8s qu&#8217;on parle, on complote\u00a0\u00bb .In\u00a0: <em>Le Point<\/em> edi\u00e7\u00e3o de 15\/12\/2011. Tradu\u00e7\u00e3o minha. Acess\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.lepoint.fr\/societe\/des-qu-on-parle-on-complote-par-jacques-alain-miller-15-12-2011-1408472_23.php\">AQUI<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio livro 2: o eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p.211.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Lacan, idem, p.212.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Miller, J-A. <em>El lugar y el lazo<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013, p.62-63 ( li\u00e7\u00e3o de 06\/12\/2000.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Schreber, D-P. <em>Mem\u00f3rias de um doente dos nervos<\/em>. Rio de Janeiro: Graal, 1984, p.125-6.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Artaud, A. Para acabar com o ju\u00edzo de Deus. In: Lins, D. <em>Artaud: O artes\u00e3o do corpo sem \u00f3rg\u00e3os<\/em>. S\u00e3o Paulo, SP: Lume, 2011. (Original publicado em 1947).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Em \u201cO fen\u00f4meno lacaniano\u201d (1974), Lacan ir\u00e1 expressar isso de modo mais contundente, considerando\u00a0 a cren\u00e7a que cada um tem de que seu corpo \u00e9 seu pr\u00f3prio eu: \u00a0\u201ccada um acredita ser ele mesmo. \u00c9 um furo. E, depois, l\u00e1 fora, h\u00e1 a imagem. E dessa imagem, ele faz um mundo.\u201d Lacan, J. \u00a0\u201cO fen\u00f4meno lacaniano\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, S\u00e3o Paulo: Eolia, n. 68-69, 2014, p.18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> \u00a0Laurent, E. \u201cDisrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba79. S\u00e3o Paulo: Ed. Eolia, 2018. pp.52-63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Miller, J-A. \u201cEn d\u00e8\u00e7a de l\u00b4inconscient\u201d. In: <em>La Cause du D\u00e9sir<\/em> . Paris: Navarin, n.91, 2015\/3. pp. 97-126.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Miller, J-A. \u201cAlgorithmes de la psychanalyse\u201d In:. <em>Ornicar?<\/em>, Paris:Lyse\/Seuil, n. 16,\u00a0 automne 1978. pp.15-24.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row row_height_percent=&#8221;0&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; h_padding=&#8221;2&#8243; top_padding=&#8221;0&#8243; bottom_padding=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; column_width_percent=&#8221;100&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;164376&#8243;][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;0&#8243; style=&#8221;dark&#8221; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162562&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; style=&#8221;light&#8221; font_family=&#8221;font-183904&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; radius=&#8221;lg&#8221; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;383650&#8243;][vc_single_image media=&#8221;87&#8243; media_width_percent=&#8221;15&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2023%2Fwp-content%2Fuploads%2F2023%2F06%2FEixo_1_O_mundo_rumo_a_psicose_-_Ram_Mandil.pdf|target:_blank&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;111930&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h6&#8243; text_size=&#8221;h6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;193276&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<\/p>\n<h6 class=\"uncode-share\">ABRIR EM PDF<\/h6>\n<p>[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;2&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ram Mandil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"portfolio_category":[4],"class_list":["post-621","portfolio","type-portfolio","status-publish","hentry","portfolio_category-textos-de-orientacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.3 - 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