{"id":669,"date":"2023-08-18T21:48:05","date_gmt":"2023-08-18T21:48:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/?post_type=portfolio&#038;p=669"},"modified":"2023-08-30T15:33:36","modified_gmt":"2023-08-30T15:33:36","slug":"eixo-2-diagnosticar-e-despatologizar","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-2-diagnosticar-e-despatologizar\/","title":{"rendered":"EIXO 2: Diagnosticar e despatologizar"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;984329&#8243;][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; equal_height=&#8221;yes&#8221; gutter_size=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;499325&#8243;][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;1&#8243; style=&#8221;dark&#8221; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;894074&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1683086611195{padding-left: 10px !important;}&#8221;][vc_single_image media=&#8221;103&#8243; media_width_percent=&#8221;50&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;182244&#8243;][\/vc_column_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_horizontal=&#8221;left&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;5\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162471&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;122747&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Texto de orienta\u00e7\u00e3o[\/vc_custom_heading][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-190355&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_weight=&#8221;500&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;978962&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>EIXO 2: Diagnosticar e despatologizar <a class=\"__mPS2id\" href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong>[\/vc_custom_heading][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-190355&#8243; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;600&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;120751&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_separator sep_color=&#8221;color-205642&#8243; el_width=&#8221;100px&#8221; el_height=&#8221;4px&#8221;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;151073&#8243;]<strong>Marco epistemol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>1- A amplia\u00e7\u00e3o do conceito de psicose n\u00e3o se confunde com a generaliza\u00e7\u00e3o da nossa loucura ordin\u00e1ria. A primeira ocorre no \u00e2mbito de um debate sobre o inclassific\u00e1vel da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, notadamente a partir do caso de Joyce, mediante uma decis\u00e3o de natureza <em>epist\u00eamica<\/em> que alarga o entendimento sobre as psicoses. Corresponde, portanto, a um refinamento da cl\u00ednica das psicoses a partir de seus signos mais discretos e da fun\u00e7\u00e3o do sinthoma. A segunda pertence ao campo da <em>doxa<\/em> psicanal\u00edtica, concernindo ao uso da linguagem no \u00e2mbito do grande debate filos\u00f3fico em torno das fronteiras entre o sentido e o fora de sentido no s\u00e9culo XX e da inexist\u00eancia da metalinguagem.<\/p>\n<p>Levando-se em conta essa distin\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos deduzir do aforismo \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d nenhuma patologiza\u00e7\u00e3o ou despatologiza\u00e7\u00e3o generalizada. Mas podemos extrair do mesmo duas proposi\u00e7\u00f5es: a primeira afirma que todo discurso normativo \u00e9 delirante, incluindo o que se apoia no Nome-do-Pai; a segunda, que se deduz da primeira, afirma que todo falasser inventa \u00e0 sua maneira uma forma singular e \u00fanica de dar consist\u00eancia ao que n\u00e3o tem consist\u00eancia e de remendar o que se apresenta como o verdadeiro furo, S(\u023a).<\/p>\n<p>Em contrapartida, se tomamos em considera\u00e7\u00e3o o campo cl\u00ednico, com suas distin\u00e7\u00f5es, classifica\u00e7\u00f5es t\u00edpicas e grada\u00e7\u00f5es, somos for\u00e7ados a sustentar que as diversas solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas n\u00e3o funcionam da mesma forma e que algumas delas deixam o falasser \u00e0 deriva, com a consequente necessidade de ajustes, flexibiliza\u00e7\u00f5es, reparos e varia\u00e7\u00f5es poss\u00edveis em cada caso.<\/p>\n<p>Somos, assim, remetidos a quest\u00f5es pragm\u00e1ticas quanto \u00e0 efetividade do \u201csentimento de vida\u201d, ou seja, \u00e0quilo que uma amarra\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica \u00e9 capaz de \u201cordenar\u201d, fazer funcionar, atar, remediar, cernir. Se postulamos, com o aforismo \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, a unidade fundamental do falasser, \u00e9 em raz\u00e3o da desordem mais \u00edntima, do <em>pathos<\/em> fundamental do <em>troumatisme<\/em> que exige de cada um, a partir de sua lal\u00edngua e antes mesmo de se decidir quanto ao recurso ou n\u00e3o aos discursos estabelecidos, uma resposta sintom\u00e1tica.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o seria, ent\u00e3o, saber o que mant\u00e9m junto o que por si s\u00f3 se encontra separado, o que define o mist\u00e9rio do falasser. Pensar a partir do paradigma dos n\u00f3s, ou seja, da ideia de arranjo e de jun\u00e7\u00e3o, implica abordar o diagn\u00f3stico em fun\u00e7\u00e3o da finitude das formas de amarra\u00e7\u00f5es e da efic\u00e1cia em manter juntos o Real, o Simb\u00f3lico e o Imagin\u00e1rio. A no\u00e7\u00e3o de estrutura permanece tribut\u00e1ria da ideia de falha, erro e lapso, determinando grupos ou classes de sintomas a partir das formas de amarra\u00e7\u00e3o e tra\u00e7ado dos n\u00f3s, que podem funcionar ou n\u00e3o, se manter ou n\u00e3o, ser ao mesmo tempo uma solu\u00e7\u00e3o e um impasse.<\/p>\n<p>2- Pode-se pensar a rela\u00e7\u00e3o entre diagnosticar e despatologizar como um mesmo e \u00fanico ato que, ao isolar uma dada solu\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica, a despatologiza, conferindo-lhe um car\u00e1ter \u00fanico e n\u00e3o referido a uma norma, embora possamos reconhecer eventuais semelhan\u00e7as entre as diferentes solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A heran\u00e7a da cl\u00ednica psiqui\u00e1trica, da qual historicamente nos servimos, parece pesar hoje sobre nossas costas. Seria preciso, ent\u00e3o, inventar uma outra terminologia, livre da conota\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica do ato de diagnosticar? Em que medida o paradigma dos n\u00f3s permitiria esse avan\u00e7o e essa libera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Isso nos leva a distinguir, a partir das formula\u00e7\u00f5es de <em>A Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon<\/em> (MILLER, 1997, p. 184-187)<em>,<\/em> a cl\u00ednica da conex\u00e3o e a cl\u00ednica da substitui\u00e7\u00e3o, na esteira do par meton\u00edmia\/met\u00e1fora.\u00a0 \u201cQuando a causa est\u00e1 ausente, os efeitos dan\u00e7am\u201d (LACAN, 1964\/1985, p. 124). Essa frase de Lacan no <em>Semin\u00e1rio 11<\/em> foi evocada por Miller, nessa <em>Conversa\u00e7\u00e3o,<\/em> para distinguir a meton\u00edmia desejante, ligada \u00e0 falta-a-ser na neurose e ao <em>pathos<\/em> que ela envolve, da meton\u00edmia da falta forclusiva, que \u00e9 um deserto. A ideia \u00e9 que a estrutura \u00e9 uma forma de conectar elementos dispersos para dar-lhes uma fun\u00e7\u00e3o. Mas a estrutura tamb\u00e9m comporta a possibilidade de substitui\u00e7\u00e3o, de forma que um elemento possa fazer a fun\u00e7\u00e3o de um outro se estiver ocupando o seu lugar na estrutura, mesmo quando esse elemento \u00e9 uma falta, como \u00e9 o caso da forclus\u00e3o do Nome-do-Pai. Diagnosticar \u00e9 discernir a estrutura; concerne, portanto, \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da causa, na medida em que \u201cs\u00f3 existe causa para o que manca\u201d (LACAN, 1964\/1985, p. 27).<\/p>\n<p>3- A psican\u00e1lise seria uma pr\u00e1tica anti-diagn\u00f3stica se tomasse o sujeito como um inclassific\u00e1vel. A psicose ordin\u00e1ria seria o paradigma desta pr\u00e1tica, se n\u00e3o houvesse ocorrido a interven\u00e7\u00e3o de Miller para sugerir que uma amarra\u00e7\u00e3o <em>sinthom\u00e1tica<\/em> que n\u00e3o corresponde ao modo <em>standard<\/em> de amarra\u00e7\u00e3o RSI, seria de fato uma psicose, uma psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dizer, por outro lado, que o Nome-do-Pai \u00e9 uma amarra\u00e7\u00e3o <em>standard<\/em> do n\u00f3, equivale a dizer que essa amarra\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m <em>sinthom\u00e1tica<\/em>, isto \u00e9, uma forma singular, por contar com a ajuda de um remendo: como o amor pelo pai na histeria, a recomposi\u00e7\u00e3o do pai na religi\u00e3o, o apego \u00e0 lei e \u00e0 ordem na neurose obsessiva, o sintoma f\u00f3bico e todas as maneiras de compensar as car\u00eancias do nome-do-pai e se defender do real.<\/p>\n<p>Diagnosticar, em sentido psicanal\u00edtico, \u00e9 uma arte; implica um corte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 patologia compreendida a partir de uma classifica\u00e7\u00e3o de sintomas, a fim de ressaltar o modo de funcionamento singular de um falasser. Sendo assim, poder\u00edamos pensar o trabalho anal\u00edtico como uma modula\u00e7\u00e3o que compreende tr\u00eas tempos:<\/p>\n<ol>\n<li>a) &#8211; momento nominalista: marcado pelo acolhimento de um falasser como inclassific\u00e1vel por excel\u00eancia, conforme a orienta\u00e7\u00e3o freudiana de tomar cada caso como <em>um<\/em> caso, momento em que as pe\u00e7as s\u00e3o dispostas no tabuleiro conforme sua historiza\u00e7\u00e3o e que antecede \u00e0 sua referencia\u00e7\u00e3o a tipos de sintomas;<\/li>\n<\/ol>\n<p>b)- momento realista: aquele em que os elementos dispersos s\u00e3o referenciados \u00e0 estrutura, mas que tamb\u00e9m considera aquilo que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estruturas t\u00edpicas, s\u00e3o as variantes funcionais ou disfuncionais que permanecem \u00e0 parte de uma determinada classe de sintomas;<\/p>\n<ol>\n<li>c) &#8211; momento do <em>savoir-y-faire<\/em> de um falasser com o seu incur\u00e1vel, o que resta como irredut\u00edvel de <em>um<\/em> sujeito al\u00e9m do seu pr\u00f3prio caso, limite entre a cl\u00ednica psicanal\u00edtica e o real. Ter\u00edamos, ent\u00e3o, para al\u00e9m do momento nominalista do caso \u00fanico e do momento realista da estrutura, o momento pragm\u00e1tico e p\u00f3s-cl\u00ednico do <em>savoir-y-faire<\/em> com o resto sintom\u00e1tico.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tentaremos, ent\u00e3o, verificar a operatividade deste marco epistemol\u00f3gico nos servindo de algumas vinhetas cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Super-her\u00f3i dentro da lei<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO mundo institu\u00eddo indica a cada um que ele tem o direito de ser louco, sob a condi\u00e7\u00e3o de permanecer louco separadamente. A loucura come\u00e7aria caso se quisesse impor sua loucura privada ao conjunto de sujeitos, constitu\u00eddos, cada um deles, numa esp\u00e9cie de nomadismo\u201d (LACAN, 1956-1957\/1995, p. 129). Percorrendo o termo loucura na obra de Lacan, buscamos pensar a quest\u00e3o j\u00e1 colocada em nosso meio: \u201cquando se est\u00e1 louco?\u201d\u00a0 Algu\u00e9m deixa de estar louco?<\/p>\n<p>Lacan, no <em>Semin\u00e1rio 3<\/em>, faz equivaler loucura e psicose, partindo de que na psicose o inconsciente est\u00e1 \u00e0 superf\u00edcie. O desencadeamento ocorre quando o sujeito ignora a l\u00edngua que fala, fazendo aparecer o real. \u00c9 o momento em que toda a referencia\u00e7\u00e3o temporal desaparece, por\u00e9m, \u201cpara ser louco, \u00e9 necess\u00e1ria alguma predisposi\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o alguma condi\u00e7\u00e3o&#8221; [&#8230;] \u201cn\u00e3o se torna louco quem quer&#8221; (LACAN, 1955-1956\/1985, p. 23-24). Entretanto, adverte que delirar n\u00e3o \u00e9 exclusivo da psicose, n\u00e3o havendo, para ele, discurso de loucura mais manifesto e mais sens\u00edvel que o dos psiquiatras e precisamente acerca da paranoia. Para Lacan, o que resiste \u00e0 loucura \u00e9 o desejo, ou seja, a manuten\u00e7\u00e3o do desejo sustenta o sujeito dividido e \u201cquando ele n\u00e3o \u00e9 mais um sujeito dividido, \u00e9 louco\u201d (LACAN, 1957-1958\/1999, p. 443).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma separa\u00e7\u00e3o amorosa traum\u00e1tica em que se v\u00ea completamente s\u00f3, Gaston vale-se de sua fun\u00e7\u00e3o de sentinela para realizar uma cena na qual, frente a uma intimida\u00e7\u00e3o, busca se proteger. Neste ato, torna-se amea\u00e7ador aos que est\u00e3o \u00e0 sua volta. Vai preso, \u00e9 considerado inimput\u00e1vel e recebe uma medida de seguran\u00e7a. Ao ser atendido como louco infrator considera sua hist\u00f3ria incompreendida, mostra-se identificado ao seu ato e inicia um consumo intenso de drogas.<\/p>\n<p>Gaston \u00e9 um artista e provoca simpatia. Ap\u00f3s um curto per\u00edodo em acompanhamento, sua arte \u00e9 reconhecida e ele passa a participar de atividades culturais na cidade promovidas pela rede. Depois de um per\u00edodo de abandono em rela\u00e7\u00e3o ao corpo come\u00e7a a se cuidar. Deixa de ser louco. Reduz o uso da droga.<\/p>\n<p>Ram Mandil pergunta se os sintomas contempor\u00e2neos poderiam ser modos de recompor uma consist\u00eancia &#8211; mental &#8211; do corpo (MANDIL, 2023). Gaston, em um primeiro tempo, diante de uma constata\u00e7\u00e3o de inconsist\u00eancia, tenta uma sa\u00edda pouco sustent\u00e1vel atrav\u00e9s de sua cria\u00e7\u00e3o como super-her\u00f3i; em um segundo momento, a partir do encontro com uma analista no campo da lei, pode se endere\u00e7ar ao outro com sua singularidade e se estabilizar, passando a se organizar com os elementos e ferramentas que tem. Sua arte como parte de sua solu\u00e7\u00e3o permite a entrada na estrutura do mundo, de um outro modo.<\/p>\n<p>Como nota Lacan, h\u00e1 a possibilidade do n\u00f3 borromeano se reconstituir (LACAN, 1975-1976\/2007, p. 151), cada um a seu modo, diferente de como se era antes. O diagn\u00f3stico, orientador, permite o manejo necess\u00e1rio na condu\u00e7\u00e3o do tratamento. Sua interdi\u00e7\u00e3o \u00e9 suspensa, sua palavra \u00e9 autorizada. O la\u00e7o de responsabiliza\u00e7\u00e3o constru\u00eddo junto \u00e0 lei, sob transfer\u00eancia, possibilita a corre\u00e7\u00e3o do n\u00f3. O diagn\u00f3stico, na medida que deixa de recair sobre o sujeito como uma condena\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, o despatologiza.<\/p>\n<p>Temos ent\u00e3o, primeiro momento: &#8220;super-her\u00f3i&#8221;, segundo momento: louco infrator, terceiro momento: saber fazer a\u00ed com a lei e sua arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Somos todos normais e realistas<\/strong><\/p>\n<p>Somos hoje testemunhas de um movimento de apagamento da cl\u00ednica, se considerarmos este conceito no sentido de escutar o que o sujeito tem a dizer sobre seu sintoma. Em seu lugar, vemos avan\u00e7ar um projeto que faz equivaler todo e qualquer sofrimento ps\u00edquico a dist\u00farbios ligados ao neurodesenvolvimento, a falhas na \u201cmatura\u00e7\u00e3o do sistema nervoso interagindo com uma grande variedade de fatores externos, mesmo antes do nascimento\u201d (CUTHBERT, 2021, p. 84, apud LA SAGNA, 2022, p. 53).<\/p>\n<p>Nesse universo pautado pelo cientificismo, n\u00e3o h\u00e1 trauma oriundo do choque da linguagem sobre o corpo, nem lal\u00edngua, nem sintoma, fazendo desaparecer, como destaca La Sagna, qualquer possibilidade de uma \u201cdescontinuidade no real onde um sujeito do transtorno poderia entrar sorrateiramente\u201d (LA SAGNA, 2022, p. 53). Esse modo de despatologiza\u00e7\u00e3o selvagem, como o designou Francesca Biagi-Chai, desconsidera \u201ca possibilidade de um sujeito se colocar a quest\u00e3o de sua pr\u00f3pria divis\u00e3o, de seu pr\u00f3prio mal-estar, de uma interroga\u00e7\u00e3o, de uma sutileza\u201d (BIAGI-CHAI, 2022, p. 30-31).<\/p>\n<p>Sob a \u00e9gide do discurso das neuroci\u00eancias, podemos conjecturar a cren\u00e7a em um modo de funcionamento de um \u201cc\u00e9rebro ideal, homeost\u00e1tico, regulado\u201d, como observa Ansermet.\u00a0 Contudo, \u201ccomo um tal c\u00e9rebro t\u00e3o regulado pode produzir um humano t\u00e3o desregulado? [&#8230;] O homem desregulado reaparece no registro das patologias, cada vez mais ampliadas, frequentes, chegando at\u00e9 a patologiza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana\u201d (ANSERMET, 2019).<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Samuel, hoje com 8 anos, procura atendimento para seu filho a pedido da escola. Decidiu traz\u00ea-lo ao ouvir a coordenadora dizer que Samuel tem se mostrado mais arredio com os colegas, preferindo ficar sozinho, isolado. Cabe ressaltar que pedidos de avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica j\u00e1 haviam sido feitos anteriormente em outras escolas em que a preocupa\u00e7\u00e3o era com a intensa agita\u00e7\u00e3o do corpo desse menino. Tocada por essa mudan\u00e7a do significante que o apresentava, de agitado para isolado, a m\u00e3e decide buscar ajuda. Ela justifica: \u201ctodos s\u00e3o agitados na minha casa, \u00e9 uma caracter\u00edstica da fam\u00edlia: somos todos muito din\u00e2micos!\u201d<\/p>\n<p>No primeiro encontro com a analista, o menino pede para desenhar e se det\u00e9m em um desenho sobre o qual diz que se trata da garagem de um pr\u00e9dio onde h\u00e1 um porteiro que n\u00e3o v\u00ea o que a c\u00e2mera do pr\u00e9dio v\u00ea: uma sombra que se esgueira pelo muro esfaqueia e esquarteja algu\u00e9m, deixando um rastro de peda\u00e7os de corpo e muito sangue. Sobre um outro desenho Samuel conta que fez um ser parasita, uma esp\u00e9cie de molusco que entra nos corpos das pessoas transformando-as em monstros, que morrem junto com o parasita.<\/p>\n<p>Tempos mais tarde, Samuel se queixa que sempre \u00e9 repreendido na escola por n\u00e3o conseguir ficar parado e, pela primeira vez, se pergunta o porqu\u00ea. Essa pergunta o leva a falar de um colega que usa cadeira de rodas, &#8220;o fofinho&#8221; do col\u00e9gio, que nunca \u00e9 repreendido, mesmo sendo o respons\u00e1vel por coisas erradas pelas quais o acusam. Ele localiza nesse colega o rival especular, tomando-o como um intruso que n\u00e3o deveria estar em sua escola por ser uma crian\u00e7a doente.<\/p>\n<p>Em outra sess\u00e3o esse colega reaparece e Samuel declara que j\u00e1 sabe o que acontece com esse menino: haveria dentro de seu corpo um ET que faz com que ele se agite. Ele pergunta \u00e0 analista o que ela acharia se ele constru\u00edsse um projeto pedag\u00f3gico para ajudar esse colega a se sentir melhor na escola. Ambos passam v\u00e1rias sess\u00f5es fazendo e refazendo programas de aula em que as mat\u00e9rias t\u00eam que ser dadas aos poucos, esclarece Samuel, de acordo com o que o colega conseguiria fazer. Contudo, ao comentar na escola o que fazia em suas sess\u00f5es em prol desse menino, a professora teria respondido que ele n\u00e3o deveria se preocupar com isso, o que o leva a interromper seu \u201cprojeto\u201d trazendo de volta as suas ideias persecut\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao colega.<\/p>\n<p>Passado algum tempo, a crian\u00e7a desenha o Bart, filho dos Simpson e sobre ele comenta que esse personagem faz coisas que uma crian\u00e7a n\u00e3o deveria fazer. Por fim, conclui que todo mundo tem algo, como o Bart, um lado normal e outro realista. O realista, explica, \u00e9 aquele que faz coisas estranhas para uma crian\u00e7a. A analista lhe diz que ele estava ali para conseguir encontrar um jeito de lidar de outro modo com as suas coisas realistas e com as coisas realistas dos outros.<\/p>\n<p>No caso de Samuel temos, no primeiro momento, o isolado. No segundo momento, um diagn\u00f3stico de estrutura e um tratamento do outro. No terceiro momento, trata-se de encontrar um modo, ainda prec\u00e1rio, de lidar com suas coisas &#8220;realistas&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O <em>pathos<\/em> da l\u00edngua e o poder das palavras<\/strong><\/p>\n<p>Sabemos ser poss\u00edvel afetar algu\u00e9m atrav\u00e9s de um dizer, na medida em que a submiss\u00e3o \u00e0 l\u00edngua \u00e9 uma paix\u00e3o universal do ser falante. Mas no caso da poesia, exclama Leminski (LEMINSKI, 2009), \u00e9 como se o poeta se vingasse dessa submiss\u00e3o no movimento em que busca ferir a l\u00edngua, ao introduzir, no interior do que se diz, o enigma do \u201ccomo ser\u00e1 que eu vou dizer?\u201d Sendo a l\u00edngua um campo de c\u00f3digos regrados, o poeta desestabiliza o sentido funcional de seu uso correto para extrair justamente do seu desajuste uma possibilidade de cria\u00e7\u00e3o. Em vez de tomar as palavras como meio transparente para significar as coisas do mundo, ele se volta para elas, na espessura de sua materialidade fon\u00e9tica, tratando as pr\u00f3prias palavras como coisas do mundo. Seu olhar n\u00e3o atravessa os signos do mundo, mas neles se estanca, os contempla e os transforma como quem molda uma pe\u00e7a de argila. \u00c9 fundamental, nesse sentido, perceber que essa paix\u00e3o ativa do poeta, capaz de transformar a l\u00edngua do Outro, somente se efetua ao fazer vibrar, sob o sistema regrado da l\u00edngua, a dimens\u00e3o pulsional de <em>lal\u00edngua<\/em>. Ela implica fazer ressoar <em>lal\u00edngua<\/em> como categoria com a qual Lacan situa o dep\u00f3sito do gozo significante que para cada um se inscreve, em seu encontro original com a l\u00edngua, na experi\u00eancia infantil n\u00e3o regrada da lala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cJoyce era louco?\u201d &#8211; Sobre a generaliza\u00e7\u00e3o da loucura<\/strong><\/p>\n<p>Ao afirmar que \u201cTodo mundo \u00e9 louco (isto \u00e9 delirante)\u201d em <strong>1978<\/strong> (LACAN, 1978\/2010, p. 31), Lacan estabelece uma sinon\u00edmia entre os termos \u2018delirante\u2019 e \u2018louco\u2019.\u00a0 Se <em>language is use<\/em>, o uso do termo \u2018del\u00edrio\u2019 associando-o \u00e0 loucura e n\u00e3o \u00e0 psicose n\u00e3o nos passa desapercebido. Esse novo uso traz consigo uma generaliza\u00e7\u00e3o da loucura, \u201ctodo mundo \u00e9&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Com o Lacan de 1978, deixamos de lado o termo cl\u00e1ssico \u2018psicose\u2019, o qual d\u00e1 \u00e0 loucura seu estatuto de entidade cl\u00ednica classific\u00e1vel e classificat\u00f3ria, para observar que Lacan se serviu do termo \u201cloucura\u201d algumas vezes. Lemos, entre outros: em 1946 \u2013 \u201cN\u00e3o fica louco quem quer.\u201d \u201cO ser do homem n\u00e3o apenas n\u00e3o pode ser compreendido sem a loucura, como n\u00e3o seria o ser do homem se n\u00e3o trouxesse em si a loucura\u201d (LACAN, 1946\/1998, p. 177); em 1973 \u2013 \u201cAssim, o universal do que elas desejam \u00e9 a loucura, todas as mulheres s\u00e3o loucas, como se diz. \u00c9 por isso mesmo que n\u00e3o s\u00e3o todas, isto \u00e9, n\u00e3o-loucas-de-todo, mas antes conciliadoras, a ponto de n\u00e3o haver limites para as concess\u00f5es que cada uma faz a <em>um<\/em> homem: de seu corpo, de sua alma, de seus bens\u201d (LACAN, 1973\/2003, p. 538) e, ainda, em 1975 &#8211; \u201cJoyce era (estava) louco?\u201d \u201c&#8230; a partir de quando se \u00e9 (est\u00e1) louco?\u201d (LACAN, 1975-1976\/2007, p. 75).<\/p>\n<p>Interessa-nos seguir com Lacan \u201ca pista de Joyce\u201d (LACAN, 1975-1976\/2007, p. 81), pista que ele extrai das \u201cCartas de amor a Nora Barnacle\u201d (JOYCE, 1992). O que esses recortes nos dizem sobre a generaliza\u00e7\u00e3o do del\u00edrio e da loucura? Lacan observa que, embora tenha dito que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, entre Joyce e Nora h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual e \u201cbem esquisita\u201d. Nesse caso, \u201ca luva virada ao avesso \u00e9 Nora. \u00c9 o jeito de se considerar que ela lhe cai como uma luva\u201d. Embora ele n\u00e3o a enluve sen\u00e3o com repugn\u00e2ncia, n\u00e3o basta que ela lhe caia como uma luva, \u00e9 preciso \u201cque ela o cerre como uma luva\u201d (LACAN, 1975-1976\/2007, p. 82).<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o geom\u00e9trica da luva invertida corresponde a um querer introduzir-se no corpo de Nora, dar-lhe a volta, embrulhar-se nele, conhecer como lhe caem os excrementos. Ao determinar desde a vestimenta at\u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o, ele busca esculpir A Mulher, ser-lhe o dono do corpo e do esp\u00edrito. Embora a deprecie, ele tem uma depend\u00eancia absoluta em rela\u00e7\u00e3o a ela, a quem diz dever tudo (ROSA, 2017). Clinicamente, os sujeitos que se ajeitam com A Mulher, encontram no lugar da divis\u00e3o entre a prostituta e a santa, A Mulher \u00danica. Curados pelo amor, sem que tenha havido um trabalho subjetivo, eles restam na depend\u00eancia absoluta do amor deste Outro providencial (HARARI, 2002, p. 163-168).<\/p>\n<p>Para Lacan, o sintoma central da an\u00e1lise \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um exilio na rela\u00e7\u00e3o entre os sexos; diante da expectativa de adequa\u00e7\u00e3o, sob transfer\u00eancia, o sujeito depara com um \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d. Ao seguir, com Lacan, a pista das Cartas de Joyce a Nora, observamos que n\u00e3o h\u00e1 a\u00ed a suposi\u00e7\u00e3o de um saber ao sintoma Nora. Devido \u00e0 n\u00e3o recep\u00e7\u00e3o endividante da heran\u00e7a paterna, ela lhe cai como uma luva e isso o inscreve em uma tradi\u00e7\u00e3o de escritores, Yeats e Pound entre outros, que veneram A Mulher (THONIS, 1992).<\/p>\n<p>Enfim, se a a\u00e7\u00e3o forclusiva n\u00e3o incide sobre o significante d\u2019A Mulher, se o <em>falasser<\/em> sustenta uma cren\u00e7a na exist\u00eancia d&#8217;A Mulher, o del\u00edrio e a loucura se generalizariam? Parece-nos que n\u00e3o.\u00a0 Assim, uma resposta plaus\u00edvel \u00e0 pergunta feita por Lacan talvez seja:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cJoyce era (estava) louco?\u201d &#8211;<\/p>\n<p>&#8211; Sim, ele era (estava) louco por Nora!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diagnosticar e despatologizar pelo n\u00e3o todo <\/strong><\/p>\n<p>Para concluir, retomemos algumas possibilidades de despatologiza\u00e7\u00e3o com as quais nos deparamos. A primeira delas seria operada pela pr\u00f3pria sociedade pela via da identifica\u00e7\u00e3o a um S<sub>1<\/sub> que assegura ao sujeito o pertencimento a um grupo identit\u00e1rio ou a um estilo de vida que reivindica seus direitos. Servem-se dessa estrat\u00e9gia despatologizante, por exemplo, os trans, os autistas, os &#8220;escutadores de vozes&#8221; e v\u00e1rias outras nomea\u00e7\u00f5es que asseguram ao sujeito uma dignidade aliada ao seu diagn\u00f3stico &#8211; o &#8220;orgulho autista&#8221;, por exemplo &#8211; ou direitos na esfera jur\u00eddica outorgados ao seu grupo social ou estilo de vida.<\/p>\n<p>A segunda forma de despatologiza\u00e7\u00e3o, no campo das psicoses que nos concerne aqui, seria a via do trabalho da pr\u00f3pria psicose ou do sujeito psic\u00f3tico atrav\u00e9s do seu sinthoma. Joyce seria o paradigma mais exemplar dessa forma, em que o ego constru\u00eddo atrav\u00e9s da escrita faz supl\u00eancia \u00e0 aus\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o do Nome-do-Pai como forma de amarra\u00e7\u00e3o borromeana.<\/p>\n<p>A terceira forma de despatologiza\u00e7\u00e3o, que nos interessa particularmente aqui, \u00e9 aquela que se d\u00e1 sob transfer\u00eancia, na cl\u00ednica psicanal\u00edtica de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. Alguns casos evocados em nosso relat\u00f3rio como vinhetas cl\u00ednicas nos permitem demonstrar essa maneira de se virar com o sintoma, na qual diagnosticar e despatologizar caminham de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Laia, no seu texto &#8220;Por que as psicoses &#8230; ainda?&#8221; (LAIA, 2023), abre-nos uma via de investiga\u00e7\u00e3o ao perguntar se n\u00e3o poder\u00edamos fazer valer o n\u00e3o-todo f\u00e1lico como uma esp\u00e9cie de orienta\u00e7\u00e3o para os pacientes psic\u00f3ticos desnorteados pela aus\u00eancia do Nome-do-Pai e do falo simb\u00f3lico ou significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica em suas vidas. E prop\u00f5e que a fun\u00e7\u00e3o f\u00f4nica do falo (LACAN, 1975-1976\/2007, p. 123), evocada por Lacan no <em>Semin\u00e1rio 23<\/em>, assim como o poder f\u00e1lico da fala (LACAN, 1971-1972\/2012, p. 67-68), evocado no <em>Semin\u00e1rio 19,<\/em> teriam um amplo alcance na experi\u00eancia anal\u00edtica com sujeitos psic\u00f3ticos, cujo dizer, quando escutado e acompanhado por um analista, pode fazer vacilar sua certeza delirante, permitindo-lhe confrontar-se com o furo forclusivo de outra forma.<\/p>\n<p>O exemplo que gostaria de trazer para concluir releva de uma fic\u00e7\u00e3o que nos foi apontada por S\u00e9rgio de Mattos no livro de Fabi\u00e1n Schejtman, <em>Philip Dick con Jacques Lacan &#8211; Cl\u00ednica psicoanal\u00edtica como ciencia ficci\u00f3n<\/em> (SCHEJTMAN, 2018), no qual nosso colega da EOL relata, de maneira ficcional, dois encontros desse brilhante escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com o psicanalista franc\u00eas. Encontramos rastros desses encontros, assim como poss\u00edveis vest\u00edgios deles no <em>Semin\u00e1rio<\/em> de Lacan <em>O objeto da psican\u00e1lise, <\/em>no relato de Samuel Fergusson, que evoca uma entrevista da filha de P. Dick, Isa Dick Hackett, no cap\u00edtulo &#8220;Encuentros&#8221; do livro de Schejtman. <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O primeiro encontro teria acontecido em Chicago, onde Lacan realizava uma confer\u00eancia na universidade na qual se encontrava Philip Dick, em 1966. Dick teria ficado t\u00e3o impactado pela fala do psicanalista que o procurou ao final para uma conversa que lhe deixou marcas. O segundo encontro teria acontecido em Lille, onde Lacan participava das Jornadas da Escola Freudiana de Paris, em 1977, ap\u00f3s uma confer\u00eancia de Philip Dick em Metz.<\/p>\n<p>Sempre interrogado pelo estatuto da realidade na qual vivemos &#8211; atestado pelos filmes baseados em suas obras, como <em>Blade Runner<\/em>, <em>Minority Report <\/em>e <em>Show de Truman &#8211;<\/em> Philip Dick havia encontrado uma explica\u00e7\u00e3o delirante para a realidade, mas estava embara\u00e7ado pela transmiss\u00e3o de sua descoberta. Na confer\u00eancia de Lacan em Lille, teria escutado com especial aten\u00e7\u00e3o Lacan dizer: &#8220;n\u00e3o todos podem sab\u00ea-lo, s\u00f3 alguns poucos eleitos distinguem a realidade do real&#8221;. Ele teria ent\u00e3o relatado a Lacan que, em fevereiro de 74, uma jovem bateu \u00e0 sua porta e, ao ver seu pendente com o signo de peixes, s\u00edmbolo do primeiro cristianismo, foi invadido por uma luz, um brilho e uma energia, uma intelig\u00eancia infinita, que se impuseram a ele tornando-o seu escriba. &#8220;VALIS, <em>Vast Active Living Intelligence System<\/em>, energia plasm\u00e1tica que invade o c\u00e9rebro humano como h\u00f3spede feminino&#8221;, o toma, e ele deve consentir.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez n\u00e3o seja obrigat\u00f3rio&#8221;, teria respondido Lacan. Dick conta a Lacan as revela\u00e7\u00f5es sobre o imp\u00e9rio romano ainda presente sob a realidade corrente, das quais falara em Metz. &#8220;N\u00e3o lhe conto tudo&#8221;, teria dito Philip. &#8220;Sim, n\u00e3o tudo! &#8211; responde Lacan. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a submeter-se a VALIS, voc\u00ea \u00e9 que escolhe receber a informa\u00e7\u00e3o, e sobretudo, at\u00e9 quando. Voc\u00ea pode dizer basta. O feminino esteve ali desde o in\u00edcio e h\u00e1 tamb\u00e9m a feminiza\u00e7\u00e3o do homoplasma&#8221;.<\/p>\n<p>Aprendemos, na biografia de Philip Dick (CARR\u00c8RE, 2016, p. 336-339), que a revela\u00e7\u00e3o de seu del\u00edrio, em Metz, deixou sua audi\u00eancia estarrecida e o pr\u00f3prio Dick bastante abalado, mas ap\u00f3s o retorno aos Estados Unidos, Dick se apaziguou e p\u00f4de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o mais pacificada com as mulheres, focando na escrita de sua Exegese. Ele frequentava semanalmente um psicoterapeuta, e veio a falecer em 1982 de um ataque card\u00edaco. Na fic\u00e7\u00e3o de Fabi\u00e1n Schejtman o psicanalista segue o sujeito, delirante, e faz vacilar suas convic\u00e7\u00f5es, sem retirar-lhe o del\u00edrio por completo, por\u00e9m descompletando ou inconsistindo o Outro do del\u00edrio.<\/p>\n<p>Mas podemos falar de n\u00e3o-todo na cl\u00ednica das psicoses? N\u00e3o se trata de fazer valer a significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica como efeito da met\u00e1fora paterna, porque por defini\u00e7\u00e3o o Nome-do-Pai n\u00e3o opera. Trata-se de fazer valer o efeito da fala, introduzindo alguma medida no gozo sem limites e na significa\u00e7\u00e3o sem ponto de basta. Ou seja, trata-se de fazer valer o furo da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual ou a inexist\u00eancia d&#8217;A mulher por outros artif\u00edcios que n\u00e3o o Nome-do-Pai, promovendo o apaziguamento de um gozo que antes se impunha como obrigat\u00f3rio e infinito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/strong><\/p>\n<p>MILLER, J.-A. <em>Os casos raros, inclassific\u00e1veis, da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. <\/em>S\u00e3o Paulo: Biblioteca Freudiana Brasileira, 1997.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 4, <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto. <\/em>(1956-1957) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 3, <em>As psicoses. <\/em>(1955-1956) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 5, <em>As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. <\/em>(1957-1958) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 11, <em>Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. <\/em>(1964) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 19, <em>&#8230; ou pior. <\/em>(1971-1972) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro, Zahar, 2012.<br \/>\nLACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, <\/em>livro 23, <em>O sinthoma. <\/em>(1975-1976) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.<br \/>\nLACAN, J. Lacan a favor de Vincennes! (1978) <em>Correio, <\/em>Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise n. 65. S\u00e3o Paulo: EBP, abril de 2010.<br \/>\nLACAN, J. Formula\u00e7\u00f5es sobre a causalidade ps\u00edquica (1946). <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<br \/>\nLACAN, J. Televis\u00e3o (1973). <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<br \/>\nMANDIL,R. O mundo rumo \u00e0 psicose. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/orientacao\/<br \/>\nCUTHBERT, 2021, p. 84, apud LA SAGNA, Ph. D\u00e9pathologiser ou d\u00e9m\u00e9dicaliser: la forclusion du sympt\u00f4me. <em>Quarto <\/em>n. 131. Bruxelles: ECF, Juin 2022.<br \/>\nBIAGI-CHAI, F. La d\u00e9pathologisation lacanienne et l&#8217;autre, <em>Quarto <\/em>n. 131. Bruxelles: ECF, Juin 2022.<br \/>\nANSERMET, F. O vivo incomensur\u00e1vel: entre ci\u00eancia e inconsciente. Dispon\u00edvel em: http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1677-11682019000300027<br \/>\nALVARENGA, E. https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/grampos-citacao\/<br \/>\nLEMINSKI, P. https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/trechos\/80136.pdf<br \/>\nLAIA, S. \u201cPor que as psicoses&#8230;ainda\u201d. https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/por-que-as-psicoses-ainda\/<br \/>\nLAURENT, E. Disrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana,<\/em> Revista Internacional Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, n.79, julho de 2018, p. 52-63.<br \/>\nJOYCE, J. <em>Cartas de amor a Nora Barnacle<\/em>. 1992. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.elaleph.com\"><strong>www.elaleph.com<\/strong><\/a><strong>.<\/strong> Acesso em: jun. 2023.<br \/>\nROSA, M. \u201cSe ela lhe cair como uma luva, o del\u00edrio n\u00e3o se generaliza\u201d. In:<em> Derivas<\/em>. Revista Digital de Psican\u00e1lise e Cultura da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise-MG, n. 6, junho 2017. <a href=\"http:\/\/www.revistaderivasanaliticas.com.br\"><strong>www.revistaderivasanaliticas.com.br<\/strong><\/a><strong>.<\/strong> Acesso em junho de 2023.<br \/>\nHARARI, R. <em>Como se chama James Joyce?<\/em> A partir do semin\u00e1rio <em>Le Sinthome<\/em> de J. Lacan. Salvador: \u00c1galma, Rio de Janeiro: Campo Mat\u00eamico, 2002.THONIS, L. \u201cPr\u00f3logo\u201d. In: Joyce, J. <em>Cartas de amor a Nora Bernacle<\/em>. 1992. <a href=\"http:\/\/www.elaleph.com\"><strong>www.elaleph.com<\/strong><\/a>. Acesso em junho de 2023.<br \/>\n<span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">SCHEJTMAN, F. <\/span><em style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Philip Dick con Jacques Lacan. <\/em><em style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Cl\u00ednica psicoanal\u00edtica como ciencia ficci\u00f3n. <\/em><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Buenos Aires, Grama, 2018. Vers\u00e3o Kindle.<br \/>\n<\/span>CARR\u00c8RE, E. <em>Eu estou vivo e voc\u00eas est\u00e3o mortos. A vida de Philip K. Dick. <\/em>S\u00e3o Paulo, Aleph, 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text text_lead=&#8221;small&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;182619&#8243;]<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>Relat\u00f3rio do cartel composto por: Ant\u00f4nio Teixeira (Membro da EBP e da AMP), Bruna Albuquerque (Cartelizante da EBP), Frederico Feu (Membro da EBP e da AMP), M\u00e1rcia Rosa (Membro da EBP e da AMP), Miguel Antunes (Cartelizante da EBP), M\u00f4nica Campos (Membro da EBP e da AMP), Patr\u00edcia Ribeiro (Membro da EBP e da AMP) e Elisa Alvarenga (AME da EBP e da AMP) (+ Um)<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row row_height_percent=&#8221;0&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; h_padding=&#8221;2&#8243; top_padding=&#8221;0&#8243; bottom_padding=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; column_width_percent=&#8221;100&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;164376&#8243;][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;0&#8243; style=&#8221;dark&#8221; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162562&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; style=&#8221;light&#8221; font_family=&#8221;font-183904&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; radius=&#8221;lg&#8221; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;383650&#8243;][vc_single_image media=&#8221;87&#8243; media_width_percent=&#8221;15&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2023%2Fwp-content%2Fuploads%2F2023%2F08%2FElisa-Diagnosticar-e-despatologizar-.pdf|target:_blank&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;137706&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h6&#8243; text_size=&#8221;h6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;187866&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<\/p>\n<h6 class=\"uncode-share\">ABRIR EM PDF<\/h6>\n<p>[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;2&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Elisa Alvarenga\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"portfolio_category":[4],"class_list":["post-669","portfolio","type-portfolio","status-publish","hentry","portfolio_category-textos-de-orientacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.3 - 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