{"id":681,"date":"2023-08-30T15:24:16","date_gmt":"2023-08-30T15:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/?post_type=portfolio&#038;p=681"},"modified":"2023-09-01T18:09:52","modified_gmt":"2023-09-01T18:09:52","slug":"eixo-2-a-arte-de-saber-ler","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-2-a-arte-de-saber-ler\/","title":{"rendered":"EIXO 2: Coment\u00e1rios ao Relat\u00f3rio \u201cDiagnosticar e despatologizar\u201d"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;984329&#8243;][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; equal_height=&#8221;yes&#8221; gutter_size=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;499325&#8243;][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;1&#8243; style=&#8221;dark&#8221; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;894074&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1683086611195{padding-left: 10px !important;}&#8221;][vc_single_image media=&#8221;103&#8243; media_width_percent=&#8221;50&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;182244&#8243;][\/vc_column_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_horizontal=&#8221;left&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;5\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162471&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;122747&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Texto de orienta\u00e7\u00e3o[\/vc_custom_heading][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-190355&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_weight=&#8221;500&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;166253&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>EIXO 2: A arte de saber ler.<\/strong>[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;145965&#8243;]<strong><em>Coment\u00e1rios ao Relat\u00f3rio \u201cDiagnosticar e despatologizar\u201d\u00a0<\/em><\/strong><a class=\"__mPS2id\" href=\"#ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>[\/vc_column_text][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-190355&#8243; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;600&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;120751&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_separator sep_color=&#8221;color-205642&#8243; el_width=&#8221;100px&#8221; el_height=&#8221;4px&#8221;][vc_column_text text_lead=&#8221;small&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;211464&#8243;]Podemos ler na proposi\u00e7\u00e3o deste eixo um desdobramento dos ecos da confer\u00eancia de Jacques-Alain Miller, \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d, quando ele comenta que a ideologia contempor\u00e2nea da igualdade universal dos seres falantes j\u00e1 estava escrita em Lacan ao evocar que a fraternidade poss\u00edvel \u00e9 aquela que considera que sempre somos por demais desiguais. Quando tal real n\u00e3o \u00e9 considerado, a cl\u00ednica desaparece e, por efeito, h\u00e1 uma despatologiza\u00e7\u00e3o generalizada sob a bandeira dos \u2018todos iguais\u2019. Lacan revira o <em>zeitgeist <\/em>ao dizer: \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d e acrescenta, \u201cou seja, delirante\u201d. Esse acr\u00e9scimo que segue ao aforisma, comenta Miller, \u201cn\u00e3o deixa de fazer ressoar, por\u00e9m, algum ru\u00eddo\u201d. Temos, ent\u00e3o, nesse universal algo que range. Miller nos convida a seguir esse \u201calgo a mais, e talvez diferente, da valida\u00e7\u00e3o da dita despatologiza\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, 2022, p. 10).<\/p>\n<p>Para seguir na pista desse <em>algo a mais<\/em> e salvar a cl\u00ednica do empuxo \u00e0 despatologiza\u00e7\u00e3o generalizada, ele prop\u00f5e dois n\u00edveis de leitura: um que se afirma como absoluto \u2013 <em>todo mundo \u00e9 louco<\/em> \u2013, uma tese conforme o ar dos tempos. E outro, <em>para fazer frente \u00e0 desordem<\/em>, em um n\u00edvel abaixo, onde estariam as hip\u00f3teses, lugar do relativo. \u201cAs distin\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica seriam conservadas a esse n\u00edvel, subordinado \u00e0 hip\u00f3tese\u201d (MILLER, 2022, p. 11), ou seja, subordinadas a esse <em>algo a mais<\/em> relativo ao que range no universal. Mas a que Miller se refere ao evocar as distin\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Seriam as distin\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica, distin\u00e7\u00f5es de diagn\u00f3stico? <\/strong><\/p>\n<p>Chama aten\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia do termo \u2018diagn\u00f3stico\u2019 na confer\u00eancia de Miller. Fui a Lacan e rastreei dos <em>Escritos<\/em> aos Semin\u00e1rios e tampouco encontrei uma defer\u00eancia digna de nota, nada conceitual. E a partir de 1966, o voc\u00e1bulo parece que evaporou. Curioso! Retornei ao texto \u201cEfeito do retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria\u201d. Ali o termo \u2018diagn\u00f3stico\u2019 surgiu, uma \u00fanica vez, no contexto de uma pergunta de Vyacheslav Tsapkin a Miller. Tsapkin tenta alert\u00e1-lo para o uso abusivo que poderia ser feito da express\u00e3o <em>psicose ordin\u00e1ria<\/em>, a exemplo de um antecedente na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a saber, uma teoria que trazia a ideia de psicose de progress\u00e3o lenta, incitando os psiquiatras a irem em busca dos ind\u00edcios menores. \u201cEles perguntavam: Qual o seu autor preferido? E se a resposta fosse: \u00abBem, gosto muito de Kafka\u00bb, o psiquiatra n\u00e3o tinha a menor d\u00favida sobre o diagn\u00f3stico. Desse modo, os dissidentes eram considerados psic\u00f3ticos, por raz\u00f5es \u00f3bvias.\u201d Miller, em resposta, esclarece o contexto em que inventou a express\u00e3o <em>psicose ordin\u00e1ria<\/em> e diz: \u201cEu me lembro bem do psiquiatra sovie\u0301tico que deu seu diagno\u0301stico ao leitor de Kafka. A Unia\u0303o Sovie\u0301tica era em si um deli\u0301rio! [&#8230;] Era uma realidade delirante\u201d (MILLER, 2010, p. 25-26).<\/p>\n<p>Lemos a\u00ed o trabalho do cartel em seu marco epistemol\u00f3gico: \u201ctodo discurso normativo \u00e9 delirante, incluindo o que se apoia no Nome-do-Pai\u201d (ALVARENGA, 2023). E citando Lacan, o relat\u00f3rio enfatiza que \u201cdelirar n\u00e3o \u00e9 exclusivo da psicose, n\u00e3o havendo discurso de loucura mais manifesto e mais sens\u00edvel que o dos psiquiatras e precisamente acerca da paranoia\u201d (ALVARENGA, 2023).<\/p>\n<p>Todavia, Miller, nesse sopro que re\u00fane o diagn\u00f3stico a uma <em>realidade delirante<\/em>, abriu-me uma outra porta de entrada. Em sua confer\u00eancia, quando retoma Freud para se referir ao princ\u00edpio de realidade, Miller (2022, p. 16) disse que esse \u00e9, em si mesmo, um modo de \u201csalvaguarda do princ\u00edpio do prazer, de dar-lhe prosseguimento\u201d. O que se alcan\u00e7a com a substitui\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do prazer pelo princ\u00edpio da realidade \u00e9 sempre o mesmo<em> \u2013 (lustgewinn) \u2013 o mais-de-gozar <\/em>lacaniano, <em>p\u00e1thos<\/em> \u201cimposs\u00edvel de negativizar pelo princ\u00edpio da realidade\u201d (MILLER, 2022, p. 17). Isso que n\u00e3o cessa de se satisfazer e se modula em cada um quando se p\u00f5e em forma. Eis a\u00ed uma distin\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica a perseguir.<\/p>\n<p>Uma das chaves para seguir a distin\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u00e0 experi\u00eancia anal\u00edtica foi-nos entregue por Fernanda Costa quando aponta o dedo na dire\u00e7\u00e3o do que acontece no n\u00edvel da jun\u00e7\u00e3o mais \u00edntima, pois <em>\u00e9 \u201c<\/em>de suturas e emendas que se trata uma an\u00e1lise, logo, o analista, testemunha que, de certa maneira, cada falasser (e n\u00e3o s\u00f3 o psic\u00f3tico) precisaria de uma inven\u00e7\u00e3o na jun\u00e7\u00e3o entre simb\u00f3lico, imagin\u00e1rio e real\u201d (COSTA, 2023). Podemos dizer, afinal, que as psicoses ordin\u00e1rias e as outras, neuroses e psicoses, s\u00e3o, a um s\u00f3 tempo, \u201csa\u00eddas diferentes para a mesma dificuldade do ser\u201d (MILLER, 2012a, p. 242).<\/p>\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, o relat\u00f3rio afirma que \u201cdiagnosticar \u00e9 discernir a estrutura; concerne, portanto, \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da causa\u201d (ALVARENGA, 2023). Tomei essa afirma\u00e7\u00e3o como uma b\u00fassola para ler a cl\u00ednica que se distingue por seu fazer verdadeiro, cujo norte, diferente da valida\u00e7\u00e3o da dita despatologiza\u00e7\u00e3o que desconhece o real, aponta para o ressoar do imposs\u00edvel de negativizar que range. Uma cl\u00ednica como tal segue se perguntando sobre \u201co que mant\u00e9m junto o que por si s\u00f3 se encontra separado e que define o mist\u00e9rio do falasser\u201d. Seguindo essa linha, o cartel interroga:<\/p>\n<blockquote><p>A heran\u00e7a da cl\u00ednica psiqui\u00e1trica, da qual historicamente nos servimos, parece pesar hoje sobre nossas costas. Seria preciso, ent\u00e3o, inventar uma outra terminologia, livre da conota\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica do ato de diagnosticar? Em que medida o paradigma dos n\u00f3s permitiria esse avan\u00e7o e essa libera\u00e7\u00e3o? (ALVARENGA, 2023)<\/p><\/blockquote>\n<p>Encontramos aqui uma trilha para interpretar a aus\u00eancia, no \u00faltimo ensino de Lacan, de qualquer defer\u00eancia ao termo \u2018diagn\u00f3stico\u2019? Seria tal aus\u00eancia um apagamento do seu sentido, por ser clinicamente necess\u00e1rio, em favor de cl\u00ednica dos n\u00f3s, das conex\u00f5es sem sentido, efeito de uma conting\u00eancia? H\u00e1 algum tempo, tenho me interessado em investigar no ensino de Lacan como a querela do diagn\u00f3stico foi empalidecendo-se \u00e0 medida que a lupa da investiga\u00e7\u00e3o anal\u00edtica foi se deslocando para a leitura do funcionamento do falasser:<\/p>\n<blockquote><p>A passagem da cl\u00ednica diferencial \u00e0 borromeana de forma alguma nos permite apagar o modo neur\u00f3tico ou psic\u00f3tico de ser, mas exige-nos seguir a <em>finesse <\/em>dos pequenos sinais, ind\u00edcios de pin\u00e7as, amarras ou n\u00f3s, numa investiga\u00e7\u00e3o permanente, atentos ao singular do sinthoma, a encarna\u00e7\u00e3o do que h\u00e1 de mais singular em cada falasser. A lanterna se desloca da querela do diagn\u00f3stico para iluminar o real no interior do tratamento; a pergunta se desloca do \u201co que ser\u00e1 que ele \u00e9\u201d, para \u201ccomo \u00e9 que ele funciona\u201d. Uma cl\u00ednica do funcionamento, das conex\u00f5es, dos \u00ednfimos detalhes em que o toque de singularidade \u00e9 a b\u00fassola\u00a0(OTONI-BRISSET, 2023).<\/p><\/blockquote>\n<p>Se nos valermos do que Lacan formalizou em seu \u00faltimo ensino, o paradigma dos n\u00f3s, poder\u00edamos prescindir do termo \u2018diagn\u00f3stico\u2019 para nos servir do que h\u00e1 de novo e que distingue a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana? Sabemos que a psican\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia de linguagem que n\u00e3o desconhece os efeitos dos significantes-mestres na sua textura. Imiscuir em sua tessitura significantes novos, com pot\u00eancia para remexer o tecido, fez ler, dizer e operar com o mesmo de uma nova maneira. Foi o esfor\u00e7o de Lacan.<\/p>\n<p>Proponho, por exemplo, no lugar do termo \u2018diagnosticar\u2019, tomarmos o que Miller formaliza e nos entrega como \u201csaber ler um sinthoma\u201d (MILLER, 2011). Quais efeitos podemos recolher da incid\u00eancia do <em>saber ler<\/em> na distin\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica do falasser, quando a posi\u00e7\u00e3o do analista se mostra orientada em discernir a estrutura em sua fun\u00e7\u00e3o de causa?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saber ler <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9ric Laurent, na confer\u00eancia de Barcelona, \u201cDisrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d, sublinha que \u201co analista n\u00e3o deve esquecer que n\u00e3o \u00e9 seu ser que move a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica\u201d <em>(LAURENT, 2018, p. 55),<\/em> pois, citando Lacan, esclarece que \u201caquele que sabe \u00e9, na an\u00e1lise, o analisando e o analista entra a\u00ed como um Outro que segue (<em>suit<\/em>)\u201d (LACAN, 1977\/1979, p. 18). Podemos extrair dessa formula\u00e7\u00e3o de Laurent quanto ao lugar do analista nas loucuras sob transfer\u00eancia uma distin\u00e7\u00e3o precisa que desinstala o analista da encruzilhada da querela do diagn\u00f3stico, do fasc\u00ednio do ser, e o instala como aquele que segue o que h\u00e1, do lado da exist\u00eancia, como testemunho do que range e n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever do lado do falasser, e que requer do analista saber ler.<\/p>\n<blockquote><p>O saber ler visa o choque inicial, que \u00e9 como um <em>clin\u00e2men<\/em> do gozo. [\u2026] \u00e9 o que est\u00e1 nas origens do sujeito, \u00e9 de certo modo o acontecimento origin\u00e1rio e ao mesmo tempo permanente, isto \u00e9, ele reitera sem cessar. [&#8230;] a raiz do sintoma. \u00c9 nesse sentido que Lacan p\u00f4de dizer que um sintoma \u00e9 um <em>et coetera<\/em>. Isto \u00e9, o retorno do mesmo acontecimento. Pode-se fazer muitas coisas com a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo. Precisamente, pode-se dizer que o sintoma \u00e9, neste sentido, como um objeto fractal, pois o objeto fractal mostra que a reitera\u00e7\u00e3o do mesmo pelas aplica\u00e7\u00f5es sucessivas lhes d\u00e1 as mais extravagantes formas (MILLER, 2011).<\/p><\/blockquote>\n<p>Ler um sinthoma \u00e9 saber ler a reitera\u00e7\u00e3o inextingu\u00edvel do mesmo Um que n\u00e3o cessa de se satisfazer nas mais extravagantes formas, \u00e9 ler o que se passa na raiz, irredut\u00edvel e inapreens\u00edvel, que range enquanto se expande, nas formas fractais que percutem sua exist\u00eancia. O furo original est\u00e1 para todos e, por efeito, para a inconsist\u00eancia corporal, a inconsist\u00eancia do Outro e do Mundo.<\/p>\n<p>O real da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o tem por consequ\u00eancia o fato de que \u201cs\u00f3 h\u00e1 diferentes maneiras de falhar\u201d (MILLER, 2005, p. 14) e a cada uma dessas maneiras correspondem diferentes modos de o falasser responder \u00e0 forclus\u00e3o restrita ao Nome-do-Pai ou a generalizada que diz respeito a esse vazio central. A cl\u00ednica em Lacan, como a de Freud, fica de p\u00e9 a partir desse real causal, origin\u00e1rio da imiscui\u00e7\u00e3o da l\u00edngua no corpo, choque inicial da sua percuss\u00e3o\/perdi\u00e7\u00e3o, raiz da desordem, raiz do trauma, bem como ponto de partida do n\u00f3. Como bem disse J\u00e9sus Santiago, \u201cn\u00e3o basta diagnosticar a inexist\u00eancia do Outro\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>A presen\u00e7a do ato anal\u00edtico na contemporaneidade exige uma mudan\u00e7a de paradigma cl\u00ednico, sobretudo no \u00e2mbito da transfer\u00eancia, na medida em que seu exerc\u00edcio passa a ser correlativo da dimens\u00e3o do real que falha incessantemente. [&#8230;] Se cada vez mais os sintomas se tornam um <em>affaire<\/em> de significante mestre <strong>(S1),<\/strong> \u00e9 exigido do psicanalista um <em>suposto saber ler de outra forma<\/em><em> [LACAN, 1978],<\/em> uma vez que \u00e9 preciso <em>saber ler<\/em> a materialidade deste, isto \u00e9, em que o significante mestre se consubstancia na letra que produz o acontecimento de corpo. Diante da preval\u00eancia do sintoma cuja economia de gozo \u00e9 o acontecimento de corpo, o n\u00facleo da transfer\u00eancia desloca-se da suposi\u00e7\u00e3o do saber decifr\u00e1vel para a\u00a0<em>suposi\u00e7\u00e3o de saber ler de outra forma<\/em> o sintoma (SANTIAGO, 2023a).<\/p><\/blockquote>\n<p>Nota-se, ent\u00e3o, que a distin\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica que nos interessa n\u00e3o \u00e9 a que se reduz \u00e0 distin\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico estrutural, se h\u00e1 ou n\u00e3o a presen\u00e7a da forclus\u00e3o do Nome-do-Pai, neurose ou psicose. Lacan, \u00e0 medida que avan\u00e7a em seu ensino, nos convoca a saber ler como numa mesma estrutura se passa e se comporta o imposs\u00edvel de apreender. O mesmo pode satisfazer-se de outra maneira, num la\u00e7o social poss\u00edvel, enla\u00e7ado \u00e0 raiz do sint<em>h<\/em>oma.<\/p>\n<p>Saber ler como o sint<em>h<\/em>oma entra em forma, como esse \u201c<em>h<\/em>\u201d se comporta, permite discernir a estrutura em sua fun\u00e7\u00e3o de causa e ressaltar o modo de funcionamento singular do falasser, seu mist\u00e9rio, em manter junto elementos heterog\u00eaneos, o gozo e o Outro, pois a \u201cestrutura comporta furos e, neles, h\u00e1 lugar para a inven\u00e7\u00e3o, para algo de novo, para os conectores que n\u00e3o est\u00e3o ali desde sempre\u201d (MILLER, 2012b, p. 48). Assim, seja com o Nome-do-Pai ou com o que quer que lhe substitua, \u201ctodo falasser inventa \u00e0 sua maneira uma forma singular e \u00fanica de dar consist\u00eancia ao que n\u00e3o tem consist\u00eancia e de remendar o que se apresenta como o verdadeiro furo, S(\u023a)\u201d (ALVARENGA, 2023).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 5\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Algo disso se passou com Gaston: depois de uma separac\u0327a\u0303o trauma\u0301tica, tentando se arranjar com a percussa\u0303o da desordem e se defender do real, ele excede na montagem de um super ameac\u0327ador. Vai preso. O Outro da lei carimba o real com o nome \u201clouco infrator inimputa\u0301vel\u201d \u2013 S1 que ativa no corpo um turbilha\u0303o do gozo que se fixa ao modo de uma identificac\u0327a\u0303o ri\u0301gida e, ao que parece, ele tentava anestesiar com o uso abusivo de drogas e o abandono do corpo. Do encontro com um analista atento ao que nele vibra como causa, aos poucos, ele reintroduz no seu mundo seu lugar como artista \u2013 que funciona como um conector singular a po\u0302r em forma a substa\u0302ncia da desordem de uma boa maneira, repara o no\u0301. \u201cEle deixa de ser louco\u201d (ALVARENGA, 2023), diz o relato\u0301rio. [Sera\u0301 que deixamos de ser loucos \u2013 ou nos arranjamos com a loucura do rangido de uma boa maneira? \u2013 sopra Helenice de Castro.] Para Gaston, a coisa se comporta ao se arranjar, com sua arte, no mundo \u2018normal\u2019. O analista, como placa sensi\u0301vel, ao distinguir o que se arranja ao modo de lac\u0327o social e na\u0303o do turbilha\u0303o, segue na direc\u0327a\u0303o do que no falasser tem func\u0327a\u0303o de causa.<\/p>\n<p>Afinal, os casos do relato\u0301rio nos ensinam que a substa\u0302ncia da desordem e\u0301 a mesma que faz lac\u0327o; o que muda e\u0301 como se comporta com a li\u0301ngua na estrutura. Miller esclarece que Lacan, em todo seu ultimi\u0301ssimo ensino, sem dizer a palavra, em 1978, opera uma definic\u0327a\u0303o de estrutura completamente diferente.<\/p>\n<blockquote><p>As coisas podem ser ditas saber se comportar [&#8230;] se, no caso, ha\u0301 estrutura, na\u0303o se trata de estrutura lingui\u0301stica, mas, se assim posso dizer, de estrutura coisi\u0301stica. [&#8230;] As coisas sabem se comportar, precisamente pela diferenc\u0327a com os troumains que, eles, na\u0303o sabem como se comportar, \u2018em raza\u0303o\u2019 da <span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">estrutura simbo\u0301lica, da escola de perdic\u0327a\u0303o constitui\u0301da pela li\u0301ngua (MILLER, 2020).<\/span><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 6\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Samuel era um menino agitado, significante que o alojava bem a\u0300 li\u0301ngua familiar, de acordo com uma loucura normal, como bem disse Helenice de Castro (2023). A coisa assim sabia se comportar. Ao se mostrar isolado, pode-se ler nele a escrita de um gozo, um rastro de algo a mais, rui\u0301do de uma loucura singular. Isolar-se ja\u0301 era um arranjo, uma defesa que comportava uma certeza de que existiria \u201cum parasita que entra no corpo das pessoas e as transforma em monstros\u201d (ALVARENGA, 2023). E todos morrem. Um modo de arranjar sua suspeita quanto ao que ex-siste, de natureza indoma\u0301vel, e que toma lugar na sua paisagem subjetiva sem que saiba sua raiz ou mesmo evoque seu controle. Dessa fenda, vocifera um saber delirante, que parece se desencadear quando, de modo especular, le\u0302 em um colega estranho o que rangia em si mesmo: dentro do seu corpo ha\u0301 um ET que faz com que ele se agite e na\u0303o pare. O sujeito trabalha para arranjar uma conexa\u0303o entre esse Um que o agita e um pensamento delirante. Trabalha na montagem de uma estrutura onde a coisa possa se comportar. Quer fazer um projeto pedago\u0301gico [S1\/agitado \u2013 S2\/projeto pedago\u0301gico]. Quando seu trabalho e\u0301 impedido, o ilimitado da desordem volta a invadir, fora da lei. Quer matar o ET. Apazigua-se ao ler em Bart, filho dos Simpson, um reencontro com o estranho, com algo que todo mundo tem, um lado normal e outro realista.<\/p>\n<p>Quando a experie\u0302ncia anali\u0301tica se instala la\u0301 onde cada um experimenta sua mais i\u0301ntima desordem, ela visa ao detalhe que se empresta a\u0300 contingente junc\u0327a\u0303o do gozo ao Outro, abre passagem ao trouma, furo real, tomando o no\u0301 como o que pode ou na\u0303o advir no lugar d\u2019isso inorganizado, servindo-se d\u2019isso que estava escrito, ja\u0301 la\u0301 desde o ini\u0301cio, e vocifera de um lugar onde na\u0303o ha\u0301 ningue\u0301m.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 6\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>O lugar de mais ningue\u0301m<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Retomo Miller em sua leitura de Lacan em \u201cObserva\u00e7\u00e3o sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache: \u2018Psican\u00e1lise e estrutura da personalidade\u2019\u201d, quando evoca o que considerei como \u201cum princ\u00edpio da desordem como tal\u2026\u201d (OTONI, 2021, p. 231). Ou seja, ele sublinha que, a princ\u00edpio, o Isso est\u00e1 inorganizado. \u00c9 um lugar sem sujeito do inconsciente. Cito: \u201cO sujeito n\u00e3o est\u00e1 no Isso. [\u2026] ali n\u00e3o tem ningu\u00e9m, [\u2026] mas sua aus\u00eancia se faz desde um lugar: o lugar de mais-ningu\u00e9m\u201d (MILLER, 2015, p. 320). Ou seja, na mata do gozo, lugar do isso inorganizado, tem uma clareira queimada, uma fenda na mata, sem gozo, sem significante, sem sujeito&#8230; onde n\u00e3o tem ningu\u00e9m. Um furo real por onde se abisma insond\u00e1vel a coisa exilada, perdida, que percute. \u00c9 por sua extimidade que isso opera. Desse lugar de ningu\u00e9m vocifera algo inaudito e, como diz Lacan, \u201cs\u00f3 pode ser de alhures que isso se faz ouvir\u201d (LACAN, 1958\/1998, p. 674).<\/p>\n<p>Seguir esse rangido e como isso se arranja atrav\u00e9s de grampos que p\u00f5em em forma a fic\u00e7\u00e3o de existir em torno de um real sem sentido \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o para a cl\u00ednica ordin\u00e1ria de nossos dias. Lacan \u00e9 claro: o lugar de ningu\u00e9m \u00e9 a \u201cmatriz da cria\u00e7\u00e3o\u201d (LACAN, 1958\/1998, p. 673), da\u00ed brotam o falasser e seu sinthoma. Leio Miller: \u201cneste lugar de mais-ningu\u00e9m o designamos como tal na medida em que n\u00e3o vamos meter a\u00ed o ser supremo, mas vamos localizar na aus\u00eancia dele onde, \u00e0s vezes\u201d (MILLER, 2015, p. 323), um Outro que segue pode vir se alojar.<\/p>\n<blockquote><p>Ad\u00e3o, h\u00e1 mais de 20 anos vivia isolado numa cela, imerso numa experi\u00eancia de despeda\u00e7amento do corpo, atravessado por uma sangria de significantes sem ponto de basta. Um analista o encontrou e aconteceu uma sess\u00e3o sem sentido. Falava \u201ccabe\u00e7a\u201d, falava \u201carrancada\u201d, absorto na perplexidade, sem ningu\u00e9m, e em retorno o analista costurava: \u201cCabe\u00e7a arrancada? Vejo que sua cabe\u00e7a est\u00e1 no seu corpo.\u201d Essa infiltra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada estancava a fluidez meton\u00edmica, uma conex\u00e3o \u00ednfima surgia para logo se esvair em um novo desfiladeiro. Por um triz, o Outro existira, enquanto corpo que ressoa uma conex\u00e3o entre o real e a imagem, atrav\u00e9s de um fio de simb\u00f3lico. Ap\u00f3s algum tempo, ao passar pela cela onde ele vivia isolado, virado e falando para as paredes, ele d\u00e1 um giro, sai da aus\u00eancia que o defende, se levanta, fala, pede para fazer uma foto, faz pose. E, no instante de um flash, um corpo se recomp\u00f5e numa montagem fotogr\u00e1fica. Ele olha e sorri, um efeito de real na fic\u00e7\u00e3o, discreto acontecimento que enla\u00e7a seu corpo ao Outro. Ele pode sair do deserto onde se exilava, e consentir em estar junto com mais alguns outros. Meses depois, saiu do manic\u00f4mio para morar numa resid\u00eancia terap\u00eautica, colabora na cozinha, vaidoso com o corpo e dizem v\u00ea-lo, \u00e0s vezes, se arranjando no espelho que \u00e9 s\u00f3 dele e de mais ningu\u00e9m.<\/p><\/blockquote>\n<p>Lembrei desse caso quando li em Miller que \u201cno fim das contas, na psicose, quando n\u00e3o se trata de uma catatonia completa, h\u00e1 sempre algo que torna poss\u00edvel para o sujeito se virar ou continuar a sobreviver. De certa maneira, o verdadeiro Nome-do-Pai n\u00e3o vale mais que isto, \u00e9 simplesmente um make-believe que funciona\u201d (MILLER, 2010, p. 22-23). Interessante ler o que aconteceu nesse caso, tamb\u00e9m \u00e0 luz do que disse J\u00e9sus Santiago (2023b): \u201cSe o gozo do corpo compat\u00edvel com o <em>n\u00e3o-todo f\u00e1lico<\/em> \u00e9 sem lei, a certeza que se obt\u00e9m dele est\u00e1 sempre condicionada pela conting\u00eancia, pelo que se mostra definitivamente vari\u00e1vel ou, ainda, resultante do que pode <em>ser<\/em> ou <em>n\u00e3o ser\u201d.<\/em> Para tanto, \u00e9 preciso o m\u00ednimo de um Outro, menos na dimens\u00e3o significante e mais enquanto um corpo que ressona a coisa desde alhures, afinal, \u201co Outro \u00e9 a coisa, mas a coisa enquanto esvaziada\u201d (MILLER, 2017, p. 433). Isso nos d\u00e1 a chave para ler <em>nas loucuras sob transfer\u00eancia<\/em> o que operou nos casos desse relat\u00f3rio, quando o analista, como testemunho, \u00e9 aquele que segue. Afinal, \u201ca an\u00e1lise \u00e9 uma leitura assistida pelo analista\u201d (MILLER, 2023).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>O que tamb\u00e9m parece ilustrar o que Ram Mandil formaliza quanto \u00e0 psican\u00e1lise ser \u201cuma experi\u00eancia que visa dar forma ao que o falasser experimenta como um vazio, como \u00edndice da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o. Dar a esse vazio um valor de significa\u00e7\u00e3o, de tra\u00e7ar o seu lugar de mais ningu\u00e9m e n\u00e3o preencher de sentido esse lugar demarcado do real\u201d (MANDIL, 2023).<\/p>\n<p>Simone Souto, citada por S\u00e9rgio Laia, tamb\u00e9m segue nessa dire\u00e7\u00e3o, ao afirmar que \u201cum tratamento conduzido por um analista pode transmutar o <em>lugar nenhum,<\/em> marcado e assolado pela segrega\u00e7\u00e3o e pelo negativo, em <em>lugar de mais ningu\u00e9m<\/em>, eivado do gozo, ou seja, de uma satisfa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o negativiz\u00e1vel\u201d (LAIA, 2023).<\/p>\n<p>Seguindo o que escreve Elisa, notam-se nessas vinhetas testemunhos de como o analista segue o falasser e aguarda o <em>savoir-y-faire<\/em> com o seu incur\u00e1vel advir (ALVARENGA, 2023), instante quando o que existe sem ser, e j\u00e1 l\u00e1 desde o princ\u00edpio, pode enfim se enla\u00e7ar com a l\u00edngua e se comportar numa fic\u00e7\u00e3o do existir. Seja como for, \u00e9 no interior de uma mesma estrutura que um arranjo poss\u00edvel se resolve com o que itera em si e tem fun\u00e7\u00e3o de causa. Saber ler o que est\u00e1 j\u00e1 l\u00e1, como a coisa se comporta face ao real, \u00e9 fundamental para seguir de uma boa maneira favorecendo a jun\u00e7\u00e3o mais \u00edntima do sentimento de vida ao corpo que se tem. De tal sorte que o encontro com um analista pode permitir a cada um confrontar-se com o furo de outra forma. Aqui, o poss\u00edvel \u00e9 parceiro da conting\u00eancia. Trata-se de formas fractais de express\u00e3o do mesmo, um modo de <em>fazer com<\/em> esse <em>quantum<\/em> constante, que procede de UM gozo prim\u00e1rio, e com o furo no qual se desdobra um efeito de real. Pois o inconsciente e a puls\u00e3o s\u00f3 entram em um acordo atrav\u00e9s de uma montagem em torno do furo que os abisma. A experi\u00eancia anal\u00edtica, assim, confirma o qu\u00e3o \u00e9 operat\u00f3ria a fun\u00e7\u00e3o de um Outro que segue o que range. Pois \u00e9 isso que n\u00e3o se negativiza, esse resto imposs\u00edvel de apreender, por portar o tra\u00e7o de indetermina\u00e7\u00e3o que torna poss\u00edvel uma subvers\u00e3o. Via por onde uma <em>despatologiza\u00e7\u00e3o<\/em> anal\u00edtica, por n\u00e3o desconhecer o real e saber fazer com ele, pode acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 8\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>O impossi\u0301vel de negativizar e o na\u0303o-todo na cli\u0301nica do falasser<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>S\u00e9rgio Laia (2023), em seu texto \u201cPor que as psicoses&#8230; ainda?\u201d, pergunta se n\u00e3o poder\u00edamos fazer valer o n\u00e3o-todo f\u00e1lico como uma esp\u00e9cie de orienta\u00e7\u00e3o para os falasseres desnorteados pela aus\u00eancia do Nome-do-Pai e do falo simb\u00f3lico ou significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica em suas vidas. Os casos apresentados pelo cartel, assim os leio, d\u00e3o o testemunho dessa orienta\u00e7\u00e3o, mostrando como o encontro com o analista pode permitir a cada um confrontar-se com o furo de outra forma. O relat\u00f3rio nos mostra, por exemplo, como Lacan ofereceu a Philip Dick uma borda ao infinito que nele eclodia e lhe abre a via de uma escolha, um limite para viver, junto com mais alguns outros. Um saber fazer com o n\u00e3o-todo. Mas pergunta o relat\u00f3rio: \u201cPodemos falar de n\u00e3o-todo na cl\u00ednica das psicoses?\u201d<\/p>\n<p>O n\u00e3o-todo \u00e9 algo do qual n\u00e3o se pode falar, mas faz falar, faz sinthoma, faz la\u00e7o e d\u2019isso se fala onde quer que esteja um corpo falante, simplesmente falasser. Afinal, \u201co campo do ser exige, necessita um \u2018para al\u00e9m\u2019 do ser\u201d (MILLER, 2011). Al\u00e7ar essa dimens\u00e3o exige do analista, enquanto coisa furada e, portanto, placa sens\u00edvel, seguir o que ressoa no falasser mais al\u00e9m do \u201cque ele \u00e9\u201d, d\u00f3cil ao que nele funciona, ao saber ler como se arranja com o que nele range, ou seja, a subst\u00e2ncia sonora de um <em>p\u00e1thos<\/em> imposs\u00edvel de negativizar.<\/p>\n<p>Essa outra dimens\u00e3o n\u00e3o seria propriamente aquela onde o n\u00e3o-todo como tal se experimenta, irrepresent\u00e1vel e inapreens\u00edvel, como um furo aberto ao infinito? Qual a distin\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00e3o-todo f\u00e1lico e o resto n\u00e3o negativiz\u00e1vel? O resto imposs\u00edvel de negativizar, que n\u00e3o cessa de se satisfazer em formas fractais, n\u00e3o seria o mesmo que se experimenta, sem soltar uma palavra, na extens\u00e3o inapreens\u00edvel do n\u00e3o-todo? E o gozo f\u00e1lico n\u00e3o seria, no final das contas, um prosseguimento do n\u00e3o-todo f\u00e1lico, uma forma de salvaguarda do mesmo, tal como Freud pensou a conex\u00e3o entre o princ\u00edpio de realidade e o princ\u00edpio do prazer? Seja qual for o conector do n\u00f3, Nome-do-Pai ou qualquer outro grampo que lhe sirva em supl\u00eancia, o falasser tem de se arranjar com esse resto que range por um furo que sopra. Ent\u00e3o, reviro a pergunta do cartel da seguinte forma: na nossa experi\u00eancia, tal como ela \u00e9, podemos n\u00e3o falar de n\u00e3o-todo na cl\u00ednica do falasser?<\/p>\n<p>Seguir esse ru\u00eddo, esse algo a mais que range, requer de n\u00f3s a arte de saber ler o que se passa como evid\u00eancia obscura, o irredut\u00edvel que n\u00e3o se apaga e, n\u00e3o-todo, se comporta ao colocar em forma, com os grampos pr\u00f3prios a cada um, o que, como em todo mundo, prossegue num rangido por demais desigual.<\/p>\n<p><em>Belo Horizonte, 3 de agosto de 2023<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Alvarenga, E. Diagnosticar e despatologizar. Relat\u00f3rio publicado no <em>site<\/em> da 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-2-diagnosticar-e-despatologizar\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Castro, H. H\u00e1 algo de novo nas psicoses&#8230; ainda. 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/apresentacao\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Costa, F. O que h\u00e1 de novo e itera nas psicoses. 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/o-que-ha-de-novo-e-itera-nas-psicoses\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Laia, S. Por que as psicoses&#8230; ainda. 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/por-que-as-psicoses-ainda\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Laurent, \u00c9. Disrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 79, p. 52-63, 2018.<\/p>\n<p>Lacan, J. Observa\u00e7\u00e3o sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache: \u201cPsican\u00e1lise e estrutura da personalidade\u201d. (1958) In: Lacan, J. <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 653-691.<\/p>\n<p>LACAN, J. Le s\u00e9minaire, livre XXIV: L\u2019insu que sait de l\u2019une b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre. Texto estabelecido por J.-A. Miller. Li\u00e7\u00e3o de 10 maio de 1977. In: <em>Ornicar?<\/em>, Paris, Navarin, n. 17-18, 1979.<\/p>\n<p>Lacan, J. <em>Le S\u00e9minaire<\/em>, livre XXV: <em>Le moment de conclure<\/em>. Le\u00e7on du 10 janvier 1978. (In\u00e9dito)<\/p>\n<p>Mandil, R. O mundo rumo \u00e0 psicose. 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Come iniziano le analisi. XI Enapol, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/enapol.com\/xi\/pt\/portfolio-items\/come-iniziano-le-analisi\/?portfolioCats=149\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Todo mundo \u00e9 louco \u2013 AMP 2024. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em><em>, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 85, p. 8-18, dez. 2022.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Os Trumains. Confer\u00eancia realizada no XII Congresso da AMP, 2020. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/congresoamp2020.com\/pt\/articulos.php?sec=el-tema&amp;sub=textos-de-orientacion&amp;file=el-tema\/textos-de-orientacion\/20-03-02_los-trumanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>.html. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. <em>Extimidad<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2017.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. <em>Todo el mundo es loco<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. <em>A psicose ordin\u00e1ria<\/em>: a conven\u00e7\u00e3o de Antibes. Belo Horizonte: Editora Scriptum, 2012a.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Os seis paradigmas do gozo. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>, S\u00e3o Paulo, ano III, n. 7, p. 1-49, mar. 2012b. Dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero7\/texto1.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Ler um sintoma. <em>AMP Blog<\/em>, 1\u00ba ago. 2011. Dispon\u00edvel em: http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2011\/08\/jacques-alain-miller-ler-um-sintoma.html. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Efeito de retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>, S\u00e3o Paulo, ano I, n. 3, p. 1-30, nov. 2010. Dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero3\/texto1.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Miller, J.-A. Uma fantasia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em><em>, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 42, 2005.<\/p>\n<p>Otoni, F. Um princ\u00edpio da desordem, como tal\u2026 In: Antelo, M.; Gurgel, I. (orgs.). <em>O feminino infamiliar, Dizer o indiz\u00edvel. <\/em>Belo Horizonte: EBP, 2021. p. 231-242.<\/p>\n<p>Otoni-Brisset, F. Cl\u00ednica do funcionamento: a psicose ordin\u00e1ria e a presen\u00e7a do analista. <em>Almanaque On-line<\/em>, Belo Horizonte, n. 30, 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/index.php\/psicose-ordinaria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Santiago, J. Presentismo e novas modalidades\u00a0 narrativas: efeitos\u00a0 sobre\u00a0 o\u00a0 sujeito-suposto-saber. XI Enapol, 2023a. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/enapol.com\/xi\/pt\/portfolio-items\/presentismo-e-novas-modalidades-narrativas-efeitos-sobre-o-sujeito-suposto-saber\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<\/p>\n<p>Santiago, J. Coment\u00e1rio sobre o Relat\u00f3rio \u201cO mundo rumo \u00e0 psicose\u201d. 26\u00aa Jornada da EBP-MG, 2023b. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose-2\/\">AQUI<\/a>. \u00daltima visualiza\u00e7\u00e3o: ago. 2023.<a class=\"__mPS2id\" style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\" href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text text_lead=&#8221;small&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;278562&#8243;]<strong>Nota:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Agrade\u00e7o a Fernanda Costa e a Helenice de Castro o convite para comentar o instigante trabalho do cartel, redigido por Elisa Alvarenga (Mais-Um) e composto por Ant\u00f4nio Teixeira, Bruna Albuquerque, Frederico Feu de Carvalho, M\u00e1rcia Rosa, Miguel Antunes, M\u00f4nica Campos e Patr\u00edcia Ribeiro. O relat\u00f3rio trata do segundo eixo \u2013 <em>Diagnosticar e despatologizar <\/em>\u2013 da 26\u00aa Jornada da EBP-MG, <em>H\u00e1 algo de novo nas psicoses&#8230; ainda<\/em>, t\u00edtulo proposto por S\u00e9rgio Laia ao nos provocar e nos colocar ao trabalho de elucida\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da atualidade da nossa experi\u00eancia. Um relat\u00f3rio com muitas portas de entrada que me exigiu uma escolha por quais adentrar&#8230;<a class=\"__mPS2id\" style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\" href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/eixo-1-o-mundo-rumo-a-psicose\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row row_height_percent=&#8221;0&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; h_padding=&#8221;2&#8243; top_padding=&#8221;0&#8243; bottom_padding=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; column_width_percent=&#8221;100&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;185314&#8243; row_name=&#8221;ftn1&#8243;][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;0&#8243; style=&#8221;dark&#8221; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162562&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; style=&#8221;light&#8221; font_family=&#8221;font-183904&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; radius=&#8221;lg&#8221; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;383650&#8243;][vc_single_image media=&#8221;87&#8243; media_width_percent=&#8221;15&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2023%2Fwp-content%2Fuploads%2F2023%2F08%2FA-arte-de-saber-ler-F-Otoni-para-Curinga.pdf|target:_blank&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;725822&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h6&#8243; text_size=&#8221;h6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;187866&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<\/p>\n<h6 class=\"uncode-share\">ABRIR EM PDF<\/h6>\n<p>[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;2&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernanda Otoni-Brisset<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"portfolio_category":[4],"class_list":["post-681","portfolio","type-portfolio","status-publish","hentry","portfolio_category-textos-de-orientacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.3 - 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