{"id":716,"date":"2023-09-27T15:17:06","date_gmt":"2023-09-27T15:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/?post_type=portfolio&#038;p=716"},"modified":"2023-10-11T13:21:49","modified_gmt":"2023-10-11T13:21:49","slug":"flutuacoes-do-sexo","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/textos\/flutuacoes-do-sexo\/","title":{"rendered":"EIXO 3: Flutua\u00e7\u00f5es do Sexo"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;984329&#8243;][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; equal_height=&#8221;yes&#8221; gutter_size=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;499325&#8243;][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;1&#8243; style=&#8221;dark&#8221; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;894074&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1683086611195{padding-left: 10px !important;}&#8221;][vc_single_image media=&#8221;103&#8243; media_width_percent=&#8221;50&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;182244&#8243;][\/vc_column_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_horizontal=&#8221;left&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; back_color=&#8221;color-523823&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;5\/6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162471&#8243; back_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;122747&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Texto de orienta\u00e7\u00e3o[\/vc_custom_heading][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-190355&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_weight=&#8221;500&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;675520&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Flutua\u00e7\u00f5es do Sexo<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>[\/vc_custom_heading][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-190355&#8243; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-183904&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;600&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;120751&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_separator sep_color=&#8221;color-205642&#8243; el_width=&#8221;100px&#8221; el_height=&#8221;4px&#8221;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;985074&#8243;]Em 1971-72 Lacan dedica seu Semin\u00e1rio 19, <em>&#8230;ou pior<\/em>, ao in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, ele d\u00e1 um passo para ressaltar pontos que nos ajudam a esclarecer o que hoje se apresenta como uma Babel dos g\u00eaneros. Lacan (1971-72\/2012, p. 149) toma como refer\u00eancia o que ele chama de \u201cmodelo suposto animal\u201d para afirmar que \u201co sexo \u00e9 real, n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida. E sua pr\u00f3pria estrutura \u00e9 o dual, o n\u00famero dois. O que quer que pensemos, existem apenas dois, os homens, as mulheres\u201d. Ele busca, a partir de concep\u00e7\u00f5es triviais, esclarecer que o sexo real concerne aos homens e \u00e0s mulheres. E ainda acrescenta: \u201cH\u00e1 quem se obstine a acrescentar a eles os auv\u00e9rnios. \u00c9 um erro. No n\u00edvel do real, n\u00e3o existem auv\u00e9rnios\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 149).<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> Mas a quem Lacan se refere ao falar de auv\u00e9rnios?<\/p>\n<p>Segundo pesquisa feita por Ant\u00f4nio Di Ciaccia (2021), em 1781, durante a Batalha de Wethersfield (que precedeu a tomada da futura cidade de Nova York), o general Georges Washington se maravilhou com o fato de que os soldados franceses combatessem como homens e dan\u00e7assem como mulheres. Ao que o general Jean-Baptiste Donatien de Vimeu, comandante das tropas aliadas das col\u00f4nias americanas contra os ingleses, respondeu: \u201cnem homens, nem mulheres, eles s\u00e3o auv\u00e9rnios\u201d (DI CIACCIA, 2021, p. 2).<\/p>\n<p>Se Lacan recorre a essa anedota \u00e9 para esclarecer que na vertente do real, esses nomes s\u00e3o apenas significantes: \u201cQue haja desde o in\u00edcio o homem e a mulher \u00e9, para come\u00e7ar, uma quest\u00e3o de linguagem\u201d (LACAN, 1971-72\/2012, p. 38). Mas se essa bipolaridade de valores foi, durante muitos anos, uma forma de sustentar ou suturar \u201csuficientemente o que concerne ao sexo\u201d, o que determina a dualidade? E ainda, o que levou \u00e0 pulveriza\u00e7\u00e3o dessas nomea\u00e7\u00f5es e mesmo a esse empuxo a transitar de um sexo ao outro, instituindo o que hoje \u00e9 chamado como sexualidade flu\u00edda?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Do binarismo sexual ao unarismo do gozo <\/strong><\/p>\n<p>Ao demarcar que homens e mulheres s\u00e3o apenas dois significantes, duas representa\u00e7\u00f5es do simb\u00f3lico, que tentam recobrir algo da diferen\u00e7a sexual que a sexualidade introduz nos seres falantes, Lacan salienta a impossibilidade do falo em dar conta de responder ao real do gozo que impacta o <em>falasser<\/em>. Com a sexua\u00e7\u00e3o, ele postula que os sexos s\u00e3o dois, mas, mais precisamente, dois modos de gozo: o f\u00e1lico, dito \u201clado masculino\u201d, e o <em>n\u00e3o-todo<\/em> f\u00e1lico, dito \u201clado feminino\u201d. Segundo Brousse (2020, p. 28), \u201cno cora\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico, esses termos \u2018masculino\u2019 e \u2018feminino\u2019, n\u00e3o remetem nem ao g\u00eanero, nem \u00e0 biologia\u201d.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico na sexua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a ordem do sentido ou do atributo, que \u00e9 sempre bin\u00e1rio \u2013 h\u00e1\/n\u00e3o h\u00e1, menino\/menina, macho\/f\u00eamea \u2013, mas a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 sobre o fundo do \u201cn\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual que se escreva\u201d que Lacan organiza os dois modos do gozo a ser apreendido pelo falo. Conforme acentua, \u201co que o discurso anal\u00edtico faz surgir, \u00e9 justamente a ideia de que esse sentido \u00e9 apar\u00eancia [&#8230;]. O sentido indica a dire\u00e7\u00e3o na qual ele fracassa\u201d (LACAN, 1972-73\/1985, p. 106).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se Lacan (1972-73\/1985) sublinha que todo ser que fala se inscreve de um ou de outro lado, o faz para destacar que essa inscri\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 submetida aos atributos sexuais, de tal forma que na parte chamada mulher, <em>n\u00e3o-toda<\/em> f\u00e1lica, podem se inscrever mesmo aqueles que s\u00e3o providos do atributo da masculinidade. Segundo Miller (2011, li\u00e7\u00e3o de 23\/03\/2011), esse Outro gozo \u201c\u00e9 ainda mais escondido sob as bravatas do gozo f\u00e1lico\u201d. Tal gozo, chamado feminino, suplementar ao primeiro e n\u00e3o complementar, Lacan acaba por generaliz\u00e1-lo e tom\u00e1-lo como o estatuto fundamental do gozo.<\/p>\n<p>Ou seja, o sexo s\u00e3o dois, marcados pelo Um. Dois modos de gozo enraizados na inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual e na presen\u00e7a do \u201cH\u00e1 Um\u201d. Miller (2011, li\u00e7\u00e3o de 18\/05\/2011) adverte: \u201co dois j\u00e1 est\u00e1 no n\u00edvel do del\u00edrio. N\u00e3o h\u00e1 dois, apenas o Um que se repete na itera\u00e7\u00e3o\u201d. O car\u00e1ter constante e resistente desse gozo d\u00e1 as coordenadas singulares de cada <em>falasser<\/em>, indicando como ele toma corpo no mundo e as modalidades de sua rela\u00e7\u00e3o com os outros, o que equivale ao princ\u00edpio de que n\u00e3o existem normas de gozo v\u00e1lidas para o ser sexuado. Sob o h\u00e1bito f\u00e1lico que obtura a falha do sujeito, mas que \u00e9 tamb\u00e9m modalidade de defesa contra esse gozo invasivo, encontra-se o real do gozo que agita o corpo.<\/p>\n<p>Esse gozo, opaco ao sentido, faz barra a uma completude poss\u00edvel do saber sobre a sexualidade. \u00c9 nesse sentido que a abordagem do sexo pela psican\u00e1lise \u00e9 singular, cada analisante \u00e9 \u00fanico e sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo sexual n\u00e3o \u00e9 determinada nem pela anatomia, nem pelo g\u00eanero, nem pelo outro social: \u201c\u00c9 determinada por um trauma\u201d (BROUSSE, 2020, p. 13). Ao analista, cabe saber falar <em>lal\u00edngua<\/em> de cada um: \u201cQue ele conhe\u00e7a bem a espiral a que o arrasta sua \u00e9poca na obra cont\u00ednua de Babel, e que conhe\u00e7a sua fun\u00e7\u00e3o de int\u00e9rprete na disc\u00f3rdia das l\u00ednguas\u201d (LACAN, 1953\/1998, p. 322).<\/p>\n<p>Hoje, sob o aumento dos movimentos de luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o, encontramos uma prolifera\u00e7\u00e3o de nomea\u00e7\u00f5es que buscam recobrir esse furo no real instalado pela aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual, sem passar pelo cl\u00e1ssico binarismo homem\/mulher. No lugar do bin\u00e1rio, temos uma s\u00e9rie de nomes que reenviam ao modo como o sexo \u00e9 experimentado e traduzido em termos dos g\u00eaneros \u2013 bin\u00e1rio, n\u00e3o-bin\u00e1rio, ag\u00eanero \u2013, numa lista cont\u00ednua que vai do mais ao menos fixo, de acordo com a autodetermina\u00e7\u00e3o. No que concerne ao g\u00eanero fluido, tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A pluraliza\u00e7\u00e3o dos Nomes-do-Pai tem como uma das consequ\u00eancias a pluraliza\u00e7\u00e3o das identidades. \u201cMenino\u201d e \u201cmenina\u201d n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes para responder \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es com o sexo, que parecem encontrar um novo destino. Mas, na disc\u00f3rdia das categorias sem fim, onde est\u00e1 o <em>falasser<\/em>? Os g\u00eaneros n\u00e3o dizem nada do sexo. Isso falha! E algo insiste como mal-estar.<\/p>\n<p>Gil Caroz (2023), em <em>Avatares das identifica\u00e7\u00f5es<\/em> destaca que n\u00e3o existe identifica\u00e7\u00e3o tranquila, dado que a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um significante tomado do campo do Outro para recobrir o furo da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual, que a qualquer momento pode ressurgir. Inclusive, esses momentos tornam-se f\u00e9rteis para uma demanda de tratamento anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Freud constr\u00f3i sua teoria da identifica\u00e7\u00e3o num tempo em que o Outro (A) apresenta-se consistente e o pai era tomado como modelo. Apoiado nesse percurso, Lacan (1958\/1960) desenvolve o grafo do desejo, no qual os significantes de identifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o extra\u00eddos do campo do Outro, num trajeto que vai de S(barrado) a I(A). Percorrido esse caminho, o Ideal do eu se apresenta como \u00fanico significante de identifica\u00e7\u00e3o, mesmo que o sujeito esteja sempre em conflito com ele. Mas, no tempo em que o Outro n\u00e3o existe, onde buscar os significantes e os objetos? Abre-se um abismo, que leva esses sujeitos a uma busca de significantes na s\u00e9rie de nomes ofertados pela civiliza\u00e7\u00e3o ou, mesmo, a uma modifica\u00e7\u00e3o no corpo.<\/p>\n<p>Miller (2005, p. 11) nos indica que o que essas pr\u00e1ticas visam \u00e9 \u201cque isso funcione, em todos os casos\u201d. E \u00e0 psican\u00e1lise n\u00e3o cabe uma \u201cposi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria\u201d de restabelecer o Nome-do-Pai, e tampouco uma pr\u00e1tica passadista de um ref\u00fagio imagin\u00e1rio. Trata-se de inventarmos uma pr\u00e1tica, tra\u00e7ada pelo \u00faltimo Lacan, que tenha por princ\u00edpio \u201co isso rateia\u201d, que se manifesta pelo imposs\u00edvel de se escrever, abrindo, assim, uma brecha para que o gozo, rebelde a qualquer significado de posi\u00e7\u00e3o sexual que possa ser, se imponha em cada caso, mostrando sua insubordina\u00e7\u00e3o a qualquer lei estabelecida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da <em>lettre<\/em> (\u201ccarta\u201d) \u00e0 letra: o caso Elisa<\/strong><\/p>\n<p>Acompanhamos, com o caso Elisa, apresentado por Nathalie Crame (2022, p.95-104), os impasses de uma adolescente de 14 anos que se diz em desacordo com sua anatomia, pois rejeita o sexo que lhe foi atribu\u00eddo pelo Outro em seu nascimento. Depois de receber uma carta da filha comunicando seu projeto de mudan\u00e7a de sexo, os pais procuram um psic\u00f3logo de uma associa\u00e7\u00e3o de apoio e defesa dos diretos dos transg\u00eaneros. A psic\u00f3loga que a recebe \u00e9, ela mesma, transg\u00eanero. A consulta com essa psic\u00f3loga redobra a ang\u00fastia materna porque, no segundo encontro com Elisa, ela j\u00e1 prop\u00f5e medidas visando \u00e0 nova designa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, como, por exemplo, a medica\u00e7\u00e3o para suspender o desenvolvimento dos caracteres sexuais secund\u00e1rios. O pai banaliza a ang\u00fastia da m\u00e3e, assim como o faz com o sofrimento da filha. A m\u00e3e procura, ent\u00e3o, uma outra analista, dizendo que quer para a filha \u201cuma psic\u00f3loga neutra\u201d que pudesse escut\u00e1-la sem ser atravessada pelas quest\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Logo no primeiro encontro com a analista, Elisa se mostra resistente em falar sobre o que se passa, valendo-se de significantes <em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em> para justificar a sua decis\u00e3o de mudan\u00e7a de sexo. Por\u00e9m, a pergunta feita pela analista sobre o motivo de os pais desejarem que ela \u201cvisse um psi\u201d faz com que Elisa desloque o seu problema, nomeado incialmente como uma \u201cdisforia de g\u00eanero\u201d, termo que ela pin\u00e7ara na internet, para um \u201cmal-estar difuso\u201d. Ela n\u00e3o tem gosto por nada, n\u00e3o consegue se posicionar com rela\u00e7\u00e3o ao sexo e n\u00e3o suporta a falta de um significante que recubra todo seu ser sexuado.<\/p>\n<p>O significante <em>difuso<\/em> introduz assim uma dimens\u00e3o subjetiva que leva a jovem a revelar que adoraria ter um dicion\u00e1rio do qual pudesse se servir para encontrar a palavra justa, j\u00e1 que sonha com um mundo sem mal-entendidos. Falar equivaleria para ela a uma perda de controle. Ela chega a dizer ent\u00e3o que suas quest\u00f5es s\u00e3o \u201cimpronunci\u00e1veis\u201d. Essas quest\u00f5es \u201cinomin\u00e1veis fechariam a via em dire\u00e7\u00e3o ao enigma que poderiam suscitar, eliminando assim a possibilidade de um lugar para o vazio, condi\u00e7\u00e3o do desejo\u201d (CRAME, 2022, p. 97), como nos esclarece Nathalie. A analista decide acompanh\u00e1-la nesse caminho, que se desdobra em outra quest\u00e3o: \u201cbuscar seria uma forma de n\u00e3o ser confrontada com seu desejo?\u201d (CRAME, 2022, p. 98).<\/p>\n<p>Aparecem, ent\u00e3o, alguns elementos fundamentais: ela n\u00e3o suporta a m\u00e3e, sente-se devorada por seu olhar, o corpo da m\u00e3e a enoja, refere-se \u00e0 m\u00e3e sempre como \u201ca pobre\u201d. A m\u00e3e \u00e9 deprimida, sofre de uma fadiga extrema que a impede de trabalhar (<em>burnout<\/em>) e porta um sil\u00eancio que a devasta. A av\u00f3 \u00e9 descrita por Elisa como detentora do \u201cOscar da ang\u00fastia\u201d: \u201cela preenche seu desejo antes mesmo que voc\u00ea possa nome\u00e1-lo\u201d. (CRAME, 2022, p.101). Vemos, portanto, uma impossibilidade de a m\u00e3e fazer suporte ao corpo da filha, uma vez que ela mesma renunciou \u00e0 sua feminilidade e ao desejo. Assim, o pertencimento a essa filia\u00e7\u00e3o de mulheres angustiadas e deprimidas se torna imposs\u00edvel para Elisa, e ela, assim, toma o pai e o irm\u00e3o como modelos, tornando-se, ela mesma, como eles, um homem ir\u00f4nico e agressivo. Mas essa posi\u00e7\u00e3o traz consigo, a partir de alguns sonhos, um desejo mort\u00edfero: o desejo da morte de uma m\u00e3e que n\u00e3o lhe entrega nada de substancial no que concerne \u00e0 feminilidade e de um pai que n\u00e3o a obriga a nada.<\/p>\n<p>No decorrer da an\u00e1lise, Elisa encontra um nome: \u201cLi \u201c. Trata-se de um nome entre Elisa e Eliel, esse \u00faltimo sugerido por uma amiga para o caso dela decidir se tornar um homem. Ela diz: \u201c<em>Li c\u2019est bien,<\/em> <em>car je tiens au L<\/em>\u201d (\u201cLi \u00e9 bom, pois fico com o L\u201d). Preservando o \u201cL\u201d, como nos esclarece Natalie Crame (2022, p.103), que conduz o caso, \u201cElisa se separa da fantasia agressiva que nutria diante do olhar da m\u00e3e\u201d. O nojo em rela\u00e7\u00e3o ao corpo de sua m\u00e3e se diferencia, assim, do nojo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 feminilidade e, com essa separa\u00e7\u00e3o, ela pode integrar, do seu jeito, o \u201cL\u201d (em franc\u00eas, o som dessa letra ressoa tamb\u00e9m como <em>elle<\/em>, \u201cela\u201d). Uma brecha se abre, o vazio cavado pela letra \u201cL\u201c permite uma nomea\u00e7\u00e3o: \u201cLi\u201d. \u00c9 o nome do \u201cnem\u2013nem\u201d<em>:\u00a0 <\/em>nem identificada \u00e0 m\u00e3e, nem identificada ao pai. \u201cLi\u201d \u00e9 o signo de sua decis\u00e3o diante do embara\u00e7o da sexua\u00e7\u00e3o. Natalie Crame (2022, p. 103) acrescenta ainda que \u201cLi pode ser o nome de sua cor moment\u00e2nea, pois para ela ainda n\u00e3o \u00e9 tempo de percorrer as praias estrangeiras da feminilidade\u201d.<\/p>\n<p>Essa nomea\u00e7\u00e3o que Elisa inventa no seu processo anal\u00edtico \u00e9 definida por Miller como uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva, e n\u00e3o uma posi\u00e7\u00e3o sexuada. Segundo Miller (2022, p. 110), para a psican\u00e1lise existem dois sexos, e n\u00e3o tr\u00eas ou quatro. Portanto, como ele esclarece, nessa \u201cposi\u00e7\u00e3o nem\u2013nem, podemos inscrever todos os n\u00e3o-bin\u00e1rios, com todas as varia\u00e7\u00f5es que isto inclui\u201d. Em outros termos, o que caracteriza certa posi\u00e7\u00e3o flutuante, \u00e9 algo que concerne ao g\u00eanero, e n\u00e3o ao sexo. Nesse sentido, \u201co que comumente chamamos de g\u00eanero, na psican\u00e1lise podemos traduzir por posi\u00e7\u00e3o subjetiva\u201d (MILLER, 2022, p. 110), o que, a nosso ver, difere de uma posi\u00e7\u00e3o sexuada, de uma posi\u00e7\u00e3o de gozo.<\/p>\n<p>Miller (2022, p.123) prop\u00f5e um matema para a leitura do caso: segundo ele, ali h\u00e1 uma perda do S1, ele fugiu, e Elisa busca encontr\u00e1-lo em todos os lugares. Se S1, significante que permite ordenar uma escolha sexuada a partir do gozo, fugiu, se n\u00e3o existe o Um do gozo que possa ligar sexualmente o sujeito a seu corpo, resta a Elisa se lan\u00e7ar na busca dos variados semblantes (S2, S3, S4&#8230;) que poderiam nome\u00e1-la, dar a ela um lugar, conforme o matema abaixo:[\/vc_column_text][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; mobile_visibility=&#8221;yes&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;124345&#8243;][vc_column_inner width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_single_image media=&#8221;723&#8243; media_width_percent=&#8221;18&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;995501&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner row_inner_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; desktop_visibility=&#8221;yes&#8221; medium_visibility=&#8221;yes&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;498724&#8243;][vc_column_inner width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_single_image media=&#8221;723&#8243; media_width_percent=&#8221;45&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;496603&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;612498&#8243;]Miller (2022, p.123) esclarece que, nesse matema, a pluraliza\u00e7\u00e3o dos significantes \u00e9 consequ\u00eancia direta da inexist\u00eancia de S1, \u201ca pluraliza\u00e7\u00e3o mostra que existe alguma coisa que n\u00e3o existe\u201d. Ou seja, \u00e9 porque S1 n\u00e3o existe que os semblantes se multiplicam. Segundo ele, a pluraliza\u00e7\u00e3o da norma perturba tudo e \u00e9 correlata da inexist\u00eancia da norma. Assim, para os adeptos da teoria do g\u00eanero, os ditos dos sujeitos s\u00e3o considerados em sua literalidade e podem existir tantos quanto existem os semblantes capazes de determinar uma classe identit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na \u201cNota passo a passo\u201d de n\u00famero 7 ao Semin\u00e1rio 23, Miller (2007, p. 213) esclarece \u201ccomo o Um chegou ao mundo\u201d a partir da leitura lacaniana de toda maquinaria do conjunto. Vejamos:<\/p>\n<p>Primeiro: h\u00e1 apenas o 1, um \u201cUm\u201d qualquer.<\/p>\n<p>Segundo: coloca-se o Um em um conjunto: {1}.<\/p>\n<p>Terceiro: forma-se o conjunto de seus subconjuntos, que ser\u00e1 um conjunto de dois elementos: {{1}, \u00d8}. Esse conjunto vazio \u201caparece presente em todo conjunto\u201d, como um subconjunto {\u00d8}, <em>um-a-mais.<\/em> \u00c9 a partir da\u00ed que esse vazio pode ser contado como Um: \u00e9 s\u00f3 dessa forma \u2013 como subconjunto do conjunto \u2013 que se pode dizer que ele existe.<\/p>\n<p>Assim, mesmo que o conjunto vazio tenha zero elementos, ele pode ser contado como um, enquanto conjunto vazio, \u201cum saco vazio continua sendo <em>um<\/em> saco\u201d (MILLER, 2007, p. 213). Miller pode, ent\u00e3o, concluir que o conjunto vazio \u00e9 o Outro como lugar de toda inscri\u00e7\u00e3o significante, e que sua primeira forma \u00e9 o corpo, esvaziado de gozo. Ou, conforme destaca Ram Mandil (2005, p. 77): \u201cesse vazio passa a ser contado como Um por estar envelopado por uma borda\u201d.<\/p>\n<p>Respondendo ent\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o sobre a origem do significante Um, Miller afirma, na referida \u201cNota\u201d, que o corpo, enquanto <em>um a mais<\/em>, \u00e9 o conjunto vazio. Ou seja, trata-se de afirmar \u201cque o corpo existe como pele, vazio, fora e ao lado de seus \u00f3rg\u00e3os\u201d (MILLER, 2007, p. 213), nomeado de \u201ccorpo-saco\u201d.<\/p>\n<p>Seguindo a hip\u00f3tese adotada por Ram Mandil (2005, p.77), ao comentar o seu percurso de an\u00e1lise, podemos dizer que esse vazio \u00e9 produto do encontro do significante com o corpo, um componente do acontecimento de corpo. Trata-se de um acontecimento como marca do impacto de <em>lal\u00edngua<\/em> que toma a forma do vazio {\u00d8}, tra\u00e7o, marca, letra ou ainda S1. A letra \u00e9 a borda mesma; ela \u201cescreve o zero e o Um na conting\u00eancia do trauma, ou seja, escreve o furo e a borda no mesmo ato\u201d (BAY\u00d3N, 2020, p. 93). No caso da neurose, algo desse impacto se inscreve como um furo, uma borda, produzindo um gozo localiza\u00e7\u00e3o, que se repete, por isso Lacan nomeia de modo de gozo. \u00c0 essa marca, que inaugura a repeti\u00e7\u00e3o (S1), os sujeitos se defendem com os semblantes (S2). O percurso de uma an\u00e1lise visa perturbar essa defesa desvelando o furo articulado \u00e0 falta a ser.<\/p>\n<p>Segundo Miller (2022), no caso de \u201cL\u201d, esse S1 fugiu, e podemos dizer que a rela\u00e7\u00e3o entre o real e o corpo est\u00e1 prejudicada. Um S1 se destacou dentre os uns-entre-outros de <em>lal\u00edngua<\/em>, mas n\u00e3o se enganchou em um sistema de forma a se inscrever num discurso que possibilite armar um corpo. Falta ancoragem \u00e0 imagem corporal {\u00d8}, que possibilitaria ao sujeito se sustentar. Nesse sentido, ele afirma que Elisa se torna \u201cum mist\u00e9rio para ela mesma&#8230; sua quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre o desejo do Outro, mas sobre o desejo do seu corpo\u201d (MILLER, 2022, p.126). Desse mist\u00e9rio, resta-lhe a impossibilidade de assumir um nome pr\u00f3prio e a cont\u00ednua busca de identidade, no sentido mais literal do termo. Assim, com o termo \u201cdisforia de g\u00eanero\u201d ela realiza uma identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria bastante imediata.<\/p>\n<p>Gil Caroz (2023, p. 3) prop\u00f5e que:<\/p>\n<blockquote><p>sem fazer disso o paradigma da transi\u00e7\u00e3o, podemos supor que essa aus\u00eancia de S1 pode ser encontrada em outros casos contempor\u00e2neos. O conjunto vazio est\u00e1 no lugar de S1 e, assim, a s\u00e9rie S2, S3, S4&#8230; \u00e9 investida em uma busca de um significante para suprir esse vazio do significante da identifica\u00e7\u00e3o, seja atrav\u00e9s de um novo nome, seja atrav\u00e9s da modifica\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o, podemos dizer que a pluraliza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero (S2, S3, S4..) \u00e9 correlativa \u00e0 inexist\u00eancia de um sexo. Seria poss\u00edvel afirmar, nesses casos, que existe uma foraclus\u00e3o do real do gozo, isto \u00e9, uma foraclus\u00e3o do sexo?<\/p>\n<p>Encontramos, ainda, em v\u00e1rios casos contempor\u00e2neos, formas de amarra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o ancoradas pelo Nome-do-Pai, mas por significantes-mestres que tendem ao infinito, numa positiva\u00e7\u00e3o do gozo como mais de gozar. Lacan nomeia de \u201cenxame\u201d essa pluraliza\u00e7\u00e3o S1, S1, S1. Pareceu-nos importante para o manejo do tratamento diferenciar esse matema do enxame daquele proposto por Miller (2022) para o caso de \u201cL\u201d. Neste \u00faltimo, a pluraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 referida ao gozo, ou seja, n\u00e3o se trata de uma infinitiza\u00e7\u00e3o do gozo, mas de uma multiplica\u00e7\u00e3o dos semblantes como consequ\u00eancia da inexist\u00eancia de um significante que possa grampear o gozo ao corpo.<\/p>\n<p>Podemos concluir que o gozo e o corpo passam a ser dois termos indissoci\u00e1veis \u200b\u200bna cl\u00ednica, o que atesta um amplo leque de solu\u00e7\u00f5es, que v\u00e3o da neurose \u00e0 psicose, para garantir ao pr\u00f3prio corpo um dom\u00ednio, uma estabiliza\u00e7\u00e3o, uma consist\u00eancia, solu\u00e7\u00f5es muitas vezes fr\u00e1geis, porque todos os seres falantes se deparam com esse fato da estrutura, descrito por Lacan, segundo o qual o corpo \u201cvai embora a todo momento\u201d. Dessa forma, os nossos principais instrumentos passam a ser os conectores, ou grampos, que podem ser encontrados na pr\u00e1tica com cada caso.<\/p>\n<p>Conforme vimos, Elisa encontra, durante seu trabalho com a analista, uma nomina\u00e7\u00e3o: \u201cLi\u201d, entre Elisa e Eliel. Segundo Crame (2022), esse \u201cLi\u201d \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o, um equ\u00edvoco sobre o g\u00eanero que vai para al\u00e9m do fato de ser homem ou mulher. \u00c9 fato que durante o tratamento a jovem p\u00f4de encontrar outros caminhos que n\u00e3o a passagem ao ato, o que nos parece demonstrar que algo se fixa nesse tr\u00e2nsito do mal-estar difuso ao \u201cLi\u201d. Mas, poder\u00edamos dizer que algo a\u00ed se inscreveu, no sentido de armar um corpo?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BAY\u00d3N, P. A. <em>El autismo, entre lalengua y la letra<\/em>. Olivos: Grama Ediciones, 2020.<\/p>\n<p>BASSOLS, M.\u00a0 L\u2019une-b\u00e9vue, les d\u2019eux sexes et l\u2019\u00e9langues.\u00a0<em>La Cause du d\u00e9sir<\/em> n. 109, p. 54-58, mar. 2021.<\/p>\n<p>BROUSSE, M-H. <em>Mode de jouir au f\u00e9minin<\/em>. Paris: Navarin \u00c9diteur, 2020.<\/p>\n<p>CAROZ, G. <em>Avatars des identifications. Argument du Colloque UFORCA 2023<\/em>. 2023. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.lacan-universite.fr\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Caroz-Uforca-2023.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. Acesso em: 09 ago. 2023.<\/p>\n<p>CASTRO, H. de. <em>Argumento<\/em>: H\u00e1 algo de novo nas psicoses&#8230; ainda. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2023\/argumento-e-eixos\/#argumentos\">AQUI<\/a>. Acesso em: 11 ago. 2023.<\/p>\n<p>CRAME, N. Elle tient au L. In: MILLER, J.-A. (Org.). <em>La solution trans<\/em>. Paris: Navarin \u00c9diteur, 2022, p. 95-104.<\/p>\n<p>DI CIACCIA, A. de. Le r\u00e9eel du sexe. <em>Lacan Quotidiene<\/em>, n. 912, fev. 2021. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LQ-912.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a>. Acesso em: 09 ago. 2023.<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/p>\n<p>LACAN, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise. In: <em>Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1953).<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: &#8230;ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. (Trabalho original proferido em 1971-72).<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 6<\/em>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2016. (Trabalho original proferido em 1958-60).<\/p>\n<p>MANDIL, R. Trauma e acontecimento de corpo. In: <em>Leituras do Semin\u00e1rio &#8230;ou pior de Jacques Lacan<\/em>. Salvador: EBP, 2015, p. 73-78.<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. Uma fantasia. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 42, p. 7-18, fev. 2005.<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. Nota passo a passo. In: LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007, p. 199-248.<\/p>\n<p>MILLER, J.-A.\u00a0<em>L\u2019orientation lacanienne: L\u2019\u00catre et l\u2019Un<\/em>. Curso pronunciado no Departamento de Psican\u00e1lise da Universidade Paris VIII. Li\u00e7\u00e3o de 23 de mar\u00e7o de 2011. 2011. (In\u00e9dito).<\/p>\n<p>MILLER, J.-A.\u00a0<em>L\u2019orientation lacanienne: L\u2019\u00catre et l\u2019Un<\/em>. Curso pronunciado no Departamento de Psican\u00e1lise da Universidade Paris VIII. Li\u00e7\u00e3o de 18 de maio de 2011. 2011. (In\u00e9dito).<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. Conversation \u00e0 prop\u00f4s du cas Elle tient ou L. In: MILLER, J.-A. (org.). <em>La solution trans<\/em>. Paris: Navarin \u00c9diteur, 2022, p. 105-127.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Texto apresentado no 3\u00ba Semin\u00e1rio Preparat\u00f3rio da 26\u00aa Jornada EBP-MG: <em>O que h\u00e1 de novo nas psicoses&#8230; ainda. <\/em>Cartel: Cristiane Grillo, Helenice de Castro, Laura Rubi\u00e3o, Ludmilla Feres Faria (Mais-Um), Mariana Vidigal, M\u00e1rcia Mez\u00eancio, Simone Souto.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Na vers\u00e3o em portugu\u00eas do <em>Semin\u00e1rio 19<\/em> encontra-se, na pr\u00f3pria p\u00e1gina 149, como nota do tradutor sobre este trecho, a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u201cLacan parece ironizar a fama popular dos habitantes da regi\u00e3o da Auv\u00e9rnia, no sul da Fran\u00e7a\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row row_height_percent=&#8221;0&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; h_padding=&#8221;2&#8243; top_padding=&#8221;0&#8243; bottom_padding=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; column_width_percent=&#8221;100&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;164376&#8243;][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; override_padding=&#8221;yes&#8221; column_padding=&#8221;0&#8243; style=&#8221;dark&#8221; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;162562&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; position_vertical=&#8221;middle&#8221; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; style=&#8221;light&#8221; font_family=&#8221;font-183904&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; radius=&#8221;lg&#8221; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;383650&#8243;][vc_single_image media=&#8221;87&#8243; media_width_percent=&#8221;15&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2023%2Fwp-content%2Fuploads%2F2023%2F09%2FLudmila-Feres_eixo3.pdf|target:_blank&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;125854&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-xsdn&#8221; heading_semantic=&#8221;h6&#8243; text_size=&#8221;h6&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;187866&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<\/p>\n<h6 class=\"uncode-share\">ABRIR EM PDF<\/h6>\n<p>[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;2&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ludmilla F\u00e9res Faria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"portfolio_category":[4],"class_list":["post-716","portfolio","type-portfolio","status-publish","hentry","portfolio_category-textos-de-orientacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.3 - 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