{"id":325,"date":"2024-05-09T21:37:18","date_gmt":"2024-05-09T21:37:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/?p=325"},"modified":"2024-07-08T17:47:26","modified_gmt":"2024-07-08T17:47:26","slug":"a-escolha-da-neurose-e-a-escolha-de-uma-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/a-escolha-da-neurose-e-a-escolha-de-uma-analise\/","title":{"rendered":"A Escolha da Neurose e a Escolha de uma An\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;yes&#8221; text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h1&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;615983&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;149193&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;116332&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;914998&#8243;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Psicanalista<br \/>\nAnalista Membro da Escola (AME)<br \/>\npela Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (EBP)<br \/>\ne Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP)<br \/>\nDiretor Geral da Escola Brasileira de<br \/>\nPsican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o MG (EBP-MG)<br \/>\ne-mail:<a href=\"mailto:laia.bhe@terra.com.br\"> laia.bhe@terra.com.br<\/a><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;123201&#8243;]Freud (1913\/2010, p. 325) abordou a \u201cescolha da neurose\u201d como um \u201cproblema\u201d que convocaria a psican\u00e1lise a responder \u201cpor que um indiv\u00edduo adoece de uma neurose\u201d, por que esta \u00faltima se apresentaria a algu\u00e9m como uma escolha. Aproximo essa refer\u00eancia \u00e0 escolha e ao que Lacan (1946\/1966, p. 177), bem mais tarde, chamar\u00e1 de \u201cinsond\u00e1vel decis\u00e3o do ser\u201d, aquela em que cada um \u201ccompreende ou desconhece sua libera\u00e7\u00e3o, nessa armadilha do destino que o engana quanto a uma liberdade que de modo algum conquistou\u201d, isto \u00e9 \u201ca lei de nosso devir, tal como a exprime a f\u00f3rmula antiga: <em>Genoi, o\u00edos ess\u00ed <\/em>[Que te tornes tal qual \u00e9s]<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">**<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Certamente, essa escolha n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o consciente e, nesse contexto, vale lembrar que essa \u201cf\u00f3rmula\u201d, <em>Que te tornes tal qual \u00e9s<\/em>, \u00e9 de P\u00edndaro e foi retomada por Nietzsche (1888\/1995, p. 48) como \u201cuma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mais conhecida frase grega inscrita no front\u00e3o do templo de Apolo em Delfos: \u201cConhece-te a ti mesmo\u201d.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> Pautando-se por essa oposi\u00e7\u00e3o, Nietzsche (1888\/1995, p. 48) \u2013 al\u00e9m de soar-me lacaniano ao definir a c\u00e9lebre recomenda\u00e7\u00e3o de <em>conhecer-se a si<\/em> <em>mesmo<\/em> como \u201c<em>mal entender-se<\/em>\u201d \u2013 n\u00e3o concebe a \u201cf\u00f3rmula\u201d <em>Que te tornes tal qual \u00e9s<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">***<\/a><\/em> como um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o, permitindo-me n\u00e3o assimilar a <em>escolha da neurose <\/em>a uma decis\u00e3o consciente e conceb\u00ea-la como uma das vertentes tomadas pela \u201c<em>insond\u00e1vel decis\u00e3o do ser<\/em>\u201d. Sauvignac (2023, p. 12) explicita que a m\u00e1xima de P\u00edndaro se encontra nas Odes chamadas de P\u00edticas, dedicadas aos vencedores dos concursos pan-hel\u00eanicos de Delfos, onde se encontrava o santu\u00e1rio de Pytho, em honra de Apolo e, portanto, do mesmo local dedicado a Apolo, derivou-se tanto a \u201cf\u00f3rmula\u201d que Lacan e Nietzsche valorizam, quanto aquela, mais conhecida e citada, contra a qual Nietzsche se coloca. N\u00f3s, psicanalistas da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, podemos ler tal oposi\u00e7\u00e3o como uma sensibilidade de Nietzsche (1888\/1995, p. 48) \u00e0 opacidade do gozo do sintoma: \u201cque algu\u00e9m se torne o que \u00e9 pressup\u00f5e que n\u00e3o suspeite sequer remotamente <em>o que<\/em> \u00e9\u201d. Ao longo de uma an\u00e1lise, eu diria que essa aus\u00eancia de suspei\u00e7\u00e3o quanto a quem se \u00e9 vai ser abalada e poder-se-\u00e1 passar a saber do sintoma com o qual uma parceria \u00e9 mantida, que acompanha cada um ao longo da exist\u00eancia, mas sem que da\u00ed se deslinde qualquer progresso em termos de um conhecimento (inclusive <em>\u00e0 la<\/em> front\u00e3o do templo de Apolo) de si mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Um \u201cproblema mais espec\u00edfico\u201d e a escolha entre loucura e debilidade mental<\/strong><\/h3>\n<p>Freud (1913\/2010, p. 325) tamb\u00e9m ressalta que a resposta ao \u201cproblema\u201d de como algu\u00e9m se torna neur\u00f3tico seria alcan\u00e7ada apenas a partir da resolu\u00e7\u00e3o de um \u201cproblema mais espec\u00edfico\u201d de se saber por que h\u00e1 escolha de uma neurose, e n\u00e3o de outra. Assim, seria preciso descobrir, primeiro, como se daria a escolha por um tipo de neurose para que, a partir da\u00ed, o padecimento da neurose se esclarecesse. Ao intitular seu texto \u201cA predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 neurose obsessiva\u201d, dedicando-o em grande parte a essa neurose, e, ao final, concluindo que \u201cseria prematuro iniciar\u2026 a discuss\u00e3o dos problemas da predisposi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica\u201d, Freud (1913\/2010, p. 325 e 337) pode nos levar a concluir que o \u201cproblema mais espec\u00edfico\u201d seria o da escolha entre a histeria e a neurose obsessiva. No entanto, a concep\u00e7\u00e3o freudiana das<em> psiconeuroses<\/em> n\u00e3o corresponde ponto a ponto ao que, especialmente a partir da psican\u00e1lise lacaniana, diferenciando-as sobretudo das \u201cpsicoses\u201d, concebemos como \u201cneuroses\u201d, porque, para Freud (1913\/2010, p. 326), \u201cas principais formas das psiconeuroses\u201d seriam \u201chisteria, neurose obsessiva, paranoia, <em>dementia praecox<\/em>\u201d. Ora, ao listar essas duas \u00faltimas (que chamamos de <em>psicoses<\/em>) junto com as duas primeiras (para n\u00f3s, <em>neuroses<\/em>), Freud \u2013 mesmo sem nem sempre ter se valido da diferencia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stico-estrutural efetivada pela cl\u00ednica lacaniana \u2013 me permite tamb\u00e9m aproximar o \u201cproblema\u201d da \u201cescolha da neurose\u201d e o que Lacan (1976-1977\/1977-1979, p. 9),<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> em um de seus \u00faltimos Semin\u00e1rios, formulou nos seguintes termos: \u201centre loucura e debilidade mental, n\u00f3s temos apenas a escolha\u201d.<\/p>\n<p>Por algum tempo, tendi a conceber essa escolha como aquela pela qual um sujeito se decidiria, de forma exclusiva, pela psicose (especifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 mais amplamente chamado de \u201cloucura\u201d) ou pela neurose (que, por suas restri\u00e7\u00f5es ao saber, eu ent\u00e3o aproximava da no\u00e7\u00e3o lacaniana de \u201cdebilidade mental\u201d). No entanto, acabei por verificar que as concep\u00e7\u00f5es lacanianas de <em>loucura<\/em> e de <em>debilidade mental<\/em> n\u00e3o correspondem respectiva e exclusivamente \u00e0s psicoses e \u00e0s neuroses. Assim, \u00e9 pertinente afirmar que tanto neur\u00f3ticos, quanto psic\u00f3ticos, podem ser loucos e assolados pela debilidade mental, mas n\u00e3o da mesma forma, e cada um a seu modo.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos dois anos, as Escolas reunidas pela Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise (AMP) puderam trabalhar com afinco o aforismo lacaniano que serviu de t\u00edtulo ao nosso \u00faltimo Congresso \u2013 \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d \u2013, e nos foi poss\u00edvel esclarecer como cada um, em sua particularidade e independentemente da estrutura cl\u00ednica que lhe concerne, \u00e9 afetado pela \u201cloucura\u201d, na medida em que fala e cr\u00ea no que n\u00e3o existe e, portanto, delira. Nesse contexto, muitos anos antes desse Congresso, Miller (1988, p. 192 e 193) j\u00e1 elucidava: \u201co del\u00edrio \u00e9 universal porque os homens falam\u201d, \u201cporque h\u00e1 linguagem para eles\u201d, de modo que \u201co significante\u201d,\u00a0 por sua \u201cfun\u00e7\u00e3o de irrealiza\u00e7\u00e3o\u201d, de n\u00e3o se associar propriamente a um referente, a uma coisa, faz o ato mesmo de falar tomar toda uma dimens\u00e3o delirante. Nas psicoses, essa irrealiza\u00e7\u00e3o promovida pelo significante o atinge, fazendo as pr\u00f3prias palavras se apresentarem literalmente como coisas para aqueles que delas padecem e, nas neuroses, tal irrealiza\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 indicava o primeiro Lacan (1953\/1966, p. 319), faz com que \u201co s\u00edmbolo se manifeste de in\u00edcio como assassinato da coisa\u201d, enredando-as na trama significante do discurso do Outro.<\/p>\n<p>Freud (1924\/2016), alguns anos depois de seu texto sobre a \u201cescolha da neurose\u201d e j\u00e1 tendo formulado as inst\u00e2ncias nomeadas como <em>Isso<\/em> e <em>Supereu<\/em>, ou seja, quando p\u00f4de localizar as perturba\u00e7\u00f5es do <em>Eu<\/em> n\u00e3o apenas pelas diferen\u00e7as entre os sistemas Consciente e Inconsciente, estabeleceu tamb\u00e9m uma diferencia\u00e7\u00e3o entre neuroses e psicoses que, a meu ver, \u00e9 importante para o que procuro abordar aqui como <em>a escolha da neurose<\/em>. Nas neuroses, ao \u201cn\u00e3o aceitar nem querer conduzir para a descarga motora uma mo\u00e7\u00e3o pulsional poderosa do Isso ou lhe barrar o acesso ao objeto ao qual ela visa\u201d, a defesa se d\u00e1 pelo recalcamento e \u201co recalcado luta contra esse destino, cria, para si pr\u00f3prio \u2013 por caminhos sobre o qual o Eu n\u00e3o tem nenhum poder \u2013, um substituto que se imp\u00f5e ao Eu pela via do compromisso [<em>Kompromisses<\/em>]: o sintoma\u201d (FREUD, 1924\/2016, p. 272). Ao n\u00e3o ter qualquer poder quanto aos caminhos que, no entanto, segue, o neur\u00f3tico, por sua pr\u00f3pria conta, s\u00f3 pode mesmo, como ressaltava Nietzsche a prop\u00f3sito do apol\u00edneo \u201cconhece-te a ti mesmo\u201d,<em> mal entender-se<\/em>, fracassar em saber e em tornar-se <em>tal qual<\/em> \u00e9, mesmo que o tempo todo, como \u00e9 bem comum hoje em dia, um neur\u00f3tico creia na import\u00e2ncia de ser ele mesmo e de ser quem ele diz ser \u2013 essa cren\u00e7a \u00e9 um do modos pelos quais podemos discernir a <em>debilidade mental<\/em> como <em>escolha da neurose<\/em>.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o d\u00e9bil da neurose me parece tamb\u00e9m pass\u00edvel de ser localizada quando Freud (1924\/2016, p. 272) ressalta que o pr\u00f3prio sintoma, mesmo em sua fun\u00e7\u00e3o de estabelecer um <em>compromisso<\/em>, uma esp\u00e9cie de pacto para o neur\u00f3tico defender-se das puls\u00f5es e do objeto em torno do qual a satisfa\u00e7\u00e3o pulsional se d\u00e1, continua lhe sendo um \u201cintruso\u201d contra o qual, assolado pelo <em>Supereu<\/em>, o neur\u00f3tico \u201cprossegue na luta\u2026, tal como o fez com a mo\u00e7\u00e3o pulsional original\u201d que lhe sobrev\u00e9m, n\u00e3o menos incessantemente, do <em>Isso<\/em>. Por sua vez, nas psicoses, perante o que n\u00e3o tem como realizar-se, \u201co Eu recria autonomamente para si um novo mundo exterior e interior\u201d, construindo esse \u201cnovo mundo&#8230; de acordo com as mo\u00e7\u00f5es de desejo do Isso\u201d (FREUD, 1924\/2016, p. 273). Essa recria\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica de um mundo \u00e9 ainda aproximada do que acontece, para todos, e n\u00e3o apenas para os psic\u00f3ticos, nos sonhos, permitindo a Freud (1924\/2016, p. 273) demarcar \u201co estreito parentesco\u201d entre a psicose e o \u201csonho normal\u201d, mas n\u00e3o sem fazer-nos a seguinte ressalva: \u201ca condi\u00e7\u00e3o do sonho \u00e9 o estado de sono\u201d \u2013 ou seja, os neur\u00f3ticos dormem enquanto os psic\u00f3ticos se apresentam, sen\u00e3o despertos, certamente em estado de sonambulismo, isto \u00e9, capazes de passarem \u00e0 via do ato mesmo quando parecem adormecidos quanto \u00e0 chamada \u201crealidade\u201d. A <em>debilidade mental<\/em>, em sua vers\u00e3o da <em>escolha da neurose<\/em>, tem a ver, portanto, com o sono que atravessa a exist\u00eancia dos neur\u00f3ticos \u2013 sono que uma an\u00e1lise visa perturbar sem que, devido \u00e0 pregn\u00e2ncia da debilidade mental nas neuroses, jamais o dissipe completamente.<\/p>\n<p>Ao conceber a debilidade mental\u00a0 como \u201ca impossibilidade de manter um discurso contra o qual n\u00e3o h\u00e1 obje\u00e7\u00e3o\u201d, Lacan (1976-1977\/1977-1979, p 14)<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> tamb\u00e9m permite-nos localiz\u00e1-la tanto nos neur\u00f3ticos, quanto nos psic\u00f3ticos. Mas \u00e9 bem diferente se, por uma <em>decis\u00e3o insond\u00e1vel do ser<\/em>, a recusa de sofrer alguma obje\u00e7\u00e3o advenha, como acontece nas psicoses, da impossibilidade de manuten\u00e7\u00e3o de um discurso que lhes inexiste enquanto tal, isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 propriamente um registro subjetivo do que lhes faria la\u00e7o social e permitiria uma articula\u00e7\u00e3o transmiss\u00edvel das palavras e dos corpos ou se, por outra forma de a <em>decis\u00e3o insond\u00e1vel do ser<\/em> apresentar-se, a impossibilidade de manter um discurso sem obje\u00e7\u00f5es for tribut\u00e1ria de um esfor\u00e7o incessante, nos neur\u00f3ticos, para se crer na consist\u00eancia do discurso do Outro e, assim, faz\u00ea-lo perseverar em sua exist\u00eancia e proteger-se do sintoma como esse <em>estranho<\/em> que lhes \u00e9, ao mesmo tempo, um <em>parceiro<\/em> ao longo de suas vidas.<\/p>\n<p>Procurando esclarecer um pouco mais a formula\u00e7\u00e3o de Lacan (1946\/1966, p. 177) sobre a <em>insond\u00e1vel decis\u00e3o do ser<\/em> e me valendo dos\u00a0 seus pr\u00f3prios termos, eu diria que, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201carmadilha do destino\u201d (e tomo o destino como um nome que os antigos davam ao Outro), o psic\u00f3tico \u00e9 aquele que \u201ccompreende&#8230; sua libera\u00e7\u00e3o\u201d em rela\u00e7\u00e3o a essa armadilha-destino, n\u00e3o admite\u00a0 sofrer obje\u00e7\u00f5es quanto a essa liberdade, mesmo que ela o fa\u00e7a padecer da inexist\u00eancia de um lugar para si no Outro; por sua vez, o neur\u00f3tico, em sua escolha, \u201cdesconhece sua libera\u00e7\u00e3o\u201d e se deixa alienar-se no discurso do Outro, caindo nessa armadilha na qual ele crer compor <em>toda<\/em> sua exist\u00eancia enquanto, na verdade, essa composi\u00e7\u00e3o s\u00f3 acontece de modo parcial.<\/p>\n<p>\u00c9 ainda poss\u00edvel esclarecer um pouco mais como a debilidade, de forma diferente, afeta tanto a escolha da neurose, quanto a escolha da psicose, na medida em que Lacan (1946\/1966, p. 177) afirma: a \u201carmadilha do destino\u201d, frente \u00e0 qual o ser toma sua \u201cdecis\u00e3o insond\u00e1vel\u201d, tamb\u00e9m \u201co engana quanto a uma liberdade que ele de modo algum conquistou\u201d. Nesse engano, leio a presen\u00e7a da debilidade. Assim, eu diria que um psic\u00f3tico \u00e9 enganado porque sua liberdade, embora alardeada por sua certeza delirante, n\u00e3o \u00e9 uma conquista sua, mas consequ\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o de ser largado, de ter sido abandonado quanto \u00e0 trama e, por que n\u00e3o dizer, \u00e0 tramoia do Outro que, particularmente nas querel\u00e2ncias, \u00e9 alvo de den\u00fancias e demandas de repara\u00e7\u00e3o infind\u00e1veis. Por sua vez, de modo mais contundente, o engano da escolha do neur\u00f3tico, sua debilidade, \u00e9 crer que sua liberdade n\u00e3o \u00e9 conquistada devido \u00e0 consist\u00eancia que ele atribui \u00e0 \u201carmadilha do destino\u201d que o captura, ou porque ela parece lhe advir, n\u00e3o sem engano, apenas como um resultado de seu protesto, de sua oposi\u00e7\u00e3o a deixar-se cativar enquanto, no real de sua exist\u00eancia, palavras e imagens n\u00e3o deixam de fascin\u00e1-lo e impedi-lo de efetivamente conquistar, como <em>sua<\/em>, a liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>A escolha de uma an\u00e1lise<\/strong><\/h3>\n<p>Um analista, hoje, ao operar com as neuroses, vai se haver sen\u00e3o com a descren\u00e7a, certamente com o t\u00e9dio perante a possibilidade de um sentido advir do inconsciente, como retorno do recalcado, para elucidar, tal qual nos tempos de Freud, o que \u00e9 esse <em>estranho<\/em> que se apresenta como <em>parceiro<\/em> na pr\u00f3pria forma do <em>sintoma<\/em> perturbar neuroticamente a vida. Por isso, \u201cno lugar do recalcado\u201d, a an\u00e1lise passa a ser desafiada pela \u201cverdade mentirosa do que Freud reconheceu como o recalque origin\u00e1rio\u201d (MILLER, 2016, p. 32). Essa forma primeira do recalque, mais do que com o sentido ou com a verdade inconscientes, tem a ver com a <em>fixa\u00e7\u00e3o<\/em> (FREUD, 1915\/2004, p. 179) pela qual um representante ps\u00edquico da puls\u00e3o se mant\u00e9m inalterado, sem acesso, mas com uma for\u00e7a atratora concernente ao material recalcado, na medida em que a puls\u00e3o \u201cpermanecer\u00e1 a ele enla\u00e7ada\u201d. Logo, talvez n\u00e3o seja excessivo comparar o <em>recalque origin\u00e1rio<\/em> \u00e0 no\u00e7\u00e3o f\u00edsica de <em>buraco negro<\/em> que, por conter uma for\u00e7a de gravidade t\u00e3o intensa, faz com que nada tenha energia suficiente para dele escapar e, portanto, torna-se localiz\u00e1vel apenas pela aus\u00eancia de retorno.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 incomum, hoje, sermos procurados como analistas menos por uma constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 algo que escapa ao saber dos que nos demandam tratamento, menos ainda pela presen\u00e7a inconsciente de suas lembran\u00e7as infantis, e muito mais pelo inc\u00f4modo diante do que lhes fixam em certos trajetos e satisfa\u00e7\u00f5es dos quais n\u00e3o conseguem liberar-se. N\u00e3o \u00e9 que essas lembran\u00e7as efetivamente inexistam ou n\u00e3o possam aparecer ao longo de uma an\u00e1lise. A dimens\u00e3o d\u00e9bil da neurose em nossos dias se apresenta, sobretudo, como a constata\u00e7\u00e3o de uma fixa\u00e7\u00e3o da qual os analisantes parecem n\u00e3o encontrar alguma sa\u00edda e, menos ainda, uma liberdade. Afinal, como tamb\u00e9m j\u00e1 destacava Freud (1912\/2021, p. 609), pela \u201c<em>fixa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, como \u201cprecursora e a condi\u00e7\u00e3o de todo \u2018recalcamento\u2019, uma puls\u00e3o ou uma parte constitutiva de uma puls\u00e3o n\u00e3o acompanha o desenvolvimento normalmente previsto, permanecendo, em consequ\u00eancia dessa inibi\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, em um est\u00e1gio mais infantil\u201d que, por esse processo inibit\u00f3rio e fixado, me parece poss\u00edvel de ser qualificado tamb\u00e9m como <em>d\u00e9bil<\/em>.<\/p>\n<p>Derivadas da <em>fixa\u00e7\u00e3o<\/em>, essa <em>debilidade<\/em>, tanto quanto a <em>loucura<\/em>, me parecem ainda ressoar na concep\u00e7\u00e3o que Lacan (1976-1977\/1977-1979, p. 7, 8 e 9)<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> faz do inconsciente como o que, \u201cem suma, fala-se&#8230; completamente sozinho [<em>tout seul<\/em>]&#8230; porque n\u00e3o se diz jamais sen\u00e3o uma \u00fanica e mesma coisa\u201d, e, na medida em \u201cn\u00f3s nos falamos completamente sozinhos, at\u00e9 que surja o que chamamos de eu, embora n\u00e3o seja garantido que ele n\u00e3o possa, estritamente falando, delirar\u201d.\u00a0 Por\u00e9m, Lacan (1976-1977\/1977-1979, p. 7)<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> estabelece uma ressalva a esse solil\u00f3quio d\u00e9bil e delirante: \u00e9 diferente quando, por uma esp\u00e9cie de furo nesse trajeto fechado, h\u00e1 abertura para se \u201cdialogar com um psicanalista\u201d. Afinal, um analista \u2013 diferente de quem se defende da impossibilidade de manter um discurso sem obje\u00e7\u00e3o e de quem se esfor\u00e7a para apresentar-se como um n\u00e3o-tolo \u2013 se vale de \u201cum discurso no qual os semblantes obstringem um real, um real no qual se cr\u00ea sem a ele aderir, um real que n\u00e3o tem sentido, indiferente ao sentido e que s\u00f3 pode ser aquilo que ele \u00e9\u201d (MILLER, 2016, p. 31).<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico \u00e9 capaz de impressar, apertar, fortemente tal real sem a ele, pela debilidade ou pela loucura, aderir, porque a psican\u00e1lise \u201c\u00e9 o que faz de verdade [<em>fait vrai<\/em>]\u201d, operando com os semblantes, ou seja, com essa nova forma de apresenta\u00e7\u00e3o lacaniana do imagin\u00e1rio, por \u201cum golpe [<em>coup<\/em>] de sentido\u201d (LACAN, 1976-1977\/1977-1979, p. 18).<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> Nesse termo <em>golpe<\/em> destaco, no discurso anal\u00edtico, tanto um uso do sentido de forma fugaz e instant\u00e2nea, quanto\u00a0 uma supress\u00e3o mesma do sentido, ou seja, sua anula\u00e7\u00e3o, e, por isso, Lacan (1976-77\/1977-1979, p. 18)<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a> vai destacar homofonicamente o <em>semblant <\/em>com que um analista opera em sua abordagem do real como <em>sens-blant<\/em>, ou seja, sentido-branco (<em>sens-blanc<\/em>), ou, para ressoar melhor em portugu\u00eas, como <em>dar branco no sentido<\/em>.<\/p>\n<p>A escolha de uma an\u00e1lise \u00e9 uma escolha diversa daquela da neurose porque, nesse novo trajeto que se abre para o estado de satisfa\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es, um analista vai \u201cdirigir um del\u00edrio\u201d de maneira que a debilidade desse del\u00edrio \u201cceda \u00e0 tapea\u00e7\u00e3o do real\u201d (MILLER, 2016, p. 32). Com uma an\u00e1lise, a escolha de um neur\u00f3tico poder\u00e1, enfim, conquistar a liberdade que ressoa na m\u00e1xima po\u00e9tica de P\u00edndaro, ou seja, frente \u00e0 armadilha do destino, exaurindo a trama-tramoia do discurso Outro de modo a reduzi-lo \u201ca seu real e liber\u00e1-lo do sentido\u201d (MILLER, 2014, p. 31), promovendo um branco no sentido, conquista-se a liberdade, e n\u00e3o sem a presen\u00e7a ao mesmo tempo intrusa e parceira do sintoma, de <em>tornar-se tal qual se \u00e9<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n<p>BRIAN, M. Pindare et Parm\u00e9nide, po\u00e8tes et penseurs: jeux des m\u00e9taphores et effets pragmatiques. <em>Dialogues d\u2019histoire ancienne<\/em>, v. 46, n. 2, 220, p. 75-104. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.persee.fr\/doc\/dha_0755-7256_2020_num_46_2_4976\"><em>https:\/\/www.persee.fr\/doc\/dha_0755-7256_2020_num_46_2_4976<\/em><\/a><\/p>\n<p>FREUD, S. O recalque. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. I, 2004, p. 175-193. (Trabalho original publicado em 1915).<\/p>\n<p>FREUD, S. A predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 neurose obsessiva. Contribui\u00e7\u00e3o ao problema da escolha da neurose. In: <em>Obras Completas<\/em>: Observa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (\u201co caso Schreber\u201d), artigos sobre t\u00e9cnica e outros textos. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, Vol. 10, 2010, p. 325-337. (Trabalho original publicado em 1913).<\/p>\n<p>FREUD, S. Neurose e psicose. In: <em>Neurose, psicose, pervers\u00e3o<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2016, p. 271-278 (Trabalho original publicado em 1924).<\/p>\n<p>FREUD, S. Observa\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas sobre um caso de paranoia (dementia paranoides) descrito com base em dados biogr\u00e1ficos (Caso Schreber). In: <em>Hist\u00f3rias cl\u00ednicas<\/em>: cinco casos paradigm\u00e1ticos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2021, p. 539-630. (Trabalho original publicado em 1912).<\/p>\n<p>LACAN, J. Propos sur la causalit\u00e9 psychique. In: <em>\u00c9crits. <\/em>Paris: Seuil, 1966, p. 151-193 (Trabalho originalmente proferido em 1946).LACAN, J. Le seminaire. Livre XXIV: L\u2019insu qui se sait d\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre. <em>Ornicar?<\/em>, Paris, n. 12-13, 1977, p. 7-23; n. 14, p. 4-9, 1978; n. 17-18, 1979, p. 7-23. (Trabalho original proferido em 1976-1977).<\/p>\n<p>MILLER, J. -A. Cl\u00ednica ir\u00f4nica. In: <em>Matemas I<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988, p. 190-200.<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. O real no s\u00e9culo XXI. Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do IX Congresso da AMP. In: MACHADO, O.; RIBEIRO, V. A. (Org.). <em>Scilicet<\/em>: o real no s\u00e9culo XXI. Belo Horizonte: Scriptum\/Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2014, p. 21-32.<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. O inconsciente e o corpo falante. In: <em>Scilicet: <\/em>O corpo falante \u2013 Sobre o inconsciente no s\u00e9culo XXI. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2016, p. 19-32.<\/p>\n<p>NIETZSCHE, F. <em>Ecce homo. Como algu\u00e9m se torna o que \u00e9<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995. (Trabalho originalmente redigido em 1888).<br \/>\nPINDAR. <em>Olympian odes. Pythian odes<\/em>. Edited and translated by William H. Race. Cambrigde and London: Havard Unversity Press, 1997, p. 119-241 (Loeb Classic Library).<\/p>\n<p>P\u00cdNDARO. <em>Odas y fragmentos<\/em>. Introduciones, traducci\u00f3n y notas de Alfonso Ortega. Madrid: Gredos, 1984, p. 141-153.<\/p>\n<p>PINDARE. <em>Oeuvres compl\u00e8tes<\/em>. Paris: Belles Lettres, 2023.<\/p>\n<p>SAUVIGNAC, J.-P. Pr\u00e9face. In: PINDARE. <em>Oeuvres compl\u00e8tes<\/em>. Paris: Belles Lettres, 2023, p. 9-40.<\/p>\n<h3><strong>Notas:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">**<\/a> No escrito de Lacan, a \u201cf\u00f3rmula antiga\u201d \u00e9 do poeta P\u00edndaro, extra\u00edda do verso 72 da 2\u00aa P\u00edtica e aparece citada em grego. Entre colchetes, agreguei-lhe uma tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, gra\u00e7as a uma correspond\u00eancia por <em>e-mail<\/em> realizada com Teodoro Renn\u00f3 Assun\u00e7\u00e3o que, como \u00e9 sempre de seu feitio, n\u00e3o s\u00f3 acolheu meu pedido de esclarecimento, como me ofereceu uma possibilidade de tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas e me passou v\u00e1rios textos que comentam e traduzem tal m\u00e1xima desse poeta grego. Dentre esses textos, que sem d\u00favida evidenciam a complexidade e nuances dessa \u201cf\u00f3rmula antiga\u201d, extraio tr\u00eas outras vers\u00f5es poss\u00edveis: <em>Become such as you are<\/em> (\u201cTorna-te tal como \u00e9s\u201d, tradu\u00e7\u00e3o de William H. Race, cf. Pindar, 1997, p. 239); <em>Puisses-toi devenir tel que tu es <\/em>(\u201cQue possas tornar-te tal como \u00e9s\u201d, tradu\u00e7\u00e3o de Brian, 2020, p. 99); <em>!Hazte el que eres! <\/em>\u00a0(\u201cAssume tal qual \u00e9s\u201d, tradu\u00e7\u00e3o de Alfonso Ortega, cf. P\u00edndaro, 1984, p. 152). Tamb\u00e9m encontrei, em uma frase que se estende um pouco mais do que a recortada por Lacan, a seguinte tradu\u00e7\u00e3o de Sauvignac, na c\u00e9lebre cole\u00e7\u00e3o de <em>Les Belles Lettres <\/em>(Pindare, 2023, p. 137): <em>Sois tel que tu sais \u00eatre<\/em> (\u201cSejas tal qual sabes ser\u201d). Nesta nota, gostaria de deixar registrado, tamb\u00e9m, minha gratid\u00e3o ao Teodoro, sempre generoso e preciso.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">***<\/a> Em Nietzsche (1888), a m\u00e1xima de P\u00edndaro sofre uma altera\u00e7\u00e3o e aparece, inclusive no subt\u00edtulo mesmo de seu livro, assim:\u00a0 <em>como algu\u00e9m se torna o que \u00e9<\/em>. Brian (2020, p. 96-100), em uma parte de seu texto, comenta o uso que Nietzsche, entre outros autores, faz dessa passagem desse poeta grego.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Em <em>Ecce homo<\/em> (NIETZSCHE, 1888\/1995, p. 48), a m\u00e1xima apol\u00ednea \u00e9 citada em sua tradu\u00e7\u00e3o latina: <em>nosce te ipsum<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Li\u00e7\u00e3o do dia 11\/01\/1977.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Li\u00e7\u00e3o de 19\/04\/1977.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Li\u00e7\u00e3o de 11\/01\/1977.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Li\u00e7\u00e3o de 10\/01\/1977.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Li\u00e7\u00e3o de 10\/05\/1977.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Li\u00e7\u00e3o de 10\/05\/1977.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;30&#8243; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; align_medium=&#8221;align_center_tablet&#8221; medium_width=&#8221;2&#8243; align_mobile=&#8221;align_center_mobile&#8221; mobile_width=&#8221;6&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;654255&#8243;][vc_single_image media=&#8221;565&#8243; media_width_percent=&#8221;70&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;435734&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F05%2FA-Escolha-da-Neurose-e-a-Escolha-de-uma-Analise.pdf|target:_blank&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;137017&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Para baixar o arquivo, abra o PDF em nova aba.[\/vc_custom_heading][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por S\u00e9rgio Laia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,23],"tags":[],"class_list":["post-325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sergio-laia","category-textos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":578,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions\/578"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}