{"id":401,"date":"2024-05-23T12:44:39","date_gmt":"2024-05-23T12:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/?p=401"},"modified":"2024-10-25T11:56:21","modified_gmt":"2024-10-25T11:56:21","slug":"eixos-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/eixos-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Eixos de Trabalho"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h1&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;300008&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Eixos de Trabalho<sup><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[*]<\/a><\/sup>[\/vc_custom_heading][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;1&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;148546&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;116332&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;866654&#8243;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Coordenador da 27\u00aa. Jornada da EBP-MG<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row row_height_percent=&#8221;0&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; column_width_percent=&#8221;100&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;196915&#8243; row_name=&#8221;eixos&#8221;][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;327567&#8243;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;148341&#8243;]Atualmente, a cl\u00ednica das neuroses tem sido marcada por impasses no diagn\u00f3stico e na localiza\u00e7\u00e3o da demanda que dificultam a dire\u00e7\u00e3o do tratamento. Deparamo-nos com casos nos quais a trama ed\u00edpica n\u00e3o se evidencia como balizadora, mas que n\u00e3o se configuram como psicoses. Como sustentar uma pr\u00e1tica psicanal\u00edtica que leve em considera\u00e7\u00e3o as novas formas de apresenta\u00e7\u00e3o das neuroses no s\u00e9culo XXI? Como poder\u00edamos localizar e tratar os neur\u00f3ticos, se temos dificuldades para encontrar em muitos deles a refer\u00eancia ao Nome-do-pai, o consentimento com a castra\u00e7\u00e3o, a disjun\u00e7\u00e3o entre o significante e a puls\u00e3o? Como conceber a neurose sem necessariamente nos referirmos ao Outro? S\u00e3o quest\u00f5es que mobilizam a investiga\u00e7\u00e3o da 27\u00aa Jornada da EBP-MG.[\/vc_column_text][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;207083&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]EIXO 1: Onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos e de onde n\u00e3o saem[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;613468&#8243;]Histeria e neurose obsessiva se mant\u00eam ainda como as duas principais neuroses destacadas desde Freud. Mas elas nem sempre se apresentam como antes.<\/p>\n<p>No caso da neurose hist\u00e9rica, classicamente, a recusa do feminino a manteria cativa do corpo do Outro. Seja quando se dirigisse \u00e0 Outra mulher como aquela que decifraria o enigma da feminilidade, seja quando se entregasse \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o na parceria amorosa. No entanto, s\u00e3o frequentes, hoje, os casos em que o sujeito hist\u00e9rico parece se recusar a colocar-se como sintoma do corpo do Outro, a consentir que sua satisfa\u00e7\u00e3o passe pelo Outro. S\u00e3o casos em que o corpo se apresenta como Um sozinho, imerso no imp\u00e9rio da imagem, assolado por procedimentos est\u00e9ticos, dietas sem fim ou, ainda, pela repulsa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es amorosas devido \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade d\u2019A mulher que n\u00e3o admite equ\u00edvocos.<\/p>\n<p>Na neurose obsessiva, por sua vez, o pensamento seria a via privilegiada para regular a satisfa\u00e7\u00e3o do corpo situando o falo como o valor por excel\u00eancia ao qual todos os objetos se reduziriam. Contudo, em uma \u00e9poca marcada pela queda do falocentrismo, os obsessivos parecem encontrar grandes dificuldades para lidarem com a satisfa\u00e7\u00e3o que lhes toma o corpo. Suas rumina\u00e7\u00f5es parecem se esvaziar ou lhes remeterem \u00e0 difundida \u201cs\u00edndrome do impostor\u201d. A ascend\u00eancia do olhar persiste para os obsessivos, mas sob novas condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o tanto sob o v\u00e9u da interdi\u00e7\u00e3o que os impelia e mortificava, mas muito mais incitada por uma urg\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o, por uma cativa\u00e7\u00e3o com a imagem \u00e0 qual cedem sem pensar. \u00c9 o que encontramos, por exemplo, na profus\u00e3o em massa da pornografia e na adi\u00e7\u00e3o ao mundo dos games. Esses modos de satisfa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m podem vir acompanhados de um desinteresse sexual difuso, uma desilus\u00e3o contumaz com os estudos ou com a profiss\u00e3o, um t\u00e9dio e mau humor incorrig\u00edveis, uma persistente escolha pelo isolamento social e um distanciamento do que poderia conferir mais iniciativa na vida.<\/p>\n<p>Podemos dizer que, nas muta\u00e7\u00f5es atuais da histeria ou da neurose obsessiva, o que prevalece \u00e9 a inibi\u00e7\u00e3o frente ao sexual? Mesmo quando nelas encontramos uma profus\u00e3o de refer\u00eancias ao sexo? O que se manifesta como real na vida parece lhes bloquear a exist\u00eancia, n\u00e3o permitindo avan\u00e7ar, mesmo quando se mostram descolado(a)s em suas escolhas, inclusive naquelas concernentes \u00e0 sexualidade. Quais registros a pr\u00e1tica psicanal\u00edtica recolhe dessa inibi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Nesse contexto em que os referenciais simb\u00f3licos classicamente norteadores das neuroses n\u00e3o se evidenciam mais t\u00e3o facilmente, a elucida\u00e7\u00e3o que Miller faz do chamado \u201cultim\u00edssimo Lacan\u201d torna-se decisiva<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a>. Trata-se de um ensino marcado pela premissa da inadequa\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico para abordar o real, o que nos conduz \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o de que o imagin\u00e1rio \u00e9 a \u00fanica via para essa abordagem.<\/p>\n<p>Nesse \u201cmomento de concluir\u201d de seu ensino, Lacan, citado por Miller<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a>, ressalta que a exist\u00eancia de uma hi\u00e2ncia entre o imagin\u00e1rio e o real produz uma inibi\u00e7\u00e3o, uma inibi\u00e7\u00e3o em \u201c\u2018imaginar o real\u2019\u201d. A hi\u00e2ncia j\u00e1 se fazia presente nas concep\u00e7\u00f5es freudiana e lacaniana das neuroses, seja na demarca\u00e7\u00e3o da cis\u00e3o do eu, seja na apresenta\u00e7\u00e3o do inconsciente como n\u00e3o realizado, como fenda. Tratava-se de um esfor\u00e7o em abordar o real a partir do simb\u00f3lico, enquanto o imagin\u00e1rio se impunha como um obst\u00e1culo nesse percurso. Por\u00e9m, situar a hi\u00e2ncia entre imagin\u00e1rio e real implica uma tor\u00e7\u00e3o pela qual \u00e9 o simb\u00f3lico que aparece como obst\u00e1culo. H\u00e1 um impedimento ao ultrapassamento dessa hi\u00e2ncia, na medida em que o imagin\u00e1rio est\u00e1 subordinado ao simb\u00f3lico. Contudo, em nosso mundo onde os referenciais simb\u00f3licos se calam e as imagens se exibem, essa hi\u00e2ncia aparece mais exposta.<\/p>\n<p>Vale, ent\u00e3o, investigar se a inibi\u00e7\u00e3o para se <em>imaginar o real<\/em> n\u00e3o se constituiria, hoje, como um \u201cfato cl\u00ednico\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a> determinante para a experi\u00eancia anal\u00edtica das neuroses e que precisamos elucidar. No que concerne tamb\u00e9m \u00e0s neuroses, uma an\u00e1lise, ao franquear outro modo de experimentar a satisfa\u00e7\u00e3o do sintoma, permitir-nos-ia sair dessa inibi\u00e7\u00e3o? <em>Imaginar o real<\/em> implicaria manipul\u00e1-lo a partir da imagem, do <em>visual<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a>, desembara\u00e7ando-se da captura da imagem pelas palavras? O que se fixa como visual nas vidas dos neur\u00f3ticos, uma vez localizado e tratado em uma an\u00e1lise, conferiria \u00e0 imagem um novo estatuto?[\/vc_column_text][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_accordion gutter_simple=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;421284&#8243; active_tab=&#8221;0&#8243; el_id=&#8221;darkodeon&#8221;][vc_accordion_tab gutter_size=&#8221;2&#8243; column_padding=&#8221;2&#8243; title=&#8221;CITA\u00c7\u00d5ES DO EIXO 1&#8243; tab_id=&#8221;1727135739-1-134&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;487091&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>CITA\u00c7\u00d5ES EIXO 1 \u2013 Freud, Lacan e Miller<\/strong>[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;586507&#8243;]<strong>FREUD, S. O \u2018estranho\u2019. <em>In:<\/em> Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XVII, 1996, pp.254-256. (Trabalho original publicado em 1919).<\/strong><\/p>\n<p>O fator da repeti\u00e7\u00e3o da mesma coisa n\u00e3o apelar\u00e1, talvez, para todos como fonte de uma sensa\u00e7\u00e3o estranha. Daquilo que tenho observado, esse fen\u00f4meno, sujeito a determinadas condi\u00e7\u00f5es e combinado a determinadas circunst\u00e2ncias, provoca indubitavelmente uma sensa\u00e7\u00e3o estranha, que, al\u00e9m do mais, evoca a sensa\u00e7\u00e3o de desamparo experimentada em alguns estados on\u00edricos. Pois \u00e9 poss\u00edvel reconhecer, na mente inconsciente, a predomin\u00e2ncia de uma \u2018compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o\u2019, procedente dos impulsos instintuais e provavelmente inerente \u00e0 pr\u00f3pria natureza dos instintos \u2013 uma compuls\u00e3o poderosa o bastante para prevalecer sobre o princ\u00edpio de prazer, emprestando a determinados aspectos da mente o seu car\u00e1ter demon\u00edaco, e ainda muito claramente expressa nos impulsos das crian\u00e7as pequenas; uma compuls\u00e3o que \u00e9 respons\u00e1vel, tamb\u00e9m, por uma parte do rumo tomado pelas an\u00e1lises de pacientes neur\u00f3ticos. Todas essas considera\u00e7\u00f5es preparam-nos para a descoberta de que o que quer que nos lembre esta \u00edntima \u2018compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 percebido como estranho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: A ang\u00fastia. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1962-63). <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Freud insiste na dimens\u00e3o essencial dada pelo campo da fic\u00e7\u00e3o a nossa experi\u00eancia do <em>unheimlich. <\/em>Na vida real, este \u00e9 fugidio demais. A fic\u00e7\u00e3o o demonstra bem melhor, chega at\u00e9 a produzi-lo como efeito de maneira mais est\u00e1vel, por ser mais bem articulada. Trata-se de uma esp\u00e9cie de ponto ideal, mas sumamente precioso para n\u00f3s, j\u00e1 que esse efeito nos permite ver a fun\u00e7\u00e3o da <em>fantasia.<\/em> \u00a0(<em>Li\u00e7\u00e3o de 5 de dezembro de 1962 \u2013 Al\u00e9m da ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>p. 59)<\/em><\/p>\n<p>O que quero acentuar hoje \u00e9 apenas que o horr\u00edvel, o suspeito, o inquietante, tudo aquilo pelo qual traduzimos para o franc\u00eas, tal como nos \u00e9 poss\u00edvel, o magistral <em>unheimlich <\/em>do alem\u00e3o, apresenta-se atrav\u00e9s de claraboias. \u00c9 enquadrado que se situa o campo da ang\u00fastia. Assim voc\u00eas reencontram aquilo por meio do qual introduzi a discuss\u00e3o, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o da cena com o mundo. &#8220;S\u00fabito&#8221;, &#8220;de repente&#8221; &#8211; voc\u00eas sempre encontrar\u00e3o essas express\u00f5es no momento da entrada do fen\u00f4meno do <em>unheimlich.<\/em> Encontrar\u00e3o sempre em sua dimens\u00e3o pr\u00f3pria a cena que se prop\u00f5e, e que permite que surja aquilo que, no mundo, n\u00e3o pode ser dito.\u00a0 <em>(Li\u00e7\u00e3o de 19 de dezembro de 1962 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura da ang\u00fastia, p.86) <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Laia. 2\u00aa. edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/strong><\/p>\n<p>A inquietante estranheza, incontestavelmente, prov\u00e9m do imagin\u00e1rio, e a geometria espec\u00edfica, original, que \u00e9 a dos n\u00f3s, tem como efeito exorciz\u00e1-la. Mas que haja alguma coisa que permita exorciz\u00e1-la \u00e9 certamente, em si mesma, estranho. (&#8230;)<\/p>\n<p>Nesse esquema, o imagin\u00e1rio desdobra-se segundo o modo dos dois c\u00edrculos, o que pode ser notado com um desenho. Direi que um desenho nada nota, na medida em que, ao ser planificado, fica enigm\u00e1tico. Portanto, indico aqui, na articula\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio do corpo, alguma coisa como uma inibi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que se caracterizaria especialmente pela inquietante estranheza. Eis onde me permitirei notar, pelo menos provisoriamente, o lugar da tal estranheza.\u00a0 <em>(Li\u00e7\u00e3o de 16 de dezembro de 1975 &#8211; Do n\u00f3 como suporte do sujeito, p. 47)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.- <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El ultim\u00edsimo Lacan &#8211; texto estabelecido por Silvia Tendlarz e traduzido por\u00a0 St\u00e9phane Verley. <\/strong><strong>Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2014, p. 258 e 259:<\/strong><\/p>\n<p>De hecho, lo simb\u00f3lico tiende a proseguirse en lo imaginario, por eso Lacan pone en continuidad el sue\u00f1o, la poes\u00eda, la filosof\u00eda, el fantasma y el delirio, que son todos modos en los que se ve lo simb\u00f3lico pasar a lo imaginario. De lo que se trata en el sentido del \u00faltimo Lacan, para captar lo que ocurre en un psicoan\u00e1lisis, para captar lo que llama la tela de un psicoan\u00e1lisis, es de superar la hiancia entre lo imaginario y lo real.<\/p>\n<p>Es el sentido que le doy a esta proposici\u00f3n enigm\u00e1tica del seminario &#8220;El momento de concluir&#8221;, a saber, &#8220;Si hacemos una abstracci\u00f3n sobre el an\u00e1lisis, lo anulamos&#8221;. \u00bfQu\u00e9 es hacer una abstracci\u00f3n sobre el an\u00e1lisis? Es ordenarlo seg\u00fan el orden simb\u00f3lico. \u00bfY qu\u00e9 se pierde en esta abstracci\u00f3n? Lo que se pierde es el tejido, es la tela. Con esta topolog\u00eda del toro en su ultim\u00edsima ense\u00f1anza, Lacan nos da &#8220;una geometr\u00eda del tejido, del hilo y de la malla&#8221;.<\/p>\n<p>De este modo entiendo el tiempo l\u00f3gico de &#8220;El momento de concluir&#8221;, que en el fondo est\u00e1 animado por un aserto de certidumbre anticipada que consiste en plantear la primac\u00eda del cuerpo. En el silencio de lo real, y mientras que siempre hay que desconfiar de lo simb\u00f3lico que miente, solo queda el recurso a lo imaginario, es decir, al cuerpo, es decir, al tejido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.- <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El ultim\u00edsimo Lacan &#8211; texto estabelecido por Silvia Tendlarz e traduzido por\u00a0 St\u00e9phane Verley. Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2014, p. 194:<\/strong><\/p>\n<p>Justamente porque lo simb\u00f3lico no es adecuado a lo real, porque lo simb\u00f3lico solo est\u00e1 asociado a lo real por el fantasma en tanto sugesti\u00f3n imaginaria, hay que intentar asociar lo real y lo imaginario, intentar imaginar lo real.<\/p>\n<p>Esa es, me parece, la clave de todas estas manipulaciones de Lacan en su ultim\u00edsimo ense\u00f1anza. Imaginar lo real pasa por esta extra\u00f1a materializaci\u00f3n que constituyen estas figuras, que son figuras de objetos &#8211; materializaci\u00f3n que es, dice Lacan en un momento, &#8220;una materializaci\u00f3n del hilo del pensamiento&#8221;. Relaciono esto con otra frase: &#8220;El an\u00e1lisis es un hecho social que se basa en el pensamiento&#8221;.[\/vc_column_text][\/vc_accordion_tab][\/vc_accordion][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;611100&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]EIXO 2: A tela do fantasma e a esfolia\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;168096&#8243;]Freud localizou o fantasma como objeto de uma constru\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise. Ou seja, o fantasma implicaria, para o analista, um recurso diferente da interpreta\u00e7\u00e3o para que se pudesse discernir qual o axioma que se apresenta, em cada analisante, como uma formula\u00e7\u00e3o sobre o pr\u00f3prio ser. Por isso, Freud se dedicou \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o do que se apresentava como cena fantasm\u00e1tica, uma hist\u00f3ria que comp\u00f5e um cen\u00e1rio com suporte simb\u00f3lico e representa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. Lacan, por sua vez, p\u00f4de destacar, na pr\u00f3pria cena fantasm\u00e1tica, o que se configura como uma tela para o real, para o irrepresent\u00e1vel, um anteparo com o qual cada analisante tenta defender-se da inc\u00f3gnita relativa a seu pr\u00f3prio ser. Foi essa concep\u00e7\u00e3o da tela que permitiu a Lacan propor-nos uma travessia do fantasma. Tratar-se-ia de ultrapassar o que se localiza, em an\u00e1lise, como uma identifica\u00e7\u00e3o ao objeto do fantasma. Essa travessia revela uma verdade que tem efeitos de defla\u00e7\u00e3o do desejo. Contudo, ultrapassar o impasse quanto ao desejo n\u00e3o resolve o impasse com a satisfa\u00e7\u00e3o do corpo. Atravessar a in\u00e9rcia imagin\u00e1ria da tela do fantasma n\u00e3o dissipa a reitera\u00e7\u00e3o de um gozo opaco.<\/p>\n<p>O ultim\u00edssimo Lacan retoma esse impasse com uma proposta que nos parece problematizar a travessia do fantasma. Como elucida Miller, o fantasma passa a ser apresentado por Lacan como um girar em c\u00edrculos que n\u00e3o encontra sa\u00edda. Ou seja, mesmo que se ultrapasse a identifica\u00e7\u00e3o ao objeto, o fantasma continua existindo. Abordar o fantasma como um girar em c\u00edrculos sem sa\u00edda \u00e9 o que nos aproxima do que Miller destaca, no Semin\u00e1rio 25 de Lacan, quando este diz que \u201c\u2018o despertar \u00e9 impens\u00e1vel\u2019\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[5]<\/a>. Nesse sentido, poder\u00edamos indagar se a no\u00e7\u00e3o de debilidade mental, destacada por Lacan nesse momento, elucidaria o que se passa com os neur\u00f3ticos de hoje.<\/p>\n<p>De todo modo, um problema se imp\u00f5e: como uma an\u00e1lise pode, ent\u00e3o, operar e dar provas de sua efic\u00e1cia? Uma via seria os neur\u00f3ticos passarem a se virar com um corpo estranho que, embora lhes seja pregnante, n\u00e3o encontra abrigo nem na imagem de si referente ao pr\u00f3prio eu, nem no que se localizou como o objeto do fantasma. A experi\u00eancia dessa estranheza que ao mesmo tempo atrai e afasta p\u00f4de ser localizada por Freud como <em>Unheimlich<\/em>, o <em>estranhamente familiar<\/em>, a <em>inquietante estranheza<\/em> ou, tamb\u00e9m, como se tem traduzido, o \u201cinfamiliar\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[6]<\/a>. Lacan, em seu \u00faltimo ensino, localiza a inquietante estranheza no imagin\u00e1rio do corpo, na medida em que o corpo \u00e9 impelido por uma satisfa\u00e7\u00e3o que, por seu efeito perturbador, imprime uma esp\u00e9cie de mancha na imagem ideal do corpo pr\u00f3prio, do eu. O <em>Unheimilich<\/em> mostraria, ent\u00e3o, aquilo que o fantasma recobre: \u00e9 uma imagem do real na qual certo modo de gozo se fixou e que os neur\u00f3ticos tentam expulsar como um corpo estranho, intrusivo, um excesso que extrapola o enquadre fantasm\u00e1tico, desagrega a imagem do corpo pr\u00f3prio e n\u00e3o encontra seu devido lugar quando se fala.<\/p>\n<p>Como localizar a manifesta\u00e7\u00e3o desse corpo estranho na cl\u00ednica das neuroses? Poder\u00edamos dizer que sua presen\u00e7a est\u00e1 obscurecida no que, hoje em dia se apresentam como crises de p\u00e2nico, automutila\u00e7\u00f5es, tentativas de suic\u00eddio, transtornos alimentares, hiperatividade etc.? Como operar com essa <em>inquietante estranheza<\/em> que o fantasma fracassa em conter e que se imp\u00f5e ao neur\u00f3tico? Qual resposta uma an\u00e1lise pode conferir ao excesso que assola os corpos dos neur\u00f3ticos sob a forma de urg\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Uma via parece se abrir com o que Miller localiza, no ultim\u00edssimo Lacan, em um termo que pode ser elevado \u00e0 dignidade de uma orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica: a <em>esfolia\u00e7\u00e3o<\/em>. Trata-se, gra\u00e7as \u00e0 redu\u00e7\u00e3o ao fantasma, de esfoliar o imagin\u00e1rio<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[7]<\/a>, o imagin\u00e1rio do corpo e mesmo a imagem diante da qual os neur\u00f3ticos experimentam o que lhes parece <em>infamiliar<\/em>. Trata-se de destacar, na experi\u00eancia anal\u00edtica, os modos pelos quais a pele necrosada que mantinha o corpo pr\u00f3prio capturado na imagem do objeto passa por um processo de esfolia\u00e7\u00e3o. Por fim, como essa <em>esfolia\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio<\/em> nos auxiliaria a discernir, na cl\u00ednica da neurose, o modo como operamos com o gozo do sintoma?[\/vc_column_text][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_accordion gutter_simple=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;779557&#8243; active_tab=&#8221;0&#8243;][vc_accordion_tab gutter_size=&#8221;2&#8243; column_padding=&#8221;2&#8243; title=&#8221;CITA\u00c7\u00d5ES DO EIXO 2&#8243; tab_id=&#8221;1727135739-1-13&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;138730&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>CITA\u00c7\u00d5ES EIXO 2 \u2013 Lacan e Miller<\/strong>[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;352124&#8243;]<strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 6<\/em>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o Cl\u00e1udia Berliner. Rio de Janeiro: Zahar, 2016. Trad. (Trabalho original proferido em 1958-59). <\/strong><\/p>\n<p>O sujeito evanescente, que desvanece em certa rela\u00e7\u00e3o com um objeto eletivo &#8211; \u00e9 essa a rela\u00e7\u00e3o que lhes designo por meio da fantasia. A fantasia tem sempre essa estrutura. N\u00e3o \u00e9 simplesmente rela\u00e7\u00e3o de objeto. \u00c9 algo que corta. \u00c9 certa evanesc\u00eancia, certa s\u00edncope significante do sujeito em presen\u00e7a de um objeto. <em>(Li\u00e7\u00e3o de 28 de janeiro de 1959 &#8211; A imagem da luva pelo avesso, pg.192)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 6<\/em>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o Cl\u00e1udia Berliner. Rio de Janeiro: Zahar, 2016. Trad. (Trabalho original proferido em 1958-59). <\/strong><\/p>\n<p>O que foi promovido, primeiramente por Freud, no n\u00edvel anal\u00edtico sob o nome do <em>Unheimlich (<\/em>&#8230;) n\u00e3o est\u00e1 ligado, como alguns acreditaram, a irrup\u00e7\u00f5es do inconsciente, mas sim a esse tipo de desequil\u00edbrio que se produz na fantasia quando, ultrapassando os limites a ela atribu\u00eddos de in\u00edcio, ela se decomp\u00f5e e vem se juntar \u00e0 imagem do Outro. (Li\u00e7\u00e3o de 15 de abril de 1959 &#8211; Sete li\u00e7\u00f5es sobre Hamlet, p. 344)<\/p>\n<p>Em ambos os casos, o sujeito \u00e9 indicado na fantasia pelo que chamamos de &#8220;fenda&#8217;, de hi\u00e2ncia, algo que, no real, \u00e9 ao mesmo tempo buraco e lampejo, na medida em que o voyeur espia por tr\u00e1s de sua persiana, que o exibicionista entreabre seu anteparo. Aqui, o sujeito \u00e9 indicado pelo seu lugar no ato. Ele nada mais \u00e9 que esse lampejo do objeto a que nos referimos e que \u00e9 vivido, percebido, pelo sujeito como a abertura de uma hi\u00e2ncia que, por sua vez, o situa como aberto. Aberto para qu\u00ea? Para outro desejo que n\u00e3o o seu, estando este seu desejo profundamente afetado, atingido, abalado pelo que \u00e9 percebido no lampejo. <em>(Li\u00e7\u00e3o de 10 de junho de 1959 &#8211;\u00a0 A dial\u00e9tica do desejo no neur\u00f3tico, p.453)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 8<\/em>: A transfer\u00eancia. Tradu\u00e7\u00e3o de Dulce Duque Estrada. 2\u00aa. edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. (Trabalho original proferido em 1960-61). <\/strong><\/p>\n<p>\u201cOra, \u00e9 na pr\u00f3pria medida em que algo se apresenta como revalorizando o tipo de deslizamento infinito, o elemento dissolutivo trazido ao sujeito, por si mesmo, pela fragmenta\u00e7\u00e3o significante, que ele assume valor de objeto privilegiado, que estanca esse deslizamento infinito. Um objeto pode assumir tamb\u00e9m, com rela\u00e7\u00e3o ao sujeito, esse valor essencial que constitui a <em>fantasia fundamental<\/em>. O pr\u00f3prio sujeito se reconhece ali como detido, ou, para lembrar-lhes uma no\u00e7\u00e3o mais familiar, fixado. Nessa fun\u00e7\u00e3o privilegiada n\u00f3s o chamamos <em>a<\/em>. E \u00e9 na medida em que o sujeito se identifica \u00e0 <em>fantasia fundamental<\/em> que o desejo como tal assume consist\u00eancia, e pode ser designado, que o desejo, tamb\u00e9m, de que se trata para n\u00f3s est\u00e1 enraizado, por sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, na <em>H\u00f6rigkeit<\/em>; isto \u00e9, para utilizar a nossa terminologia, que ele se coloca no sujeito como desejo do Outro, grande A.\u201d <em>(Li\u00e7\u00e3o de 1\u00ba. de mar\u00e7o de 1961 \u2013 A transfer\u00eancia no presente, p. 214-215)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: A ang\u00fastia. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1962-63). <\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o neur\u00f3tico que, ao mesmo tempo, lhes revela a <em>fantasia<\/em> em sua estrutura, por causa do que faz com ela, mas que tamb\u00e9m, pelo que faz com ela, tapeia voc\u00eas, como tapeia todo o mundo. De fato, como lhes explicarei, o neur\u00f3tico se serve de sua<em> fantasia<\/em> para fins particulares. O que acreditamos perceber como sendo, por baixo da neurose, a pervers\u00e3o, e de que lhes falei em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 simplesmente o que lhes estou explicando, a saber, que a <em>fantasia<\/em> do neur\u00f3tico est\u00e1 inteiramente situada no lugar do Outro. <em>(Li\u00e7\u00e3o de 5 de dezembro de 1962 \u2013 Al\u00e9m da ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o, p. 60)<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 essencial apreender a natureza da realidade do espa\u00e7o como espa\u00e7o tridimensional, para definir a forma assumida no est\u00e1gio esc\u00f3pico pela presen\u00e7a do desejo, a saber, como <em>fantasia.<\/em> Trata-se de que a fun\u00e7\u00e3o da moldura, da janela, entenda-se, que tentei definir na estrutura da <em>fantasia<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma met\u00e1fora. Se a moldura existe, \u00e9 porque o espa\u00e7o \u00e9 real. <em>(Li\u00e7\u00e3o de 12 de junho de 1963 \u2013 A torneira de Piaget, p. 309)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/em>: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise.\u00a0 Tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. 2\u00aa. edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. (Trabalho original proferido em 1964).<\/strong><\/p>\n<p>O real suporta a fantasia, e a fantasia protege o real.\u00a0 <em>(Li\u00e7\u00e3o de 29 de janeiro de 1964 \u2013 Do sujeito da certeza, p. 43-44)<\/em><\/p>\n<p>O lugar do real, que vai do trauma a fantasia &#8211; na medida em que a fantasia nunca \u00e9 mais do que a tela que dissimula algo de absolutamente primeiro, de determinante na fun\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o &#8211; a\u00ed est\u00e1 o que precisamos demarcar agora. A\u00ed est\u00e1, de resto, o que, para n\u00f3s, explica ao mesmo tempo a ambiguidade da fun\u00e7\u00e3o do despertar e da fun\u00e7\u00e3o do real nesse despertar.\u00a0 <em>(Li\u00e7\u00e3o de 12 de fevereiro de 1964 \u2013 Tiqu\u00ea e Aut\u00f4maton, p.61)<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o do <em>a<\/em> que a curva se fecha, l\u00e1 onde ela jamais \u00e9 dita, concernente \u00e0 sa\u00edda da an\u00e1lise. A saber, depois da distin\u00e7\u00e3o do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao <em>a<\/em>, a experi\u00eancia da fantasia fundamental se torna a puls\u00e3o. O que se toma ent\u00e3o aquele que passou pela experi\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o, opaca na origem, \u00e0 puls\u00e3o? Como, um sujeito que atravessou a fantasia radical, pode viver a puls\u00e3o? Isto \u00e9 o mais al\u00e9m da an\u00e1lise, e jamais foi abordado. Isto s\u00f3 \u00e9, at\u00e9 o presente, abord\u00e1vel, no n\u00edvel do analista, na medida em que seria exigido dele ter precisamente atravessado em sua totalidade o ciclo da experi\u00eancia anal\u00edtica. <em>(Li\u00e7\u00e3o de 24 de junho de 1964 \u2013 Em ti mais do que tu, p.258)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>LACAN, J. (1966-67) El Seminario, libro 14. La l\u00f3gica del fantasma.\u00a0 Texto establecido por Jacques Alain-Miller. Traducci\u00f3n de Gerardo Arenas. Buenos Aires: Ediciones Paid\u00f3s,2023.\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Entonces, \u00bfc\u00f3mo definiremos realidad? Como lo que reci\u00e9n llam\u00e9 <em>lo listo para usar el fantasma,<\/em> es decir, lo que constituye su orden. Veremos, pues, que la realidad, toda la realidad humana, no es otra cosa que montaje de lo simb\u00f3lico y de lo imaginario. El deseo, que est\u00e1 en el centro de este aparato, de este marco que hemos llamado realidad, es tambi\u00e9n, seg\u00fan lo\u00a0 que articul\u00e9 desde siempre, lo que cubre\u00a0 aquello que en sentido estricto es lo real. Es importante distinguir entre lo real y la realidad humana.\u00a0 Lo real nunca es m\u00e1s do que vislumbrado, vislumbrado cuando vacila la m\u00e1scara \u2013 la del fantasma.<em> (Aula de 16 de novembro de 1966 \u2013 Promesa de una l\u00f3gica, p. 17)<\/em><\/p>\n<p>Otro punto -por ahora, leo a Freud, lo repito-: el fantasma tiene el privilegio de ser m\u00e1s inconfesable que cualquier otra cosa. Cabr\u00eda detenerse largamente en el t\u00e9rmino inconfesable, que incluye muchas cosas; para permanecer en el nivel de abordaje impreciso del a\u00f1o 1919 en que esto fue escrito, digamos que el fantasma pende del sentimiento de culpa como una cereza del ped\u00fanculo, y que Freud se detiene all\u00ed para relacionarlo con lo que llama una cicatriz: la del complejo de Edipo. Esto nos inclina a decir que, por el modo en que surgi\u00f3 en nuestra experiencia, el fantasma participa del aspecto experimental del cuerpo extra\u00f1o.<em> (Aula de 14 de junho de 1967 &#8211; El sadico y el masoquiata, p. 325)<\/em><\/p>\n<p>La distancia entre la funci\u00f3n del fantasma \u2013 tal como lo imaginamos nosotros, pobres neur\u00f3ticos- en el nivel llamado perverso, y su funci\u00f3n en el registro neur\u00f3tico, es exactamente &#8211; dir\u00e9- la que va del dormitorio al ba\u00f1o.<\/p>\n<p>Termino en esto para hacer cl\u00ednica.\u00a0 \u00bfAcaso hay dormitorios, aun cuando no hay acto sexual? Aparte del de Ulises, donde la cama es un tronco enraizado en el suelo, esto deja serias dudas sobre el tema de los dormitorios, especialmente en nuestra \u00e9poca en que todas las cosas se balancean en la pared. Pero, en fin, es un lugar que, al menos te\u00f3ricamente, existe. Pese a todo, hay una distancia entre el dormitorio y el ba\u00f1o. Presten atenci\u00f3n, que todo lo que sucede con el neur\u00f3tico pasa esencialmente en el ba\u00f1o o en la antec\u00e1mara -es lo mismo. (\u2026)<\/p>\n<p>Si quieren precisiones, la fobia puede tener lugar en el armario de la ropa, o en el pasillo, en la cocina. La histeria tiene lugar en el parlatorio- el parlatorio de los conventos de monjas, por supuesto. La obsesi\u00f3n, en el cagadero (\u2026)<\/p>\n<p>Todo esto nos lleva a la puerta que los invitar\u00e9 a franquear (\u2026) la de un dormitorio en el que no pasa nada, salvo que el acto sexual se presenta en \u00e9l como forclusi\u00f3n en sentido estricto: <em>verwerfung.<\/em> Este dormitorio es lo que se suele llamar el consultorio del analista.<\/p>\n<p><em>(Aula de 21 de junho de 1967 &#8211; El axioma del fantasma, p. 351)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: &#8230; ou pior. Tradu\u00e7\u00e3o Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Trad. (Trabalho original proferido em 1971-72). <\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00eas s\u00f3 gozam com suas fantasias. \u00c9 isso que daria peso ao idealismo, que ningu\u00e9m, por outro lado, apesar de ele ser incontest\u00e1vel, leva a s\u00e9rio. O importante \u00e9 que suas fantasias gozam de voc\u00eas.\u00a0 <em>(Li\u00e7\u00e3o de 8 de mar\u00e7o de 1972 \u2013 O Outro: da fala \u00e0 sexualidade, p. 110)<\/em><\/p>\n<p>Trata-se, na psican\u00e1lise, de elevar a impot\u00eancia (aquela que d\u00e1 conta da <em>fantasia<\/em>) \u00e0 impossibilidade l\u00f3gica (aquela que encarna o real). <em>(Anexos. Resumos do Semin\u00e1rio 19. Publicado no Anu\u00e1rio da Escola Pr\u00e1tica de Estudos Superiores, 1972-1973, p.235) <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A. <em>Silet \u2013 Os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan<\/em>. Trad.: Celso Renn\u00f3 Lima. Texto estabelecido por J\u00e9sus Santiago e Angelina Harari. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2005, p. 251<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTemos acentuado tudo o que \u00e9 da ordem simb\u00f3lica na fantasia. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o podemos eliminar-lhe o componente imagin\u00e1rio: uma fantasia sem imagem n\u00e3o tem, para n\u00f3s, significa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MILLER, J. -A. <em>Del s\u00edntoma al fantasma. Y retorno<\/em>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. 1\u00aa ed. \u2013 Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2018, p. 16<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSi Lacan habla de &#8220;atravesamiento del fantasma&#8221;, por el contrario, y no de &#8220;levantamiento del fantasma&#8221;, es porque no se trata de ninguna manera de su desaparici\u00f3n. Se trata de entrever, en el primer\u00edsimo comienzo, lo que hay detr\u00e1s. Lo divertido es que detr\u00e1s del fantasma no hay nada. El final de an\u00e1lisis consiste precisamente en ir a dar una vuelta por el lado de la nada.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J. -A. <em>Del S\u00edntoma al fantasma. Y retorno<\/em>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques Alain Miller. 1\u00aa ed. \u2013 Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2018, p.28<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEl fantasma tiene una estructura temporal estrictamente puntual, absolutamente elemental. El tiempo propio del fantasma es el instante. Por supuesto que puede estar preparado con uno peque\u00f1a historia, pero fundamentalmente el coraz\u00f3n del fantasma es un instante, podemos decir incluso \u2018un instante de ver\u2019, para respetar lo que el fantasma le debe a la dimensi\u00f3n imaginaria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J. -A. <em>Del s\u00edntoma al fantasma. Y retorno<\/em>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. 1\u00aa ed. \u2013 Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2018, p. 99.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEl fantasma no suscita la demanda. El fantasma en el sujeto suscita su propio asombro. Incluso el sujeto se siente extra\u00f1o especialmente en relaci\u00f3n con su fantasma. No se siente totalmente extra\u00f1o a partir de su s\u00edntoma, porque hace nacer de \u00e9l una demanda al Otro, y esa demanda nos humaniza. Por el contrario, a nivel del fantasma el sujeto es m\u00e1s susceptible de sentirse inhumano. Est\u00e1 persuadido de que si se tuviera verdaderamente una idea de su fantasma, solo merecer\u00eda el estatuto de desecho\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A &#8211; <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El lugar y el lazo. Tradu\u00e7\u00e3o de Gerardo Arenas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020, p. 115.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLa transgresi\u00f3n del goce y el atravesamiento del fantasma son hom\u00f3logos. La misma conceptualizaci\u00f3n sostiene la noci\u00f3n de que hay que atravesar una barrera para tener acceso al goce y la noci\u00f3n de que en el an\u00e1lisis hay que ir m\u00e1s all\u00e1 del s\u00edntoma para tocar y atravesar el fantasma. Son t\u00e9rminos que se corresponden mutuamente y con la noci\u00f3n de un hasta el final\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A &#8211; <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller:<\/em> El lugar y el lazo. Tradu\u00e7\u00e3o de Gerardo Arenas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020 p. 153.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCuando nos situamos en la perspectiva de lo simb\u00f3lico, es como si el fantasma fuese algo real. Pero como todo el esfuerzo de la \u00faltima ense\u00f1anza de Lacan consiste justamente en desprenderse de esta perspectiva de lo simb\u00f3lico, bien podr\u00eda ser que ese objeto <em>a<\/em> atribuido a lo real no sea m\u00e1s que un semblante, y un semblante que no llega m\u00e1s lejos que el ser. En este punto hay que distinguir seriamente entre el ser y lo real, cuya diferencia vemos transitar por el seminario A\u00fan.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A &#8211; <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller:<\/em> El lugar y el lazo. Tradu\u00e7\u00e3o de Gerardo Arenas. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2020\u00a0 p. 347.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLa expresi\u00f3n &#8220;atravesamiento del fantasma&#8221; retorna la expresi\u00f3n &#8220;atravesamiento del plano de la identificaci\u00f3n&#8221; que ya figura en el seminario Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, y significa finalmente la instituci\u00f3n de una no relaci\u00f3n entre $ y a y el surgimiento de un real.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.-<em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller: <\/em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica (con colaboraci\u00f3n de \u00c9ric Laurent).\u00a0 Traducido por: Nora Gonz\u00e1lez. 1a ed., Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005, p. 461.<\/strong><\/p>\n<p>Despu\u00e9s del atravesamiento del fantasma, surge de la pulsi\u00f3n el s\u00edntoma como algo para manipular o incluso para identificarse o arregl\u00e1rselas con \u00e9l. Por un lado, lo que hay que atravesar y por otro, lo que hay que manipular. Por un lado el velo para levantar y por otro, lo que queda y con lo que hay que arregl\u00e1rselas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.- <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El ultim\u00edsimo Lacan &#8211; texto estabelecido por Silvia Tendlarz e traduzido por\u00a0 St\u00e9phane Verley. Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2014, p.193<\/strong><\/p>\n<p>Entendemos con eso lo que Lacan intenta con la topolog\u00eda. Intenta salir del fantasma geom\u00e9trico. A este intento no le encontr\u00e9 mejor ilustraci\u00f3n que esta frase que suelta al pasar en la \u00faltima clase de <em>El momento de concluir<\/em>: &#8220;No hay nada m\u00e1s dif\u00edcil que imaginar lo real&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.- <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El ultim\u00edsimo Lacan &#8211; texto estabelecido por Silvia Tendlarz e traduzido por\u00a0 St\u00e9phane Verley. Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2014 p.274.<\/strong><\/p>\n<p>La cuarta tesis es la primac\u00eda de lo imaginario. Primero, es la primac\u00eda de lo imaginario de lo simb\u00f3lico, que nos da lo razonable o la geometr\u00eda, es decir, en definitiva, un fantasma que Lacan llama lo simb\u00f3licamente imaginario. Lo imaginario est\u00e1 incluido en lo simb\u00f3lico y hace deslizar muy naturalmente nuestras elucubraciones hacia el fantasma, la poes\u00eda y el delirio.<\/p>\n<p>Lacan opone a este simb\u00f3licamente imaginario -ya lo dije &#8211; el imaginar lo real, es decir, lo que podr\u00edamos traducir, aunque el t\u00e9rmino no est\u00e9 en el seminario, lo realmente imaginario. All\u00ed, lo imaginario est\u00e1 incluido en lo real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.- <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>: El ultim\u00edsimo Lacan &#8211; texto estabelecido por Silvia Tendlarz e traduzido por\u00a0 St\u00e9phane Verley. <\/strong><strong>Buenos Aires : Paid\u00f3s, 2014 p. 275<\/strong><\/p>\n<p>Lacan dice lo siguiente: &#8220;Para que lo imaginario se exfolie, alcanza con reducirlo al fantasma&#8221;. Saben lo que significa exfoliar. Exfoliar una planta es hacer caer sus hojas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Miller, J.-A \u2013 Extimidad &#8211;<em>\u00a0 Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Texto establecido por Graciela Brodsky. Traducci\u00f3n y transcripci\u00f3n: Nora A. Gonzalez. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p. 147:<\/strong><\/p>\n<p>(&#8230;) pero tambi\u00e9n en este camino de atravesam\u00edento, por cuanto surge de la vacilaci\u00f3n, hasta del desvanecimiento de lo simb\u00f3lico, se deja entrever lo real que el fantasma cubr\u00eda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Miller, J.-A \u2013 Extimidad &#8211;<em>\u00a0 Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Texto establecido por Graciela Brodsky. Traducci\u00f3n y transcripci\u00f3n: Nora A. Gonzalez. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p. 260:<\/strong><\/p>\n<p>Ahora debemos distinguir de esta escritura el $ \u25c7 <em>a<\/em> propiamente dicho, donde<em> a<\/em> ya no es la imagen del semejante sino, para utilizar la expresi\u00f3n de Lacan, \u201cap\u00e9ndice del cuerpo&#8221;<\/p>\n<p>De todas maneras, la f\u00f3rmula del fantasma vincula al sujeto como efecto del significante con un elemento que en todos los casos, ya sea la forma total del cuerpo del Otro o un ap\u00e9ndice del cuerpo, le es heterog\u00e9neo porque es imaginario. De aqu\u00ed en m\u00e1s, en toda la ense\u00f1anza de Lacan la problem\u00e1tica del objeto <em>a <\/em>seguir\u00e1 siendo esta: \u00bfc\u00f3mo un t\u00e9rmino que depende del significante puede articularse con un elemento que le es heterog\u00e9neo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.: <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller:<\/em> la experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica. &#8211; texto establecido por Graciela Brodsky e transcrito por Nora A. Gonz\u00e1lez. 1a ed. 4a. reimp., Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p. 255<\/strong><\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) el atravesamiento del fantasma finalmente es una variante del paradigma de la transgresi\u00f3n, es la transgresi\u00f3n montada en el an\u00e1lisis como fin del an\u00e1lisis, y con la invitaci\u00f3n de ir m\u00e1s all\u00e1, en la direcci\u00f3n del vac\u00edo, de la destituci\u00f3n del sujeto, de la ca\u00edda del sujeto supuesto saber y de la asunci\u00f3n del ser de goce.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.: \u00a0La fuga del sentido. <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>.\u00a0 <\/strong><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Silvia Naldini e estabelecimento por Silvia Elena Tendlarz. <\/strong><strong>1a.ed., Buenos Aires Paid\u00f3s, 2012, p 298.<\/strong><\/p>\n<p>La f\u00f3rmula que Lacan propone del fantasma ($ \u25c7 a) estaba hecha para indicar que lo que colma la falta en ser simb\u00f3lica del sujeto es una imagen, algo imaginario. Ese colmar mismo es el fantasma. Evidentemente, Lacan ya hab\u00eda hecho de esta imagen que colma una imagen significante, pero eso contin\u00faa siendo una imagen. Entonces, \u00bfqu\u00e9 es lo que resta como imaginario que no puede ser evacuado de la estructura del sujeto? Si es un resto irreductible, entonces es un real. Por otra parte, esta proposici\u00f3n seg\u00fan la cual lo imaginario es un real la encuentran expl\u00edcitamente en el seminario &#8220;R.S.I.&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MILLER, J.-A.:\u00a0 La fuga del sentido. <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>.\u00a0 <\/strong><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Silvia Naldini e estabelecimento por Silvia Elena Tendlarz. <\/strong><strong>1a.ed., Buenos Aires Paid\u00f3s, 2012, p. 313<\/strong><\/p>\n<p>Por lo tanto, lo que permanece constante en Lacan es esta noci\u00f3n de un sistema con resto. Pero -lo dije la \u00faltima vez al pasar- \u00bfqu\u00e9 es ese resto? En un primer tiempo, Lacan dice, conforme a esta articulaci\u00f3n ternaria, que es un resto imaginario. Es un elemento imaginario que no llega a ser simbolizado y que encontramos en la fijeza del fantasma.<\/p>\n<p>Lacan hace del fantasma una formaci\u00f3n imaginaria. Luego, en la medida en que es un resultado imposible de eliminar, decide llamarlo real, llamar real al resto imposible de eliminar. Sorprende a su auditorio despu\u00e9s de su Seminario 11, en el &#8220;Seminario 13&#8243;, creo, diciendo que el objeto a es real. Sorprende a todo el mundo porque hasta ese momento se empe\u00f1aba en mostrar el car\u00e1cter imaginario del objeto a, y es como si su rasgo de ser imposible de eliminar, de resistir a la operaci\u00f3n significante, descubriera una fase m\u00e1s profunda de su estatuto, su estatuto real.[\/vc_column_text][\/vc_accordion_tab][\/vc_accordion][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;150094&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]EIXO 3: Quando tudo \u00e9 normal, o que se analisa?[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;628004&#8243;]O complexo de \u00c9dipo foi concebido por Freud como fundamento da realidade nas neuroses. Sua tradu\u00e7\u00e3o, por Lacan, em termos de met\u00e1fora paterna, demarcou \u2013 sem excluir a psicopatologia da vida cotidiana \u2013 as fronteiras do que pode ser tomado como normalidade. Concebia-se como normal o que se mantinha nos trilhos da refer\u00eancia ao pai. Por\u00e9m, o decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, experimentado como um acontecimento civilizat\u00f3rio, tem incid\u00eancias diretas sobre a norma ed\u00edpica, diluindo os limites que estabeleciam o que \u00e9 conveniente ser e fazer.<\/p>\n<p>Uma palavra de ordem se insurgiu, j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, e comp\u00f5e, hoje, a ordem do dia: \u00e9 proibido proibir. Vivemos as consequ\u00eancias de que, em nossa civiliza\u00e7\u00e3o, uma interdi\u00e7\u00e3o soa como autoritarismo. Nessa perspectiva, tudo \u00e9 normal, todo modo de satisfa\u00e7\u00e3o deve ser permitido. Trata-se da insist\u00eancia de um normal que parece extrapolar a interdi\u00e7\u00e3o paterna. Um normal para o qual n\u00e3o se localiza um ponto de refer\u00eancia al\u00e9m da pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o. Um normal que n\u00e3o s\u00f3 promete se abrir a toda forma de exist\u00eancia, mas que incita o gozo a se exibir sem limites e sem se deixar afetar pelos equ\u00edvocos do inconsciente. Podemos indagar se esse normal se pauta no que Lacan nos ensinou a escutar na lei do supereu, que paradoxalmente ordena: \u201cGoza!\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 incomum que, hoje, sejamos procurados por neur\u00f3ticos que n\u00e3o trazem nenhum mal-estar enredado \u00e0 trama familiar, que n\u00e3o exp\u00f5em qualquer quest\u00e3o sobre o que fazer com o furo que lhes apresenta o real do sexo ou mesmo que n\u00e3o sabem o que dizer sobre sua demanda de se tratar e sobre o que lhes faz sofrer. Muitas vezes, os encontros peri\u00f3dicos com o analista se comp\u00f5em como narrativas de fatos cotidianos e repetitivos, amostras do que se acessou em ambientes virtuais e uma dedica\u00e7\u00e3o persistente \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es \u00e0s quais os analisantes se sentem normalmente impelidos. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 raro quem vai \u00e0 an\u00e1lise para expor seu sil\u00eancio, para mostrar o que o emudece sem, no entanto, conseguir efetivamente dizer a que veio.<\/p>\n<p>Nessa narra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o comporta lacuna, nesse sil\u00eancio das perturba\u00e7\u00f5es do inconsciente, nessa prolifera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados virtuais de texto ou de imagens, seria a voz do supereu que atua como for\u00e7a motriz? Seria essa \u201c\u2018for\u00e7a demon\u00edaca\u2019\u201d, como ainda diz Lacan no Semin\u00e1rio 25 citado por Miller<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[8]<\/a>, que ainda se imp\u00f5e no campo devastado do Outro e se reduziria, sobretudo hoje, a uma satisfa\u00e7\u00e3o muito mais an\u00f4nima e silenciosa? Afinal, atualmente, testemunhamos, muitas vezes, uma an\u00e1lise se enredar em um dar voltas sem cessar, no qual, mesmo que os analisantes digam n\u00e3o ter o que dizer, algo os impele a mostrar o que os captura. Nessa incita\u00e7\u00e3o a que algo se exiba, estar\u00edamos lidando com a incid\u00eancia do supereu?<\/p>\n<p>Miller extrai do Semin\u00e1rio 25 uma proposta que nos parece bastante oportuna para a cl\u00ednica de nossos tempos: a transfer\u00eancia coloca em jogo um \u201c<em>suposto saber como operar<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[9]<\/a>. Essa opera\u00e7\u00e3o implica um saber fazer com a imagem: onde a palavra se cala, o analista poder\u00e1 apontar com o dedo, mostrar o equ\u00edvoco, o que deforma e faz furos na imagem. Trata-se, ent\u00e3o, de manipular o imagin\u00e1rio que se exibe desprendido da fala.<\/p>\n<p>Nessa opera\u00e7\u00e3o que visa abordar o real a partir da imagem, poder\u00edamos ainda sustentar o sonho como uma via r\u00e9gia? Em seu Semin\u00e1rio 11, Lacan havia isolado, em <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>, um sonho que, segundo ele, distinguia-se de todos os outros relatados ali por Freud. Lacan ressalta deste sonho a voz que levou ao despertar: \u201cPai, n\u00e3o v\u00eas que estou queimando?\u201d. Mas em vez de abordar essa frase apenas como uma constru\u00e7\u00e3o significante, ele nos parece dar-lhe o estatuto de uma imagem que incide sobre o real. Ter\u00edamos a\u00ed uma pista do que, no ultim\u00edssimo Lacan, designa-se como <em>imaginar o real<\/em>? Seria esse um exemplo de um sonho que vale menos pelo que se l\u00ea e mais pelo que se mostra? Como podemos distinguir, nos casos de neuroses, o sonho como via para abordar o real atrav\u00e9s da imagem? E, mais do que isso, o sonho poderia indicar como o analista opera com a manipula\u00e7\u00e3o da imagem?<\/p>\n<p>Essa opera\u00e7\u00e3o sobre a imagem parece convidar-nos n\u00e3o s\u00f3 a uma revis\u00e3o do lugar do analista, mas tamb\u00e9m de seu ato. Nessa perspectiva, o ato anal\u00edtico n\u00e3o seria apenas um corte que incide sobre a articula\u00e7\u00e3o significante, mas um corte que incide sobre a imagem do corpo, que impacta o corpo e o faz experimentar de modo in\u00e9dito a satisfa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o, portanto, que Lacan aspirou elevar a psican\u00e1lise \u00e0 dignidade da cirurgia. O que podemos testemunhar, hoje, da opera\u00e7\u00e3o desse analista-cirurgi\u00e3o, quando tudo parece normal e, ainda assim, os neur\u00f3ticos procuram-nos para fazer uma an\u00e1lise?[\/vc_column_text][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_accordion gutter_simple=&#8221;0&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;190020&#8243; active_tab=&#8221;0&#8243;][vc_accordion_tab gutter_size=&#8221;2&#8243; column_padding=&#8221;2&#8243; title=&#8221;CITA\u00c7\u00d5ES DO EIXO 3&#8243; tab_id=&#8221;1727135739-1-135&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h3&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;621927&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>CITA\u00c7\u00d5ES EIXO 3 \u2013 Freud, Lacan e Miller<\/strong>[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;192249&#8243;]<strong>Cita\u00e7\u00f5es em FREUD: SUPEREU<\/strong><\/p>\n<p>FREUD, S. O ego e o ID. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XIX, 1996, p. 49. (Trabalho original publicado em 1923).<\/p>\n<p>\u201cO superego, contudo, n\u00e3o \u00e9 simplesmente um res\u00edduo das primitivas escolhas objetais do id; ele tamb\u00e9m representa uma forma\u00e7\u00e3o reativa en\u00e9rgica contra essas escolhas. A sua rela\u00e7\u00e3o com o ego n\u00e3o se exaure com o preceito: \u2018Voc\u00ea <em>deveria ser<\/em> assim (como o seu pai)\u2019. Ela tamb\u00e9m compreende a proibi\u00e7\u00e3o: \u2018Voc\u00ea <em>n\u00e3o pode ser<\/em> assim (como o seu pai), isto \u00e9, voc\u00ea n\u00e3o pode fazer tudo o que ele faz; certas coisas s\u00e3o prerrogativas dele.<\/p>\n<p>O superego ret\u00e9m o car\u00e1ter do pai, enquanto que quanto mais poderoso o complexo de \u00c9dipo e mais rapidamente sucumbir \u00e0 repress\u00e3o (sob a influ\u00eancia da autoridade do ensino religioso, da educa\u00e7\u00e3o escolar e da leitura), mais severa ser\u00e1 posteriormente a domina\u00e7\u00e3o do superego sobre o ego, sob a forma de consci\u00eancia (<em>conscience<\/em>) ou, talvez, de um sentimento inconsciente de culpa\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FREUD, S. O problema econ\u00f4mico do masoquismo. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XIX, 1996, os. 208-09. (Trabalho original publicado em 1924).<\/p>\n<p>\u201cO superego reteve caracter\u00edsticas essenciais das pessoas introjetadas \u2014 a sua for\u00e7a, sua severidade, a sua inclina\u00e7\u00e3o a supervisar e punir. Como j\u00e1 disse noutro lugar, \u00e9 facilmente conceb\u00edvel que, gra\u00e7as \u00e0 desfus\u00e3o de instinto que ocorre juntamente com essa introdu\u00e7\u00e3o no ego, a severidade fosse aumentada. O superego \u2014 a consci\u00eancia em a\u00e7\u00e3o no ego \u2014 pode ent\u00e3o tornar-se dura, cruel e inexor\u00e1vel contra o ego que est\u00e1 a seu cargo.\u201d<\/p>\n<p>FREUD, S. Inibi\u00e7\u00f5es, sintomas e ansiedade. In: Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XX, 1996, p. 139. (Trabalho original publicado em 1925).<\/p>\n<p>\u201cPodemos ou simplesmente aceitar como um fato que na neurose obsessiva surge um superego severo dessa esp\u00e9cie, ou considerar a regress\u00e3o da libido como a caracter\u00edstica fundamental da afec\u00e7\u00e3o e tentar relacionar a severidade do superego com isto. E realmente o superego, originando-se do id, n\u00e3o pode dissociar-se da regress\u00e3o e desfus\u00e3o do instinto que ali se verificaram. N\u00e3o podemos surpreender-nos se ele se tornar mais \u00e1spero, mais rude e mais atormentador do que onde o desenvolvimento tem sido normal.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cita\u00e7\u00f5es em Lacan : SUPEREU<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 1: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud. Tradu\u00e7\u00e3o: Betty Milan.\u00a0\u00a0 Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986, p.123. (Trabalho original proferido em 1953-1954).<\/p>\n<p>Serei certamente levado a examinar a quest\u00e3o do supereu. Direi logo que, se n\u00e3o nos limitamos a um uso cego, m\u00edtico, desse termo, a palavra-chave, \u00eddolo, o supereu se situa essencialmente no plano simb\u00f3lico da palavra, \u00e0 diferen\u00e7a do ideal do eu. O supereu \u00e9 um imperativo. Como indicam o bom senso e o uso que se faz dele, \u00e9 coerente com o registro e com a no\u00e7\u00e3o da lei, quer dizer, com o conjunto do sistema da linguagem, na medida em que define a situa\u00e7\u00e3o do homem enquanto tal, quer dizer, enquanto n\u00e3o somente individuo biol\u00f3gico. Por outro lado, \u00e9 preciso acentuar tamb\u00e9m, e ao contr\u00e1rio, o seu car\u00e1ter insensato, cego, de puro imperativo, de simples tirania.<\/p>\n<p>Em que dire\u00e7\u00e3o podemos fazer a s\u00edntese dessas no\u00e7\u00f5es? o supereu tem uma rela\u00e7\u00e3o com a lei, e ao mesmo tempo, \u00e9 uma lei insensata, que chega at\u00e9 a ser o desconhecimento da lei.<\/p>\n<p>E sempre assim que vemos agir o supereu no neur\u00f3tico. N\u00e3o ser\u00e1 porque a moral do neur\u00f3tico \u00e9 uma moral insensata, destrutiva, puramente oprimente, quase sempre ilegal, que foi preciso elaborar na an\u00e1lise a fun\u00e7\u00e3o do supereu? o supereu \u00e9 a um s\u00f3 tempo, a lei e a sua destrui\u00e7\u00e3o. Nisso, ele \u00e9 a palavra mesma, o comando da lei, na medida em que dela n\u00e3o resta mais do que a raiz. A lei se reduz inteiramente a alguma coisa que n\u00e3o se pode nem mesmo exprimir, como o <em>Tu deves, <\/em>que \u00e9 uma palavra privada de todos os: seus sentidos. \u00c9 nesse sentido que o supereu acaba por se identificar aquilo que h\u00e1 somente de mais devastador, de mais fascinante, nas experi\u00eancias primitivas do sujeito. Acaba por se identificar ao que chamo <em>figura feroz, <\/em>as figuras que podemos ligar aos traumatismos primitivos, sejam eles quais forem, que a crian\u00e7a sofreu. \u201c<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 2: O Eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise. Tradu\u00e7\u00e3o: Marie Christine Lasnik Penot.\u00a0 Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.229. (Trabalho original proferido em 1954-1955).<\/p>\n<p>\u201cA tradi\u00e7\u00e3o e a linguagem diversificam a refer\u00eancia do sujeito. Um enunciado discordante, ignorado na lei, um enunciado promovido ao primeiro plano por um evento traum\u00e1tico, que reduz a lei a uma ponta cujo car\u00e1ter e inadmiss\u00edvel, integr\u00e1vel \u2013 eis o que \u00e9 essa inst\u00e2ncia cega, repetitiva, que definimos habitualmente pelo termo supereu.\u201c<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 4<\/em>: A rela\u00e7\u00e3o de objeto. Tradu\u00e7\u00e3o: Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Zahar, 1995, p. 216.\u00a0 (Trabalho original proferido em 1956-57).<\/p>\n<p>Este supereu tir\u00e2nico, fundamentalmente paradoxal e contingente, representa por si s\u00f3, mesmo entre os n\u00e3o neur\u00f3ticos, o significante que marca, imprime, imp\u00f5e o selo no homem de sua rela\u00e7\u00e3o ao significante. H\u00e1 no homem um significante que marca sua rela\u00e7\u00e3o ao significante, e a isso se chama o supereu.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 5<\/em>: As forma\u00e7\u00f5es do Inconsciente. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p. 167. (Trabalho original proferido em 1957-58).<\/p>\n<p>\u201cA ideia da neurose sem \u00c9dipo \u00e9 correlata do conjunto das perguntas formuladas sobre o que se denominou de supereu materno. No momento em que foi levantada a quest\u00e3o da neurose sem \u00c9dipo, Freud j\u00e1 havia formulado que o supereu era de origem paterna. Houve ent\u00e3o quem se interrogasse: ser\u00e1 que o supereu \u00e9 mesmo unicamente de origem paterna? N\u00e3o haver\u00e1 na neurose, por tr\u00e1s do supereu paterno, um supereu materno ainda mais exigente, mais opressivo, mais devastador, mais insistente?\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 6<\/em>: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Claudia Berliner. Rio de Janeiro: Zahar, 2016, p. 415. (Trabalho original proferido em 1958-59).<\/p>\n<p>\u201cComumente, o sujeito produz a voz. Digo mais, a fun\u00e7\u00e3o da voz sempre faz intervir no discurso o peso do sujeito, seu peso real. A voz grossa, por exemplo, a princ\u00edpio entra em jogo na forma\u00e7\u00e3o da inst\u00e2ncia do supereu, onde ela representa a inst\u00e2ncia de um Outro se manifestando como real.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 16: de um Outro ao outro. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2008, p. 250). (Trabalho originalmente proferido em 1968-1969).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 rigorosamente imposs\u00edvel conceber o que se passa com a fun\u00e7\u00e3o do supereu, se n\u00e3o compreendermos &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 tudo, mas \u00e9 um dos m\u00f3veis &#8211; o que acontece com a fun\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em> efetivada pela voz como suporte da articula\u00e7\u00e3o significante, a voz pura, tal como \u00e9 ou n\u00e3o instaurada no lugar do Outro, de uma forma que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 perversa. Um certo masoquismo moral s\u00f3 pode basear-se nesse aguilh\u00e3o da incid\u00eancia da voz do Outro, n\u00e3o no ouvido do sujeito, mas no n\u00edvel do Outro que ele instaura como sendo completado pela voz.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lacan, J. O Semin\u00e1rio, livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2009, p. 166. (Trabalho originalmente proferido em 1971)<\/p>\n<p>\u201cQual \u00e9 a ess\u00eancia do supereu? \u00c9 com isso que poderei terminar, dando-lhes na palma da m\u00e3o alguma coisa que voc\u00eas possam tentar manipular sozinhos. Qual \u00e9 a prescri\u00e7\u00e3o do supereu? Ela se origina precisamente nesse Pai original mais do que m\u00edtico, nesse apelo como tal ao gozo puro, isto \u00e9, \u00e0 n\u00e3o castra\u00e7\u00e3o. Com efeito, que diz esse pai no decl\u00ednio do \u00c9dipo? Ele diz o que o supereu diz. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ainda n\u00e3o o abordei realmente at\u00e9 agora. O que o supereu diz \u00e9: <em>Goza!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p.11.\u00a0 (Trabalho originalmente proferido em 1972-1973)<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 o gozo? Aqui ele se reduz a ser apenas uma inst\u00e2ncia negativa. O gozo \u00e9\u00a0\u00a0\u00a0 aquilo que n\u00e3o serve para nada. A\u00ed eu aponto a reserva que implica o campo do direito-ao-gozo. O direito n\u00e3o \u00e9 o dever. Nada for\u00e7a ningu\u00e9m a gozar, sen\u00e3o o\u00a0 superego. O superego \u00e9 o imperativo do gozo &#8211; <em>Goza!<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed mesmo que se acha o ponto girat\u00f3rio que o discurso anal\u00edtico interroga.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LACAN, J. (1947). O aturdido <em>In: Outros Escritos, p. 469.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Tu me satisfizeste<em>, <\/em>thomenzinh<em>o [petithomme<\/em>]. Compreendeste, e isso \u00e9 o que era preciso. Vai, de aturdito n\u00e3o h\u00e1 tanto que n\u00e3o te volte depois de meio-di(t)a<em> [l&#8217;apres midit]. <\/em>Gra\u00e7as \u00e0 m\u00e3o que te responder\u00e1, por a chamares de Ant\u00edgona, a mesma que pode dilacerar-te, por disso eu esfinja meu<em> n\u00e3otoda, <\/em>saber\u00e1s ao anoitecer igualar-te a Tir\u00e9sias e, como ele, por teres bancado o Outro, adivinhar o que eu te disse.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 essa a super-me<em>u<\/em>tade<em> [surmoiti\u00e9] <\/em>que n\u00e3o se supereu-iza<em> [surmoite] <\/em>t\u00e3o facilmente quanto a consci\u00eancia universal.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cita\u00e7\u00f5es em Miller sobre os termos SUPEREU, TEMPO e CORTE, relacionados ao tema do Eixo 3: \u201cQuando tudo \u00e9 normal, o que se analisa, hoje?\u201d, da XXVII Jornada da EBP-MG.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A<em>. <\/em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques Alain Miller. Texto estabelecido por TENDLARS, S. E. <em>Del sintoma al fantasma. Y retorno. <\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2018, p. 120<\/p>\n<p>\u201cLo peor es que no solo el Otro desea sino que fundamentalmente -c\u00f3mo podr\u00eda ser de otro modo- desea tu desdicha. Est\u00e1 oculto en todas esas bellas historias que se cuentan, y Lacan lo evoca en su texto sobre el fantasma: el Ser supremo en maldad. En este sentido, no se trata precisamente de una pastoral. El atravesamiento del fantasma es el momento en que se percibe este Ser supremo en maldad, que es otro nombre del supery\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques Alain Miller. El Banquete de los analistas. Texto estabelecido por BRODSKY, G. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2000, p. 303-304<\/p>\n<p>\u201c\u00bfC\u00f3mo se estructuran seg\u00fan Freud la v\u00eda de la cultura y la del psicoan\u00e1lisis? La primera, por la \u00e9tica del supery\u00f3 (es, si se quiere, un intento de terap\u00e9utica dentro de la cultura), cuyo principio podemos traducir como &#8216;ceder en su deseo&#8217;, que es lo que se transmite al sujeto para que pueda vivir en la civilizaci\u00f3n. Freud nos muestra que en el fondo esta terap\u00e9utica de ceder en su deseo y, por ejemplo, acomodarse al grupo, esta terap\u00e9utica del malestar, es de hecho el resorte mismo del malestar. Traducimos como &#8216;ceder en su deseo&#8217; lo que Freud llamaba exactamente <em>Triebverzicht<\/em>, que es &#8216;la renuncia al goce de la pulsi\u00f3n&#8217;, que lejos de calmar las exigencias del supery\u00f3, no hace m\u00e1s que reforzarlas. En otras palabras, Freud a\u00edsla una instancia del supery\u00f3 que se ejerce sobre las pulsiones y las lleva a renunciar a sus exigencias de satisfacci\u00f3n, a separarse de un goce de m\u00e1s, suplementario -que Lacan llamaba plus de gozar y que escribimos <em>a<\/em>-, a producirlo en el sentido de &#8216;separarse de&#8217;. Ahora bien, el supery\u00f3 se apropia de inmediato de este goce suplementario, se alimenta de \u00e9l. No hay ning\u00fan obst\u00e1culo: el goce al que se renuncia le sirve al supery\u00f3 para crecer m\u00e1s: del circuito del supery\u00f3 No hay un obst\u00e1culo que le impida a este goce separado volver al supery\u00f3. Se entiende, en efecto, cu\u00e1n fundada es la analog\u00eda que Lacan plante\u00f3 entre este goce excedente y lo que Karl Marx llamaba plusval\u00eda. Recuerden que su principio de an\u00e1lisis de las formaciones sociales era investigar qui\u00e9n se apropia la plusval\u00eda.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. In: El banquete de los analistas, p. 304<\/p>\n<p>\u201c\u00bfC\u00f3mo se traduce cl\u00ednicamente, aunque no es mi objeto central hoy, este circuito del supery\u00f3? \u00bfC\u00f3mo se traduce la apropiaci\u00f3n de este goce suplementario por el supery\u00f3? Se lo puede traducir por la f\u00f3rmula que calca casi enteramente las f\u00f3rmulas freudianas de \u00abInhibici\u00f3n, s\u00edntoma y angustia\u201d: gozar de la renuncia al goce. Esta f\u00f3rmula resulta muy valiosa en el an\u00e1lisis del s\u00edntoma, considerado en primera instancia como la encamaci\u00f3n de una renuncia al goce (piensen, por ejemplo, en el s\u00edntoma de inhibici\u00f3n, con el que Freud empieza su libro). Luego, descubrimos el goce que conlleva el s\u00edntoma que parece encamar la renuncia al goce.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Silet. Os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan. Tradu\u00e7\u00e3o: Lima, C.R. Texto estabelecido por HARARI, A.; SANTIAGO,J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p. 108.<\/p>\n<p>\u201cQuanto ao <strong>supereu,<\/strong> repete-se sempre a frase &#8220;figura obscena e<br \/>\nferoz&#8221;, que parece totalmente adequada \u00e0 descri\u00e7\u00e3o freudiana. Aqui, o termo importante, por\u00e9m, \u00e9 &#8220;figura&#8221;, que o faz pertencer ao registro do imagin\u00e1rio. E<br \/>\nLacan relaciona o aparecimento dessa figura, que \u00e9 a verdadeira significa\u00e7\u00e3o do<br \/>\nsupereu, ao fato de haver, na cadeia simb\u00f3lica, um elo rompido: uma falha do simb\u00f3lico. Eis a mola. E nesse intervalo aparece, vinda do imagin\u00e1rio, a figura obscena e feroz.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Silet. Os paradaoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan. Tradu\u00e7\u00e3o: Lima, C.R. Texto estabelecido por HARARI, A.; SANTIAGO,J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p. 16<\/p>\n<p>\u201cA escans\u00e3o temporal: &#8220;\u00c9 o bastante, volte na pr\u00f3xima vez&#8221;, \u00e9, no fundo, o pr\u00f3prio <strong>corte <\/strong>da interpreta\u00e7\u00e3o, no sentido de Lacan.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Sutilezas anal\u00edticas. Los curos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. Texto establecido por TENDLARZ, S. Buenos Aires: Paid\u00f3s, p.40.<\/p>\n<p>\u201cEl acto anal\u00edtico es como tal un <strong>corte,<\/strong> es practicar un corte en el discurso, es<br \/>\namputado de cualquier censura, al menos virtualmente.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Sutilezas anal\u00edticas. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. Texto establecido por TENDLARZ, S. Buenos Aires: Paid\u00f3s, p.263<\/p>\n<p>\u201cLa palabra <strong>corte<\/strong> -que Lacan val\u00eddar\u00e1 tambi\u00e9n para la topolog\u00eda,<br \/>\ndonde los cortes con tijeras tienen efectos de transformaci\u00f3n sobre la<br \/>\nestructura de los objetos matem\u00e1ticos- no deja de ser completamente<br \/>\nequ\u00edvoca. Y es que el corte propiamente ling\u00fc\u00edstico introduce lo negativo, el menos, mientras que los cortes que podemos querer designar<br \/>\na nivel libidinal no anulan la positividad de conjunto. Por lo tanto, el<br \/>\nt\u00e9rmino corte es \u2026 un amboceptor.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>MILLER, J.A. Todo el mundo es loco. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. Texto estabelecido por Silvia Elena Tendlarz. 1\u00aa Ed. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015, p. 216.<\/p>\n<p>\u201cMe parecen que si la estructura adecuada al psicoan\u00e1lisis l\u00edquido es el nudo, como lo indicaba Lacan, entonces hay que relativizar, o incluso desechar, el<br \/>\ndesciframiento y preferir <strong>el corte<\/strong> del redondel de cuerda, ya que, si<br \/>\nel psicoan\u00e1lisis nodal de Lacan pone en escena la acci\u00f3n de tirar para<br \/>\nmostrar sus aspectos, implica tambi\u00e9n otra acci\u00f3n, que evoqu\u00e9 el a\u00f1o<br \/>\npasado, una acci\u00f3n quir\u00fargica<strong>: cortar<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Lacan elucidado: Palestras no Brasil.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p.54.<\/p>\n<p>\u201cA identi\u00adficac\u0327a\u0303o narci\u0301sica deixa o sujeito em uma beatitude sem medida, mais oferecido que nunca a essa figura obscena e feroz que o analista chama o supereu, e que e\u0301 preciso compreender como a falha aberta no imagina\u0301rio por qualquer rejeic\u0327a\u0303o (Verweifung) dos mandamentos da palavra&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Lacan Elucidado: Palestras no Brasil.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p.118.<\/p>\n<p>\u201cNa sequ\u0308e\u0302ncia do complexo de E\u0301dipo, ha\u0301 certa normalizac\u0327a\u0303o do desejo e imagina-se ser essa a func\u0327a\u0303o do supereu; Freud, entretanto, da\u0301-lhe um outro valor relacionando-o com a pulsa\u0303o, na\u0303o unicamente para lhe opor barreiras a\u0300s exige\u0302ncias, mas a cada renu\u0301ncia a\u0300 satisfac\u0327a\u0303o pulsional, e\u0301 reforc\u0327ada a severidade do supereu, que e\u0301 guloso. Ele diz isso em O mal-estar da civilizac\u0327a\u0303o. E\u0301 um paradoxo a frase de Freud. Se o supereu e\u0301 a interdic\u0327a\u0303o do gozo, o aparente paradoxo de Lacan, que consiste em dizer que o supereu impo\u0303e o gozo, elimina o paradoxo de Freud. O supereu vai contra o desejo, mas porque o desejo vai contra o gozo, sendo uma defesa contra este u\u0301ltimo. O gozo na\u0303o e\u0301 deseja\u0301vel. E\u0301 uma das verdades acumuladas da experie\u0302ncia anali\u0301tica, desconhecidas por\u00adque as escondemos colocando-as no bau\u0301\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER. J.A. Perspectivas dos Escritos e Outros escritos de Lacan. Entre Desejo e Gozo. Tradu\u00e7\u00e3o: RIBEIRO, V.A. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p.34.<\/p>\n<p>\u201cO ato anali\u0301tico, como sabemos, e\u0301 distinto de qualquer ac\u0327a\u0303o, na\u0303o consiste em um fazer. O ato anali\u0301tico consiste em autorizar o fazer do sujeito. E\u0301, como tal, um corte, e\u0301 praticar um corte no discurso, e\u0301 amputa\u0301-lo de qualquer cen\u00adsura, pelo menos virtualmente. O ato anali\u0301tico e\u0301 liberar a associac\u0327a\u0303o, isto e\u0301, a palavra, libera\u0301-la do que a limita, para que ela se desenvolva numa rota livre\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.A. Perspectivas do semin\u00e1rio 5 de Lacan. As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. Tradu\u00e7\u00e3o: FUENTES, M.J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999, p.94.<\/p>\n<p>\u201cO supereu indevidamente chamado feminino, quando na teoria aparece como materno, e\u0301 uma refere\u0302ncia a\u0300 obra de Melanie Klein; um supereu muito mais arcaico que o supereu po\u0301s-edipiano freudiano, o do decli\u0301nio do complexo de E\u0301dipo. Melanie Klein, ao contra\u0301rio, mostra que na primeira inf\u00e2ncia ha\u0301 um supereu feroz ja\u0301 constitui\u0301do a partir da ma\u0303e, que Lacan reproduz em seu grafo, vinculando o supereu ao Outro primordial da demanda. No estado final do grafo, depois desse Semi\u00adna\u0301rio, colocara\u0301 o supereu nesse pequeno setor terminal, mais ale\u0301m do Outro. Na p\u00e1gina 512 pode-se ler:<\/p>\n<p><em>Na observac\u0327a\u0303o &#8230; diz-se, na\u0303o muito bem por que, &#8220;supereu femi\u00adnino &#8220;, embora ele seja comumente considerado o supereu materno em todos os outros textos do mesmo registro &#8211; anomalia imputa\u0301vel, sem du\u0301vida, ao tema da inveja do pe\u0302nis que concerne a\u0300 mulher como tal. O supereu materno, arcaico, aquele a que esta\u0303o ligados os efeitos do supereu primordial de que fala Melanie Klein, esta\u0301 ligado ao Outro prima\u0301rio como suporte das primeiras demandas, das demandas emergentes &#8211; eu quase diria inocentes &#8211; do sujeito, no ni\u0301vel das primeiras articulac\u0327o\u0303es balbuciantes de sua necessidade, e daquelas primeiras frustrac\u0327o\u0303es &#8230;<br \/>\n<\/em>Trata-se de um ni\u0301vel em que a demanda do Outro esta\u0301 separada da demanda ainda sem a complexidade dada pelo desejo &#8211; uma localizac\u0327a\u0303o do supereu que, em Lacan, permanecera\u0301 constante antes que ele desen\u00advolva de modo mais sofisticado a conexa\u0303o entre o supereu e o gozo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.-A. \u2013 <em>Introducci\u00f3n a la cl\u00ednica lacaniana \u2013 conferencias en Espa\u00f1a<\/em>, Barcelona: ed. Gredos, 2006. Ed. digital: RBA Libros, S.A., 2018, <a href=\"http:\/\/www.rbalibros.com\">www.rbalibros.com<\/a><strong> ,<\/strong> p.395-396.<\/p>\n<p>\u201cEl secreto de la imagen, el secreto del campo visual, es la castraci\u00f3n\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MILLER, J.-A.: <em>Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. La fuga del sentido &#8211; tradu\u00e7\u00e3o fe Silvia Naldimi e estabelecimento por Silvia Elena Tendlarz. 1a.ed., Buenos Aires Paid\u00f3s, 2012, p.368-369.<\/p>\n<p>\u201cEl final del cap\u00edtulo IV de &#8220;El chiste &#8230; &#8221; es verdaderamente un combate, tal como Freud lo presenta, entre el Witz pulsional y el supery\u00f3. Freud se plantea la pregunta: \u00bfC\u00f3mo, por qu\u00e9 medio, por qu\u00e9 m\u00e9todo, por qu\u00e9 sesgo, el Witz pulsional prevalece sobre el supery\u00f3? Yo digo supery\u00f3. Freud dice inhibici\u00f3n interior, represi\u00f3n. Me he permitido llamarlo supery\u00f3. Digamos que es el supery\u00f3 en su funci\u00f3n de inhibici\u00f3n\u201d.[\/vc_column_text][\/vc_accordion_tab][\/vc_accordion][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h4&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;920133&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Refer\u00eancias[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;170213&#8243;]FREUD, S. <em>O infamiliar [Das Unheimliche]<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2019. (Texto original de 1919).<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.<\/p>\n<p>MILLER, J-A. <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014.[\/vc_column_text][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h4&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;949320&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Notas[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;111392&#8243;]<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">*<\/a> Al\u00e9m de elabora\u00e7\u00f5es pessoais, a reda\u00e7\u00e3o destes Eixos foi realizada a partir de discuss\u00f5es peri\u00f3dicas com Maria Jos\u00e9 Gontijo, tamb\u00e9m coordenadora da 27\u00aa Jornada da EBP-MG, e contou com a revis\u00e3o de S\u00e9rgio Laia, diretor da EBP-MG. Esta produ\u00e7\u00e3o p\u00f4de se valer, tamb\u00e9m, de conversas realizadas com colegas que comp\u00f5em os tr\u00eas Cart\u00e9is que se dedicam a investigar os Eixos rumo \u00e0 Jornada, especialmente com Ana Lydia Santiago (Eixo 1), Lilany Pacheco (Eixo 2) e de minha participa\u00e7\u00e3o no Cartel do Eixo 3, composto tamb\u00e9m por Simone Souto (Mais-Um), Cristiana Pittella, Elisa Alvarenga, Fernando Casula, Maria Wilma Faria e Rodrigo Almeida.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> MILLER, J-A. <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 256. Segundo Miller, essa frase de Lacan se encontra na \u00faltima li\u00e7\u00e3o de \u201c<em>O momento de concluir<\/em>\u201d, Semin\u00e1rio ainda in\u00e9dito, proferido por Lacan em 1977-1978.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 258.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> <em>Idem<\/em> , p. 247-259.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[5]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 184.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[6]<\/a> FREUD, S. <em>O infamiliar [Das Unheimliche]<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2019. (Texto original de 1919).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[7]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 275-276.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[8]<\/a> MILLER, J-A. <em>Idem<\/em>. p. 212.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[9]<\/a> <em>Idem<\/em>, p. 273.[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;151449&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;493540&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]CITA\u00c7\u00d5ES[\/vc_custom_heading][vc_separator sep_color=&#8221;accent&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;146360&#8243; sep_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; el_height=&#8221;1px&#8221;][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_button button_color=&#8221;accent&#8221; radius=&#8221;btn-circle&#8221; border_width=&#8221;0&#8243; display=&#8221;inline&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F05%2FArgumento-%E2%80%93-Jornada-EBP-MG-2024-1.pdf|target:_blank&#8221; button_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;155400&#8243;]ARGUMENTO.pdf[\/vc_button][vc_button button_color=&#8221;accent&#8221; radius=&#8221;btn-circle&#8221; border_width=&#8221;0&#8243; display=&#8221;inline&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F05%2FEixos-%E2%80%93-Jornada-EBP-MG-2024.pdf|target:_blank&#8221; button_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;928982&#8243;]EIXOS.pdf[\/vc_button][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bernardo Micherif<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argumento"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=401"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":814,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/401\/revisions\/814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}