{"id":415,"date":"2024-05-23T14:54:22","date_gmt":"2024-05-23T14:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/?p=415"},"modified":"2024-07-08T17:48:08","modified_gmt":"2024-07-08T17:48:08","slug":"o-imaginario-na-clinica-do-sinthoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/o-imaginario-na-clinica-do-sinthoma\/","title":{"rendered":"O Imagin\u00e1rio na cl\u00ednica do sinthoma"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;yes&#8221; text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h1&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;615983&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;149193&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;116332&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;567038&#8243;]O imagin\u00e1rio no Semin\u00e1rio 23, <em>O sinthoma<\/em>, \u00e9 definido como uma das tr\u00eas consist\u00eancias do n\u00f3 borromeano, e n\u00e3o apenas como imagina\u00e7\u00e3o, tampouco como o gosto pelas imagens e muito menos por sua redu\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem especular. Ainda que todas essas vers\u00f5es possam estar presentes na apreens\u00e3o lacaniana do <em>sinthoma <\/em>em James Joyce, chama a aten\u00e7\u00e3o que, ao defini-lo como tendo uma consist\u00eancia pr\u00f3pria, o imagin\u00e1rio seja reduzido ao corpo. A respeito desta equival\u00eancia entre o corpo e o imagin\u00e1rio, Lacan afirma, nos Estados Unidos, que, \u201cdo corpo, a experi\u00eancia da an\u00e1lise apreende o que nele h\u00e1 de mais imagin\u00e1rio\u201d, ou seja, que \u201cum corpo se reproduz por uma forma\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Completa ainda: \u201cn\u00f3s o apreendemos sempre como uma forma\u201d, e como vamos ver mais adiante, essa \u201cforma se manifesta no fato de que este corpo se reproduz, subsiste e funciona sozinho\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que, ao longo de seu ensino, o corpo \u00e9 tratado via fun\u00e7\u00e3o da imagem que, apesar de suas varia\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es, aparece sempre como uma forma ou modelo integrado ao corpo. <strong>[VER: Fig.1]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IMAGIN\u00c1RIO <img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-455\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/seta-jesus-1.png\" alt=\"\" width=\"46\" height=\"12\" \/>CORPO ENQUANTO FORMA<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Isso se confirma com o <em>Est\u00e1dio do Espelho, <\/em>em que a imagem especular se constitui como a forma do corpo pr\u00f3prio, imagem concebida como o primeiro objeto de investimento libidinal e, portanto, como campo apto a produzir uma identifica\u00e7\u00e3o, tornando poss\u00edvel ao <em>infans <\/em>obter, pela primeira vez, um reconhecimento de si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A fun\u00e7\u00e3o inercial da imagem especular<\/strong><\/p>\n<p>Evidentemente que n\u00e3o se trata da \u00faltima identifica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, resulta dela o chamado <em>gozo jubilit\u00e1rio, <\/em>ou seja, o gozo que se faz com sua imagem do corpo e que nele cont\u00e9m um embri\u00e3o de seu Eu (moi). Essa ancoragem do Eu (moi) na imagem do corpo tem sua fonte na pressuposi\u00e7\u00e3o de que a libido assume um valor imagin\u00e1rio, pois o gozo enquanto j\u00fabilo com a imagem do corpo n\u00e3o procede diretamente do simb\u00f3lico. Em suma, o gozo jubilat\u00f3rio n\u00e3o prov\u00e9m do sujeito propriamente dito, est\u00e1 relacionado com a experi\u00eancia do <em>se ver <\/em>e \u00e9 dela que emerge o Eu (moi) como inst\u00e2ncia narc\u00edsica e imagin\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SE VER (CORPO)<\/strong>\u2630<strong>\u00a0EU (INST\u00c2NCIA IMAGIN\u00c1RIA)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia do <em>se ver <\/em>\u00e9 tamb\u00e9m aquela que preside a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria ao Outro no seio da qual predomina a rivalidade, a agressividade e o \u00f3dio. Ao permanecer fixado nesse gozo intra-imagin\u00e1rio <em>\u2013 gozo do j\u00fabilo \u2013<\/em> por meio do qual o sujeito apenas v\u00ea no Outro seu duplo imagin\u00e1rio, seu alter ego, seu rival, isso conduz a<\/p>\n<p>um desconhecimento do ser, da falta-a-ser e do desejo. Se o <em>Est\u00e1dio do Espelho<\/em> \u00e9 qualificado como uma<em> identifica\u00e7\u00e3o,<\/em> no sentido pleno que a psican\u00e1lise confere a esse termo, \u00e9 a for\u00e7a da assun\u00e7\u00e3o jubilit\u00f3ria da imagem do corpo que promove essa primeira metamorfose no <em>ser <\/em>de gozo da crian\u00e7a<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Ao reconhecer que a imagem especular desempenha um papel fundamental nessa transforma\u00e7\u00e3o do <em>ser <\/em>do <em>infans<\/em>, deve-se levar em conta que a fun\u00e7\u00e3o da imagem j\u00e1 \u00e9 concebida, nesse in\u00edcio de seu ensino, segundo sua falta de autonomia e, por consequ\u00eancia, sua depend\u00eancia ao que o pr\u00f3prio Lacan designa como a \u201cmatriz simb\u00f3lica\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Algum depois do Est\u00e1dio do Espelho, essa depend\u00eancia do imagin\u00e1rio ao simb\u00f3lico se aprofunda e torna-se, no interior de seu ensino, mais presente e sistem\u00e1tica. Isso quer dizer que n\u00e3o se capta a import\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o inercial e estagnante pr\u00f3pria das fixa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, sem considerar o quanto as tais manifesta\u00e7\u00f5es se v\u00eaem submetidas \u00e0s determina\u00e7\u00f5es do simb\u00f3lico. Enquanto reduzido \u00e0 imagem especular, o imagin\u00e1rio assume, em boa parte do ensino de Lacan, o valor de uma resist\u00eancia desfavor\u00e1vel ao avan\u00e7o da experi\u00eancia da an\u00e1lise. Com a cl\u00ednica do <em>sinthoma<\/em>, ter-se-\u00e1 um outro uso do imagin\u00e1rio, que se destaca, por exemplo, na <em>Conversa\u00e7\u00e3o, Parlamento de Montpelier<\/em>, pois este evento \u00e9 uma prova a mais do quanto o \u00faltimo ensino de Lacan devolve toda a dignidade cl\u00ednica ao imagin\u00e1rio. Tal dignidade adquire seu \u00e1pice com a perspectiva tardia do enodamento borromeano de RSI, visto que, a partir da\u00ed, o chamado <em>novo imagin\u00e1rio <\/em>passa a ser um fator que favorece a experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O corpo nos \u00e9 estranho&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00f3 borromeano, com seus tr\u00eas aros de barbantes, homogeniza os tr\u00eas registros e desfaz qualquer tipo de hierarquia entre eles que, antes de tudo, se expressa pela derrocada do imp\u00e9rio das determina\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, al\u00e7ando assim, no horizonte da pr\u00e1tica lacaniana, a fecundidade cl\u00ednica da consist\u00eancia dos tr\u00eas registros RSI. Considera-se, com isso, que \u201ca ess\u00eancia do n\u00f3 borromeano\u201d \u00e9 essa homogeneiza\u00e7\u00e3o que traz tamb\u00e9m como consequ\u00eancia uma hi\u00e2ncia entre esses tr\u00eas registros, uma vez que se apresentam como radicalmente separados e dotados de uma autonomia pr\u00f3pria<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Se faz necess\u00e1rio insistir, portanto, que afirmar o car\u00e1ter homog\u00eaneo das tr\u00eas consist\u00eancias borromeanas implica admitir uma hi\u00e2ncia, uma separa\u00e7\u00e3o fundamental entre elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-464 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus-300x117.jpg\" alt=\"\" width=\"423\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus-300x117.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus-1024x400.jpg 1024w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus-768x300.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus-350x137.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/circulos-jesus.jpg 1388w\" sizes=\"(max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias da ado\u00e7\u00e3o da perspectiva borromeana, em que prevalece a consist\u00eancia de RSI como horizonte da cl\u00ednica lacaniana, \u00e9 a subvers\u00e3o do imagin\u00e1rio, antes reduzido \u00e0 imagem especular, e agora passa a ter como marco essencial sua equival\u00eancia com o corpo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Antes mesmo dessa muta\u00e7\u00e3o de paradigma pr\u00f3pria da perspectiva borromeana, e ainda no bojo do enfoque in\u00e9dito da ang\u00fastia, nos anos 60, o corpo que se recebe e que se carrega consigo \u00e9 problematizado por interm\u00e9dio do <em>Unheimlich <\/em>\u2013 <em>infamiliar <\/em>\u2013 fen\u00f4meno concebido para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o da imagem especular. Como atesta a experi\u00eancia da ang\u00fastia, a recep\u00e7\u00e3o do corpo pelo sujeito excede ao que se institui como imagem produzida pelo espelho, uma vez que a imagem do corpo que se <em>acredita ser <\/em>se faz por meio de uma pertuba\u00e7\u00e3o da imagem que, no caso do <em>infamiliar<\/em>, se verifica de modo flagrante. Cabe inclusive perguntar se sob o ponto de vista dessa perturba\u00e7\u00e3o da imagem do corpo, com toda a conota\u00e7\u00e3o de perplexidade que a envolve, o evento corporal da inquientante estranheza pode ser considerado como um fen\u00f4mento elementar?<\/p>\n<p>No entanto, a tese de que a imagem integra o corpo sofre uma mudan\u00e7a substancial com a teoria dos n\u00f3s borromeanos, pois o seu ponto de partida \u00e9, como se disse antes, tomar o corpo como uma consist\u00eancia que funciona sozinha e sem a menor informa\u00e7\u00e3o desse funcionamento para o pr\u00f3prio sujeito da linguagem. Tudo o que Lacan formula sobre o corpo a partir da <em>cl\u00ednica do sinthoma<\/em> busca constitu\u00ed-lo como consist\u00eancia isolada e separada dos dois outros registros: Simb\u00f3lico e Real. Diante disso, sua argumenta\u00e7\u00e3o gravita em torno da formula\u00e7\u00e3o freudiana de que o inconsciente apoia-se precisamente na nossa ignor\u00e2ncia quanto ao que se passa em nosso corpo e, portanto, o corpo nos \u00e9 estranho<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O homem tem o corpo, n\u00e3o o \u00e9&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Tanto \u00e9 que quando Lacan redige sua Confer\u00eancia <em>\u201cJoyce, o sintoma\u201d, <\/em>a estranheza \u00e9 o acento que se ret\u00e9m quando afirma que o homem <em>tem<\/em> um corpo que ele <em>n\u00e3o o \u00e9 &#8230;<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><em>. <\/em>\u00c9 n\u00edtido que tal formula\u00e7\u00e3o do corpo aponta para uma disjun\u00e7\u00e3o entre o corpo e o ser. Essa disjun\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental porque, segundo Miller, a concep\u00e7\u00e3o do corpo que a antecede, aquela que se faz presente no Semin\u00e1rio 20, <em>Mais ainda,<\/em> \u00e9 de que \u201co <em>ser \u00e9 <\/em>um<em> corpo,<\/em> que o corpo \u00e9 a primeira abordagem do ser\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Isso se exemplifica pela demonstra\u00e7\u00e3o de que o corpo do monge \u00e9 o h\u00e1bito, ou seja: o h\u00e1bito \u00e9 mais do que um inv\u00f3lucro, o h\u00e1bito constitui-se no pr\u00f3prio \u00edndice de que o corpo do monge se confunde com o seu pr\u00f3prio modo de gozo. O h\u00e1bito \u00e9 a \u201cforma separada de todo formalismo\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, na medida em que o h\u00e1bito \u00e9 homog\u00eaneo, ao objeto causa de desejo do monge.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio disso, se a perspectiva borromeana introduz o <em>ter,<\/em> o faz para desunir o <em>ser <\/em>e o corpo, de tal maneira que essa doutrina desfaz o que Lacan chamava de sua hip\u00f3tese de que o corpo afetado pelo inconsciente estruturado como linguagem equivale ao mist\u00e9rio do <em>corpo falante<\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><em>.<\/em> A perspectiva borromeana desune o corpo e o simb\u00f3lico, de modo tal que essa disjun\u00e7\u00e3o torna-se o grande problema da <em>cl\u00ednica do sinthoma<\/em> e n\u00e3o apenas um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-458 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus-300x74.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"97\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus-300x74.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus-1024x252.jpg 1024w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus-768x189.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus-350x86.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img0-jesus.jpg 1496w\" sizes=\"(max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com efeito, a nomea\u00e7\u00e3o do <em>falasser <\/em>(parl\u00eatre) como um substituto do sujeito do inconsciente est\u00e1 para al\u00e9m do mist\u00e9rio do corpo falante. O <em>falasser <\/em>nada tem a ver com o \u201cc\u00e2ntico aristot\u00e9lico\u201d sobre o ser que se apresenta dependente do corpo<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. O falasser (parl\u00eatre) n\u00e3o depende de um corpo, n\u00e3o recebe o seu <em>ser <\/em>do corpo que ele seria, ele o recebe da palavra, isto \u00e9, do simb\u00f3lico. O <em>falasser<\/em> tem um corpo, n\u00e3o o \u00e9, por isso, pode deix\u00e1-lo cair, como veremos mais adiante no epis\u00f3dio da surra relatado por Joyce em \u201cO retrato de um artista quando jovem\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da cadeia significante \u00e0 cadeia borromeana<\/strong><\/p>\n<p>Assim, para o <em>falasser, <\/em>uma vez que o simb\u00f3lico, segundo a perspectiva borromeana, se apresenta como separado do real e do imagin\u00e1rio, ele deixa de ser uma inst\u00e2ncia, ou seja, uma ordem estruturada pelo significante. Antes disto, ao definir o simb\u00f3lico enquanto ordem ou estrutura \u00e9, no fundo, dizer que a tend\u00eancia do significante \u00e9 fazer cadeia. Isso se deduz da pr\u00f3pria doutrina estruturalista de que o significante apenas existe ao se associar a outro significante e, assim, concebe-se o significante por sua condi\u00e7\u00e3o de produzir cadeia. Se de um lado, a inven\u00e7\u00e3o do n\u00f3 borromeano j\u00e1 denota um eclipse do simb\u00f3lico, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da palavra, de outro, sua implica\u00e7\u00e3o maior \u00e9 por em quest\u00e3o o princ\u00edpio de que todo significante faz cadeia com outro significante.<\/p>\n<p>A imagem do enodamento borromeano fascina e cativa porque, com desvanecimento do simb\u00f3lico, emerge a ideia de uma nova ordem cuja caracter\u00edstica marcante \u00e9 a de um <em>espa\u00e7o conectivo <\/em>composto por pelo menos tr\u00eas aros ou rodas de barbantes concebidas como pe\u00e7as avulsas. O pressuposto motivador da <em>cl\u00ednica do sinthoma <\/em>\u00e9 colocar em suspens\u00e3o a ideia de que um significante faz cadeia com outro significante no intuito de postular o princ\u00edpio de que os tr\u00eas aros ou rodas de barbante RSI s\u00e3o consist\u00eancias tomadas como pe\u00e7as soltas e avulsas.<\/p>\n<p>O que enfim surpreende o pr\u00f3prio Lacan \u00e9 que ele vai tomar \u201co n\u00f3 como o que suporta cada consist\u00eancia e que, por isso, n\u00e3o se pode jamais deduzir esse n\u00f3 de uma cadeia\u201d do tipo cadeia simb\u00f3lica<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Com o enodamento borromeano, prop\u00f5e-se uma outra modalidade de cadeia \u2013 cadeia borromeana \u2013, que exige uma outra linguagem, a saber: a da amarra\u00e7\u00e3o e a do encontro entre, pelo menos, tr\u00eas rodas de barbante e tr\u00eas furos. Sem entrar em maiores aprofundamentos, \u00e9 suficiente dizer que, sem os furos, n\u00e3o seria pens\u00e1vel que algo pudesse enodar as rodas de barbante. Logo, nesse espa\u00e7o conectivo a tr\u00eas, em que as consist\u00eancias se enla\u00e7am e se enodam, n\u00e3o existe nenhuma chance de constitu\u00edrem uma cadeia simb\u00f3lica nos moldes da articula\u00e7\u00e3o S1-S2.<\/p>\n<p>Em vez de fazer cadeia no simb\u00f3lico, o significante enquanto unidade da consist\u00eancia pr\u00f3pria do simb\u00f3lico passa, nese caso, a fazer n\u00f3. Por isso Lacan inventa o termo de <em>cadein\u00f3 [cha\u00eenoued], <\/em>porque, no \u00e2mbito da cadeia borromeana, o significante deixa de ser o fonema, como era no caso da lingu\u00edstica, e, como n\u00f3, ele produz furo. Ao passar da cadeia significante para a cadeia borromeana, o <em>furo<\/em> passa a ser inerente ao simb\u00f3lico, assim como, a <em>consist\u00eancia corporal <\/em>torna-se o imagin\u00e1rio e a <em>ex-sist\u00eancia <\/em>pr\u00f3pria do real \u00e9 o que se acrescenta \u00e0s duas outras consist\u00eancias. Enquanto <em>ex-sist\u00eancia,<\/em> o real como terceira roda de barbante \u00e9 o que mant\u00e9m unidos o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico. Assim, a postula\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o de conectividade das tr\u00eas consist\u00eancias, concebidas como independentes umas das outras, \u00e9 vista como a refer\u00eancia basal da pr\u00e1tica lacaniana em que prevalece a orienta\u00e7\u00e3o de ir mais longe do que a decifra\u00e7\u00e3o do inconsciente. Salienta-se, ainda, que ao dar a m\u00e3o a Joyce, a pr\u00e1tica lacaniana d\u00e1 um lugar primordial \u00e0 consist\u00eancia do corpo, portanto, ao imagin\u00e1rio como pe\u00e7a avulsa em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o interpretativa por meio do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A consist\u00eancia do imagin\u00e1rio enquanto corpo \u00e9 pe\u00e7a avulsa<\/strong><\/p>\n<p>A \u00eanfase que Miller concede ao termo <em>pe\u00e7a avulsa<\/em> \u00e9 para tornar evidente o que \u00e9 uma consist\u00eancia como \u201co que mant\u00e9m junto\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. O corpo \u00e9 o que melhor explicita o que \u00e9 a consist\u00eancia pr\u00f3pria do imagin\u00e1rio, pois \u201cn\u00f3s o sentimos como pele retendo em seu saco um monte de \u00f3rg\u00e3os<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>\u201d. \u00c9 somente pelo corpo concebido como um \u201cmonte de pe\u00e7as avulsas\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> e pelo seu funcionamento aut\u00f4nomo que se pode ter acesso, em Joyce, tanto \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre o sintoma e o inconsciente, bem como o <em>deixar cair <\/em>[l\u00e2chage] do corpo. N\u00e3o cansamos de repetir a express\u00e3o segundo a qual Joyce est\u00e1 \u201cdesabonado do inconsciente\u201d para buscar dar conta dessa separa\u00e7\u00e3o entre o inconsciente e o sintoma. \u00c9 preciso entender as raz\u00f5es que levam o <em>sinthoma<\/em> a se apresentar, nesse caso, como solto e depreendido do inconsciente. Joyce nos d\u00e1 a chave para captar essas raz\u00f5es na medida que sua pr\u00f3pria obra evidencia o que vem a ser o n\u00facleo do real do sintoma. \u00c9 na medida que seu trabalho com a escrita encarna a opera\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de redu\u00e7\u00e3o do sentido que, tem como fonte o inconsciente, a ponto de faz\u00ea-lo com que n\u00e3o tenha mais sede<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Desse modo, estar desabonado do inconsciente \u00e9 tornar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria mera futilidade e, finalmente, \u00e9 por essa via que se pode extrair e isolar o n\u00facleo real do sintoma.<\/p>\n<p>O sintoma em Joyce \u00e9 \u2013 diz Lacan \u2013 \u201cum sintoma que n\u00e3o lhes concerne em nada (&#8230;) na medida que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma chance de que se assemelhe a algo do inconsciente de voc\u00eas\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Notadamente no caso do sintoma neur\u00f3tico, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o recorrer ao sentido para tratar e dar um destino ao seu imposs\u00edvel de suportar que se mostra articulado \u00e0s defesas provenientes do inconsciente. Nesse caso, interpretar o inconsciente, faz\u00ea-lo existir, sup\u00f5e levar em conta aquilo que resiste no sintoma, a saber, uma verdade, um significado \u00e0 espera de ser promovido e liberado. Por outro lado, o sintoma com o qual lidamos na pr\u00e1tica lacaniana, nos dias de hoje, se apresenta radicalmente separado do s\u00edmbolo, um sintoma que n\u00e3o se cristaliza em um saber suscet\u00edvel de ser lido e por isso destitu\u00eddo de algum endere\u00e7amento ao psicanalista. Estar desabonado do inconsciente quer dizer que o sintoma concerne o corpo que funciona sozinho, um corpo que se apresenta numa rela\u00e7\u00e3o de disjun\u00e7\u00e3o com o <em>ser,<\/em> ou seja, como refrat\u00e1rio \u00e0s determina\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas que envolvem o inconsciente.<\/p>\n<p>Para esclarecer o valor cl\u00ednico do imagin\u00e1rio enquanto pe\u00e7a avulsa, faz-se necess\u00e1rio recorrer ao fen\u00f4meno do qual James Joyce \u00e9 testemunha por meio de seu personagem Stephen Dedalus, um fen\u00f4meno considerado raro por Lacan, por\u00e9m, bastante decisivo com rela\u00e7\u00e3o ao que promove a experi\u00eacia anal\u00edtica. Trata-se do epis\u00f3dio da surra recebida pelo personagem de <em>O retrato do artista quando jovem<\/em>. \u00c9 in\u00f3cuo reportar aos coment\u00e1rios da cr\u00edtica liter\u00e1ria universit\u00e1ria sobre a distin\u00e7\u00e3o entre o autor e o personagem, pois de onde o autor sustentaria esse fen\u00f4meno, sen\u00e3o dele pr\u00f3prio, considerando sua raridade, bem como n\u00e3o ser ele poss\u00edvel de ser produzido via imagina\u00e7\u00e3o. Lacan n\u00e3o se coloca na posi\u00e7\u00e3o dos universit\u00e1rios que se dedicam ao coment\u00e1rio e \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero imenso de enigmas que a obra joycena cont\u00e9m. A rela\u00e7\u00e3o de Lacan com a obra de Joyce \u00e9 eminentemente cl\u00ednica, no sentido de que ela serve de apoio \u00e0 pr\u00e1tica anal\u00edtica quando esta lida com o <em>falasser<\/em> desabonado do inconsciente, isto \u00e9, com situa\u00e7\u00f5es em que o sintoma se mostra desatado, desvinculado do inconsciente. Vale dizer que o psicanalista, nesses casos, n\u00e3o encontra meios de operar por interm\u00e9dio da decifra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do inconsciente.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do extrato bastante conhecido em que Joyce testemunha que, durante a adolesc\u00eancia, foi espancado por n\u00e3o ceder a uma disputa acerca de coisas referentes a poetas, precisamente entre Tennysson e Byron. O colega que comandava toda a aventura era um tal de Heron, termo que n\u00e3o \u00e9 indiferente, pois tal nome tem origem no hebraico &#8220;Aharon&#8221;, que significa &#8220;montanh\u00eas&#8221; ou &#8220;exaltado&#8221;. Esse Heron e seus c\u00famplices v\u00e3o amarr\u00e1-lo em uma cerca de arame farpado e, em seguida, espanc\u00e1-lo. Logo ap\u00f3s o acontecimento, ainda naquela noite, <em>\u201cenquanto ia para a casa aos trope\u00e7\u00f5es, pela Jones\u2019s Road, sentia que alguma for\u00e7a estava livrando-o daquela raiva urdida com a mesma facilidade com que uma fruta se desfaz de sua casca mole e madura\u201d<\/em><a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Joyce se interroga acerca de sua rea\u00e7\u00e3o marcada pela aus\u00eancia de afeto e pelo fato de que n\u00e3o guardava nenhum rancor do colega que o tinha molestado. Seu questionamento aponta para o lado enigm\u00e1tico da experi\u00eancia de distanciamento de seu pr\u00f3prio corpo. Para Lacan, \u00e9 de se esperar uma tal rea\u00e7\u00e3o por parte de Joyce, pois, diante desse grave acontecimento, somente ele seria capaz de metaforizar sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo ao afirmar \u201cque todo o neg\u00f3cio se esvaiu como uma casca<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>Quando confrontado com a situa\u00e7\u00e3o do espancamento, n\u00e3o reage \u00e0 altura do esperado e experimenta uma esp\u00e9cie de despreendimento e abandono de seu corpo e do afeto. Esse epis\u00f3dio permite a Lacan dizer que, em Joyce, \u201ch\u00e1 alguma coisa que exige apenas sair, ser largada como uma casca\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Joyce testemunha \u201cum <em>deixar cair <\/em>a rela\u00e7\u00e3o com o corpo pr\u00f3prio\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, isto \u00e9, uma dissolu\u00e7\u00e3o da imagem do corpo que promove um discreto fen\u00f4mento de discord\u00e2ncia. Desde ent\u00e3o, essa manifesta\u00e7\u00e3o do <em>deixar-cair <\/em>o corpo passou a ser captada como um sinal cl\u00ednico do chamado fen\u00f4mento de discord\u00e2ncia descrito pelo psiquiatra Pierre Chaslin<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. A cl\u00ednica do <em>sinthoma,<\/em> por sua vez, apreende esse fen\u00f4meno sob o prisma da desconex\u00e3o do elemento imagin\u00e1rio do enodamento borremeano do<em> falasser. <\/em>Lacan \u00e9 bastante claro a esse respeito ao formular que, em Joyce, \u201ca rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria n\u00e3o acontece\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> e, por isso, o <em>falasser <\/em>se constitui por meio da conex\u00e3o direta do inconsciente com o real, sem a media\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Se, nesse caso, a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria se mostra ausente, como se efetua a forma\u00e7\u00e3o da imagem do corpo que, como se viu antes, \u00e9 o que alimenta e d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es do eu? Se n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, sup\u00f5e-se tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 a imagem do corpo sobre a qual se edificam as fun\u00e7\u00f5es do eu. \u00c9 preciso, neste ponto, especificar a fun\u00e7\u00e3o do que Lacan denomina, no contexto do Semin\u00e1rio 23,<em> O sinthoma \u2013,<\/em> como Ego, e aquela do eu <em>(moi). <\/em>Antes desse Semin\u00e1rio, as duas no\u00e7\u00f5es \u2013 o eu (moi) e o Ego \u2013 s\u00e3o sin\u00f4nimas. Como se sabe, o eu <em>(moi)<\/em> tem sua nascimento no narcisismo infantil e corresponde \u00e0 inst\u00e2ncia que permite ao indiv\u00edduo se defender contra a realidade ps\u00edquica e as puls\u00f5es. Trata-se de uma fun\u00e7\u00e3o que se extrai da segunda t\u00f3pica freudiana.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Imagin\u00e1rio como o Ego corretor do lapsus do n\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o que se disse antes acerca da ancoragem imagin\u00e1ria dessa inst\u00e2ncia do eu <em>(moi)<\/em> e que se confirma nesta frase: <em>\u201cSe o ego \u00e9 dito narc\u00edsico, \u00e9 porque, em certo n\u00edvel, h\u00e1 alguma coisa que suporta o corpo como imagem<\/em> <a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><em>.<\/em> Diante disso, Lacan encaminha a sua elabora\u00e7\u00e3o no sentido de distinguir o eu <em>(moi) <\/em>daquilo que, nestas circunst\u00e2ncias, considera-se como sua inven\u00e7\u00e3o, a saber, o Ego: \u201co fato<em> de n\u00e3o haver interesse por essa imagem naquela ocasi\u00e3o [a da surra] n\u00e3o \u00e9 o que assinala que o Ego tem nele [Joyce] uma fun\u00e7\u00e3o particular\u00edssima?\u201d<\/em><a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Conclui-se, portanto, que o eu <em>(moi) <\/em>sustentado pela imagem do corpo equivale ao exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o no terreno da neurose, supondo que nela prevale\u00e7a a amarra\u00e7\u00e3o com o n\u00f3 de tr\u00eas. \u00c9 o que prop\u00f5e Jean-Claude Maleval: \u201cQuando a fun\u00e7\u00e3o narc\u00edsica opera na presen\u00e7a do enodamento borremeano, o eu (moi) n\u00e3o se distingue do Ego\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. A distin\u00e7\u00e3o adv\u00e9m, portanto, com Lacan em casos da n\u00e3o-amarra\u00e7\u00e3o borremeana de R, S e I. Em outros termos, em certas configura\u00e7\u00f5es \u2013 notadamente quando h\u00e1 um <em>deixar cair <\/em>do imagin\u00e1rio \u2013, o Ego se define como a \u201cideia de si como um corpo\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>, e n\u00e3o como um eu <em>(moi)<\/em> que se suporta pela imagem do corpo.<\/p>\n<p>\u00c9 dever da cl\u00ednica do <em>sinthoma<\/em> considerar que, para certos sujeitos, \u00e9 preciso recorrer a outras montagens, distintas do n\u00f3 de tr\u00eas RSI, como nos casos em que se visa preservar algum arranjo das partes do corpo entre elas, uma vez que o horizonte cl\u00ednico \u00e9 fazer existir um corpo. O Ego se constitui, por consequ\u00eancia, como um outro porta-voz do imagin\u00e1rio no sentido de que, enquanto pe\u00e7a avulsa, ele \u00e9 o corpo e, n\u00e3o, uma imagem do corpo. Em Joyce, este Ego assume uma fun\u00e7\u00e3o radicalmente distinta da fun\u00e7\u00e3o narc\u00edssica, pois \u00e9 quem corrige a falha do n\u00f3 gra\u00e7as \u00e0 condi\u00e7\u00e3o reparadora da escrita.<\/p>\n<p>A especificidade da amarra\u00e7\u00e3o se situa no plano da conex\u00e3o existente entre o real e o simb\u00f3lico \u2013 articula\u00e7\u00e3o do tipo ol\u00edmpica que gera o la\u00e7o inabitualmente estreito entre os dois registros, R e S, e que deixa o imagin\u00e1rio solto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-457 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img2-jesus-294x300.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img2-jesus-294x300.jpg 294w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img2-jesus-350x357.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img2-jesus.jpg 736w\" sizes=\"(max-width: 294px) 100vw, 294px\" \/><\/p>\n<p>O que \u00e9 marcante em Joyce \u00e9 que, face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da surra, h\u00e1 um instante em que nada funciona, deixando-o sem resposta. No entanto, algum tempo depois, algo funciona, ou seja, Joyce testemunha n\u00e3o ter nenhum reconhecimento ou afeto de n\u00e3o importa quem ele tenha recebido essa surra.<\/p>\n<p>Nesse momento, o que acontece com o corpo que funciona sozinho? Admite-se que se trata de um espa\u00e7o n\u00e3o subjetivado, pois n\u00e3o \u00e9 subjetiv\u00e1vel. Um lapso de tempo \u00e9, portanto, necess\u00e1rio a Joyce para dar uma resposta que nos deixa supor entrever que h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o, inven\u00e7\u00e3o. Imediatamente ap\u00f3s esse tempo, ele testemunha que, com rela\u00e7\u00e3o ao acontecimento passado, ele n\u00e3o tem nada contra ningu\u00e9m. Uma falha do afeto consciente a respeito do Outro surge no lugar do vazio. A inven\u00e7\u00e3o consiste, nesse caso, no acionamento de um Ego que tem rela\u00e7\u00e3o com a \u201cescritura da metaforiza\u00e7\u00e3o do corpo\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>, isto \u00e9, n\u00e3o mais com a imagem do corpo, com a ideia do corpo como imagem, que corresponderia ao eu (moi), mas com o \u201cenquadramento formal tra\u00e7ado pela escritura\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. Com a tese do Ego como grampo, Lacan sugere que Joyce gera o <em>sinthoma, \u201ccomo alguma coisa que permite ao simb\u00f3lico, ao imagin\u00e1rio e ao real continuarem juntos\u201d, <\/em>ainda que haja o lapso ou o erro na cadeia borromeana<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>. O Ego em condi\u00e7\u00f5es de corrigir o erro \u201cpermite ao n\u00f3 de tr\u00eas se manter como n\u00f3 de tr\u00eas e conservar em uma posi\u00e7\u00e3o tal que ele <em>tenha o aspecto <\/em>de constituir n\u00f3 de tr\u00eas\u201d<em>, <\/em>e \u00e9 isso que se denomina <em>sinthoma<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><strong>[32]<\/strong><\/a>. <\/em>Assim, se a organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica de Joyce confirma a chamada <em>forclus\u00e3o de fato <\/em>do Nome-do-Pai, ela atesta tamb\u00e9m a presen\u00e7a de um conector para reparar o lapsus do n\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-459 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img3-jesus-278x300.jpg\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img3-jesus-278x300.jpg 278w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img3-jesus-350x378.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img3-jesus.jpg 732w\" sizes=\"(max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/><\/p>\n<p><strong>Se virar com a imagem, se virar com o sinthoma<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Em contraste com a expectativa de que um <em>significante novo <\/em>possa cernir o imposs\u00edvel de se nomear pr\u00f3prio do final de an\u00e1lise, o ultim\u00edssimo ensino de Lacan destaca o valor da imagem como fator de mostra\u00e7\u00e3o desse real imposs\u00edvel. Se o fundamental da experi\u00eancia do final se circunscreve pela via do n\u00facleo real do sintoma, se o real n\u00e3o fala, \u00e9 mudo e, se o simb\u00f3lico se desvanece, o acesso a esse n\u00facleo real poderia acontecer por meio da imagem? Ainda que a resposta possa parecer \u00f3bvia, postula-se que tal formula\u00e7\u00e3o exija uma subvers\u00e3o do imagin\u00e1rio, pelo menos esse que se confunde com a fun\u00e7\u00e3o inercial da imagem, este que se sup\u00f5e interceptar o dinamismo pr\u00f3prio dos deslocamentos simb\u00f3licos.<\/p>\n<p>\u00c9 diante do abandono da supremacia da ordem simb\u00f3lica frente \u00e0s duas outras que se institui o novo imagin\u00e1rio concebido como pe\u00e7a avulsa e que se apresenta como corpo. A homogeneidade entre o real, o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio radicaliza o fato de que o corpo se introduz na economia do gozo por meio da imagem. Em outras palavras, na cl\u00ednica do<em> sinthoma <\/em>prevalece uma <em>outra <\/em>supremacia: a do corpo que, justamente, se tece por meio da imagem.<\/p>\n<p>Face ao sil\u00eancio do real e da n\u00e3o operatividade da fun\u00e7\u00e3o significante, resta-nos o recurso do imagin\u00e1rio que agora se pode agregar a ele, o recurso do corpo que, segundo o ultim\u00edssimo ensino, se constitui sob o modo do \u201c<em>tecido<\/em> do inconsciente\u201d<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. Desde o momento que a unidade, ou melhor, a micro-unidade do significante \u00e9 relegada a um segundo plano, \u00e9 a geometria do tecido \u2013 com sua composi\u00e7\u00e3o de fios, malhas, entrela\u00e7amentos e furos \u2013 que aparece como a via para n\u00e3o deixar a experi\u00eancia da an\u00e1lise cair na mera abstra\u00e7\u00e3o ou elucubra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 evidente que o gozo pulsional \u2013 definido pelo acordo entre o significante e o corpo \u2013 continua presente na gesta\u00e7\u00e3o do <em>tecido <\/em>como um componente essencial, visto que ao expressar o acordo entre o significante e o corpo, ele se presentifica sob o modo da resson\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, deve-se levar em conta que se o peso do significante se desloca para a imagem, o que n\u00e3o quer dizer que o inconsciente esteja ausente na pr\u00f3pria confec\u00e7\u00e3o do <em>tecido. <\/em>Trata-se, portanto, de privilegiar o inconsciente em suas manifesta\u00e7\u00f5es disruptivas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cadeia associativa, particularmente aquelas que subsistem como trope\u00e7os da ordem simb\u00f3lica como tal: ato falho, chiste e, inclusive, sonho. Tomar como fundamental essa vertente de fen\u00f4menos que se caracterizam pela descontinuidade do inconsciente \u2013 ou seja, tais manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o fazem cadeia \u2013 levou Lacan a introduzir uma nova categoria que adv\u00e9m logo ap\u00f3s a sua inven\u00e7\u00e3o do <em>sinthoma. <\/em>Assim, durante o livro 24 do Semin\u00e1rio, <em>L\u2019insu qui sait de l\u2019une b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre,<\/em> prop\u00f5e-se uma forma in\u00e9dita de nomear esses fen\u00f4menos disruptivos basais do inconsciente por meio da tradu\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica do <em>Unbewusst<\/em> freudiano, pelo termo franc\u00eas de <em>une-b\u00e9vue. <\/em>S\u00e9rgio Laia nos sugere o uso, em portugu\u00eas, para a tradu\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica de <em>une-b\u00e9vue, <\/em>do termo <em>inadvert\u00eancia<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\"><strong>[34]<\/strong><\/a>. <\/em>Enfim, se a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica deixa de ter como m\u00f3vel a decifra\u00e7\u00e3o, tornou-se necess\u00e1rio \u201cir mais longe do que o inconsciente\u201d estruturado como linguagem, em que o vetor deste para al\u00e9m \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do <em>tecido do inconsciente.<\/em> Ao visar o que Lacan denonima como <em>tecido,<\/em> a experi\u00eancia da an\u00e1lise passa a operar tendo como referente a micro-unidade do inconsciente enquanto inadvertido e a macro-unidade do <em>sinthoma<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\"><strong>[35]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Em terceiro lugar, destaca-se o que Miller concebe como o fato cl\u00ednico maior que Lacan trabalha e p\u00f5e em evid\u00eancia no momento conclusivo de seu ensino, ou seja, o se que constitui como uma esp\u00e9cie de <em>patema <\/em>da cl\u00ednica do <em>sinthoma<\/em> que \u00e9 a inibi\u00e7\u00e3o para imaginar o real<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. O chamado fato cl\u00ednico da inibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparece apenas em situa\u00e7\u00f5es como a da aus\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, como vimos no epis\u00f3dio da surra em Joyce, mas, sim, \u00e0 postula\u00e7\u00e3o de uma hi\u00e2ncia entre o imagin\u00e1rio e o real. Importa salientar, como horizonte dessa cl\u00ednica, o recurso inevit\u00e1vel do imagin\u00e1rio para \u201cimaginar o real\u201d<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. Por\u00e9m, \u00e9 nesse ponto da hi\u00e2ncia que a inibi\u00e7\u00e3o incide e se encorpa. Ainda que articulada \u00e0s imagens, a inibi\u00e7\u00e3o se edifica como o principal fator de impedimento para a imaginariza\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>INIBI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IMAGIN\u00c1RIO <\/strong><strong>\/\/ <\/strong><strong>REAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, cabe afinar ainda mais a tese de que <em>o imagin\u00e1rio \u00e9 o corpo<\/em> se faz presente no final de an\u00e1lise? Evoca-se aqui o coment\u00e1rio que faz \u00c9ric Laurent sobre uma passagem do semin\u00e1rio <em>L\u2019insu que sait de l\u2019une b\u00e9vue, <\/em>de que aquilo<em> \u201cque o homem sabe fazer com sua imagem corresponde de alguma forma (\u2026) \u00e0 maneira de como ele se vira com o sinthoma\u201d<\/em><a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\"><em><strong>[38]<\/strong><\/em><\/a><em>. <\/em>Ao reconhecer a equa\u00e7\u00e3o entre o \u2018se virar com o sintoma\u2019 e o \u2018se virar com a imagem\u2019, Lacan leva \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias sua contribui\u00e7\u00e3o de que, para imaginarizar o real, n\u00e3o se dispensa o recurso ao imagin\u00e1rio e que, de modo algum, se escapa da met\u00e1fora. O imagin\u00e1rio \u00e9 o pr\u00f3prio alicerce do tecido do inconsciente e <em>\u201co tecido isso se imagina somente (&#8230;) e tudo o que acontece para imaginar se extrai do pr\u00f3prio Imagin\u00e1rio\u201d<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\"><strong>[39]<\/strong><\/a><\/em>. Tudo indica que, no tocante ao enodamento RSI, o final de an\u00e1lise concerne essa hi\u00e2ncia entre o Imagin\u00e1rio e o Real na medida em que nela se ergue o muro da inbi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, essa reabilita\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio em detrimento do simb\u00f3lico na cl\u00ednica do <em>sinthoma, <\/em>aponta para a insufici\u00eancia de toda descri\u00e7\u00e3o ou representa\u00e7\u00e3o autoficcional do real. O acr\u00e9scimo a ser feito \u00e9 o de que o sintoma se escreve como inibi\u00e7\u00e3o, sobretudo quando se trata do homem e de sua fixa\u00e7\u00e3o no parceiro objeto olhar, nada f\u00e1cil de ser arranc\u00e1vel. Claro, isso n\u00e3o se escreve em uma escrita objetiv\u00e1vel, pois o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o <em>tecido<\/em> do inconsciente que se confecciona em torno da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o com o corpo do Outro. Se virar com o parceiro-sinthoma, quando se est\u00e1 diante da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, \u00e9 se virar com esse <em>tecido <\/em>que se aguenta por meio dos furos e restos do gozo. Dizer que o ser falante se vira com o parceiro sexual como se vira com a pr\u00f3pria imagem \u00e9 dizer que se vira com a imaginariza\u00e7\u00e3o do que faz furo no real por meio do gozo pulsional.<\/p>\n<p>Se o gozo do corpo do Outro inexiste, n\u00e3o se toma o narcisismo inerente \u00e0 escolha amorosa como impedimento, na medida em que o pr\u00f3prio imagin\u00e1rio se coloca como prova do que se sabe fazer com o <em>parceiro-sintoma. <\/em>O papel do imagin\u00e1rio como tal assume um valor efetivamente decisivo e fundamental. N\u00e3o se est\u00e1 mais na \u00e9poca do imagin\u00e1rio depreciado e subjugado pelo simb\u00f3lico, pois o pr\u00f3prio imagin\u00e1rio fornece uma coordenada a mais, para viver em um mundo em que prevalece o imp\u00e9rio da imagem. Enfim, saber se virar com a imagem \u00e9 saber se virar com aquilo que no <em>corpo se goza, <\/em>via sintoma, e \u00e9 isso que permite o saber se virar com o <em>parceiro-sinthoma. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O imagin\u00e1rio na clinica lacaniana<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-460 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-300x147.jpg\" alt=\"\" width=\"760\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-300x147.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-1024x503.jpg 1024w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-768x377.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-1536x754.jpg 1536w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-2048x1006.jpg 2048w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus-350x172.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img4-jesus.jpg 2130w\" sizes=\"(max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>LACAN, J. Conf\u00e9rences et entretiens dans les universit\u00e9s nord-am\u00e9ricaines, <em>Scilicet<\/em>, Seuil, Paris, 1976<\/p>\n<p>, n. 6-7, p. 54.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Idem, ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>LACAN, J. O est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 96-103. (Trabalho original proferido em 1949), p. 97.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Idem, ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>MILLER, J.-A. <em>Piezas sueltas (2004-05)<\/em><em>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013, p. 57-58.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76), p. 135.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cA antiga no\u00e7\u00e3o de inconsciente, o <em>Unerkannt, <\/em>apoiava-se precisamente na nossa ignor\u00e2ncia quanto ao que se passa em nosso corpo. O inconsciente de Freud \u00e9 justamente a rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre <em>um corpo que nos \u00e9 estranho <\/em>e alguma coisa que faz c\u00edrculo, ou mesmo reta infinita [&#8230;].\u201d\u00a0 (LACAN, 1975-76\/2007, p. 145, grifo nosso).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u201cCoisa em que ele n\u00e3o pensaria, supomos, se esse corpo que tem, ele verdadeiramente o fosse.\u201d Cf.: LACAN, J. Joyce, o sintoma. In: <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 560-566.\u00a0(Trabalho original publicado em 1975), p. 565.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> MILLER, 2013, p. 65.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 16<\/em>: De um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008. (Trabalho original proferido em 1968-69), p. 93.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73), p. 178.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> LACAN, 1975\/2003, p. 565.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> LACAN, 1975-76\/2007, p. 61-62.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Idem, p. 63.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Idem, ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> MILLER, 2013, p.18.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Idem, p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> LACAN, 1975-76\/2007, p. 161.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> JOYCE, J. <em>Um retrato do artista quando jovem<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2018, p. 78.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> LACAN, 1975-76\/2007, p. 145.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>Idem, p. 146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Idem, ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> SAUVAGNAT, F. <em>Du d\u00e9tail pictural \u2018non significatif\u2019 aux phenom\u00e8nes elementaires discrets<\/em>: un br\u00e8ve\u00a0\u00a0\u00a0 parcours, 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.amp-nls.org\/fr\/nls-messager\/nls-minute-20\/. Acesso em: 01 mai. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> LACAN, 1975-76\/2007, p. 147.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Idem, p. 146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Idem, ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> MALEVAL, J.-C. <em>\u00c9lements pour une appr\u00e9hension clinique de la psychose ordinaire<\/em>, Paris: Navarin, 2003, p. 14.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> LACAN, 1975-76\/2007, p. 146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>LAURENT, \u00c9. <em>O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo<\/em>, Contracapa, Rio de Janeiro, 2016, p. 131.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>MALEVAL, 2003, p. 14-15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>LACAN, 1975-76\/2007, p. 91.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>Idem, ibidem. (Grifo do autor).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>LACAN, J. Le S\u00e9minaire, Livre XXIV: L\u2019insu qui sait de l\u2019une b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre [Aula de 19 de abril], <em>Ornicar?, <\/em>n. 17\u201318, Paris.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>Ver a esse respeito: in: LAURENT, \u00c9., 2016, p. 66.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a>LACAN, J. Le S\u00e9minaire, Livre XXIV: L\u2019insu qui sait de l\u2019une b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre [Aula de 19 de abril], <em>Ornicar?, <\/em>n. 17\u201318, Paris.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>MILLER, J.-A.<em> El ultim\u00edsimo Lacan (2006-07)<\/em><em>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012, p. 256.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a>Idem, p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\"><\/a>\u00a0[38] LAURENT, \u00c9. <em>Hablar con el propio s\u00edntoma, hablar con el propio cuerpo<\/em><strong>. <\/strong>2013. Dispon\u00edvel em: https:\/\/elp.org.es\/hablar-con-el-propio-sintoma\/<strong>. <\/strong>Acesso em: 01 mai. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a>Lacan, J.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;30&#8243; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; align_medium=&#8221;align_center_tablet&#8221; medium_width=&#8221;2&#8243; align_mobile=&#8221;align_center_mobile&#8221; mobile_width=&#8221;6&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;654255&#8243;][vc_single_image media=&#8221;565&#8243; media_width_percent=&#8221;70&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;895349&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F05%2FO-imaginario-na-clinica-do-sinthoma.pdf|target:_blank&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;137017&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Para baixar o arquivo, abra o PDF em nova aba.[\/vc_custom_heading][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por J\u00e9sus Santiago<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,23],"tags":[],"class_list":["post-415","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jesus-santiago","category-textos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=415"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":581,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415\/revisions\/581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}