{"id":534,"date":"2024-06-28T19:29:37","date_gmt":"2024-06-28T19:29:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/?p=534"},"modified":"2024-09-26T12:17:46","modified_gmt":"2024-09-26T12:17:46","slug":"da-vontade-de-justificacao-a-repeticao-de-gozo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/da-vontade-de-justificacao-a-repeticao-de-gozo\/","title":{"rendered":"Da vontade de justifica\u00e7\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de gozo (Eixo 1)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;140723&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;151377&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;700&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;952401&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Semin\u00e1rio preparat\u00f3rio<br \/>\n13.06.2024<br \/>\nEIXO 1:[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;0&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;774049&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<\/p>\n<h3><em><strong>Onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos e de onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem ?<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;0&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h5&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;103171&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]<strong>Cartel<\/strong>: Ana Lydia Santiago (+1), Fernanda Otoni, Graciela Bessa,<br \/>\nLuciana Silviano Brand\u00e3o, Maria de F\u00e1tima Ferreira,<br \/>\nMaria Jos\u00e9 Gontijo Salum e Ram Mandil[\/vc_custom_heading][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_custom_heading auto_text=&#8221;yes&#8221; text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h1&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;615983&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;116332&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;193337&#8243;]<strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O tema do Eixo 1 de investiga\u00e7\u00e3o da 27\u00aa Jornada da EBP-MG \u2013 <em>Onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos e de onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem? \u2013<\/em>, foi tratado em cartel constitu\u00eddo por Fernanda Otoni, Graciela Bessa, Luciana Silviano Brand\u00e3o, Maria de F\u00e1tima Ferreira, Maria Jos\u00e9 Gontijo Salum, Ram Mandil, e eu mesma como mais-um e, portanto, relatora. Em nossos encontros, tivemos a ocasi\u00e3o de discutir v\u00e1rios pontos para abordar o tema desta Jornada que concerne \u00e0 exist\u00eancia das neuroses nos dias de hoje e aos desafios para a cl\u00ednica, tanto no \u00e2mbito do diagn\u00f3stico quanto do tratamento. As refer\u00eancias ao \u00faltimo ensino de Lacan (a partir do conceito de sinthoma) e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o lacaniana (proferida em semin\u00e1rios por Jacques-Alain Miller), foram dadas como ponto de partida pela comiss\u00e3o cient\u00edfica. O semin\u00e1rio preparat\u00f3rio de abertura, sob a responsabilidade dos coordenadores da Jornada Maria Jos\u00e9 Salum e Bernardo Carneiro, nos introduziu ao tema com clareza, apontando o norte para o aprofundamento das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Das discuss\u00f5es ocorridas no cartel, posso referir-me a alguns pontos que tiveram por objetivo tra\u00e7ar um caminho, uma via de resposta ao nosso problema, como, por exemplo, o que especifica a neurose a partir da psicose ordin\u00e1ria; o neur\u00f3tico no discurso, diferentemente do fora do discurso da psicose; o que h\u00e1 de novo na histeria e na neurose obsessiva no mundo do Outro que n\u00e3o existe, tempo do eu e do individualismo; a inibi\u00e7\u00e3o como fator cl\u00ednico fundamental na neurose, introduzido por Lacan a partir do uso dos novos visuais, o n\u00f3 borromeano e a geometria dos sacos e das cordas, que \u00e9 geometria de tecedura em que algo se imp\u00f5e como sendo do real, irrepresent\u00e1vel. E ainda, o recurso ao imagin\u00e1rio para se ter uma ideia do real; como superar a hi\u00e2ncia entre o imagin\u00e1rio e o real; diante do imposs\u00edvel foraclu\u00eddo no mundo contempor\u00e2neo pela obstina\u00e7\u00e3o ind\u00f3cil do neur\u00f3tico de fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual, qual a chance do amor de transfer\u00eancia?<\/p>\n<p>Finalmente, no momento de redigir o Relat\u00f3rio, pude me dar conta de que essa pergunta \u2013 <em>onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos e de onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem?<\/em> \u2013 exige uma abordagem mais aprofundada da quest\u00e3o do que \u00e9 o fator capital da exist\u00eancia das neuroses no mundo contempor\u00e2neo, principalmente se buscamos conceb\u00ea-las a partir do ponto de vista do tratamento anal\u00edtico. Nesse sentido, acabei me vendo \u00e0s voltas n\u00e3o apenas com a quest\u00e3o de saber qual seria esse fator capital que envolve a localiza\u00e7\u00e3o das neuroses, como tamb\u00e9m quais recursos o tratamento anal\u00edtico disp\u00f5e para permitir uma sa\u00edda para esses sujeitos. A leitura de um texto de Jacques-Alain Miller, sugerida por Ram Mandil no cartel, foi decisiva para o equacionamento dessas quest\u00f5es, assim como das outras discutidas no curso de nossos encontros. Esse texto tem como t\u00edtulo \u201cA paix\u00e3o do neur\u00f3tico\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Baseei-me nele para os apontamentos que se seguem, a respeito de onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos e de onde eles n\u00e3o saem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Onde est\u00e3o os neur\u00f3ticos? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que os neur\u00f3ticos est\u00e3o imersos nas \u00e1guas da paix\u00e3o, tal como esta \u00e9 definida por Jacques-Alain Miller, a partir de uma indica\u00e7\u00e3o de Lacan em seu escrito \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d. Precisamente, Lacan afirma que a paix\u00e3o do neur\u00f3tico se exibe naquilo que \u00e9 o cerne da experi\u00eancia anal\u00edtica: exibe-se na \u201cfalta-a-ser\u201d pr\u00f3pria do sujeito do inconsciente<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. O neur\u00f3tico, do ponto de vista da medicina, \u00e9 um doente mental, mas para a psican\u00e1lise, seja em Freud ou em Lacan, ele n\u00e3o o \u00e9. Quando se fala da neurose a partir da paix\u00e3o, o que se quer enfatizar \u00e9 que o neur\u00f3tico sofre da falta-a-ser. A paix\u00e3o, <em>pathos, <\/em>n\u00e3o se reduz ao sofrimento. Mas o sofrimento torna-se uma paix\u00e3o quando o desejo se encontra a\u00ed misturado. Em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do desejo, Miller observa que n\u00e3o h\u00e1 somente sofrimento da falta-a-ser, mas paix\u00e3o da falta-a-ser. A express\u00e3o da paix\u00e3o do neur\u00f3tico se realiza, no caso da hist\u00e9rica, por meio de acessos de desrealiza\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o sou suficientemente verdadeira \u2013 e, no caso do obsessivo, por meio de acessos de d\u00favida, em que prevalece o gozo do pensamento<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Como se pode constatar, \u00e9 por meio do sofrimento, e mesmo da dor, que se afirma a exist\u00eancia das neuroses. Por esse caminho, se faz necess\u00e1rio, como \u00e9 de praxe na hist\u00f3ria da psican\u00e1lise, estabelecer uma cl\u00ednica diferencial entre a paix\u00e3o do neur\u00f3tico e a paix\u00e3o do perverso. A dire\u00e7\u00e3o escolhida n\u00e3o se restringe a afirmar que a neurose \u00e9 o negativo da pervers\u00e3o. Tomamos aqui a pervers\u00e3o sob o prisma do <em>direito ao gozo,<\/em> o que significa que o perverso n\u00e3o questiona a <em>raz\u00e3o de ser <\/em>do gozo, pois, antes de tudo, ele afirma um direito. J\u00e1 o neur\u00f3tico est\u00e1 do lado do \u201cn\u00e3o querer nada saber disto\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, como prop\u00f5e Lacan em seu\u00a0 Semin\u00e1rio 20, <em>Mais, ainda<\/em>. O neur\u00f3tico se enreda no emaranhado do gozo, de maneira que o desejo varia e, quando ele est\u00e1 a ponto de obter o que quer, desaparece. A paix\u00e3o do neur\u00f3tico est\u00e1 do lado da procura, ou, mais precisamente, ele procura para n\u00e3o encontrar. Justo antes de obter o gozo, o sujeito faz um movimento para evit\u00e1-lo e, portanto, para n\u00e3o encontr\u00e1-lo. \u00c9 a pr\u00f3pria procura que apaga o achado, que o evita. A esse respeito, podemos tomar a c\u00e9lebre frase de Picasso \u201cn\u00e3o procuro, encontro\u201d, como um certo esc\u00e1rnio do artista ao neur\u00f3tico, que, em sua paix\u00e3o, procura para n\u00e3o encontrar, defende-se do desejo por interm\u00e9dio de suas vacila\u00e7\u00f5es, evitamentos e quedas bruscas. \u201cN\u00e3o procuro, encontro\u201d \u00e9 tamb\u00e9m a maneira de Lacan proceder em seu ensino: encontra primeiro em um ato de antecipa\u00e7\u00e3o, e depois explora as consequ\u00eancias<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Nada disso com o neur\u00f3tico, inibido quanto ao seu ato<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto o perverso encontra no direito ao gozo uma orienta\u00e7\u00e3o para sua exist\u00eancia, o neur\u00f3tico, quanto ao gozo, n\u00e3o sabe porque est\u00e1 nesse mundo. A formaliza\u00e7\u00e3o que Lacan prop\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o a essa diferencia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica consiste em afirmar que a escolha da pervers\u00e3o est\u00e1 do lado do objeto <em>a<\/em><em>, <\/em>enquanto a da neurose est\u00e1 do lado do $<strong>. <\/strong>A partir da\u00ed, como veremos mais adiante, Miller coloca o perverso do lado da modalidade l\u00f3gica do <em>necess\u00e1rio <\/em>e o neur\u00f3tico do lado da <em>conting\u00eancia<\/em>, justamente por faltar-lhe sua raz\u00e3o de ser. O neur\u00f3tico, como se afirma em \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo\u201d, experimenta sua vida como o que h\u00e1 de mais in\u00fatil, uma pura <em>falta-a-ser, <\/em>a ponto de se achar \u2013 diz Lacan \u2013 um Sem-Nome<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. \u00c9 isso que permite Miller, de um modo bastante original, conceber a neurose como o que imp\u00f5e ao sujeito \u201co dever de inventar sua raz\u00e3o de ser<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u201d. \u00c9 preciso dar-se conta de que a originalidade, nesse caso, \u00e9 tomar a neurose para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o da \u201cfalta-a-ser\u201d com o intuito de priorizar o que ele designa como \u201ca falta da raz\u00e3o de ser\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Tudo indica que Miller reinterpreta a tese segundo a qual a neurose consiste num mito individual, \u00e0 luz do aprofundamento da presen\u00e7a da ci\u00eancia no mundo, em que o sujeito passa a ser definido pelo <em>princ\u00edpio da raz\u00e3o suficiente.<\/em> Segundo ele, trata-se de um princ\u00edpio que se encontra na filosofia de Leibniz e nos d\u00e1 o sentido do ser em nossa \u00e9poca, formulado da seguinte maneira: \u201ctudo tem uma raz\u00e3o, nada \u00e9 sem raz\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Diante do fato de que a civiliza\u00e7\u00e3o passa a ser regida por esse princ\u00edpio de que <em>tudo tem uma raz\u00e3o, <\/em>a paix\u00e3o do neur\u00f3tico moderno, quanto a esse princ\u00edpio, se coloca do lado da conting\u00eancia, ou seja, ele se coloca na posi\u00e7\u00e3o de inventar raz\u00f5es de ser. A civiliza\u00e7\u00e3o acentua a paix\u00e3o do neur\u00f3tico, pois se tudo tem que ter uma raz\u00e3o de ser, sua subjetividade se v\u00ea compelida a encontrar suas pr\u00f3prias raz\u00f5es para estar vivo nesse mundo. Em outros termos, desde o momento em que tudo tem uma raz\u00e3o de ser, o neur\u00f3tico, se v\u00ea \u00e0s voltas com ter que se justificar em seu sofrimento e em sua dor.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A vontade de justifica\u00e7\u00e3o convoca o Outro <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Parece-me que toda essa releitura da neurose est\u00e1 a servi\u00e7o da demonstra\u00e7\u00e3o de que a exist\u00eancia atual das neuroses se circunscreve, sobretudo, nos excessos do imagin\u00e1rio em que sobressai a vontade de justificar-se. Para Miller, a neurose merece esse qualificativo de vontade: uma vontade que valoriza a justifica\u00e7\u00e3o em detrimento do gozo. Por\u00e9m, mesmo que a vontade de justifica\u00e7\u00e3o do neur\u00f3tico se relacione com a fun\u00e7\u00e3o da <em>falta-a-ser, <\/em>ou seja, com o desejo, \u00e9 preciso destacar tamb\u00e9m que o imagin\u00e1rio do corpo aparece a\u00ed por uma via indireta, que \u00e9 a pregn\u00e2ncia do pensamento enquanto gozo, a exemplo da rumina\u00e7\u00e3o no obsessivo ou do devaneio na hist\u00e9rica. A posi\u00e7\u00e3o subjetiva do neur\u00f3tico, em sua busca obstinada de uma raz\u00e3o de ser, aparece e se exerce nesse funcionamento do imagin\u00e1rio que \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o. Ao falar de paix\u00e3o, se aponta para a for\u00e7a do imagin\u00e1rio na neurose, sem desconhecer, contudo, que a paix\u00e3o n\u00e3o acontece sem rela\u00e7\u00e3o com o Outro. Nesse ponto, Outro da justifica\u00e7\u00e3o, Outro, face ao qual o neur\u00f3tico quer e requer a sua raz\u00e3o de ser. Esse aspecto do Outro enquanto testemunha n\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancias para o manejo da transfer\u00eancia no curso do tratamento anal\u00edtico, sabendo que o analista conta com o fato de que a \u00fanica \u201craz\u00e3o real de ser\u201d de cada um \u00e9 o gozo<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. Nota-se que o encontro do neur\u00f3tico com o gozo n\u00e3o \u00e9 nada agrad\u00e1vel. \u00c9 o encontro com a verdade, na experi\u00eancia da an\u00e1lise, que nada tem a ver com uma contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica da realidade sublime da verdade, mas com as chances de entrever a face real do gozo. Ainda que esse real do gozo seja estritamente impens\u00e1vel, pode-se considerar que, por um breve instante, \u00e9 entrevisto ou visualis\u00e1vel<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Se antes falamos da <em>conting\u00eancia<\/em> no n\u00edvel da posi\u00e7\u00e3o subjetiva do neur\u00f3tico, no tocante ao Outro do testemunho nos deparamos, em contrapartida, com a <em>necessidade<\/em>. O neur\u00f3tico tem necessidade de testemunhar, necessita do Outro enquanto testemunha. \u00c9 o que a ordem m\u00e9dica n\u00e3o reconhece quando se depara com o aspecto singular da histeria, ao reduzi-la a teatro. Tudo isso com o objetivo de convencer-nos de que os sintomas hist\u00e9ricos s\u00e3o destitu\u00eddos de autenticidade. O teatro na histeria significa igualmente a necessidade de testemunhar. A paix\u00e3o da hist\u00e9rica \u00e9 um sofrimento que n\u00e3o existe sem o Outro, ela testemunha sua dor sob o olhar do Outro, olhar encarnado que \u00e9 necess\u00e1rio. N\u00e3o se trata apenas de se mostrar, mas mostrando-se o sujeito testemunha. A esse respeito, Miller faz inclusive um paralelo entre a paix\u00e3o de Cristo e a da hist\u00e9rica. \u00c9 como se o testemunho da paix\u00e3o do Cristo \u2013 <em>Pai, por que me abandonaste?<\/em> \u2013 ressoasse na hist\u00e9rica de uma maneira que se acredita um pouco menos eloquente.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 obsess\u00e3o, esta \u00e9 solid\u00e3o. \u00c9 uma solid\u00e3o que tem lugar sob a vigil\u00e2ncia do Outro. \u00c9 com paix\u00e3o que o obsessivo d\u00e1 exist\u00eancia a essa vigil\u00e2ncia. Quando o obsessivo, em an\u00e1lise, convoca o analista para ocupar esse lugar de testemunha encarnada, pode haver uma chance de se produzir algum al\u00edvio nesse ponto. Sem isso \u00e9 bem prov\u00e1vel que o obsessivo v\u00e1 se acomodar no Outro desencarnado e morto.<\/p>\n<p>Se a cl\u00ednica da neurose se sustenta na <em>falta-a-ser<\/em>, \u00e9 essa cl\u00ednica que convoca de modo irrefut\u00e1vel a fun\u00e7\u00e3o do Outro. A pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o pela <em>falta-a-ser <\/em>traz em si a presen\u00e7a do Outro, mesmo que o Outro, no mundo atual, se evidencie em seu pr\u00f3prio decl\u00ednio. No caso da histeria, fazer existir esse Outro acontece sob a modalidade do amor ou mesmo de sua insatisfa\u00e7\u00e3o para com ele, coisa que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil de distinguir. E na obsess\u00e3o? De que modo se d\u00e1 essa reivindica\u00e7\u00e3o do Outro como avalista de sua <em>falta-a-ser<\/em>? Ao considerar a concep\u00e7\u00e3o freudiana da neurose, essa fun\u00e7\u00e3o do Outro aparece, segundo a caracteriza\u00e7\u00e3o de Miller, nas chamadas \u201cduas mamas\u201d da paix\u00e3o da neurose: amor e trabalho. Assim, somos conduzidos a admitir que a fun\u00e7\u00e3o do Outro no obsessivo se faz por meio da modalidade de sua devo\u00e7\u00e3o ao trabalho, inclusive, ao trabalho dirigido ao Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da falta-a-ser \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de gozo\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>De que modo o tratamento anal\u00edtico vislumbra as chances de gerar uma exist\u00eancia desembara\u00e7ada da vontade de justifica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do neur\u00f3tico? A resposta a esse problema implica encarar a rela\u00e7\u00e3o entre a vontade de justifica\u00e7\u00e3o \u2013 situada no terreno do narcisismo e das exig\u00eancias dos ideais \u2013 e o gozo. No \u00e2mbito das neuroses, a transcri\u00e7\u00e3o da libido em termos do desejo n\u00e3o esgota as propriedades que o pr\u00f3prio Freud prop\u00f5e para a sua concep\u00e7\u00e3o de libido. Se o desejo, com toda a sua agilidade, desliza por toda parte e imp\u00f5e efeitos de loopings variados e bizarros, como \u00e9 o caso da vontade de justifica\u00e7\u00e3o, esse desejo \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o que se deduz do inconsciente enquanto produto do recalque: desejo morto. Por\u00e9m, nem tudo que constitui as propriedades da libido se assimila ao car\u00e1ter indestrut\u00edvel do desejo: resta o gozo. \u00c9 o gozo como imposs\u00edvel, como resistente ao trabalho de simboliza\u00e7\u00e3o, gozo este que Lacan tentou, inicialmente, recuperar sob o modo do grande \u03a6 (grande phi). Por meio desse resto, desse excedente do trabalho de simboliza\u00e7\u00e3o do inconsciente, Lacan introduz o objeto <em>a<\/em> como mais-gozar, concebido como suplemento da perda de gozo.<\/p>\n<p>O gozo como prop\u00f5e Lacan, em seu \u00faltimo ensino<em>, <\/em>particularmente no Semin\u00e1rio 20, <em>mais, ainda, <\/em>deixa de ser a transgress\u00e3o de um limite, como \u00e9 o caso do <em>das Ding <\/em>e passa a ser ele pr\u00f3prio um limite<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. O gozo como limite da ordem simb\u00f3lica, o gozo como litoral, na neurose, consiste na repeti\u00e7\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o do gozo. No \u00faltimo ensino de Lacan a repeti\u00e7\u00e3o deixa de ser repeti\u00e7\u00e3o significante e se transforma em repeti\u00e7\u00e3o de gozo. Antes, nas li\u00e7\u00f5es do Semin\u00e1rio 2, <em>O eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise, <\/em>a repeti\u00e7\u00e3o compareceu como repeti\u00e7\u00e3o significante, na medida em que era tratada pela representa\u00e7\u00e3o significante e pela divis\u00e3o do sujeito que sempre deixa no sujeito algo irrepresent\u00e1vel<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. \u00c9 somente em <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em> que a repeti\u00e7\u00e3o se sustenta e \u00e9 causada pelo gozo. Como prop\u00f5e Lacan, \u201ca repeti\u00e7\u00e3o est\u00e1 fundada sobre um retorno do gozo, a repeti\u00e7\u00e3o visa o gozo\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>. Portanto, nesse Semin\u00e1rio, o acento \u00e9 colocado sobre o significante como marca de gozo, tanto \u00e9 que ele p\u00f4de dizer que o <em>significante-mestre<\/em> \u00e9 aquele que comemora a irrup\u00e7\u00e3o de gozo e, ao mesmo tempo, introduz uma perda de gozo, gerando um gozo suplementar<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Como se sabe, Lacan toma de empr\u00e9stimo \u00e0 termodin\u00e2mica o termo de entropia, e nos diz que \u00e9 \u201ca entropia que faz o mais-gozar tomar corpo e recuperar\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> a libra de carne perdida. Mais adiante, afirma que \u201co mais-gozar toma corpo por uma perda\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>. Assim, o gozo enquanto limite com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o vinda do inconsciente, emerge pela via da entropia e da perda produzida pelo significante. Isso nos interessa porque \u00e9 nesses termos que Lacan formula a quest\u00e3o fundamental para a discuss\u00e3o da neurose, isto \u00e9, \u201co saber \u00e9 meio de gozo\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>. Para Miller, a tese do saber como meio de gozo \u00e9 um primeiro cap\u00edtulo do abandono da autonomia e supremacia do simb\u00f3lico. \u00c9 o mesmo que dizer que o significante, a ordem simb\u00f3lica e o grande Outro, toda essa dimens\u00e3o essencial da neurose \u00e9 impens\u00e1vel sem uma conex\u00e3o com o gozo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed temos uma cl\u00ednica que valoriza a meton\u00edmia, a perda de gozo e, principalmente, o corpo em detrimento do sujeito do inconsciente. Valoriza-se, portanto, toda uma l\u00f3gica cuja elabora\u00e7\u00e3o se sustenta e \u00e9 motivada pela rela\u00e7\u00e3o com o corpo. A dire\u00e7\u00e3o do tratamento das neuroses concerne, assim, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o gozo e \u00e0s mudan\u00e7as que decorrem desta rela\u00e7\u00e3o preferencial. \u00c9 preciso distinguir, ainda, se essa rela\u00e7\u00e3o com o gozo se d\u00e1 sob a forma do fantasma ou sob a forma da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensar a rela\u00e7\u00e3o com o gozo sob o modo da repeti\u00e7\u00e3o conduzir\u00e1 Lacan a dar um novo valor ao sintoma, que \u00e9 o que passamos a conhecer em seu \u00faltimo ensino como <em>sinthoma<\/em>. O fato da inven\u00e7\u00e3o do <em>sinthoma <\/em>ter surgido a partir de casos de psicoses n\u00e3o-desencadeadas n\u00e3o significa que uma tal ferramenta cl\u00ednica n\u00e3o seja aplic\u00e1vel \u00e0 neurose. Considerando que a defesa compreendida por interm\u00e9dio do recalque deixa de ser o \u00fanico fator de abordagem das neuroses, e sobretudo considerando a import\u00e2ncia que assume a repeti\u00e7\u00e3o de gozo, \u00e9 ineg\u00e1vel que o trabalho do analista dever\u00e1 contar com meios que permitam abrir para o sujeito acesso ao real do gozo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-535 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig1_analygia-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"234\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fig. 1<br \/>\n<\/strong>(Miller, J.-A. Os seis paradigmas do gozo, p. 34)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Admitir que o <em>sinthoma<\/em> passa a ter um lugar preponderante para o acesso ao real na cl\u00ednica das neuroses exige n\u00e3o prescindir da rela\u00e7\u00e3o do neur\u00f3tico com o gozo sob a forma do fantasma. Este, o fantasma, aparece como uma esp\u00e9cie de obst\u00e1culo sob a forma de uma tela que se trata de atravessar para cingir o real. Se a travessia do fantasma \u00e9 um convite para ir mais al\u00e9m do plano das identifica\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o ao vazio, \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o do sujeito, \u00e0 queda do sujeito-suposto-saber, ela traz como consequ\u00eancia inexor\u00e1vel o sujeito do gozo em que jaz a repeti\u00e7\u00e3o. Em suma, o sinthoma entra em jogo na pr\u00e1tica lacaniana porque a travessia do fantasma deixa um resto, cujo protagonista principal \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do gozo.<\/p>\n<p>Apesar da distin\u00e7\u00e3o entre tratar a rela\u00e7\u00e3o ao gozo sob o modo do fantasma e sob o modo da repeti\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o h\u00e1 uma imbrica\u00e7\u00e3o entre um e outro. Para Miller, a repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 de alguma maneira a forma desenvolvida do fantasma, ao mesmo tempo que o fantasma \u00e9 a forma concentrada da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-536 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig2_analygia-300x143.jpg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig2_analygia-300x143.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig2_analygia-768x366.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig2_analygia-350x167.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig2_analygia.jpg 1012w\" sizes=\"(max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/>Fig.2<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Dessa forma, se a repeti\u00e7\u00e3o possui um parentesco com o <em>sinthoma<\/em> \u00e9 porque presentifica a repeti\u00e7\u00e3o de gozo e, por essa via, adquire uma consist\u00eancia que n\u00e3o se confunde com a do fantasma fundamental. Ainda segundo Miller, trata-se de &#8220;uma const\u00e2ncia que se estende e dura&#8221;<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>. A repeti\u00e7\u00e3o de gozo n\u00e3o \u00e9 algo que se colhe diretamente no fantasma, pois o que est\u00e1 em quest\u00e3o na visada do <em>sinthoma, <\/em>em casos de neurose, \u00e9 reduzir e atingir os restos sintom\u00e1ticos sem que com isso se possa elimin\u00e1-los. Por isso mesmo, o <em>sinthoma<\/em> que emerge \u2013 como redu\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o pulsional que envolve a repeti\u00e7\u00e3o \u2013, comporta um desenvolvimento temporal que, justamente, n\u00e3o se presta \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o de sua verdade recalcada, mas, sim, a um <em>saber-fazer<\/em> com isso que \u00e9 resto. Como se disse antes, n\u00e3o se trata de uma parada ou evacua\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o, mas de prefer\u00eancia um novo uso da repeti\u00e7\u00e3o de gozo.<\/p>\n<p>Sob a mira do <em>sinthoma <\/em>que traz consigo esse novo uso da repeti\u00e7\u00e3o de gozo, afirma-se que somente a diferen\u00e7a pode amparar, para o neur\u00f3tico, uma exist\u00eancia desembara\u00e7ada da vontade de justifica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, que diferen\u00e7a \u00e9 essa? Talvez a diferen\u00e7a seja um termo insuficiente para traduzir aquilo que somente o <em>sinthoma<\/em> enquanto \u00edndice do acesso bem sucedido \u00e0 singularidade do gozo encerra como solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade de justifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que essa singularidade do gozo se constitui para al\u00e9m da <em>falta-a-ser<\/em> visto que nesse ponto de redu\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio dos restos sintom\u00e1ticos se condensa o segredo da paix\u00e3o do neur\u00f3tico. Enquanto injustific\u00e1vel, a singularidade que o neur\u00f3tico pode extrair dos restos intrat\u00e1veis de seus sintomas lhe fornece uma resposta que, no fundo, surge do instante de abertura, em que o <em>falasser<\/em> consente com a falta de qualquer pergunta relativa \u00e0 sua raz\u00e3o de ser no mundo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A\u00a0 inibi\u00e7\u00e3o para se separar da repeti\u00e7\u00e3o de gozo<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo acontece com o tratamento anal\u00edtico das neuroses quando Lacan abre m\u00e3o do privil\u00e9gio e supremacia da ordem simb\u00f3lica, ou seja, relativiza a falta de algo irrepresent\u00e1vel como aquilo que causa a insist\u00eancia da cadeia significante, em proveito do gozo. Com que recursos o tratamento anal\u00edtico pode contar, quando o seu objetivo \u00e9 atingir a repeti\u00e7\u00e3o de gozo, considerando que essa dimens\u00e3o do real n\u00e3o \u00e9 abord\u00e1vel, nem por meio da fun\u00e7\u00e3o significante, nem pelo objeto <em>a<\/em> do fantasma? \u00c9 preciso considerar que o objeto <em>a, <\/em>que se decanta do fantasma, \u00e9 parte integrante da insist\u00eancia do simb\u00f3lico em vedar o acesso ao gozo, tornando-se um protagonista das produ\u00e7\u00f5es de sentido. Logo, o objeto <em>a,<\/em> que se isola na constru\u00e7\u00e3o do fantasma, n\u00e3o sustenta a abordagem do real porque ele pr\u00f3prio se define como efeito de sentido e, por essa via, somos conduzidos \u00e0 cis\u00e3o entre o objeto <em>a<\/em> como efeito de sentido e o real. Portanto, o objeto <em>a<\/em> deixa de ser um fator sob o qual se capta a consist\u00eancia do real e torna-se um objeto que ocupa o lugar do semblante<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-540 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig3_analygia-1-300x166.jpg\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig3_analygia-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig3_analygia-1-768x425.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig3_analygia-1-350x194.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig3_analygia-1.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fig. 3<br \/>\n<\/strong>(Lacan, J. Semin\u00e1rio 20, p. 96)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ensino de Lacan, para dar conta desses obst\u00e1culos e impasses que sobrev\u00eam na pr\u00e1tica do analista, faz uso de uma esquema que prioriza a vetoriza\u00e7\u00e3o das tr\u00eas consist\u00eancias RSI, muito mais que a homogeneiza\u00e7\u00e3o delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-554\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig4_analygia-1-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig4_analygia-1-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig4_analygia-1-768x497.jpg 768w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig4_analygia-1-350x227.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig4_analygia-1.jpg 825w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><br \/>\nFig. 4<br \/>\n<\/strong>(Miller, J.-A. <em>Le tout dernier Lacan, <\/em>23\/05\/2007)<\/p>\n<p>N\u00e3o se desconhece que a homogeneiza\u00e7\u00e3o, com seu efeito de gerar uma hi\u00e2ncia entre os tr\u00eas registros, seja um aspecto fundamental da perspectiva borromeana. Por\u00e9m, a meu ver, tratar o enla\u00e7amento borromeano RSI pela via dos tr\u00eas vetores no sentido girat\u00f3rio \u00e9 o meio mais eficaz para se dar conta <em>de onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem. <\/em>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Miller, na li\u00e7\u00e3o de <em>O ultim\u00edssimo Lacan,<\/em> intitulada &#8220;O real n\u00e3o fala&#8221;, det\u00e9m-se longamente na forma simplificada desse esquema, chamando nossa aten\u00e7\u00e3o para a vetoriza\u00e7\u00e3o: o simb\u00f3lico se dirige ao real, o real ao imagin\u00e1rio, e o imagin\u00e1rio ao simb\u00f3lico<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>. Vejamos o modo como se toma esse esquema com os vetores assim orientados, para restituir os elementos que obstruem o avan\u00e7o da experi\u00eancia anal\u00edtica. Em primeiro lugar, quando o imagin\u00e1rio se dirige ao simb\u00f3lico <strong>[I\u2192S]<\/strong>, gera o que se tem insistido aqui, que \u00e9 a imaginariza\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico, cuja express\u00e3o maior \u00e9 a vertente imagin\u00e1ria do fantasma. Em segundo lugar temos o vetor <strong>[S\u2192R], <\/strong>que foi alvo do nosso coment\u00e1rio anterior, onde se localiza o objeto<em> a <\/em>entendido como semblante.<\/p>\n<p>O destaque concernente \u00e0s dificuldades que se apresentam no curso do tratamento \u00e9 dado por Miller ao vetor que se coloca entre o imagin\u00e1rio e o real <strong>[R\u2192I]<\/strong>. A import\u00e2ncia cl\u00ednica desse vetor \u00e9 a descontinuidade entre o imagin\u00e1rio e o real. \u00c9 exatamente o contr\u00e1rio do que acontece no vetor do imagin\u00e1rio ao simb\u00f3lico <strong>[I\u2192S] <\/strong>que tem lugar de maneira quase espont\u00e2nea no momento em que o sujeito fala e elucubra, ao longo do tratamento, sobre suas raz\u00f5es de ser.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-539 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig5_analygia-278x300.jpg\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig5_analygia-278x300.jpg 278w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig5_analygia-350x378.jpg 350w, https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/fig5_analygia.jpg 678w\" sizes=\"(max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fig. 5<\/strong><br \/>\n<span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">(Miller, J.-A. <\/span><em style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Le tout dernier Lacan, <\/em><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">23\/05\/2007)<\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Miller, em sua leitura do ultim\u00edssimo Lacan, preconiza que o fator cl\u00ednico maior das neuroses \u00e9 a hi\u00e2ncia, que se encontra, como uma pedra, no caminho entre o imagin\u00e1rio e o real. Pode-se dizer que os tr\u00eas vetores que conectam as tr\u00eas consist\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o iguais entre si, pois aquele que vai do real ao imagin\u00e1rio de destaca pela presen\u00e7a de uma hi\u00e2ncia na qual se aloja a inibi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>. Como se v\u00ea, nesse \u00faltimo trajeto o simb\u00f3lico est\u00e1 fora da jogada, na medida em que suas manifesta\u00e7\u00f5es desaguam inexoravelmente no imagin\u00e1rio, e essa \u00e9 a pris\u00e3o da qual o neur\u00f3tico n\u00e3o pode sair. \u00c9 por isso que Lacan recorre \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da imagem como uma ferramenta capaz de mostrar como se comportam as coisas das quais se trata em sua repeti\u00e7\u00e3o de gozo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>De onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem<\/strong><\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller, em uma pronunciamento publicado com o t\u00edtulo <em>Quando o tratamento para<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup><strong>[24]<\/strong><\/sup><\/a>, <\/em>declina v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es em que a experi\u00eancia anal\u00edtica com pacientes neur\u00f3ticos n\u00e3o avan\u00e7a nem termina. Ele observa que os tratamentos que n\u00e3o terminam s\u00e3o aqueles que n\u00e3o levam a parte alguma. Primeiramente, menciona algumas situa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de pacientes que se conectam ao analista para dar um sentido \u00e0 sua vida. \u00c9 o caso do neur\u00f3tico que d\u00e1 express\u00e3o \u00e0 sua vontade de justifica\u00e7\u00e3o nas sess\u00f5es, tomando o analista como testemunha para realizar uma limpeza subjetiva. Nessa ocorr\u00eancia, o sujeito n\u00e3o pode encarar o que lhe \u00e9 dito, porque suspeita demais dos significantes alusivos. Tudo \u00e9 pesado demais para ele, que resta submerso no pr\u00f3prio mon\u00f3logo e na narra\u00e7\u00e3o de sua vida, o que o impede de fazer o que tem a fazer. H\u00e1 tamb\u00e9m o neur\u00f3tico que se apega ao amor de transfer\u00eancia como uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Para alguns acontece, mesmo, de ser a \u00fanica rela\u00e7\u00e3o de amor na vida deles e, ent\u00e3o, eles se nutrem do la\u00e7o transferencial e ao mesmo tempo o alimentam. H\u00e1 ainda aquelas an\u00e1lises em que a sess\u00e3o \u00e9 fonte de prazer e de gozo, para o analisante. Estes podem at\u00e9 trocar de analista, mas n\u00e3o se cansam da an\u00e1lise. Uma an\u00e1lise pode tamb\u00e9m estancar sob a forma\u00e7\u00e3o de um tamp\u00e3o, o que\u00a0 acontece\u00a0 quando o sujeito se satisfaz de uma identifica\u00e7\u00e3o, de uma f\u00f3rmula de seu ser, que funciona como um significante final. &#8220;Eu sou isso\u2026 Ok!&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a dificuldade fundamental em rela\u00e7\u00e3o ao ponto de onde os neur\u00f3ticos n\u00e3o saem concerne sempre, como referido antes, ao &#8220;fantasma reduzido a um fantasma fundamental particular, cujo n\u00facleo \u00e9 o gozo&#8221;<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>. Mais precisamente, se trata de uma unidade libidinal, denominada &#8220;objeto <em>a<\/em>&#8220;<em>. <\/em>Essa unidade de gozo fundamental para o sujeito constitui um obst\u00e1culo porque n\u00e3o se dilui. Lacan considerou, inicialmente, que diluir essa unidade seria uma via de sa\u00edda para o impasse freudiano no tocante ao final da an\u00e1lise. Depois, admite que esse impasse \u00e9 constitutivo do ser de gozo do sujeito, o que se enuncia sob o modo do aforisma &#8220;n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual&#8221;. O insol\u00favel, o imposs\u00edvel, \u00e9 a inexist\u00eancia de f\u00f3rmulas sexuais capazes de dar conta do desencontro entre os sexos. Esse imposs\u00edvel \u00e9 uma coisa que se deve admitir. &#8220;Se voc\u00ea \u00e9 totalmente desmunido para ser inteiramente homem ou mulher, em contrapartida \u00e9 imposs\u00edvel ser convenientemente um homem para uma mulher ou uma mulher para um homem. Aceite isso, ent\u00e3o!&#8221;<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> \u00c9 um fim por consentimento. Consentir com o imposs\u00edvel sup\u00f5e uma abertura a\u00a0 acontecimentos imprevistos, a encontros, enfim, com a conting\u00eancia. Encontros que podem ser frut\u00edferos na vida e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade n\u00e3o-sabida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando Lacan visualiza o real das neuroses<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 Lacan que nos d\u00e1 uma ideia do real nas neuroses, em <em>A l\u00f3gica do fantasma, <\/em>a partir do ponto fundamental ao qual chega nesse semin\u00e1rio ao afirmar que <em>&#8220;o ato sexual n\u00e3o pode ser colocado em f\u00f3rmula&#8221;<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup><strong>[27]<\/strong><\/sup><\/a>.<\/em> Como se sabe, isso quer dizer que, no n\u00edvel do real e do inconsciente, nenhuma norma \u00e9 prescrita quanto ao sexo; cada sujeito tem que se mensurar pois n\u00e3o h\u00e1 medida, e a maneira como a articula vai lhe levar ao seu fantasma fundamental. A dificuldade do neur\u00f3tico, sinaliza Lacan, \u00e9 justamente a de imaginar a dist\u00e2ncia que h\u00e1 entre a fun\u00e7\u00e3o do fantasma no n\u00edvel dito perverso \u2013 que como assinalamos, o perverso sabe sobre o gozo \u2013, e a sua fun\u00e7\u00e3o no registro neur\u00f3tico \u2013 daquele que n\u00e3o quer nada saber. Lacan\u00a0 prop\u00f5e um visual para captar o real nas neuroses, que \u00e9 &#8220;o quarto de dormir&#8221;!<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O quarto de dormir existe em teoria, diferentemente do ato sexual. Lacan insiste para prestarmos muita aten\u00e7\u00e3o no fato de que tudo que acontece com o neur\u00f3tico, acontece essencialmente longe do quarto de dormir. Na fobia pode acontecer no guarda roupas, no corredor ou na cozinha. A histeria acontece em qualquer ante-sala, aqu\u00e9m do quarto de dormir. A obsess\u00e3o nos banheiros. Isso \u00e9 muito importante, diz Lacan. S\u00e3o as estrat\u00e9gias do neur\u00f3tico para evitar chegar ao quarto de dormir. E o que os impede de chegar ao quarto de dormir? O n\u00facleo do fantasma, como vimos. Mas tamb\u00e9m podemos investigar, na cl\u00ednica atual, por qual justificativa passa a determina\u00e7\u00e3o apaixonada dos neur\u00f3ticos em n\u00e3o querer nada saber do \u201cn\u00e3o h\u00e1 ato sexual&#8221;? Ou como justificam a paix\u00e3o de querer fazer existir o homem e a mulher enquanto tal, o que se contrap\u00f5e \u00e0 procrastina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao encontro com o Outro sexo. Estas quest\u00f5es concernem igualmente ao desejo do qual os neur\u00f3ticos se defendem com o fantasma, em fun\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio papel do fantasma que \u00e9 o dever de sempre se inscrever: desejo prevenido para a fobia, o desejo insatisfeito para a hist\u00e9rica, e para o obsessivo, o registro do desejo imposs\u00edvel. Deixamos em aberto estas quest\u00f5es para as investiga\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que ter\u00e3o lugar na 27\u00aa Jornada da EBP-MG, sabendo que no quarto de dormir onde n\u00e3o acontece nada, onde o ato sexual se apresenta como foraclu\u00eddo, \u00e9 o consult\u00f3rio do analista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. \u201cLa passion du n\u00e9vros\u00e9\u201d. In <em>La Cause du d\u00e9sir,<\/em> out 2016,\u00a0 n\u00ba 93. p. 112-122.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, Jacques. \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d. In<em>\u00a0 Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988. p. 619.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. \u201cLa passion du n\u00e9vros\u00e9\u201d. <em>Op. Cit. <\/em>p. 113.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 20, <em>mais, ainda <\/em>(1972-1973). 3\u00aa ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. p.9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. <em>El <\/em>ultim\u00edssimo<em> Lacan. <\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2003. p. 271.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Idem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> LACAN, Jacques. \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo\u201d. In <em>Escritos. Op. Cit.<\/em>, p. 841. A falta-a-ser (-\u03c6), no neur\u00f3tico, se insinua sobre o sujeto barrado favorecendo a imagina\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, a imagina\u00e7\u00e3o do eu. \u00c9 porque ele sofre a castra\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria logo de sa\u00edda, que a imagina\u00e7\u00e3o vai estar a servi\u00e7o de sustentar seu eu, fortalecer o eu de uma maneira\u00a0 t\u00e3o forte que seu nome pr\u00f3prio, marca do desejo do Outro, o importuna. Enfim, o neur\u00f3tico \u00e9 um Sem-Nome porque esconde a castra\u00e7\u00e3o que ele nega, mas, ao mesmo tempo, se apega demais a ela, mergulha na sua falta-a-ser.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. \u201cLa passion du n\u00e9vros\u00e9\u201d. In <em>La Cause du d\u00e9sir.<\/em>, <em>Op. cit.,<\/em> p. 114.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ibidem, p. 115.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Idem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. La passi\u00f3n del neur\u00f3tico<em>. <\/em>In<em> Introducci\u00f3n a la Cl\u00ednica Lacaniana<\/em>. Conferencias en Espa\u00f1a. Barcelona: RBA Libros, 2006. p. 83.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> LACAN, Jacques. Le S\u00e9minaire de Jacques Lacan, texte \u00e9tablie par Jacques-Alain Miller, R.S.I., le\u00e7ons du 10 et 17 d\u00e9c., 1974. In <em>Ornicar<\/em>, n\u00ba 2.p. 96.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 20, <em>mais, ainda <\/em>(1972-1973). 3\u00aa ed. <em>Op. Cit.,<\/em> p. 99.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 2, <em>o eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da psican\u00e1lise <\/em>(1954-1955). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p. 129-132.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 17, <em>o avesso da psican\u00e1lise <\/em>(1969-1970). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992. p. 45. Citado por MILLER, Jacques-Alain. Os seis paradigmas do gozo. In <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line, <\/em>Ano 3, n\u00ba7, mar\u00e7o 2012. p. 32. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/opcaolacaniana.com.br\">http:\/\/opcaolacaniana.com.br<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 17, <em>o avesso da psican\u00e1lise. Op. Cit. <\/em>p.73.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. Os seis paradigmas do gozo. In <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line, <\/em>Ano 3, n\u00ba7, mar\u00e7o 2012. p. 32. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/opcaolacaniana.com.br\">http:\/\/opcaolacaniana.com.br<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 17, <em>o avesso da psican\u00e1lise. Op. Cit. <\/em>p.73. Citado por MILLER, Jacques-Alain. Os seis paradigmas do gozo. In <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line, Op. Cit.<\/em> p. 32.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 17, <em>o avesso da psican\u00e1lise. Op. Cit. <\/em>p.74.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. Os seis paradigmas do gozo. In <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana on-line.<\/em> <em>Op. Cit. <\/em>p. 35.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> LACAN, Jacques, <em>O Semin\u00e1rio<\/em>, livro 20, <em>mais, ainda.<\/em> <em>Op. Cit.<\/em> p. 102.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. <em>El <\/em>ultim\u00edssimo <em>Lacan.<\/em> <em>Op. Cit. <\/em>p. 240.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. <em>El <\/em>ultim\u00edssimo <em>Lacan.<\/em> <em>Op. Cit. <\/em>p. 195.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. Quand la cure s&#8217;arr\u00eate (11\/05\/2009). In <em>Quarto, <\/em>96, octobre 2009. p.10-15.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Ibidem, p.11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Idem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> MILLER, Jacques-Alain,. Propos sur <em>La logique du fantasme. <\/em>\u00a0In <em>La cause du d\u00e9sir, <\/em>n\u00ba 114, juillet 2013. p.70.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> LACAN, Jacques. <em>Le S\u00e9minaire, <\/em>livre XIV, <em>La logique du fantasme. <\/em>Paris: Seuil, 2023. p. 423.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;30&#8243; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; align_medium=&#8221;align_center_tablet&#8221; medium_width=&#8221;2&#8243; align_mobile=&#8221;align_center_mobile&#8221; mobile_width=&#8221;6&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;654255&#8243;][vc_single_image media=&#8221;565&#8243; media_width_percent=&#8221;70&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;145673&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F06%2FDa-vontade-de-justificacao-a-repeticao-de-gozo.pdf|target:_blank&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;137017&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Para baixar o arquivo, abra o PDF em nova aba.[\/vc_custom_heading][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ana Lydia Santiago<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,23],"tags":[],"class_list":["post-534","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ana-lydia-santiago","category-textos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=534"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":739,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/534\/revisions\/739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}