{"id":831,"date":"2024-11-14T11:20:44","date_gmt":"2024-11-14T11:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/?p=831"},"modified":"2024-11-14T11:24:46","modified_gmt":"2024-11-14T11:24:46","slug":"ultimo-seminario-preparatorio-para-ainda-nao-concluir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/ultimo-seminario-preparatorio-para-ainda-nao-concluir\/","title":{"rendered":"\u00daLTIMO SEMIN\u00c1RIO PREPARAT\u00d3RIO:  Transposi\u00e7\u00e3o ou Unterdr\u00fcckung (supress\u00e3o) da inibi\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;140723&#8243;][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_right&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;151377&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; text_weight=&#8221;700&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;199695&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Semin\u00e1rio preparat\u00f3rio<br \/>\n24.10.2024<br \/>\nCONCLUS\u00c3O[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;0&#8243;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_custom_heading auto_text=&#8221;yes&#8221; text_color=&#8221;accent&#8221; heading_semantic=&#8221;h1&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h1&#8243; text_weight=&#8221;900&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;615983&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_custom_heading auto_text=&#8221;excerpt&#8221; text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;116332&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]This is a custom heading element.[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;491379&#8243;]Totem e tabu n\u00e3o \u00e9 mais um mito que nos permite ler o que acontece nos dias de hoje nas rela\u00e7\u00f5es entre o falasser e o gozo. Essa rela\u00e7\u00e3o cada vez mais escapa de uma submiss\u00e3o \u00e0 lei, que \u00e9 consequ\u00eancia do pacto firmado entre os filhos ap\u00f3s o assassinato do Pai, e que estabelece a perman\u00eancia do lugar paterno como vazio. Em Totem e tabu verificamos que num s\u00f3 tempo h\u00e1 uma ren\u00fancia ao gozo, \u201ctodos castrados\u201d, e um consentimento de que o desejo sexual seja regulado pela lei. Sob essa l\u00f3gica, a lei opera pela via da interdi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m franqueia o acesso ao gozo, aquele que ela estabelece como \u201cnormal\u201d.<\/p>\n<p>Como nos mostra o relat\u00f3rio referente ao Eixo 3 da 27<sup>a<\/sup> Jornada da EBP-MG, redigido por Simone Souto, a norma, com o decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna, ao se apresentar ao modo da lei simb\u00f3lica, altera a rela\u00e7\u00e3o do falasser com o gozo: se, antes, imperava o universal \u201ctodos castrados\u201d, com a norma se tem o imperativo \u201ctodos t\u00eam direito ao gozo\u201d. a norma toma a voz do imperativo do supereu &#8211; <em>Goza!<\/em>. \u201cTodos devem gozar\u201d e, como o gozo que se obt\u00e9m nunca \u00e9 o gozo esperado, o falasser fica preso a essa repeti\u00e7\u00e3o de gozo que n\u00e3o cessa de se escrever.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>O gozo \u00e9 o limite<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em \u201cO aturdito\u201d,<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> Lacan observa que o supereu empurra o sujeito a um gozo para al\u00e9m do falo, fazendo-o girar em torno da aspira\u00e7\u00e3o por um gozo absoluto, imperativo. Esse imperativo sempre fracassa, pois, para o falasser, o gozo \u00e9 aparelhado na linguagem e, o que subjaz sob esse imperativo \u00e9 o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual. Por essa raz\u00e3o, o supereu \u00e9 correlato da castra\u00e7\u00e3o. A castra\u00e7\u00e3o se efetiva n\u00e3o mais pela via da lei paterna, mas pela hi\u00e2ncia aberta entre o gozo que se obt\u00e9m e o gozo que se espera. O gozo que se obt\u00e9m est\u00e1 submetido a um limite, porque o furo da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual est\u00e1 estabelecido para o neur\u00f3tico, embora ele nada queira saber sobre isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos da import\u00e2ncia que Freud concede ao pai na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o gozo. Em <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, Lacan ressalta que Freud, em um determinado momento, elege o complexo de \u00c9dipo em detrimento da escuta de suas analisantes hist\u00e9ricas, que podiam lev\u00e1-lo bem mais longe, para al\u00e9m do complexo de \u00c9dipo, como Miller nomeia o conjunto de cap\u00edtulos que apresenta essa observa\u00e7\u00e3o lacaniana.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> O curioso \u00e9 que, em 1905,<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> encontramos uma passagem em Freud que de algum modo aproxima essa discuss\u00e3o sobre a castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o estar vinculada ao pai, mas a um processo interno. Ao discutir as inibi\u00e7\u00f5es sexuais, observa que, no per\u00edodo de lat\u00eancia se constroem as for\u00e7as ps\u00edquicas que v\u00e3o funcionar como barreiras para restringir o curso da puls\u00e3o sexual no caminho de sua satisfa\u00e7\u00e3o. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que Freud n\u00e3o atribui apenas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a responsabilidade da constru\u00e7\u00e3o dessas barreiras, pois isso \u201cpode ocasionalmente ocorrer sem qualquer aux\u00edlio da educa\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> Para ele, a constru\u00e7\u00e3o dessas barreiras \u00e9 organicamente determinada e fixada pela hereditariedade. Embora n\u00e3o saibamos a que exatamente ele est\u00e1 se referindo com as palavras \u201corganicamente\u201d e \u201chereditariedade\u201d, podemos interpretar essa passagem como a indica\u00e7\u00e3o de que o impedimento de uma puls\u00e3o se satisfazer livremente n\u00e3o est\u00e1 condicionado nem a um agente externo, nem a uma amea\u00e7a externa. Ou seja, h\u00e1 algo no pr\u00f3prio funcionamento ps\u00edquico que impulsiona a constru\u00e7\u00e3o de barreiras e det\u00e9m o fluxo pulsional em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o. Logo, h\u00e1 uma perda da satisfa\u00e7\u00e3o pulsional que n\u00e3o se vincula \u00e0 cl\u00e1ssica e hoje t\u00e3o questionada interdi\u00e7\u00e3o paterna.<\/p>\n<p>Atualmente, como tamb\u00e9m nos mostrou Simone Souto no relat\u00f3rio j\u00e1 citado, sob a norma inclusiva do gozo, os neur\u00f3ticos est\u00e3o cada vez mais enredados em seus <em>loopings<\/em> de gozo e culpados por n\u00e3o gozarem como deveriam, esperando que, a cada volta, possam alcan\u00e7ar o gozo que conviria \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, caso ela existisse. A experi\u00eancia anal\u00edtica que se orientava pela primazia do simb\u00f3lico j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para lidar com esses sujeitos enredados na preval\u00eancia do gozo, pois o simb\u00f3lico fracassa no acesso ao real. O real n\u00e3o fala, e, portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel simboliz\u00e1-lo; trata-se, ent\u00e3o, de aced\u00ea-lo pela imagem \u2013 como nos diz Miller: um novo visual para imaginar o real. \u00c9 justamente o que Lacan prop\u00f5e em seu ultim\u00edssimo ensino: o imagin\u00e1rio como a via pela qual se pode vislumbrar o real.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 o pr\u00f3prio gozo que engendra a castra\u00e7\u00e3o, estabelecendo um limite, mesmo que o sujeito se recuse em consentir com o furo da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual e com a inexist\u00eancia do gozo absoluto, como podemos, ent\u00e3o, reconhecer o funcionamento neur\u00f3tico, se n\u00e3o \u00e9 mais o recalque que est\u00e1 no cerne da defesa frente \u00e0 exig\u00eancia pulsional?<\/p>\n<p>Encontramos em cada relat\u00f3rio apresentado nos Semin\u00e1rios Preparat\u00f3rios elementos para elaborarmos uma resposta para essa quest\u00e3o, al\u00e9m de um trabalho cl\u00ednico exaustivo sobre essa tem\u00e1tica. N\u00e3o ser\u00e1 meu objetivo retomar o caminho j\u00e1 percorrido, mas me servir dele para relan\u00e7ar uma ou, talvez, algumas quest\u00f5es que possam continuar nos inquietando at\u00e9 27\u00aa Jornada da EBP-MG.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio <em>O sinthoma<\/em>,<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> Lacan nos apresenta um outro modo de abordar a subjetividade do falasser. N\u00e3o h\u00e1 mais a primazia entre os registros Simb\u00f3lico, Imagin\u00e1rio e Real e sim uma rela\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia. Importa saber a rela\u00e7\u00e3o que cada um tem com o outro e como eles se enodam. Pensar a cl\u00ednica a partir do enodamento entre R, S e I, as falhas que acontecem nessa amarra\u00e7\u00e3o e as repara\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para mant\u00ea-los juntos a partir do acr\u00e9scimo da quarta rodinha de barbante, o sinthoma, independente da estrutura cl\u00ednica em jogo, \u00e9 sair da l\u00f3gica do gozo como resto de uma opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para tom\u00e1-lo como acontecimento de corpo, e tomar a constitui\u00e7\u00e3o do sinthoma como itera\u00e7\u00e3o do gozo advindo do impacto do significante, S<sub>1<\/sub> sozinho, no corpo. No sinthoma, h\u00e1 itera\u00e7\u00e3o do S<sub>1<\/sub> sozinho, ou seja, ele n\u00e3o \u00e9 definido como o retorno do recalcado.<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Gontijo apresenta a import\u00e2ncia do tema da 27\u00aa Jornada, <em>&#8230;e as neuroses continuam existindo<\/em>, \u201cem um mundo cada vez mais tomado pelas psicoses\u201d,<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> lan\u00e7ando o desafio de cingirmos os referentes te\u00f3rico-cl\u00ednicos que nos orientem na diferencia\u00e7\u00e3o entre neurose e psicose e qual seria o estatuto da interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>O fantasma, o objeto a e a inibi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>No ultim\u00edssimo ensino de Lacan, localizado por Miller nos Semin\u00e1rios 24 e 25, encontramos uma nova defini\u00e7\u00e3o da neurose, sem recorrer ao Nome-do-Pai ou ao falo. Na li\u00e7\u00e3o \u201cO real n\u00e3o fala\u201d,<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a> Miller retoma o esquema, apresentado no cap\u00edtulo VIII do Semin\u00e1rio 20, que define os lugares de R, S e I a partir de tr\u00eas vetores orientados no sentido hor\u00e1rio. Nesse esquema, tamb\u00e9m trabalhado no relat\u00f3rio do Eixo 1 redigido por Ana Lydia Santiago, o imagin\u00e1rio se dirige ao simb\u00f3lico, I\u2192S, e nessa imaginariza\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico se situa o fantasma; o simb\u00f3lico se dirige ao real, S\u2192R, e nesse caminho Lacan situa o objeto <em>a<\/em>. No referido cap\u00edtulo, Lacan faz o movimento de estabelecer uma disjun\u00e7\u00e3o entre o real e o simb\u00f3lico. Ao acrescentar o semblante no caminho do simb\u00f3lico para o real, ele indica a inadequa\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em> na abordagem do real, porque diz respeito ao efeito de sentido: \u201co simb\u00f3lico, ao se dirigir para o real, nos demonstra a verdadeira natureza do objeto <em>a<\/em>\u201d,<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> sua natureza de semblante de ser. E, por fim, o real se dirige para o imagin\u00e1rio, R\u2192I, \u00e9 a imaginariza\u00e7\u00e3o do real. No Semin\u00e1rio 25, Lacan situa a inibi\u00e7\u00e3o nesse vetor.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 hi\u00e2ncia que se apresenta, na neurose, entre imagin\u00e1rio e real, h\u00e1 uma dificuldade em se utilizar uma imagem para se ter uma ideia do real. Essa dificuldade \u00e9 da ordem de uma inibi\u00e7\u00e3o. Lacan, portanto, situa a inibi\u00e7\u00e3o como uma defesa que impede o neur\u00f3tico de imaginar o real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>A inibi\u00e7\u00e3o de Freud a Lacan<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em Freud, a inibi\u00e7\u00e3o se refere a uma deten\u00e7\u00e3o do movimento, \u00e9 o impedimento do exerc\u00edcio de uma fun\u00e7\u00e3o para evitar o desencadeamento da ang\u00fastia. Ela consiste numa solu\u00e7\u00e3o mais eficiente para a ang\u00fastia, podendo, em alguns casos, evitar um conflito com o Isso. Freud apresenta, como exemplos, a inibi\u00e7\u00e3o em tocar piano, ou escrever, ou andar, e \u201cisso ocorre porque os \u00f3rg\u00e3os f\u00edsicos postos em a\u00e7\u00e3o \u2013 os dedos ou as pernas \u2013 se tornam erotizados de forma muito acentuada\u201d.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a> Tamb\u00e9m existem inibi\u00e7\u00f5es que servem \u00e0 autopuni\u00e7\u00e3o, em que o eu inibe a realiza\u00e7\u00e3o de atividades no campo profissional que trariam lucro e sucesso. Essas inibi\u00e7\u00f5es evitam um conflito com o supereu.<\/p>\n<p>H\u00e1 estados de depress\u00e3o que podem decorrer de uma inibi\u00e7\u00e3o generalizada, quando o eu tem que lidar com uma tarefa ps\u00edquica particularmente dif\u00edcil. Como exemplo, um neur\u00f3tico obsessivo que era dominado por uma fadiga paralisante, que durava um ou mais dias, sempre que acontecia algo que evidentemente deveria t\u00ea-lo enfurecido.<\/p>\n<p>Lacan se serve das elabora\u00e7\u00f5es freudianas em \u201cInibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ang\u00fastia\u201d em dois momentos de seu ensino. Um deles se encontra no Semin\u00e1rio <em>A ang\u00fastia<\/em>,<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a> em que ele disp\u00f5e essa tr\u00edade freudiana em tr\u00eas planos, orientados pelos vetores da dificuldade e do movimento. A inibi\u00e7\u00e3o ocupa o lugar em que h\u00e1 zero dificuldade e zero movimento. Diametralmente oposto a ela se encontra a ang\u00fastia, sinalizando que seu lugar est\u00e1 determinado pelo alto grau de dificuldade e de movimento.<\/p>\n<p>Outro momento \u00e9 no Semin\u00e1rio <em>RSI<\/em>, logo nas primeiras li\u00e7\u00f5es, em que Lacan articula inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia com os registros real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio, respectivamente:<\/p>\n<blockquote><p>[&#8230;] no que diz respeito \u00e0 Ang\u00fastia, Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma, que distribu\u00ed em tr\u00eas planos<\/p>\n<p>Inibi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Sintoma<\/p>\n<p>Ang\u00fastia<\/p>\n<p>para poder, justamente, demonstrar, o que \u00e9 sens\u00edvel, desde aquela \u00e9poca, a saber, que esses tr\u00eas termos, Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ang\u00fastia s\u00e3o heterog\u00eaneos entre si como os meus termos Real, Simb\u00f3lico e Imagin\u00e1rio. (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>No Semin\u00e1rio <em>RSI<\/em>, Lacan procura demonstrar que o n\u00f3 borromeano, ou seja, a amarra\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas registros, \u00e9 o que constitui a subjetividade, a estrutura do ser falante, sem se valer do mito do \u00c9dipo, embora, em algumas passagens, tente articular o mito edipiano com os registros. Seu interesse pelo modo como Freud aborda a constitui\u00e7\u00e3o do funcionamento ps\u00edquico em torno da inibi\u00e7\u00e3o, do sintoma e da ang\u00fastia se d\u00e1 por reconhecer que, no texto em que esses termos aparecem no t\u00edtulo, Freud pensa a estrutura neur\u00f3tica sem colocar o mito de \u00c9dipo como central. Para Freud, a ang\u00fastia \u00e9 o elemento central das neuroses, e a inibi\u00e7\u00e3o, por sua capacidade de antecipar-se ao seu surgimento, detendo o movimento, revela-se como a defesa mais eficiente contra ela. O sintoma, por sua vez, \u00e9 uma resposta ao desencadeamento da ang\u00fastia.<\/p>\n<p>O primeiro ponto a ser destacado quanto \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que ela pr\u00f3pria resolve o que n\u00e3o pode ser satisfeito no corpo, ou seja, a satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 posta fora de a\u00e7\u00e3o pela deten\u00e7\u00e3o do movimento. J\u00e1 o sintoma, enquanto retorno do recalcado, \u00e9 definido como \u201cum sinal e um substituto de uma satisfa\u00e7\u00e3o pulsional que permaneceu em estado jacente\u201d,<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a> e demonstra que a defesa do recalque falha. A presen\u00e7a do sintoma no eu \u00e9 sempre a de um corpo estranho, de algo que n\u00e3o lhe pertence.<\/p>\n<p>Quando Lacan, em seu ultim\u00edssimo ensino, define a neurose a partir da inibi\u00e7\u00e3o \u2013 inibi\u00e7\u00e3o em produzir um visual sobre o real, porque entre o real e o imagin\u00e1rio n\u00e3o existe continuidade, e sim hi\u00e2ncia \u2013, ele segue a orienta\u00e7\u00e3o freudiana de que na inibi\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma efic\u00e1cia, pois h\u00e1 uma deten\u00e7\u00e3o do movimento. Isso vai na mesma dire\u00e7\u00e3o da seguinte afirma\u00e7\u00e3o de Miller: \u201c\u00e9 certo que o que ele chama ang\u00fastia \u00e9 o que conota a passagem da realidade ao real, a travessia da realidade no sentido do real e que, com isso, \u00e9 correlativa de uma falha do significante\u201d.<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a> O que estanca esse movimento, o que o det\u00e9m, com a finalidade em evitar a ang\u00fastia, \u00e9 a inibi\u00e7\u00e3o. A inibi\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 uma defesa frente ao real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Transposi\u00e7\u00e3o ou <em>Unterdr\u00fcckung <\/em>(supress\u00e3o) da inibi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Sabemos que, na neurose, a hi\u00e2ncia entre I e R n\u00e3o se desfaz. E quanto \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel transp\u00f4-la? Transpor a inibi\u00e7\u00e3o comporta consentir com o \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d? Ou o que acontece n\u00e3o seria da ordem de uma transposi\u00e7\u00e3o, e sim de uma supress\u00e3o, da <em>Unterdr\u00fcckung<\/em>, tal como sugere Lacan em rela\u00e7\u00e3o ao trope\u00e7o de mem\u00f3ria de Freud, o esquecimento da palavra <em>Signorelli<\/em>? No caso, a \u201cpalavra <em>Signor, Herr<\/em>, passa por baixo \u2013 o senhor absoluto, a morte, para dizer tudo, desaparece ali\u201d.<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> Isso quer dizer que o <em>Signor<\/em> \u00e9 mantido no circuito sem poder entrar nele por algum tempo. Podemos pensar que a inibi\u00e7\u00e3o pode ser suprimida, mas ela se mant\u00e9m, sem interferir no processo em que se produz um visual para aceder o real? A inibi\u00e7\u00e3o fica fora do circuito apenas por um tempo?<\/p>\n<p>Durante a discuss\u00e3o do primeiro relat\u00f3rio, J\u00e9sus Santiago perguntou se o sonho poderia ser um visual proposto pelo imagin\u00e1rio para se ter uma ideia do real. No relat\u00f3rio do Eixo 3, Simone Souto prop\u00f5e o sonho como uma via para apresentar esse visual, porque apresenta uma imagem \u201cpara enfrentar o sil\u00eancio do real\u201d.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a> Traz como exemplo o sonho de Freud da Inje\u00e7\u00e3o de Irma.<\/p>\n<p>Ao analisar seu sonho, Freud aponta para o momento em que surge uma imagem aterradora e angustiante, que \u00e9 a imagem do fundo da garganta de Irma. Lacan reconhece nessa imagem a revela\u00e7\u00e3o do real. Freud n\u00e3o desperta e seu sonho vai mais adiante, conduzindo-o a uma outra imagem, que \u00e9 a f\u00f3rmula da trimetilamina. Nesse sonho, surge um visual para se aceder ao real, de dois modos diferentes. Num primeiro momento, s\u00f3 a imagem aterradora; como Freud vai al\u00e9m e n\u00e3o acorda, para continuar sonhando, chega a uma segunda imagem, a f\u00f3rmula da trimetilamina, que n\u00e3o conduz ao sentido, mas a uma sequ\u00eancia de letras, que Lacan aborda como sendo o real cifrado em letras. O percurso desse sonho poderia ser reduzido do seguinte modo: da imagem aterradora \u2013 um visual do real \u2013 que causa ang\u00fastia, \u00e0 imagem de um real cifrado em letras. \u00c9 poss\u00edvel dizer que a f\u00f3rmula da trimetilamina, esse segundo visual, foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada por Freud ao horror ao feminino? Embora em suas elabora\u00e7\u00f5es o enigma do feminino persista com a quest\u00e3o <em>O que quer uma mulher?<\/em>, ele n\u00e3o alcan\u00e7a teoricamente o triunfo alcan\u00e7ado em seu sonho: o feminino fora do sentido.<\/p>\n<p>Se, nesse sonho, uma imagem se produz capaz de revelar o real que n\u00e3o fala, o que aconteceu com a inibi\u00e7\u00e3o? Ela foi suprimida por um tempo, permitindo que esse visual que revela o real passasse por baixo?<\/p>\n<p>Eu lan\u00e7o a hip\u00f3tese de que, ao menos nos sonhos, quando eles produzem um visual que acessa o real, a <em>Unterdr\u00fcckung<\/em>, a supress\u00e3o da inibi\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre contingente. A inibi\u00e7\u00e3o em imaginar o real, nesses casos, n\u00e3o \u00e9 abolida. A inibi\u00e7\u00e3o sofre a a\u00e7\u00e3o da <em>Unterdr\u00fcckung<\/em>. Esse visual que surge no sonho n\u00e3o significa necessariamente que o sonhador vislumbre o furo da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual e extraia disso todas as consequ\u00eancias. Produzir, conforme indica o relat\u00f3rio do Eixo 3 escrito por Simone Souto, uma outra \u201cfix\u00e3o do real\u201d s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da experi\u00eancia anal\u00edtica, em que o analista interpreta com o corte de sentido, fazendo surgir uma significa\u00e7\u00e3o vazia.<\/p>\n<p>Trago um sonho extra\u00eddo do testemunho de passe de J\u00e9sus Santiago, no qual \u00e9 poss\u00edvel extrair um visual do real a partir do equ\u00edvoco homof\u00f4nico entre duas l\u00ednguas diferentes.\u00a0 O sonho \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p>Estou numa comemora\u00e7\u00e3o na Escola, aproximo-me de um de meus colegas que participava do grupo de discuss\u00e3o sobre o tema de um relat\u00f3rio e digo-lhe que encontrei a f\u00f3rmula para a solu\u00e7\u00e3o do problema do masculino. Convido-o para ir at\u00e9 a biblioteca e, no instante de mostrar-lhe minha descoberta, vejo folhas em branco, onde est\u00e1 escrito apenas o t\u00edtulo: \u201cf\u00f3rmula Q\u201d. Fico desapontado: onde teria escrito a solu\u00e7\u00e3o, deparo-me com o vazio.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao relatar esse sonho na l\u00edngua francesa, o que fica \u00e9 a fona\u00e7\u00e3o \u201c<em>formule cul<\/em>\u201d. Essa palavra, cuja significa\u00e7\u00e3o \u00e9 vazia, \u00e9 uma imagem que captura o gozo traum\u00e1tico do sujeito. Embora n\u00e3o seja um sonho de final de an\u00e1lise, \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o de que o final j\u00e1 estava em perspectiva.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, arrisco dizer que, atrav\u00e9s dos sonhos, \u00e9 poss\u00edvel suprimir a inibi\u00e7\u00e3o de se imaginar o real e, com isso, produzir uma imagem que d\u00ea certa ideia do real. Nos sonhos, isso acontece de modo contingente, o real cessa de n\u00e3o se escrever, ao menos naquele momento. Outra via para que se possa aceder ao real pelo imagin\u00e1rio \u00e9 a experi\u00eancia anal\u00edtica orientada pela interpreta\u00e7\u00e3o como corte, que esvazia o sentido, cuja visada \u00e9 o gozo do sinthoma.<\/p>\n<p>O que acontece com a inibi\u00e7\u00e3o que se aloja na hi\u00e2ncia entre imagin\u00e1rio e real, dificultando ao neur\u00f3tico imaginar o real numa experi\u00eancia anal\u00edtica? Haveria outra possibilidade, para o neur\u00f3tico, de aceder ao real pela via de um novo visual, apesar da inibi\u00e7\u00e3o? A esfolia\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio, que acarreta a redu\u00e7\u00e3o do fantasma, \u00e9 capaz de vencer a inibi\u00e7\u00e3o e permitir ao neur\u00f3tico aceder ao real pela via da imagem? Foram essas quest\u00f5es que me surgiram ao ler o relat\u00f3rio do Eixo 2, escrito por Lilany Pacheco. Esse relat\u00f3rio formula a seguinte hip\u00f3tese, partindo do lugar de primazia do corpo no ultim\u00edssimo Lacan:<\/p>\n<blockquote><p>esfoliar o imagin\u00e1rio implica, em \u00faltima inst\u00e2ncia, operar com os cortes no que retornam como algo tangenci\u00e1vel como gozo do corpo, de tal maneira que o falasser encontre um modo de se virar com o impasse do corpo como Outro. Com a l\u00f3gica de borracha, d\u00f3cil aos cortes, a rela\u00e7\u00e3o com o fantasma se torna um vetor para imaginar o real, e n\u00e3o mais a tela de prote\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Lacan, ao formular que o fantasma n\u00e3o \u00e9 apenas tela para o real, mas tamb\u00e9m funciona como janela para o real, prop\u00f5e duas fun\u00e7\u00f5es para ele. Uma delas seria a de prote\u00e7\u00e3o, de anteparo, mantendo o falasser a uma boa dist\u00e2ncia do real \u2013 aqui a inibi\u00e7\u00e3o em imaginar o real se apresenta. A outra, como janela para o real, seria de abertura ao real. O fantasma, nessa fun\u00e7\u00e3o de janela para o real, seria ele pr\u00f3prio um visual do real?<\/p>\n<p>Por um bom tempo, as an\u00e1lises eram conduzidas para a constru\u00e7\u00e3o do fantasma reduzindo-o a uma frase axiom\u00e1tica, tal como \u201cBate-se numa crian\u00e7a\u201d. A travessia do fantasma, ou seja, sua redu\u00e7\u00e3o a uma frase axiom\u00e1tica, possibilitar-nos-ia ter acesso ao real. Lacan, no entanto, observou que sempre h\u00e1 restos que n\u00e3o foram modificados pela travessia do fantasma. S\u00e3o esses restos que iteram no sinthoma.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio de Mattos, em seu texto \u201cO que se passa no que n\u00e3o anda na neurose\u201d, apresentado recentemente na Confer\u00eancia dos Analistas da Escola, nos d\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o do que acontece quando, ao esfoliar o imagin\u00e1rio, reduz-se o fantasma a uma frase axiom\u00e1tica, permitindo ao sujeito, com isso, cingir o objeto <em>a<\/em> que est\u00e1 em jogo. O longo trajeto de an\u00e1lise e os cortes do analista permitiram-lhe uma transforma\u00e7\u00e3o em sua rela\u00e7\u00e3o com o fantasma fundamental como programa de gozo. Ou seja, j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o submetido ao enquadre fantasm\u00e1tico. Foi um per\u00edodo da an\u00e1lise em que houve \u201co enfraquecimento da tela defensiva do fantasma e ao mesmo tempo totalmente tragado pelo gozo do apagamento\u201d, gozo de seu sinthoma. Nesse momento, sonha estar caminhando em um deserto, quando trope\u00e7a em um toco. O trabalho anal\u00edtico lhe possibilita encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica para essa imagem do sonho em que o toco marca uma orienta\u00e7\u00e3o: \u201ctocar adiante\u201d. Por outro lado, o (t)oco lhe remete ao nada que se conecta \u00e0 imagem do deserto. Sem o enquadre fantasm\u00e1tico, ao cingir o nada atrav\u00e9s do sonho p\u00f4de desvelar a \u201csitua\u00e7\u00e3o de devasta\u00e7\u00e3o que vivia como um radical apagamento\u201d. Com isso, \u00e9 levado \u00e0 lembran\u00e7a infantil de um acontecimento de corpo, permitindo-lhe discernir o objeto <em>a<\/em> em jogo em seu fantasma: o objeto nada. A an\u00e1lise continua, ultrapassa o deserto, e \u201ctransforma o nada em um lugar que situa um vazio\u201d. Isso se verifica em um sonho em que h\u00e1, entre outras coisas, \u201cuma moldura que envolve um vazio de azul maravilhoso\u201d e uma outra moldura que cont\u00e9m no seu interior uma mand\u00edbula de osso, representando a morte; mas a vida tamb\u00e9m se faz presente al\u00ed atrav\u00e9s da imagem da trepadeira florida, que se enrosca na moldura da morte. Esse sonho produz o visual em que o nada se transforma em vazio vivificante. Com esse testemunho, observamos a passagem do fantasma como tela para o real, e, portanto, em sua fun\u00e7\u00e3o de defesa, de anteparo para o real, para o fantasma enquanto janela para o real. Essa passagem s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando h\u00e1 esfolia\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que a redu\u00e7\u00e3o do fantasma em uma frase axiom\u00e1tica \u2013 uma frase, portanto, sem sentido \u2013 \u00e9 um visual, uma vez que ele se apresenta como janela para o real?\u00a0 Essas duas molduras que aparecem no sonho \u2013 uma que envolve um vazio de azul maravilhoso e a outra em que a mand\u00edbula de osso, que representa a morte, se entrela\u00e7a \u00e0 vida pela presen\u00e7a da trepadeira florida \u2013 seriam a exemplifica\u00e7\u00e3o de que houve uma <em>Unterdr\u00fcckung<\/em> da inibi\u00e7\u00e3o e, com isso, a produ\u00e7\u00e3o de um visual para se ter uma ideia do real que n\u00e3o fala?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse percurso, lan\u00e7o minha hip\u00f3tese: da mesma forma que a hi\u00e2ncia entre o imagin\u00e1rio e o real, na neurose, n\u00e3o se desfaz, o mesmo aconteceria com a inibi\u00e7\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 transposi\u00e7\u00e3o, tampouco desaparecimento da inibi\u00e7\u00e3o em imaginar o real. Acredito que h\u00e1 <em>Unterdr\u00fcckung<\/em> da inibi\u00e7\u00e3o, e ao ser suprimida, uma imagem passa por baixo revelando o real atrav\u00e9s dela para o falasser.[\/vc_column_text][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;134154&#8243;]<strong>Notas do autor:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> LACAN, J. O aturdito. In: <em>Outros Escritos. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 448-500. (Trabalho original proferido em 1972).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> LACAN, J. O mestre castrado. In: <em>O Semin\u00e1rio, livro 17<\/em>: O avesso da psican\u00e1lise. Tradu\u00e7\u00e3o de Ary Roitman. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. (Trabalho original proferido em 1969-70).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> FREUD, S. Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. VII, 1969. (Trabalho original publicado em 1905).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> <em>Idem, ibidem<\/em>, p. 181.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: O sinthoma. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Laia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> GONTIJO, M. J. Argumento. In: <em>27\u00aa Jornada da EBP-MG<\/em>: Argumento, eixos e cita\u00e7\u00f5es. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/argumento\/. Acesso em: 01 out. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> MILLER, J.-A. O real n\u00e3o fala. In: <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em><em>. <\/em><em>Los cursos psicoanaliticos de Jacques-Alain Miller<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de St\u00e9phane Verley. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: Mais, ainda. Tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. (Trabalho original proferido em 1972-73).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> FREUD, S. Inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XX, 1996. (Trabalho original publicado em 1926). p. 110. <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: A ang\u00fastia. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; vers\u00e3o final de Angelina Harari e prepara\u00e7\u00e3o de texto de Andr\u00e9 Telles; tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. (Trabalho original proferido em 1962-63). p. 22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> LACAN, J. <em>Le S\u00e9minaire, livre XXII: R.S.I<\/em>. Le\u00e7on du 17 d\u00e9cembre 1974. (Trabalho original publicado em 1974-75).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> FREUD, 1926\/1996, p. 112<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> MILLER, J.-A. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio 10 da ang\u00fastia de Jacques Lacan.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 43, p. 7-91, mai. 2005.\u00a0p. 17.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/em>: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1979. (Trabalho original proferido em 1964). p. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> SOUTO, S. Quanto tudo \u00e9 normal, o que se analisa? In: <em>27\u00aa Jornada da EBP-MG<\/em>: Textos de orienta\u00e7\u00e3o. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/quando-tudo-e-normal-o-que-se-analisa-eixo-3\/. Acesso em: 01 out. 2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> SANTIAGO, J. O nome, o oco e a fona\u00e7\u00e3o. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 67, p. 89-96, 2013. p. 93.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> PACHECO, L. A tela do fantasma e a esfolia\u00e7\u00e3o do Imagin\u00e1rio. In: <em>27\u00aa Jornada da EBP-MG<\/em>: Textos de orienta\u00e7\u00e3o. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/a-tela-do-fantasma-e-a-esfoliacao-do-imaginario\/. Acesso em: 01 out. 2024.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;30&#8243; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; align_medium=&#8221;align_center_tablet&#8221; medium_width=&#8221;2&#8243; align_mobile=&#8221;align_center_mobile&#8221; mobile_width=&#8221;6&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;654255&#8243;][vc_single_image media=&#8221;565&#8243; media_width_percent=&#8221;70&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;619549&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2024%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F11%2FGraciela-Bessa-Transposicao-ou-Unterdruckung-supressao-da-inibicao.pdf|target:_blank&#8221;][vc_custom_heading text_color=&#8221;color-nhtu&#8221; heading_semantic=&#8221;h3&#8243; text_font=&#8221;font-175522&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;137017&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]Para baixar o arquivo, abra o PDF em nova aba.[\/vc_custom_heading][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Graciela Bessa (EBP\/AMP)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-textos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=831"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":843,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/831\/revisions\/843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}