corte e costura
“Então chegamos à conclusão de que o estar doente do analisando não pode terminar com o início de sua análise, de que devemos tratar sua doença não como um assunto histórico, mas como uma potência atual.”
FREUD, S. Lembrar, repetir e perlaborar. In: Fundamentos da Clínica Psicanalítica. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. (Trabalho original publicado em 1914). p. 156.
“Eis-nos, pois, no princípio maligno desse poder sempre passível de um direcionamento cego. É o poder de fazer o bem – nenhum poder tem outro fim, e é por isso que o poder não tem fim. Mas aqui, trata-se de outra coisa, trata-se da verdade, da única, da verdade sobre os efeitos da verdade. […] Para onde vai, portanto, a direção do tratamento? Talvez baste interrogar seus meios para defini-la em sua retidão.”
LACAN, J. A direção do tratamento e os princípios do seu poder. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. (Trabalho original publicado em 1958). p. 647.
“A partir de então, o estatuto do psicanalista como tal não repousa em nada mais do que nisso: ele se oferece para suportar, em certo processo de saber, esse papel de objeto de demanda, de causa de desejo, que faz com que o saber obtido não possa ser mantido senão pela realização significante ligada a uma revelação de fantasma.”
LACAN, J. O Seminário, livro 15: O ato psicanalítico. Rio de Janeiro: Zahar, 2025. (Trabalho original proferido em 1967-1968). p.210.
“Em outras palavras, aqui não se trata de travessia, que é do mesmo registro que a ultrapassagem, o despertar, a renovação: ‘Deixe atrás de ti o homem velho, torne-se o novo.’ Esta é a travessia, o imaginário da travessia que Lacan, cabe dizer, explorou diante dos auditórios, na época, revolucionários. Ele lhes trouxe uma revolução para se fazer ouvir. Não há travessia, mas uma acomodação, uma medida. De modo que isso faz desaparecer um pouco, atenua, a diferença entre uma parada da análise e o final propriamente dito.”
MILLER, J.-A. Perspectivas dos Escritos e Outros escritos de Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 157.


