{"id":630,"date":"2026-06-24T05:31:55","date_gmt":"2026-06-24T05:31:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2026\/?post_type=portfolio&#038;p=630"},"modified":"2026-06-27T00:23:18","modified_gmt":"2026-06-27T00:23:18","slug":"bussola-3-temp","status":"publish","type":"portfolio","link":"https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2026\/portfolio\/bussola-3-temp\/","title":{"rendered":"Analisar e separar: duas quest\u00f5es sobre a \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d e os discursos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;207413&#8243;][vc_custom_heading text_color=&#8221;accent&#8221; text_font=&#8221;font-175661&#8243; text_size=&#8221;h4&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;173075&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]b\u00fassola[\/vc_custom_heading][vc_empty_space empty_h=&#8221;1&#8243;][vc_custom_heading auto_text=&#8221;yes&#8221; text_color=&#8221;color-jevc&#8221; text_font=&#8221;font-175661&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;519151&#8243; text_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221;]O enigma do ato<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>[\/vc_custom_heading][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;139786&#8243;]Frederico Feu de Carvalho (EBP\/AMP)<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTudo que se passa no n\u00edvel do que se chama juventude \u00e9 muito sens\u00edvel, pois o que penso \u00e9 que se o discurso anal\u00edtico tivesse tomado corpo, eles saberiam melhor o que se h\u00e1 de fazer para fazer a revolu\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\n(LACAN, 12\/05\/72, Mil\u00e3o)<\/p><\/blockquote>\n<p>Proponho desenvolver aqui algumas rela\u00e7\u00f5es entre a escrita dos discursos e o que J.-A. Miller (2022) chamou de \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d em seu coment\u00e1rio do Semin\u00e1rio 14, \u00a0<em>A l\u00f3gica do fantasma<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo Miller, a escrita do discurso do mestre, formalizada por Lacan no Semin\u00e1rio 17,<em> O avesso da psican\u00e1lise<\/em>, comporta as duas formas da aliena\u00e7\u00e3o que orientaram as discuss\u00f5es do Cartel dedicado ao Eixo 1 da 28\u00aa Jornada da EBP-MG, \u201cSeparar\u201d. De acordo com essa escrita, o acesso ao la\u00e7o social, a aliena\u00e7\u00e3o significante do sujeito, sup\u00f5e a moeda de troca da fantasia.\u00a0 A perda do ser de gozo (a marca significante do sujeito, S1\/$) \u00e9 compensada pela recupera\u00e7\u00e3o do mais-de-gozar por meio do trabalho do saber inconsciente (S2\/<em>a<\/em>). A aliena\u00e7\u00e3o do sujeito no inconsciente, no campo do Outro, comporta ent\u00e3o essa dupla face: sua divis\u00e3o pelo significante (penso onde n\u00e3o sou) e a extra\u00e7\u00e3o do objeto da fantasia (sou onde n\u00e3o penso), recortado do campo da realidade.[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;40&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;7&#8243; mobile_width=&#8221;7&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;160287&#8243;][vc_single_image media=&#8221;697&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;613149&#8243; el_class=&#8221;blend-multiply&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;111898&#8243;]A separa\u00e7\u00e3o, como opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, implicaria a conjun\u00e7\u00e3o entre o res\u00edduo do \u201ceu n\u00e3o penso\u201d e o res\u00edduo do \u201ceu n\u00e3o sou\u201d, <em>a<\/em> \u2192 $, que define o sujeito como \u201cresposta do real\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d, por sua vez, seria equivalente ao recha\u00e7o do inconsciente. Se retomamos a homologia estrutural entre o discurso do mestre e o discurso do inconsciente, \u00e9 o discurso do mestre em sua forma tradicional que seria ent\u00e3o recha\u00e7ado. O sujeito escolhe o seu ser sob a forma do \u201cser eu\u201d (modulado para a nova forma do <em>cogito<\/em>: eu sou o que eu digo que eu sou), o que exclui a \u201cpergunta pelo ser\u201d que caracteriza a posi\u00e7\u00e3o analisante ($ \u2192 S1, conforme o discurso da hist\u00e9rica).<\/p>\n<p>Tomando como refer\u00eancia o quadro acima da divis\u00e3o do sujeito (trabalhado por Lacan no Semin\u00e1rio 10), na \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d o sujeito n\u00e3o se dirige ao campo do Outro, mas toma partido de \u023a, desde que possamos ler o \u201crecha\u00e7o do inconsciente\u201d tamb\u00e9m como um modo de recusa do Outro.<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o que gostaria de remeter ao Eixo 1 de nossa Jornada \u00e9 se podemos considerar a modifica\u00e7\u00e3o produzida no discurso do mestre pela escrita do discurso do capitalista como um \u00edndice da\u00a0 \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d.[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;40&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;7&#8243; mobile_width=&#8221;7&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;160287&#8243;][vc_single_image media=&#8221;698&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;425332&#8243; el_class=&#8221;blend-multiply&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;146157&#8243;]Podemos nos apoiar na afirma\u00e7\u00e3o de Lacan de que a manobra do discurso do capitalista equivale a um rep\u00fadio \u00e0 castra\u00e7\u00e3o. Se estamos corretos ao ler o circuito desse discurso seguindo a dire\u00e7\u00e3o de suas setas, podemos perceber que se trata de um circuito cont\u00ednuo que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os seus termos:[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;40&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;7&#8243; mobile_width=&#8221;7&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;160287&#8243;][vc_single_image media=&#8221;699&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;174807&#8243; el_class=&#8221;blend-multiply&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;157112&#8243;]Lacan (1978) fala do discurso do capitalista, em 1972, em uma confer\u00eancia em Mil\u00e3o. \u00c9 curioso que abaixo de sua escrita ele inclua a frase: \u201cque se diga fica esquecido por tr\u00e1s do que se diz no que se ouve\u201d. E acrescenta: \u201ceste enunciado, que \u00e9 assertivo por sua forma, que qualifiquei de universal, pertence ao modal por aquilo que emite de exist\u00eancia\u201d. Estranha forma assertiva, por incluir um tipo de nega\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o esquecimento do fato do dizer. Em outros termos, se estou correto em minha interpreta\u00e7\u00e3o dessa frase nesse contexto, o ato de enuncia\u00e7\u00e3o, que comporta a exist\u00eancia, se descola do enunciado, e torna imposs\u00edvel o ato performativo que me permitiria dizer que eu sou o que eu digo. O dizer n\u00e3o autoriza nenhum dito. \u201cQue se diga\u201d \u00e9 um puro enunciado de exist\u00eancia, como o S1 em lugar de agente no discurso do mestre que, em sua homologia estrutural com o discurso do inconsciente, pode ser lido como a marca do <em>Um<\/em> que p\u00f5e o inconsciente a trabalho a fim de elucubrar um saber sobre essa marca.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 escrita do discurso do capitalista, Lacan diz que se trata de um discurso \u201cloucamente astuto\u201d. Podemos dizer que se trata de dupla ast\u00facia: em lugar da disjun\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto (<em>a<\/em> \/\/ $), como produto da aliena\u00e7\u00e3o ao inconsciente no discurso do mestre, ter\u00edamos a rela\u00e7\u00e3o direta entre o objeto mais-de-gozar e o sujeito (<em>a<\/em>-$); e em vez do intervalo no qual um significante representa o sujeito para um outro significante (S1 \u2192 S2), ter\u00edamos o acoplamento entre enunciado e enuncia\u00e7\u00e3o (S1-S2). O discurso capitalista seria aquele que, ao mesmo tempo em que impele ao gozo, recha\u00e7a o inconsciente.<\/p>\n<p>Essa manobra astuciosa tem implica\u00e7\u00f5es no la\u00e7o anal\u00edtico e na transfer\u00eancia. O dizer: \u201ceu sou o que eu digo que eu sou\u201d, nascido da c\u00f3pula entre S1 e S2, rejeita o sujeito do inconsciente (que fica esquecido por tr\u00e1s do que se diz no que se ouve). Essa rejei\u00e7\u00e3o repercute na an\u00e1lise como uma aus\u00eancia de suposi\u00e7\u00e3o de saber, isto \u00e9, como desinvestimento na fic\u00e7\u00e3o inconsciente. \u00c9 essa fic\u00e7\u00e3o, que resulta do saber posto a trabalho no discurso do mestre, que seria desdobrada na temporalidade pr\u00f3pria do sujeito suposto saber em uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>O resultado dessa rejei\u00e7\u00e3o do discurso do capitalista \u00e9 a impenetrabilidade da interpreta\u00e7\u00e3o, que parece ser assim despossu\u00edda de seus meios. Por outro lado, o objeto <em>a<\/em>, que no discurso do mestre \u00e9 extra\u00eddo do campo da realidade, cavando a\u00ed um furo, \u00e9 reapropriado pelo sujeito na forma do objeto <em>gadget<\/em> a ser velozmente consumido. Raz\u00e3o pela qual Lacan considera o discurso do capitalista, al\u00e9m de astucioso, insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias que podemos conjecturar para a pr\u00e1tica anal\u00edtica frente \u00e0 vig\u00eancia atual do discurso do capitalista \u00e9 que o analista se torna, ele mesmo, o objeto da separa\u00e7\u00e3o, enquanto causa do desejo, seja por meio de sua intrus\u00e3o, na fenda aberta pelo equ\u00edvoco, entre o par S1.S2, seja por sua estranheza, entre o par <em>a<\/em>.$, por n\u00e3o se apresentar como objeto de consumo, ao modo das \u201cpesterapias\u201d (neologismo de Lacan nessa confer\u00eancia para expressar o engajamento das psicoterapias no discurso do capitalista).<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o que remeto ao Eixo 1 da Jornada parte da constata\u00e7\u00e3o de que o chamado \u201cdiscurso identit\u00e1rio\u201d pode ser tomado como uma variante do discurso da universidade, que seria a sua matriz discursiva. De fato, \u00e9 especialmente nas universidades que o discurso identit\u00e1rio \u00e9 proferido e onde ele mais prospera.<\/p>\n<p>A fim de desenvolver esse segundo aspecto, seria preciso percorrer o caminho que vai do discurso do mestre ao discurso da universidade. Resumidamente, o saber do escravo foi traficado para a universidade, antes que o capitalista pudesse tom\u00e1-lo em seu poder ao se associar ao discurso da ci\u00eancia, a partir do momento em que o saber se torna unidade de valor.<\/p>\n<p>Podemos dizer que essa progress\u00e3o hist\u00f3rica do discurso do mestre para o discurso da universidade \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es para se chegar ao discurso do capitalista. O termo de compara\u00e7\u00e3o seria, aqui, o S1 no lugar da verdade em ambos os discursos.[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;40&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;7&#8243; mobile_width=&#8221;7&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;160287&#8243;][vc_single_image media=&#8221;700&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;156295&#8243; el_class=&#8221;blend-multiply&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;111972&#8243;]A ascens\u00e3o do <em>saber<\/em> (S2\/S1), no discurso da universidade, \u00e9 o resultado da elimina\u00e7\u00e3o da equivocidade da cadeia significante (S1 \u2192 S2). \u00c9 essa elimina\u00e7\u00e3o que caracteriza a tomada do significante no discurso da ci\u00eancia, na medida em que esse discurso reduz essa equivocidade \u00e0 letra matem\u00e1tica, onde se exige que um elemento <em>b<\/em> seja sempre igual a ele mesmo. O saber em lugar de comando, no discurso da universidade, sup\u00f5e a assun\u00e7\u00e3o do significante tomado em sua unicidade, o significante id\u00eantico a si, a partir do qual o mestre exerce o seu dom\u00ednio sobre o <em>outro<\/em>, que s\u00f3 pode figurar a\u00ed reduzido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de <em>objeto<\/em> desse saber. Seguindo essa leitura, o que se produz \u00e9 o $ como dejeto do saber.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o do sujeito como dejeto, no lugar onde o objeto mais-de-gozar se alojava no discurso do mestre, \u00e9 um efeito do discurso da universidade obtido gra\u00e7as a uma estrita redu\u00e7\u00e3o da verdade ao enunciado do mestre. Como produto do discurso da universidade, o sujeito est\u00e1 impedido de relan\u00e7ar um discurso a partir de seu pr\u00f3prio S1 (S1 \/\/ $), tendendo a reproduzir esse discurso a partir do S1 do mestre. Um saber que se enuncia como verdade, eis o que caracteriza o S1 no lugar da verdade no discurso da universidade. Dele se deduz o <em>Eu transcendental<\/em> no qual se sustenta o \u201ctudo-saber\u201d do discurso da universidade.<\/p>\n<blockquote><p>O Eu transcendental \u00e9 aquele que qualquer pessoa que de uma certa maneira enunciou um saber cont\u00e9m como verdade, \u00e9 o S1, o Eu do mestre.<\/p>\n<p>O Eu id\u00eantico a si mesmo, \u00e9 justamente da\u00ed que se constitui o S1 do puro imperativo.<\/p>\n<p>O imperativo \u00e9 justamente aquilo em que o Eu se desenvolve, porque est\u00e1 sempre em segunda pessoa.<\/p>\n<p>O mito do Eu ideal, do Eu que domina, do Eu pelo qual alguma coisa \u00e9 pelo menos id\u00eantica a si mesma, a saber, o enunciador, eis precisamente o que o discurso universit\u00e1rio n\u00e3o pode eliminar do lugar onde se acha a sua verdade. De todo enunciado universit\u00e1rio de uma filosofia qualquer, mesmo aquela que se poderia etiquetar como sendo-lhe a mais oposta, a saber, em se tratando de filosofia, o discurso de Lacan \u2013, surge irredutivelmente a <em>Eu-cracia<\/em>. (LACAN, 1969-70\/1992, p. 59)<\/p><\/blockquote>\n<p>Podemos conceber assim a g\u00eanese do discurso da universidade na contemporaneidade: o discurso da esquerda, sob o pretexto de erigir o novo homem, recolocou em cena um novo mestre, conforme antecipado por Lacan no anexo \u201cAnalitycon\u201d, do Semin\u00e1rio 17. O resultado \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do sujeito como <em>assujeitado<\/em> ao imperativo de gozo do mestre contempor\u00e2neo. Nada \u00e9 mais evidente, segundo a estrutura do discurso universit\u00e1rio, do que essa produ\u00e7\u00e3o de um novo assujeitamento (ou de \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d) onde se queria erigir o <em>novo homem<\/em>.<\/p>\n<p>Parece-nos l\u00edcito atribuir ao <em>modus operandi <\/em>do discurso capitalista esse mesmo triunfo da <em>Eu-cracia<\/em> que caracteriza o discurso da universidade, na medida em que o consumo de objetos e dos recursos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o no mercado permite enquadrar a falta. A invers\u00e3o entre S1 e $ no discurso do capitalista convoca, assim, o sujeito a se fazer nomear por um S1, ao se posicionar no lugar do agente nesse discurso, e imaginar-se mestre de seu ser, acionando um saber chamado a sustentar essa nomea\u00e7\u00e3o, gerando assim o enunciado: \u201ceu sou o que eu digo que sou\u201d, conforme o circuito sem lacunas do discurso do capitalista. Esse artif\u00edcio discursivo produz uma invers\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito como <em>suposto<\/em> ao significante que caracteriza a aliena\u00e7\u00e3o subjetiva no discurso do inconsciente (S1\/$). O S1, como marca subjetiva do<em> Um<\/em>, se mant\u00e9m nessa nova configura\u00e7\u00e3o discursiva no lugar da verdade como recha\u00e7ada, reduzido \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de imperativo de gozo.<\/p>\n<p>A alian\u00e7a entre o discurso do capitalista e o discurso da universidade j\u00e1 tem sido explorada por n\u00f3s quando se trata do discurso da ci\u00eancia, ou melhor, do cientificismo. Trata-se, agora, de pens\u00e1-la em sua fun\u00e7\u00e3o de nomea\u00e7\u00e3o e recha\u00e7o do sujeito do inconsciente. De fato, \u00e9 como consumidor que o sujeito \u00e9 contabilizado no discurso do capitalista.<\/p>\n<p>Para concluir, gostaria de contrapor ao novo <em>cogito<\/em>, \u201ceu sou o que eu digo que eu sou\u201d, um pensamento revelado recentemente por um analisante ao remontar \u00e0 origem de suas ang\u00fastias na adolesc\u00eancia: \u201cSou eu comigo mesmo\u201d. Levando-se em conta o contexto dessa an\u00e1lise, podemos dizer que o Outro n\u00e3o se apresenta aqui como recha\u00e7ado, mas barrado, deixando o sujeito desamparado sob a responsabilidade da sua pr\u00f3pria enuncia\u00e7\u00e3o, a fim de aferir sua pr\u00f3pria aliena\u00e7\u00e3o inconsciente, conforme o modelo do discurso da histeria:[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner column_width_percent=&#8221;40&#8243; gutter_size=&#8221;3&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;7&#8243; mobile_width=&#8221;7&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;160287&#8243;][vc_single_image media=&#8221;701&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243; alignment=&#8221;center&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;211052&#8243; el_class=&#8221;blend-multiply&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_column_text uncode_shortcode_id=&#8221;200213&#8243;]Por outro lado, ali onde o Outro se apresenta como recha\u00e7ado, a margem para uma aposta anal\u00edtica no desejo, esquecido por tr\u00e1s da formula\u00e7\u00e3o desse novo <em>cogito<\/em>, \u201ceu sou o que eu digo que sou\u201d, s\u00f3 poderia ser alcan\u00e7ada pelo uso a ser feito do analista como um objeto de separa\u00e7\u00e3o entre o dito e o dizer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>MILLER, J.-A. <em>Los cuatro de Lacan: 1,2,3,4. <\/em>Tomo II. Li\u00e7\u00e3o de 22 de maio de 1985. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2022. (Trabalho original proferido em 1985).<\/p>\n<p>LACAN, J. Discours de Jacques Lacan \u00e0 l\u2019Universit\u00e9 de Milan (12 mai 1972). In: <em>Lacan en Italie<\/em> <em>1953-1978<\/em>. Milan: La Salamandra, 1978, p. 32-55. (Trabalho original proferido em 1972).<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 17<\/em>: O avesso da psican\u00e1lise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Ary Roitman. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. (Trabalho original proferido em 1969-70).<\/p>\n<p>LACAN, J. <em>O<\/em> <em>Semin\u00e1rio, livro 14<\/em>: A l\u00f3gica do fantasma. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller; tradu\u00e7\u00e3o de Teresinha N. Meirelles do Prado; vers\u00e3o final de Angelina Harari. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2024. (Trabalho original proferido em 1966-67).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column column_width_percent=&#8221;100&#8243; align_horizontal=&#8221;align_center&#8221; gutter_size=&#8221;2&#8243; overlay_alpha=&#8221;50&#8243; shift_x=&#8221;0&#8243; shift_y=&#8221;0&#8243; shift_y_down=&#8221;0&#8243; z_index=&#8221;0&#8243; medium_width=&#8221;0&#8243; mobile_width=&#8221;0&#8243; width=&#8221;1\/1&#8243; uncode_shortcode_id=&#8221;149691&#8243;][vc_button button_color=&#8221;color-prif&#8221; border_width=&#8221;0&#8243; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fwww.jornadaebpmg.com.br%2F2026%2Fwp-content%2Fuploads%2F2026%2F06%2FBussola-Artefato-3-Frederico-Feu.pdf|target:_blank&#8221; button_color_type=&#8221;uncode-palette&#8221; uncode_shortcode_id=&#8221;211035&#8243;]BAIXAR TEXTO EM PDF[\/vc_button][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Frederico Feu de Carvalho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":240,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"portfolio_category":[13,7,4],"class_list":["post-630","portfolio","type-portfolio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-artefato-3","portfolio_category-bussola","portfolio_category-orientacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - 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